Dividiram o mundo:
Oceano e Continente.
As almas frias e insones
crentes que eram nos
sobrenomes,
que fiquem à deriva
nos salva-vidas.
As almas que ardem
e sonolentas,
que tinham náuseas
das audiências
assumam o posto
de presidentas:
Os bichos com os
seus nichos.
Os mercados
destrambelhados
Os bancos aos
saltimbancos
As feiras
com as cozinheiras
As escolas
com os quilombolas
As estrelas
com as bordadeiras
E todas as crianças
na pajelança.
Institua-se feriado nacional
quando:
Um bando de macacos se
sentirem mal
pelas bananas do Senegal.
O Bispo estiver com um cisco
na borda do avental.
O Pescador trouxer
marisco em quantidade
monumental.
O agricultor apreçar
banana,
à conta de filigrana.
E nas questões do
amor:
Que Drummond seja em sermões
com as suas sem-razões
Florbela lida à capela
para o júbilo das
multidões
E Cecília recitar
Marília,
de Dirceu,
tão belo quanto
um poema
seu.
E que se publique esta lira:
Que os céus se apaguem
mais cedo
E a Lua acenda-se em pira.
Assim ser-me-á mais
fácil
Com o táctil dos
meus dedos
Localizar sem que os fira
Os lábios com que
me tiras
Na ânsia de me dar
teu beijo.