Sim,
eu quero o seu sorriso
Meu
Deus! É tudo que me falta!
Quero
ir com ela ao paraíso
esperar
que complete quinze
anos
e desvirginá-la num
dos
seus jardins.
Um
querubim se aproxima
e
olha seu rosto sereno
traz-nos
mel e veneno
fel
de Satanás.
Mas
não acredito no Diabo
E
digo isso a ela quando
desperta
De
camisola azul
Meu
Deus... Onde está
o
Carlos Pena.
Ancorado
no cais?
Uma
água viva?
Um
zéfiro Sul Americano?
Uma
menina
E
o que fiz com ela?
Toquei
o seu corpo
com
uma promessa
de
germinar areia.
Levo-a
à praia
e
molho seus pés na água
É
apenas uma menina,
meu
Deus...
O
que foi que eu fiz?
Não
há lágrima e
ela
sorri abundantemente.
Meu
Deus, o que foi
que
eu fiz...
O
sal bate em seu rosto
e
o torna mais radiante.
sargaços
calçam seus pés
e
os caranguejos os olham
de
longe.
O
ventre... E o seu ventre...
O
imagino a cama de uma
criança.
Espero
essa criança
e
Satanás me alcança.
Não
acredito em Satanás.
Onde
estão teus anjos meu Deus?
Afastados
de mim pelo pecado?
Não
havia maçã, ou uva, ou
hóstia.
Havia
o mel do arcanjo que
fecundou
a alma da menina.
Meu
sêmen fecundou seu ventre
E
só Deus poderá reverter
essa
realidade.
Não
quero que os mate.
Areia,
num deserto,
Não
há água e temos
fome.
A
menina dissimula
com
a força dos titãs.
Satanás
se aproxima.
Não
acredito em Satanás.
Tentará
a menina?
Não.
Não com seu anjo
azul.
Começo
a rezar um poema
e
encontro um oásis
Prometo
não comer fruta
alguma.
Prometo
não tentar a Deus.
Eu
acredito em Deus.
Levo
a menina pela cintura
Dispo-a
suavemente
e
nos reencontramos com a
água.
Meu
Deus, é disso que precisamos:
água!
Água
e areia fundaram o mundo.
Satanás
se aproxima,
mas
sinto-lhe a fraqueza na alma.
Meu
sêmen novamente é derramado,
o
anjo olha e ela sutilmente geme.
O
anjo me fita e sorri.
Meu
Deus, como eu precisava desse
sorriso!
Meu
Deus, perdoe-me pela violação.
Estamos
na cidade.
O
Diabo nos espreita.
Ela
já traz no ventre uma criança.
Eu
a tenho presa à cintura
e
o anjo observa de um
arranha-céu
Procuro
nas esquinas,
nos
muros, cartazes,
fachadas,
um poema do Carlos Pena
para
rezar.
Satanás
se esconde na indiferença.
Satanás
é contido pelo anjo.
O
anjo me observa.
Na
cidade parece desconfiar de mim,
dos
meus cabelos, roupa, do meu andar.
A
menina veste branco, mas a roupa
íntima
é azul.
Meu
Deus... Perdoe-me por este pecado.
O
anjo a acha feliz e hesito
em
me considerar aquele que
assim
a manterá.
A menina
afaga meu rosto
Eu
estou triste e cansado
Tentado
estou a me achar
um
tolo ou um ninguém.
Temo
que o anjo a leve
Será
melhor para ela?
Pelo
menos serei o pai
de
seu filho.
Eu
sei que ela não sentirá
dor
ao ter esse filho.
Sei
que dormirá e acordará
a
seu lado.
Lembrei-me
do Carlos Pena,
e
recitei para ela.
Meu
Deus, me perdoe,
mas
é como se não existissem
o
Senhor ou Satanás, ninguém,
só
nosso anjo que levava
mel
no alforge e mirra.
Seríamos
sepultados
naquela
cidade,
entre
metrôs, avenidas,
prédios,
shoppings, bancos
e
toda aquela parafernália.
A
criança, de sandálias,
declamaria
aos ventos
os
versos do Carlos Pena.
O
Diabo morrera conosco.
O
anjo fiel leva flores à
nossa
sepultura.
Hoje
procuramos por Deus.