
A P�GINA DOS GA�CHOS!
TRAJES T�PICOS
Os grupos de dan�as tradicionais, categoria adulta, somente poder�o apresentar-se usando um dos trajes de �poca, dentre os citadas abaixo, no ENCONTRO DE ARTE E TRADI��O GA�CHA � ENART ou eventos similares.
Segundo Vera Stedile Zattera, a evolu��o hist�rica da indument�ria acontece em tr�s grandes per�odos, marcados como:
1� �poca - Ga�cho Gaud�rio -1730 a 1820
2� �poca - Ga�cho Charqueador - 1820 a 1865
3� �poca - Ga�cho Fazendeiro � 1865 at� nossos dias.
Segundo Ant�nio Augusto Fagundes, que atenta para a pe�a que domina o conjunto, os complexos da indument�ria do ga�cho s�o quatro:
1� - Chirip� primitivo � 1750 a 1820
2� - Bragas � 1750 a 1820
3� - Chirip� Farroupilha � 1820 a 1865
4� - Bombachas � a partir de 1865.
Nossa proposta, portanto, � pelo uso t�o somente dos trajes:
* Chirip� Primitivo ou Changador,
* Estancieiro,
* Charqueador
* Chirip� Farroupilha
* Bombachas
com as respectivas indument�rias femininas, nas apresenta��es dos grupos de dan�as, conforme especifica��o acima mencionada.
A bibliografia recomendada para a pesquisa dos referidos trajes para as apresenta��es dos grupos de dan�as, categoria adulta, �:
Acri, Edson. O Ga�cho, usos e costumes. GRAFOSUL, 1995.
Cort�s, Paix�o J.C. � O Ga�cho, Dan�as, Traje e artesanato. Garatuja � 1979.
__________________ - Ponto & Pesponto da Vestimenta da Prenda � Anota��es de Marina M. Paix�o cortes � 1998.
__________________ - 70 Dan�as e a Mesmice � 1997.
Fagundes, Ant�nio Augusto- Indument�ria Ga�cha. Martins Livreiro. Porto Alegre, 1992.
Yarup, Celso � Regulamento do Vestido de Prenda � tese do 34� Congresso tradicionalista, Ca�apava � 1989.
Zattera, Vera Stedille � Ga�cho, Vestu�rio Tradicional e Costumes � Palotti, 1� edi��o 1995 � Porto Alegre.
Propomos tamb�m, a inclus�o desta no Regulamento do ENART, bem como nas Diretrizes sobre a Pilcha Ga�cha.
JUSTIFICATIVAS
No Brasil, h� basicamente tr�s trajes caracter�sticos: o Vaqueano, o da baiana e do ga�cho.
A cultura do ga�cho, bem como as express�es por ele usadas est�o alicer�adas em conhecimentos obtidos pela conviv�ncia em grupo, ou seja, em tradi��es, somadas aos elementos hist�ricos e sociol�gicos. Dentre seus legados e sua tradi��o, est� o modo de vestir, estando sujeito a mudan�as pr�prias de cada �poca e circunst�ncias.
Nos prim�rdios do Rio Grande do Sul, o ga�cho conheceu uma �nica indument�ria: a europ�ia, que, aos poucos, passou a ganhar novas pe�as, adaptadas ao clima, ao tipo de vida, �s suas condi��es e necessidades econ�micas.
A indument�ria do ga�cho separada em �pocas, baseiam-se em acontecimentos hist�ricos, econ�micos e sociol�gicos, que muito interferiram nas mudan�as do traje t�pico do habitante do pago ga�cho.
Antes que se tornar capitania, o Rio Grande do Sul foi percorrido por tropeiros, que passavam inicialmente por Curitiba e Vacaria; pelos caminhos de Laguna e Morro dos Conventos, descendo por Ararangu�, Torres e Santo Ant�nio da Patrulha. Esta rota fez os tropeiros chegarem �s Vacarias do Mar. Estes homens estavam muito interessados em muares criados na regi�o missioneira e serrana para lev�-los � feira de Sorocaba, em S�o Paulo e posteriormente �s Minas Gerais.
Na primeira �poca da hist�ria do Rio Grande do Sul, marcada pelo ga�cho gaud�rio, que era um mesti�o cultural com outras etnias foi, num primeiro momento, um ga�cho ca�ador, um changador, um coureador, um gaud�rio, um andejo, um �ndio ou mesti�o e um jogador, sem domic�lio certo, que andava de est�ncia em est�ncia, trabalhando em servi�os que fossem executados a cavalo, cujo aspecto de sua �ndole deixou transparecer no seu modo de vestir. Neste per�odo, surgem duas classes sociais distintas, resultantes das condi��es s�cio-econ�micas da �poca:
* Estancieiro: o homem que empreitava as grandes arreadas de gado e as comandava pessoalmente, verdadeiro senhor de bara�o e cutelo de suas gentes e primeiro caudilho rio-grandense, tinha melhores condi��es financeiras, por isso vestia-se melhor. Este rico senhor, primeiro estancieiro, trajava-se basicamente � europ�ia, trajando BRAGAS.
* Pe�o: N�o denotava grandes cuidados com o seu vestir, seu traje destinava-se a proteg�-lo, n�o atrapalhando o desenvolvimento de suas atividades de cavalgar e ca�ar o gado. O que mais lhe convinha era o aspecto de liberdade de movimentos e de domador, pois precisava ca�ar o gado para tirar-lhe o couro e o sebo, para a comercializa��o. Por isso usou basicamente dois palas, um enfiado na cabe�a e outro enrolado na cintura, tipo saia, conhecido como CHIRIP� PRIMITIVO ou ainda do CHANGADOR.
* Estancieira: Por deter melhores condi��es econ�micas, vestia-se melhor, � moda europ�ia.
* Mulher rural: como � de supor, vestia-se pobremente, conforme suas condi��es econ�micas e atividades dom�sticas.
O segundo per�odo da hist�ria do Rio Grande do Sul � tamb�m marcado por duas classes sociais distintas, resultantes das condi��es s�cio-econ�micas da �poca:
* o Estancieiro ou charqueador que � o homem ocupado com o com�rcio de couros e derivados do gado, como o sebo e os chifres. O Charqueador re�ne, nos limites do curral, onde mant�m os bois vivos, o matadouro, o secadouro e as caldeiras. Tamb�m veste-se � moda europ�ia. Este traje � conhecido como do CHARQUEADOR, onde observa-se o uso de botas russilhonas ou �granaderas�, levantadas e cal�as por dentro das botas, tendo estas um recorte triangular na braguilha.
* O Pe�o, que � o ga�cho, o gaud�rio passa a ser mais procurado, mais importante e eficiente. A charqueada ou o saladeiro traz para si uma necessidade maior de m�o-de-obra, fazendo com que o charqueador procure o mesti�o, o �ndio, o bugre, o gaud�rio e o negro, trazido do norte do pa�s e insuficiente para a lida. Sua coragem e destreza na lide campeira e na prepara��o do charque s�o reconhecidas pelos empres�rios do charque. Tais limites de terras passam a ser dirigidos por ga�chos que formam uma pequena sociedade o patr�o ou o estancieiro, ou o charqueador, o capataz e os pe�es. Essa atividade refor�a o esquema s�cio-econ�mico da �poca, onde as hierarquias s�o definidas. Com os problemas econ�micos da �poca, o gado constituiu, atrav�s das charqueadas a grande riqueza da Prov�ncia e ele cresce numerosamente nos pastos amplos e aguadas das est�ncias, fazendo crescer a quantidade de charqueadas e est�ncias. Este homem vestiu dois palas, um enrolado por entre as pernas e outro enfiado ao pesco�o. Este � o conhecido CHIRIP� FARROUPILHA.
* Estancieira: por sua abastada condi��o financeira, veste-se a moda europ�ia. Ela usa vestido longo de seda ou veludo, cortado a cintura
* Mulher rural: tem melhores condi��es financeiras, que a mulher do changador, do ga�cho gaud�rio, por isso veste-se melhor que a mulher da primeira �poca.
A terceira �poca da hist�ria econ�mica do Rio Grande do Sul � um per�odo de transforma��o. As influ�ncias da modernidade transmitem significativas mudan�as na vida do ga�cho. As taipas s�o substitu�das por cercas de arame, o lampi�o por luz el�trica, o mensageiro por telefone, o cavalo pelo carro. O gado vacum � aprimorado para o corte ou leite e o cavalar � especificado para tra��o ou cavalgar. O fazendeiro � um empres�rio preocupado em aperfei�oar sua cultura e sua gadaria. As t�cnicas nacionais e internacionais de ponta, na agropecu�ria, s�o adaptadas visando o desenvolvimento dos neg�cios do Rio Grande. O pe�o, o empregado rural, o tratorista e o acompanham: o homem da cidade, se4 empenha na ind�stria e no com�rcio e assim o Rio Grande cresce.
O ga�cho, que nasceu �ndio, mesti�ou-se, foi gaud�rio depois fazendeiro, pe�o, homem rural ou estancieiro, ainda usa um indument�ria confort�vel e livre. Seus h�bitos lhe conferem o direito de ser um homem de bem, respeitado pela sua �ndole hospitaleira e justa. Este homem ordeiro, organizado, trabalhador e defensor de sua p�tria, � o ga�cho da terceira �poca, caracterizado tamb�m pelo uso da BOMBACHA.
Com argumentos s�cio-econ�micos, que constru�ram a hist�ria, a cultura e o desenvolvimento econ�mico do nosso Estado.
Fonte:www.mtg.org.br
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