A Semana Farroupilha tem sua origem ligada ao ano de 1947, quando um grupo de jovens estudantes do Col�gio J�lio de Castilhos, em Porto Alegre, com o esp�rito c�vico agu�ado, decidiu resgatar o patrim�nio hist�rico e cultural do ga�cho e integr�-lo � cultura brasileira, motivados pelo descaso para com o patrim�nio s�cio-c�vico- cultural ga�cho.
Logo ap�s a 2� Guerra Mundial, viv�amos o arrast�o cultural do Estados Unidos, �poca em que o americanismo passou a ser exportado para o mundo, ocupando espa�os no Brasil e consequentemente no Rio Grande do Sul, gerando muito desconforto e descontentamento entre os ga�chos. Devido a tal fato, jovens estudantes do Col�gio J�lio de Castilhos rebelaram-se e resolveram mostrar ao Brasil e ao mundo, que o Rio Grande do Sul e o povo ga�cho t�m hist�ria, t�m tradi��o. Por isso, decidiram fundar um Departamento de Tradi��es Ga�chas, ligado ao Gr�mio Estudantil da referida Escola. O grupo atualmente � conhecido como � Grupo dos Oito� e ficou assim constitu�do: Ciro Dutra Ferreira, Ciro Dias da Costa, Orlando Degrarazia, Fernando Machado Vieira, Jo�o Machado Vieira, Ant�nio de S� Siqueira, Cilso Campos e o l�der do grupo foi Jo�o Carlos Paix�o Cortes.
Aprovada a id�ia da funda��o do Departamento de Tradi��es Ga�chas, sob a dire��o de Jo�o Carlos Paix�o Cortes, os estudantes resolveram programar a �Ronda Ga�cha�, que se popularizou como �Ronda Crioula�.
O termo Ronda, que deu nome ao evento pioneiro, foi buscado no linguajar campeiro, a partir das rondas, que os pe�es faziam, quando tropeavam o gado. Durante a noite, os ga�chos ficavam sempre ao redor do fogo, ao redor dos animais, cantarolando, assobiando para acalm�-los. Para tal, acendiam um fogo a certa dist�ncia do gado e, ao seu redor faziam seu �quarto de ronda�, isto �, substitu�am seus companheiros de observa��o e guarda da tropa. Ao redor do fogo, corria a roda de mate, contavam causos, declamavam...
A referida programa��o aconteceu de 7 a 20 de setembro de 1947, ligando a data da Independ�ncia do Brasil ao in�cio da Revolu��o Farroupilha. O acendimento da Chama Votiva da Ronda Ga�cha, seria a meia noite do dia 7 de setembro, antes de extinguir o Fogo Simb�lico da Semana da P�tria, com a retirada de uma centelha e que receberia a denomina��o de �Chama Crioula�.
Tudo combinado, os jovens precisavam contatar com o apoio da Liga de Defesa Nacional, �rg�o respons�vel pela organiza��o das festividades alusivas a Semana da P�tria. No encontro com o Presidente da Liga, Coronel Vignoli e o Secret�rio Dr. Fortunati Pimentel, falaram eles do desejo de retirar, ao final do dia 7 de setembro, uma centelha do Fogo Simb�lico e transport�-la para o sagu�o da Escola J�lio de Castilhos, onde seria colocado num �Candeeiro Crioulo� t�pico, simbolizando o in�cio da Ronda Ga�cha, cuja programa��o deveria se estender at� o dia 20 de setembro, data que o calend�rio da historiografia brasileira, marca o in�cio da Revolu��o Farroupilha. Os estudantes receberam todo o apoio, que esperavam. Na contrapartida, deveriam eles organizar um piquete de cavalarianos para acompanhar a chegada dos restos mortais do her�i farroupilha David Canabarro, que seria transladado de Santana do Livramento para a capital, num entrela�amento da hist�ria ga�cha com a hist�ria brasileira. E assim, na data e hora combinada, os estudantes postaram-se na Avenida Farrapos, na frente do hotel Umbu, em Porto Alegre, aguardando a chegada da carreta, que conduzia os restos mortais de Canabarro. Num ato de civismo, de homenagem p�stuma, os estudantes galoparam at� a Pra�a da Alf�ndega, local onde aconteceriam os atos c�vicos.
No dia 7 de setembro, quase a meia noite, os estudantes retornaram ao local onde ardia o Fogo Simb�lico, para num ato de civismo, em prol das tradi��es do nosso pago, criar a Chama Votiva de amor ao Rio Grande e as suas tradi��es, a nossa CHAMA CRIOULO, s�mbolo aut�ntico do civismo ga�cho.
Ao retirar a centelha do �Fogo Simb�lico�, os estudantes Cyro Dutra Ferreira, Fernando Vieira e Jo�o Carlos paix�o Cortes, montados em seus fletes, esbarraram frente �s autoridades, no palanque oficial e, em un�ssono, gritaram:
�Viva a Tradi��o Ga�cha!�
�Viva a Revolu��o farroupilha!�
�Viva o Brasil!�
No � Programa de A��o� , foram desenvolvidas as seguintes atividades:
a) realiza��o de bailes gauchescos, com concursos de dan�as e trajes, hora de arte;
b) concursos liter�rios: prosa e verso;
c) publica��o de artigos no jornal do �Julinho�;
d) palestras culturais por intelectuais ga�chos;
e) Ronda Ga�cha: assembl�ia;
f) Provas campeiras: concurso de la�o e boleadeira;
g) Concurso de fotografias;
h) Concurso de desenhos;
i) Biblioteca e discoteca.
Portanto, a Semana Farroupilha, cuja simbologia c�vica representativa � o Candeeiro e a Chama Crioula, s�mbolos aut�nticos da tradi��o ga�cha, tiveram origem na �Ronda Ga�cha�, programa��o especial promovida pelos estudantes, integrantes do �Grupo dos Oito�.
Assim foi criada a �1� Ronda Crioula�, institu�do o �Candeeiro Crioulo�, o �1� Baile Ga�cho e a �Chama Crioula�.
Hoje, quando vivenciamos a Semana Farroupilha, estamos vivenciando a maior festa de civismo e do amor ao Rio Grande e as suas tradi��es, estamos demonstrando o nosso esp�rito de brasilidade. � quando mais uma vez o Rio Grande se levanta e, orgulhosamente, reverencia a bravura, a lealdade e a coer�ncia dos anseios do ga�cho de antanho, seu alto esp�rito de civismo evidenciado a cada passo, em prol da p�tria brasileira. Anseios esses, que nada se diferenciam dos atuais. O civismo � a maior peculiaridade do povo ga�cho, pois � tradi��o, � costume do povo rio-grandense amar o seu pago, projetar e fortalecer sua tradi��o, enaltecer a hist�ria do Rio Grande Farrapo, Ga�cho e Tradicionalista, n�o importa o canto brasileiro por onde estiver.
O �20 de setembro� representa para todos n�s amantes e devotos da nossa tradi��o e enaltecedores da nossa hist�ria, tentos de couro cru a unir gera��es rio-grandenses, pois reflete os mais aut�nticos e verdadeiros anseios do povo ga�cho.
A Semana Farroupilha � o momento em que cada um de n�s deve renovar o �compromisso de manter acesa a chama sagrada de amor ao Rio Grande e ao Brasil�. Irmanados, procuremos despertar os reais valores morais do ser humano. As novas gera��es precisam de rumos definidos na constru��o de um Rio Grande maior e melhor.
Fonte: "Origem da Semana Farroupilha - Prim�rdios do Movimento Tradicionalista� Paix�o Cortes.
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