Tradi��o- Essa palavra vem do latim, do verbo tradere (traditio, traditionis), que quer dizer trazer at�, entregar. Em Direito, tradi��o significa entrega. Em um sentido mais amplo, que � o que interessa para o presente estudo, tradi��o quer dizer o culto dos valores que os antepassados nos legaram, entregaram.
Todo grupo social, toda na��o, tem a sua pr�pria escala de valore e � essa escala que torna os povos distintos entre si. Os ga�chos se distinguem de outros brasileiros � e mesmo de outros povos, no mundo � porque tem uma escala de valores muito caracter�stica. Fique claro, por�m e desde j�, que a Tradi��o n�o � uma exclusividade gauchesca.
Nativismo � Os valores do culto � Tradi��o mais caracter�sticos do Rio Grande do Sul s�o o nativismo, a coragem, a hospitalidade, a honra, o respeito � palavra empenhada, o cavalheirismo, al�m de outros.
Assim, v�-se desde logo que o Nativismo n�o � um culto, como a tradi��o, mas um dos valores desse culto. Nativismo � o amor que a pessoa tem pelo ch�o onde nasceu, onde � nato. E esse amor, claro, existe em todos os lugares, n�o � patrim�nio exclu�do do ga�cho. Os ga�chos, ali�s, tem em seu vocabul�rio duas palavras muito bonitas ligadas ao Nativismo: pago e quer�ncia. Pago � onde se nasceu. Quer�ncia � onde se vive.
Tradicionalismo - Tradi��o � um culto � e Nativismo � um sentimento - existem em todo mundo. Agora, Tradicionalismo s� existe no Rio Grande do Sul. Quando existe fora daqui, � o ga�cho, que estende muito longe seus bra�os, para estreitar junto ao cora��o, em todas as quer�ncias, os ga�chos, as ga�chas e seus descendentes.
Tradi��o e Nativismo podem andar com uma �nica pessoa. Existem no singular. Tradicionalismo, n�o: � obrigatoriamente coletivo. Tradicionalismo � um movimento c�vico cultural. � a tradi��o em marcha, resgatando valores que s�o v�lidos n�o por serem antigos, mas por serem eternos, exatamente os valores que trouxeram o Rio Grande e o ga�cho do passado para o presente, projetando-os no futuro.
Folclore � Entre as ci�ncias que auxiliam o tradicionalismo destaca-se, em p� de igualdade com a hist�ria, o folclore.
Discutem os especialistas, ainda hoje, se o folclore � ci�ncia ou apenas uma disciplina cient�fica. O mais correto, por�m, � considerar o folclore como uma ci�ncia aut�noma, do quadro das chamadas Ci�ncias Sociais, ao lado, portanto, da Hist�ria, da Antropologia, da Sociologia, do Direito e das demais.
O folclore � a ci�ncia que estuda a cultura espont�nea do grupo social. A cultura espont�nea � aquela que o grupo incorpora naturalmente, sem ensino formal e que dessa mesma maneira se transmite no tempo (de gera��o em gera��o) e no espa�o (por contig�idade).
O objetivo do estudo do folclore � o fato folcl�rico, uma cria��o cultural (quer dizer: n�o � da natureza, foi criado pelo homem) que tem algumas caracter�sticas pr�prias: � din�mico (est� sempre em transforma��o), � coletivo (n�o existe o folclore de um homem s�), � atual (� sempre presente; o passado pertence � hist�ria) e freq�entemente an�nimo (o povo incorpora o fato folcl�rico naturalmente, como coisa sua, sem se importar com autoria).
Finalmente, o fato folcl�rico � sempre espont�neo (n�o se aprende nas escolas, ou atrav�s de propaganda dirigida).
Regionalismo � O regionalismo � uma corrente do Romantismo, movimento que derrubou ainda no s�culo passado e no mundo todo os padr�es do classicismo.
O regionalismo gauchesco, na prosa come�ou com Caldre e Fi�o na Corte e com Jos� de Alencar, cearense na Corte. O primeiro escreveu o romance �O Cors�rio� (1851) e �A Divina Pastora� e o segundo escreveu o romance �O Ga�cho� (1865).
Na poesia, o Regionalismo gauchesco come�ou com Bernardo Taveira Junior, com suas �Provincianas� (1874) e M�cio Teixeira, com suas �Flores do Pampa� (1872), ambos j� pertencendo ao movimento porto-alegrense, de cunho regionalista, chamado Partenon Liter�rio, de junho de 1868, em plena Guerra do Paraguai. Antes deles, al�m, � claro, das poesias folcl�ricas, s� o Soneto Monarca, de Caldre e Fi�o.
REFER�NCIAS BIBLIOGR�FICAS
FAGUNDES, Ant�nio Augusto. Curso de Tradicionalismo Ga�cho. Martins Livreiro, 2� Edi��o,1995.