O passado que nos é presente

Há uma guerra em andamento. Um navio cheio de refugiados tenta desembarcar seus passageiros em vários portos mas é impedido pelas autoridades locais. Depois de várias tentativas, o capitão desiste e volta para o porto de origem. Os passageiros são imediatamente presos e enviados para a morte.

Você já viu este filme? Infelizmente, eu já. O navio era o St. Louis, e os refugiados eram judeus tentando fugir do nazismo. O final da história é simples : todos foram mandados para campos de concentração e extermínio.

Há uma triste continuação deste filme em cartaz. Um navio cheio de refugiados da guerra da Libéria está no mar, sem um lugar para aportar. Se o navio voltar para a Libéria, todos os ocupantes serão imediatamente mortos devido apenas a pertencerem a um certo grupo étnico.

Uma pergunta que fica no ar é : será que os judeus não aprenderam nada com o St. Louis? Como já dizia Hilel, não façamos com outros o que não queremos que façam conosco.

Mas, alguns dirão, é impossível salvar todos! Não importa, pois como o Talmud já dizia, aquele que salva uma vida está salvando o mundo inteiro. Logo, façamos o que nos é possível.

Mas estamos atravessando grandes dificuldades, dirão outros. Já dizia Maimônides que a caridade é ainda mais valiosa quando feita pelo pobre, que divide o pouco que tem. Logo, nossas dificuldades não devem nos impedir de fazer o que é certo.

Mas, por que nós? Há tantos outros no mundo com mais condições do que os judeus e Israel... Na Torá já está dito que Deus escolheu os judeus para serem uma luz entre as nações. Logo, somos nós os responsáveis por guiar o mundo nos momentos mais difíceis.

O importante é que não fiquemos estáticos. Se não tomarmos alguma atitude, estaremos fazendo com outros o que já sofremos no passado e assim deixará de existir qualquer diferença entre os assassinos de judeus e nós.


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