A gramática do Shoah

A língua é a única forma que temos para nos expressar. Se algo que pensamos não pode ser expresso em palavras, então ele cessa a sua existência no confinamento de nossas mentes. Precisamos das palavras para que possamos nos comunicar.

Assim, as palavras ganham um poder imenso, ainda que não o percebamos. Dado que só podemos concretizar pensamentos por meio destas palavras, nossos pensamentos são moldados por estas, pois todo o resto que estas palavras não podem explicar desaparece para todo o sempre, como se nunca tivesse existido.

Podemos concluir então que a maneira que pensamos está embutida em nossa língua e o uso diário do português mostra muito da cultura diária do povo brasileiro. Desta forma, chega a ser irônico que um judeu, ao se espantar com algo, exclame Nossa! ou Credo!, pois as exclamações são respectivamente uma invocação à Maria, dita Nossa Senhora de Aparecida e uma afirmação do credo em Jesus Cristo.

Mais interessante ainda é o uso por judeus de termos depreciativos em relaçãoà nossa religião. Quem dentre os leitores deste texto pode afirma que nunca afirmou que alguém que maltratava a outra pessoa estava a "judiar" dela?

É imperativo que tenhamos consciência das palavras que usamos no dia a dia, pois elas que mostram o verdadeiro sentido que damos às coisas. Com o shoah não é diferente.

Desde o início da década de 60 convencionou-se chamar o genocídio de cerca de seis milhões de judeus de Holocausto. Esta palavra foi usada originalmente no livro de Vayikrá (Levítico) significando os sacrifícios que eram feitos em nome de D-us.

Quando usamos esta palavra estamos dizendo, ainda que subrepticiamente, que os judeus morreram em nome de D-us, e que o que ocorreu naqueles anos terríveis foi um sacrifício do povo judeu.

Isto não é verdade. O que houve foi um terrível genocídio e todos os culpados devem ser execrados e receber a marca de Caim em sua testa. Nunca podemos esquecer que cada um dos judeus foi assassinado, seja por câmaras de gás ou por doenças associadas aos maus tratos.

Usar a palavra holocausto é um serviço que os judeus prestam àqueles que nos odeiam. Ao usarmos este termo, estamos diluindo aquilo que verdadeiramente ocorreu e mudando o seu significado.

Durante a segunda guerra mundial ocorreu um GENOCÍDIO. Os meus ascendentes, assim como os seus, não foram para a morte por vontade própria ou para defender sua crença. Eles foram mandados para a morte por pessoas que os odiavam, como nos odiariam hoje, pelo simples fato de serem quem são. Nós judeus temos obrigação de sempre lembrar isto e fazer com que as palavras expressem sempre a verdadeira história.


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