![]() |
||||||||||
![]() |
||||||||||

::.A Stigma Theatru Teve como primeiro espet�culo"Salom�", de Oscar Wilde.
A sensualidade,a beleza po�tica e o amor ser�o questionados de forma n�o banal.Forma est� que em nossa volta est� t�o latente.
At� que ponto o amor e a vingan�a � permitida?Quando nossos orgulhos s�o feridos?� poss�vel se ter tudo o que se quer?
Salom� deseja, Iokanaan, deseja, Her�des deseja, Herodias tamb�m deseja, voc� deseja!Mas quem est� certo em seu desejo?
O Ser Humano n�o � assim? At� onde uma Mulher � capaz de chegar para conseguir o que se quer?
Sua sensualidade, seu sexo, �nico e visceral , sua intelig�ncia e sensibilidade, s�o atributos somente a elas destinados.Elas sabem do poder que t�m em suas m�os e sabem usar a seu favor.
�Salom� usa a hist�ria de S�o Jo�o Batista como pano de fundo para nos contar a hist�ria do desejo feminino.
Um espet�culo atemporal que vai mudar seus conceitos!
Wilde, a fim de p�r em pr�tica uma esp�cie de jogo de xadrez dram�tico, moldou suas personagens de maneira que nos mostrassem uma face estereotipada. Ou seja, elas adotam uma postura imut�vel e repetem insistentemente quase que a mesma e �nica fala.
Se Jo�o Batista n�o se cansa de vociferar contra Herodias: "Ah! a dissoluta! a meretriz! Ah! a filha de Babil�nia, de olhos dourados e p�lpebras coloridas! Eis o que diz o Senhor. Que venham contra ela multid�es de homens. Que o povo apanhe pedras para lapid�-la.";
Herodes, por seu turno, n�o se cansa de contemplar a beleza avassaladora da sobrinha, nem de implorar-lhe que dance: "Por minha vida, por minha coroa, pelos meus deuses. Tudo o que desejardes vos darei, mesmo que seja a metade de meu reino, se dan�ardes para mim. Oh! Salom�! Salom�, dan�ai para mim."; e Herodias, dando continuidade ao processo de educa��o est�tica pela repeti��o, n�o se cansa de pedir ao marido que deixe de "comer com os olhos" a filha: "N�o permitirei que ela dance enquanto a olhardes dessa maneira. (�) N�o danceis, minha filha"::..
Leitor apaixonado de Flaubert e Huysmans, com o autor de Salamb� Wilde aprendeu a ter prazer com os temas m�sticos, com o desregramento dos sentidos que a bebida e o �pio proporcionam, com a elabora��o e aprecia��o de imagens ex�ticas finamente bordadas.
J� com o demolidor do realismo aprendeu n�o s� a amar a multifacetada Salom� (pois cada artista elaborou a sua: h� a Salom� de Veronese e a de Leonardo, a de Ticiano e a de Tintoreto, a de Mallarm� e a de Laforgue) como tamb�m a adotar certa postura incendi�ria, sintetizada literariamente na figura de des Esseintes, que tanto admirava.
Com os simbolistas aprendeu, ainda, a evitar a mera cr�tica social em detrimento da reelabora��o de mitos e arqu�tipos.
(texto escrito por Nelson de Oliveira)
