AstroManual -
Astronomia Observacional Amadora
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Fracionamento ou Fragmentação de Cometas
Em se tratando de astros tão mutáveis como os
cometas, nada pode ser muito previsível. Repentinas mudanças
acontecem a todo o momento e uma delas se refere ao fracionamento, divisão
do núcleo cometário em dois ou mais corpos e isso é
um fenômeno razoavelmente comum entre os cometas. A quebra de núcleos
cometários também pode ocorrer a grandes distâncias do
sol, como foi o caso dos cometas Wirtanen e West.
Para explicar porque os cometas se partem, a princípio foi
sugerida uma teoria baseada na ação das forças de maré.
Está teoria teve origem na aparição do cometa
P/Brooks que, ao sair da influência da zona de do gigante Júpiter,
apareceu no céu acompanhando de outros cinco pequenos cometinhas.
Sabemos atualmente que existem muitos fatores que atuam na desagregação
de um núcleo cometário, entre estas razões
destacam-se:
Apesar de todas as explicações e teorias plausíveis para a quebra de núcleos cometários, ainda há muito que ser estudado sobre este tema. Alguns relatos históricos mostram que esse fenômeno acontece de a antiguidade e é mais comum do que antes se pensava. Entre eles podemos destacar:
Segundo relato de Éfora, historiador grego que viveu no século 4 a.C., o cometa de 317 a.C. (muito brilhante e possivelmente um rasante solar) havia se dividido em 2 partes, e cada um dos corpos passou a seguir caminhos diferentes.
Há registros chineses que relatam o aparecimento de 3 cometas juntos, sendo um grande e dois maiores. Johann Cysat e outros dois astrônomos observaram o cometa de 1618 dividindo-se em múltiplos fragmentos.
O famoso cometa P/Biela bipartiu-se em 1846 e voltaram a
ser vistos juntos quando de seu retorno em 1852. Quando de sua nova
passagem em 27 de novembro de 1872, na região onde devia aparecer o
cometa, o que se pode presenciar, foi uma espetacular tempestade de
meteoros proveniente da órbita do Biela partido. O chuveiro
apresentou uma duração de 6 horas consecutivas e calcula-se
que cerca de 160.000 meteoros foram observados, todos fragmentos vindos de
um mesmo radiante, situado na região da estrela gama de Andrômeda.
Ambos os cometas não foram vistos novamente.
Atualmente, este cometa é associado ao chuveiro de meteoros
Andromedídeos (Andromedids) com duração de 25 de
setembro a 6 de dezembro, e pico máximo em 14/15 de novembro. O
chuveiro Andromedídeo também é conhecido como Bielídeo
(Bielids). No passado o radiante Andromedídeo foi conhecido por
incríveis exibições de vários mil meteoros por
hora. Atualmente é um débil chuveiro com taxas de menos que
3 meteoros por hora ao redor de 14 de novembro.
Outro cometa que se partiu foi o de 1652; e o cometa 1860 I é muito especial para nós brasileiros porque também é conhecido como O ''cometa de Olinda'' (cidade de Pernambuco/Br), foi visto como um cometa duo pelo astrônomo francês E. Liais;
Outras cometas que se partiram foram: o cometa 1882 II; o 1881 I Sawerthall; o Brooks 1889 V; o Swift 1899 I; o Taylor 1916 I; e o grande cometa austral 1947 XII;
O cometa West 1976 VI deu um show a parte quando em março de 1976 partiu-se em 4 pedaços, e mais recentemente o cometa 2001 A2 (LINEAR), visível também no céu do Hemisfério Sul, se dividiu em três corpos.
O mais espetacular esfacelamento de cometas aconteceu em 1944 quando o cometa Shoemaker-Levy 9 partiu-se em 21 fragmentos e pode ser observado por todos os grande telescópios inclusive o Hubble, quando todos os fragmentos se chocaram contra o planeta Júpiter. Este foi um evento memorável que marcou a história cosmológica do século XX e quiçá de todos os tempos. Jamais um fato assim havia sido testemunhado ao vivo e a cores por todo o globo terrestre. Vale também lembrar que a existência de enxames de meteoros está diretamente ligada a fragmentação e ao desaparecimento de alguns cometas que colidem com eles e também que grande parte de material proveniente de escombros cometários são responsáveis por alguns dos chuveiros de meteoros mais significativos.