texto enviado por Katia 09/05/04
Dar
Luis Fernando Veríssimo
Dar ñ é fazer amor. Dar é dar. Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido, mas dar é bom pra cacete. Dar é aquela coisa q alguém te puxa os cabelos da nuca, te chama de nomes q eu ñ escreveria, ñ te vira c/ delicadeza, ñ sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom. Melhor do q dar, só dar por dar. Dar s/ querer casar, s/ querer apresentar pra mãe, s/ querer dar o primeiro abraço no Ano Novo. Dar pq o cara te esquenta a coluna vertebral, te amolece o gingado, te molha o instinto. Dar pq a vida de uma publicitária em começo de carreira é estressante e dar relaxa. Dar pq se vc ñ der p/ ele hj, vai dar amanhã, ou depois de amanhã. Dar s/ esperar ouvir promessas, s/ esperar ouvir carinhos, s/ esperar ouvir futuro. Dar é bom, na hora. Durante 1 mês. P/ as + desavisadas, talvez por anos. Mas dar é dar d+ e ficar vazia. Dar é ñ ganhar. É ñ ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro. É ñ ganhar uma mão no ombro qdo o caos da cidade parece querer te abduzir. É ñ ter alguém pra querer casar, p/ apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "O q vc acha amor?". Dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito. Mas dê + ainda, muito + do q qualquer coisa, uma chance ao amor, esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz vc flutuar o suficiente pra nem perceber as catarradas na rua. Se vc for chata, suas amigas perdoam. Se vc for brava, suas amigas perdoam. Até se vc for magra, as suas amigas perdoam. Mas... experimente ser amada.