
| Lao Tse |
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Lao Tse viveu no s�culo 6� a.C., passou cerca de 40 anos trabalhando
na corte imperial da China,
como historiador e bibliotec�rio. Depois
disso, diz a lenda, retirou-se, como eremita, para a floresta,
onde viveu a segunda metade de sua vida, na cabana onde estudou, meditou,
auscultando a voz
silenciosa da intui��o c�smica, que deixou os seus
reflexos no Tao Te King. Com cerca de 80
anos, cruzou a fronteira
ocidental da China, e desapareceu sem deixar vest�gio de sua vida.
Ao cruzar a fronteira,encontrou-se com o guarda da divisa, que lhe
pediu um resumo de sua filosofia.
Lao Tse entregou-lhe um pequeno
livrinho manuscrito, hoje conhecido como Tao Te King.
Sendo que os chineses n�o escrevem com letras como n�s, mas
usam ideogramas para exprimir
id�ias, n�o h� uniformidades
nas palavras quando reproduzidos nos nossos simbolos alfab�ticos,
gerando inclusive disparidades entre tradu��es.
Lao Tse admite diversas grafias, como Lau-Tsi ou Tsu, Dau Che Ching,
etc.
"Tao" significa absoluto, o Infinito, a Ess�ncia, Suprema Realidade,
Divindade, etc.
"Te" pode ser traduzido como caminho, diretriz, revela��o.
"King" corresponde a livro, documento.
Portanto podem ser traduzidos como "O Livro da Revela��o da Ess�ncia".
3 - Agir Pela n�o Interfer�ncia
4 - Vemos Tao Como N�s Somos e N�o como Ele �
5 - Todos os Vivos Nascem e Morrem- Mas a Vida � Imortal
8 - A Sabedoria da N�o-Viol�ncia
9 - Fazer o Necess�rio e N�o o Sup�rfluo
11 - A Atua��o do Invis�vel no Vis�vel
15 - A Originalidade, Segredo dos Mestres
16 - Cumprimento da Ordem C�smica
18 - A Tirania Da Intelig�ncia Derrotando a Soberania da Raz�o
19 - O Fundamento da Verdadeira �tica
23 - Vit�ria pela Auto-Sufici�ncia
26 - Maestria da Vida Por Uma Dignidade Silenciosa
31 - Todas as Armas S�o Nefastas
3 - Agir Pela n�o Interfer�ncia
N�o exaltes os homens eminentes. 4 - Vemos Tao Como N�s Somos e N�o como Ele �
O universo n�o tem prefer�ncias, 5 - Todos os Vivos Nascem e Morrem- Mas a Vida � Imortal
Imperec�vel � o esp�rito da profundeza, 8 - A Sabedoria da N�o-Viol�ncia
A vida verdadeira � como a �gua: 9 - Fazer o Necess�rio e N�o o Sup�rfluo
S� se pode encher um vaso at� a borda 11 - A Atua��o do Invis�vel no Vis�vel
Trinta raios convergentes no centro
Os antigos Mestres da vida
Quem se ergue �s alturas sem desejos, 18 - A Tirania Da Intelig�ncia Derrotando a Soberania da Raz�o
A imoralidade e o direito nasceram, 19 - O Fundamento da Verdadeira �tica
De mil benef�cios goza um povo,
Quando n�o se fala mais em ser virtuoso nem santo. 23 - Vit�ria pela Auto-Sufici�ncia
Quem pouco fala, encontra a atitude certa 26 - Maestria da Vida Por Uma Dignidade Silenciosa
Quem de boa vontade carrega o dif�cil, 27 - Cultura Genu�na
Quem anda direito n�o deixa rasto, 29 - O Poder da N�o-Viol�ncia
Revela a experi�ncia que o mundo
Para que n�o surja rivalidade entre o povo.
N�o exibas tesouros raros,
Para que o povo n�o ambicione.
N�o despertes as cobi�as,
Para que as almas n�o sejam profanadas.
O governo do s�bio n�o desperta paix�es,
Mas procura manter o povo na sobriedade,
E dar-lhe as coisas necess�rias.
N�o lhes ofere�o erudi��o,
Mas d�-lhe cultura do cora��o.
O s�bio governa pelo n�o-agir.
E tudo permanece em ordem.
Todas as coisas s�o iguais.
Assim, o s�bio n�o conhece prefer�ncias,
Como os homens as conhecem.
O Universo � como o fole de uma forja,
Que, embora vazio, fornece for�a,
E tanto mais alimenta a chama quanto mais o acionamos.
Quanto mais falamos no Universo,
Menos o compreendemos.
O melhor � auscult�-lo em sil�ncio.
Como o seio profundo da maternidade.
C�us e Terra radicam no seio da m�e.
S�o a origem de todos oS vivos,
Que espontaneamente brotam da Vida.
Em sil�ncio se adapta, ao n�vel inferior,
Que os homens desprezam.
N�o se op�e a nada,
Serve a tudo.
N�o exige nada,
Porque sua origem � da Fonte Imortal.
O homem realizado n�o tem desejos de dentro,
N�o tem exig�ncias de fora.
Ele � prestativo em se dar
E sincero ao falar,
Suave no conduzir,
Poderoso no agir.
Age com serenidade.
Por isso � incontamin�vel.
Nem uma gota a mais.
N�o se pode agu�ar uma faca,
E logo testar sua agudeza.
N�o se pode acumular pedras preciosas e ouro,
Sem Ter lugar seguro para guard�-los.
Quem � rico e estimado
Mas n�o conhece sua limita��o,
Atrai sua pr�pria desgra�a.
Quem faz grandes coisas,
E delas n�o se envaidece,
Esse realiza o c�u em si mesmo.
Tem uma roda,
Mas somente os v�cuos entre os raios
� que facultam seu movimento.(1)
O oleiro faz um vaso, manipulando a argila,
Mas � o oco do vaso que lhe d� utilidade.
Paredes s�o massas com portas e janelas,
Mas somente o v�cuo entre as massas
Lhes d� utilidade-
Assim s�o as coisas f�sicas,
Que parecem ser o principal,
Mas seu valor est� no metaf�sico.
1- Lao Tse se refere, provavelmente,
� roda de um moinho de vento, que n�o funcionaria,
se n�o houvesse interst�cios entre as palhetas,
por onde passa o vento.
15 - A Originalidade, Segredo dos Mestres
Eram profundamente identificados
Com as pot�ncias vivas do Cosmos.
Em sua profunda interioridade
Jaziam a grandeza e o poder
Da sua din�mica atividade.
Quem compreende, hoje em dia, esses homens?
S�bios eram eles,
Como barqueiros que cruzam um rio
Em pleno inverno;
Cautelosos eram eles,
Como homens circundados de inimigos;
Reservados eram eles,
Como h�spedes fossem;
Amold�veis eram eles,
Como o gelo que derrete;
Aut�nticos eram eles,
Como a cerne de madeira de lei:
Amplos eram eles,
Como vales abertos;
Impenetr�veis eram eles
Como �guas turvas.
Impenetr�vel tamb�m nos parece
A sua vasta sabedoria.
Que pode compreend�-la atualmente?
Quem pode restituir a vida
O que t�o morto nos parece?
S� quem sintoniza com a alma do infinito!
S� quem n�o busca o seu pr�prio ego,
Mas demanda o seu Eu real,
Mesmo quando tudo lhe falta.
16 - Cumprimento da Ordem C�smica
Enche de sil�ncio o cora��o.
E, ainda que todas as turbas ruidosas
Assaltem o homem isento de desejos,
Ele habita em profundo sil�ncio,
Contemplando, sereno, o louco vai-vem,
Porquanto, tudop que existe,
� um incessante vir e voltar,
Um nascer e um morrer.
O que retorna, volta ao imperec�vel.
Quem isto compreende � s�bio.
Quem n�o o compreende � autor de males
.
Quem � empolgado pela alma do Universo,
Alarga seu cora��o.
E o homem de cora��o largo
� tolerante,
E o tolerante � nobre.
O homem nobre cumpre a ordem c�smica.
E quem cumpre esta ordem,
Se identifica com Tao, o Infinito.
� imortal como o Tao
E n�o subjaz a destino algum.
Quando o homem edixou de viver
Pela alma do Universo.
Com a tirania do intelecto
Come�ou a grande insinceridade;
Quando se perdeu a no��o da alma,
Foi decretada a autoridade paterna
E a obedi�ncia dos filhos.
Quando morreu a consci�ncia do povo,
Falou-se em autoridade do governo
E lealdade dos cidad�os.
Verdadeira rever�ncia e amor sincero
Medram numa sociedade
Em que o direito e a moral deixam de ser prescritos,
A ordem n�o reina numa sociedade
Onde o interesse determina o agir.
Esses princ�pios n�o podem ser prescritos,
Mas devem ser vividos.
Somente onde eles s�o vivenciados
� que ajudam os homens.
A �tica genu�na s� existe
Onde o homem vive dentro da sua fonte
E age pela pureza do cora��o;
Onde a genuinidade do seu ser
Se revela em atos desinteressados
E isentos de desejos.
Em todos os acontecimentos.
N�o desespera quando rugem tuf�es,
Porque sabe que n�o tardam a passar;
Sabe que um chuveiro n�o dura o dia todo,
� produzido pelo c�u e pela terra.
Se tudo � t�o inconstante,
Como n�o seria o homem?
Por isto o que importa
� a atitude interna,
Isto �: adaptar-se em sil�ncio
A todos os acontecimentos.
Quem harmoniza os seus atos
Com o Tao da realidade
Se torna um com ele.
Quem, no seu agir, � determinado
Por seu pr�prio ego,
Identifica-se com o ego.
Quem identifica o seu agir com coisa qualquer,
� identificado com esta coisa.
Quem sintoniza com a alma do Infinito,
Se assemelha em tudo ao Infinito.
E quem assim se harmoniza com o Infinito,
Recebe os benef�cios do Infinito.
Tanta confian�a recebe cada um,
Quanta confian�a ele der.
Supera tamb�m o menos dif�cil.
Quem sempre conserva a quietude,
� senhor tamb�m da inquietude.
Por isto, o s�bio carrega de boa mente
O fardo de sua jornada terrestre.
Nunca se deixa iludir
Por deslumbrantes perspectivas.
Trilha com tranquila dignidade
O seu solit�rio caminho.
O homem profano, por�m,
Que se derrama pela vida superficial,
Dissolve com sua leviandade
A solidez da sociedade;
Destr�i com sua inquietude
Aquietude do reino,
E destr�i tamb�m o seu pr�prio reino.
Quem fala bem n�o diz desacertos.
Quem calcula bem n�o usa lembretes.
Quem fecha bem dispensa fechaduras e ferrolhos,
E contudo ningu�m pode abrir.
Quem amarra bem n�o usa corda nem barbante,
E contudo ningu�m pode desatar.
Assim, o s�bio, em sua madureza,
Sabe sempre ajudar os homens.
Para ele, ningu�m est� perdido.
Sabe aperfei�oar tudo que existe,
E n�o v� mal em ser algum.
� este duplo segredo
De toda a realiza��o do homem:
O homem pleni-realizado
Ajuda sempre ao menos realizado.
O homem mais culto
Ajuda sempre o menos culto
Pelo que, � homem, trata com rever�ncia
Ao homem mais maduro que tu.
E envolve em sincero amor
Aquele que necessita de ti.
Quem n�o age assim
Ignora a cultura genu�na.
Vai nisto um grande segredo.
N�o pode ser plasmado � for�a.
O mundo � uma entidade espiritual,
Que se plasma por suas pr�prias leis.
Decretar ordem por viol�ncia
� criar desordem.
Querer consolidar o mundo a for�a
� destru�-lo,
Porquanto, cada membro
Tem sua fun��o peculiar:
Uns devem avan�ar,
Outros devem parar.
Uns devem clamar,
Outros devem calar.
Uns s�o fortes em si mesmos,
Outros devem ser ancorados.
Uns vencem na luta da vida,
Outros sucumbem.
Por isso, ao s�bio n�o interessa a for�a,
N�o se arvora em dominador,
N�o usa de viol�ncia.