BAYER
Poluição Tóxica


No município de Belford Roxo, no Rio de Janeiro, está localizado o maior complexo industrial particular da América Latina, de Propriedade da gigante multinacional Bayer, alemã, onde funciona um dos maiores incineradores do país, com capacidade de queima de 3 200 ton/ano, que queima inclusive para terceiros. Análises realizadas no Rio Sarapuí, que recebe as descargas da empresa (antes de desaguar na Baía de Guanabara), encontraram Poluentes Orgânicos Persistentes, como PCBs e Clorobenzenos, e metais pesados como o mercúrio. O Greenpeace, organizou um protesto via rede mundial de computadores, onde ciber-ativistas (como quem vos escreve) através do site do próprio Greenpeace poderiam enviar mensagens aos responsáveis da Bayer questionando os níveis de poluentes. Em resposta, a Bayer enviou a todos que protestaram uma resposta dizendo que trabalhavam em acordo com a lei brasileira, que sabemos é algo extraordinário. Um colaborador escreveu um comentário à eles:

“Caros senhores,

Obrigado por sua mensagem que testemunha ao menos a preocupação de organizar uma defesa que inocente a Bayer das acusações de que é objeto. Já é alguma coisa, pois antes, as empresas sequer se davam ao trabalho de uma resposta. Devo entretanto dizer que seus esclarecimentos não cumprem seu objetivo, que seria o de invalidar as críticas do Greenpeace, já que se fundam basicamente no argumento de que os níveis de emissão de poluentes de sua industria são compatíveis com a legislação vigente. Ora, sabemos todos, qualquer criança sabe , que a legislação brasileira é de uma incontestável incompetência na matéria, e que portanto não é trincheira válida de onde se defender das acusações que lhe são movidas. Muito bem. Vocês continuarão a poluir alegremente sob a proteção da lei… O que não percebem é que, ao contrário das guerras comerciais, onde V. Sas. São incontestavelmente vencedores, na batalha pela conservação do meio ambiente não há vencedores nem vencidos. O conselho diretor da Bayer, seus filhos e netos sofrerão as conseqüências da insensatez da empresa da mesma maneira que o Sr. ou a Sra. Que talvez esteja ainda me lendo, assim como seus filhos e netos. Todos teremos de compartilhar – narinas ricas e pobres – um ar excessivamente carregado de partículas nefastas ao nosso organismo, em um planeta excessivamente aquecido, com uma fauna selvagem reduzida a zoológicos, senão extinta, devastado por uma lógica que promove incontíveis desertificações, que destrói igualmente as florestas tropicais e a bela Floresta Negra, a mesma floresta que Hölderlin e a cultura alemã transformaram em um signo da nobreza do país da Bayer. Enquanto isto, para nos tranqüilizar, para promover a “imagem da marca”, a Bayer continuará a gastar milhões com publicidade, não focalizada em seus produtos (eventualmente úteis e eventualmente benéficos), mas focalizada em sua preocupação com o meio ambiente, publicidades nas quais criancinhas ou jovens casais perambulam por uma paisagem natural idílica, protegida pelas escrupulosas pesquisas da Bayer. Mas será que não percebem que se vocês não estivessem destruindo o meio ambiente não se sentiriam na necessidade de vender uma imagem preservacionista? Que esta publicidade é a prova cabal de sua culpa? Nunca ouviram falar do termo “denegação”? A Bayer, como nós, é e será vítima de suas práticas destrutivas, decorrentes de uma mesma lógica global da acumulação de excedentes e de produção desmesurada de energia. A única diferença entre vocês e nós, resto do planeta, é que durante o período que ainda resta de sobrevivência para as formas evoluídas de vida na Terra (as baratas continuarão a se esbaldar no lixo das Bayers do mundo), vocês terão realizado lucros imensos. Bom proveito.” (Luiz Marques)

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Ricardo
Greenpeace

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