| Hackers dos anos 60 (CABED-BADAD) |
| Conversava com um amigo dos tempos de universidade, d�cada de 60, sobre um tema bastante atual, que s�o os Hackers e Crackers, quando ele me surpreendeu com uma est�ria bastante interessante que passou a relatar: � Esse neg�cio de considerar Hackers, Crackers, invasores e quebradores de senhas como coisas novas, produto exclusivo dos computadores atuais e Internet, � pura balela. J� na nossa �poca de Universidade, quando a calculadora eletr�nica e a TV colorida ainda era sonho de consumo, tive oportunidade de conviver com uma situa��o semelhante. �ramos estudantes da Escola de Geologia, calouros da d�cada de 60, e tivemos os nossos trotes convencionais que consistia em um baba na quadra de cimento ao meio-dia, descal�o, com uma bola de pedra, e posteriormente uma aula altamente confusa ministrada por um veterano qualquer fazendo-se passar pelo professor o qual tentava nos convencer em abandonar o curso, por falta de condi��es intelectuais. Em seguida fomos designados para assistir �s aulas de F�sica te�rica na Escola Polit�cnica junto com o pessoal de Engenharia, tidos por n�s como as feras do peda�o. Isso nos deixava bastante temerosos em n�o lograr �xito na disciplina em quest�o, ainda mais sabedores que fomos da voracidade do professor, que a todos intimidava com sua cara de mau, e nos tratava como se f�ssemos a mosca-do-coc�-do-cavalo-do-bandido. Fizemos uma pesquisa nas notas de turmas anteriores e encontramos, na sua maioria, a m�dia nove, com poucas notas oito e dez, o que nos levou a imaginar duas possibilidades t�tricas: ou �ramos muito burros, ou as turmas anteriores eram formadas por g�nios, uma vez n�o entend�amos bulhufas do que o mestre falava � base de cuspe e giz. As provas j� ingressavam na fase moderna do objetivismo, quer dizer, dez perguntas com quatro op��es cada, itemizada com as letras A, B, C e D, com apenas uma correta que deveria ser clicada. Logicamente que a nossa primeira nota foi um desastre total e ainda t�nhamos mais tr�s oportunidades para nos erguer. Mas erguer como, se entr�vamos mudos e sa�amos calados das aulas? Se fosse feito uma pergunta idiota ecoava uma super goza��o, se por outro lado a pergunta fosse inteligente, dava oportunidade a uma amea�a do mestre, por querer saber mais que o professor. Continuamos nessa peleja, desanimados, at� que um dos colegas, aqui denominado de hacker-do-bem, resolveu investigar o fato, e descobriu que existia um sistema para aquelas notas altas das outras turmas, cuja senha deveria ser quebrada imediatamente ou quebrar�amos n�s. Com efeito, descobriu-se que o mestre mantinha um formato igual de resposta para todas as provas a fim de facilitar a corre��o, e esse formato era CABEDBADAD. Ou seja, a resposta do primeiro quesito era C, do segundo, A, do terceiro, B, e assim sucessivamente. Prompt ! Estava quebrada a senha que, como o v�rus cibern�tico, disseminou-se na web da �poca e foi batizado com o nome de CABED-BADAD, permanecendo at� que o web-master trocou o sistema e a senha. Por�m, para nossa turma, j� era tarde, pois j� hav�amos passado na disciplina, ficando para os Hackers sucessores a incumb�ncia de quebrar as pr�ximas senhas, claro, mais dif�ceis. Fiquei muitos dias com drama de consci�ncia, por�m esqueci logo, considerando que n�o foi ato fraudulento, pois n�o houve c�pia ou cola (<ctl-c>, <ctrl-v>), nem criminoso pois n�o atentou contra ningu�m (destrui��o de HD, transfer�ncias, etc.). Ademais, ser�amos reprovados sumariamente pelo sistema de ensino da disciplina, o professor nunca mudava o gabarito, ningu�m teria coragem de entregar o grupo e posteriormente, compensamos nas aulas pr�ticas as defici�ncias da te�rica. O mais importante da est�ria � que, pelo menos eu, que nunca mais fiz parte de grupo nenhum, tive que pagar caro ter participado daquele. Como n�o pude concluir o curso de geologia, s� chegando ao segundo ano, devido aos problemas estudantis da �poca, tive que fazer novo vestibular, desta vez para a Escola de Engenharia na Cat�lica, onde os estudantes n�o participavam muito dos assuntos pol�ticos de ent�o. Com o fato esquecido (pensava eu), o meu curso de Engenharia transcorreu normalmente at� a conclus�o cinco anos mais tarde, ocasi�o em que tudo estava preparado para a cola��o de grau (roupa comprada, convites, etc.) quando a tela escureceu: meu programa deu pau! Como se tratava da Universidade Cat�lica e Deus n�o quer nada errado, fui chamado pelo Diretor que cumpriu o doloroso dever de me dizer que eu n�o podia colar grau com a turma daquele ano. Claro que minha vontade na hora foi de descontar minha raiva no teclado (como se faz hoje), por�m tal teclado era daqueles nas velhas Remington, em a�o puro, portanto inviabilizando meu pensamento. Depois de acalmado (resetada a mem�ria), fiquei sabendo o porque da not�cia: de todas as disciplinas das quais pedi dispensa, pois as houvera cursado na outra Universidade, apenas uma n�o havia sido aceita por diferen�a de carga hor�ria. Felizmente, antes de lan�ar minhas amea�as de opini�o p�blica, imprensa, Varela da �poca, casa de despacho, pois os interlocutores estavam consternados em me avisar na �ltima hora, parei um pouco, pensei e perguntei qual teria sido a disciplina. - F�SICA (a tal da est�ria). Responderam em coro ! Acometido da s�ndrome-de-ronaldinho por ter usado a lei-de-gerson no passado e punido pela Lei Divina no presente, amarelei e s� pude balbuciar : - Ah! F�sica... Em conseq��ncia tive que enfrentar seis meses de aulas junto aos calouros do ano seguinte e ouvindo do meu mestre e amigo sempre a mesma frase: �Os calouros deste ano � a �nica turma a ter um quase engenheiro...� . Sem contar a goza��o dos colegas veteranos que j� haviam colado grau e dos calouros que n�o me respeitavam. Formei-me ent�o seis meses mais tarde, solit�rio, na secretaria da escola. � Moral da est�ria: O efeito danoso do Hacker � mais antigo que o computador. |
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