S�... Um toque !
(Ronaldo Cavalcante)
S�...
Estou s� (de novo!?)
S�, terrivelmente s�.

Esse n�
que na garganta aperta,
n�o me desperta nessa multid�o.

S�...
Deve ser essa maldita gravata de seda,
que me deixa assim.

A alta do dia de  hoje cresce minha conta.
N�o me espanta tanta gratid�o.
Cumprimentam-me: tapinhas, sorrisos.
Muitos tamb�m enriqueceram.

S�...
Pode ser o barulho da bolsa e o calor 
nesse  maldito Pierre Cardin.

Homenagens, � noite na faculdade,
J� nessa idade, placas. Progress�o,
Professor do ano,
mais cumprimentos, tapinhas, sorrisos.

S�...
� poss�vel que seja esse maldito remorso
sobre uma aluna com cola na coxa, piscando pra mim.

Pelo menos o bilhete na portaria
n�o teria que findar com um t�o
seco  "estou indo..." .  N�o, Maria!

De volta pra casa ru�da, congestionamento terr�vel.
� compreens�vel, todos levam de �ltima hora na m�o,
compras para o "happy new year"
(odeio essa express�o - pior, tomar uma "bear".)

S�...
Acho que � esse maldito colar de p�rola
que eu n�o precisasse levar, enfim.
Teria que ir mais r�pido.
R�pido, deveria ir mais cedo, ent�o.
N�o poderia deixar ilustres homenagens.

S�...
Pode ser esse maldito rolex que nunca adianta,
e s� agora acho ruim.

Serras �ngremes, curvas fechadas, 
nessa estrada, sugere imola��o.
�mola, pared�o.
Ele tamb�m estava a 260, s�.

S�...
Deve ser esse maldito importado
que n�o anda quando estou a fim.

Essa dire��o leve demais.
Ademais, s� um toque bastaria, na m�o.
E estaria, como ele,
Livre dessa persegui��o.
�...

S� um toque...
S� um...
S�...
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