Dionis�aco Baile
(Ronaldo Cavalcante)
N�o percebi
o molhado monte
como se V�nus
estivesse a se banhar
em um lago do Olimpo.

Tamb�m n�o percebi
o pulsar
quase quasar
da esfer�ide
no v�rtice superior
labial,
dissonante
e descompassado
da can��o.

Perceber, pelo menos,
deveria: contra��es
e estremecimentos
em que a tens�o escoava
e havia uma relaxa��o
no gerador de pulsos
devido � proximidade
necess�ria � execu��o
de cada dif�cil
evolu��o.

Teria que perceber, se atentasse
para aquele emba�amento de �ris
onde as loucas meninas,
em movimentos fren�ticos,
tentavam saltar dos globos.

Ou ainda se sentisse
minha jugular quase a se rasgar
num premer de unhas
como se um vampiro
preparasse um desfecho final
do sorvo de todo o meu sangue.

Como um galante tolo,
utilizava a t�cnica
da mordida de l�bios,
na in�til e cavalheiresca tentativa
de evitar o volume
que se me aumentava nos baixos.

Enquanto os baixos
no baixo, em minha mente,
soavam como explos�es
de granadas dilacerando corpos.

Qual idiota recruta
que se preocupa
em n�o errar o passo,
mantinha a mente
ocupada com o metr�nomo:
dois pra l�...

De posse da deusa do baile,
indiferente ao seu rubor facial,
continuei dan�ando
e ela,
gostozando...

No �ltimo acorde,
contente com a performance
e distra�do, nem sequer a beijei.

S� ent�o percebi...

As dores agudas
nas vulc�nicas partes
que ardorosamente ansiavam
expelir as flamejantes lavas,
s� me deixavam a alternativa
do covarde gesto solit�rio
em que, na teatral fantasia,
tinha como apote�tica cena,
um dionis�aco baile.

Ent�o,
ao som de gritos e gemidos
das desnudas coadjuvantes de Baco, 
danceeeeeiiiiii!!!
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