Dezoito anos
(Ronaldo Cavalcante)
Dos olhos do pai  menina,
cresce a menina.

Nos trotadores  joelhos do alaz�o,
alegre atravessava estepes e savanas,
saltava lagos, porteiras e pontilh�es

Rumo a liberdade, riso disposto
sentia o vento forte no rosto
e ao sabor deste, o sedoso cabelo revolto.

Uma catapulta gigante, docemente
formada por bra�os fortes e olhar contrito
sobre a cabe�a prateada reluzente
a lan�ava nas nuvens rumo ao infinito.
- Ser� minha menina eternamente

Est�rias para dormir ouvia,
uma mescla de futuro e passado,
muitos casos na hora inventados,
e de como voaria at� a lua um dia.

Surgiam est�rias de fadas mais ins�litas:
O alfaiate m�gico e a agulha de prata;
A bruxa m� e sua colher de marfim, 
a cheirar e provar sua por��o diab�lica;
Sininho a voar e seu p� de pirlimpimpim.

Certeza de futuro incerto pela justi�a ditado :
O injusto afastamento do her�i dessa menina
atendendo ao pedido de div�rcio intrigado
de uma sedenta de juventude messalina.

N�o mais voaria na noite enluarada.
N�o mais conheceria novos castelos.
N�o mais pilotaria avi�es amarelos .
Fim do infinito a ser lan�ada.

Visitas foram proibidas irracionalmente
e o super homem era visto pela menina aflita
na beira da cal�ada, triste e  impotente
junto a uma garrafa com sua kriptonita

Tantos anos se passam
sem atenua��o de sofrimento.
Muitos pais a tentavam e a abusavam
mas s� um tinha seu pensamento:
O velho e o sonho de voar
com quem queria estar nesses momentos.

Tal qual mariposa atra�da pelo brilho,
seduziu-lhe o  v�o f�cil e a emo��o
usando apenas  o nariz,
pois n�o tinha mais a prote��o
do saber de quem era aprendiz.

E logo lhe vieram qu�micas de morte
que eram cada vez bem mais forte
sendo gr�tis inicialmente
mas pelo corpo trocado posteriormente.

E antes que pudesse perceber e sem d�,
a agulha de prata j� se lhe entranhava as veias,
a colher  derretia a pedra de p�
o qual deveria cheirar. Por liberdade anseia !

Entre seres desumanos e cru�is
em orgias diab�licas de infi�is
se lan�ava ao vento embevecida
como se fora atirada
pela sua catapulta preferida.

E no dia do seus 18 anos, maltratada,
numa super dose injetada
v� seu super homem, na mesma cal�ada.

Segue sinuosa qual p�ssaro de morte ferido
pousando nos bra�os do ente mais querido,

o velho e o sonho de voar,
sem ar.

Beijando o bot�o de rosa nas inertes m�os,
"minha menina", em letras tr�mulas l� no cart�o,
e um super v�o, se d� ent�o.

Desta vez at� a lua ela vai,
e como sempre sonhou:
No colo do seu papai.
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