"A
melhor imagem do mercado brasileiro é a de uma bomba-relógio, prestes a
explodir, mas ninguém sabe quando. A demanda existe em todos os níveis, mas está
comprimida - pelo alto preço dos produtos ou pela falta de consumidores.
O governo acredita que o projeto PC
Conectado possa melhorar esse problema. Computadores entre R$ 1 mil e R$ 1.300,
bem financiados e com uma configuração modesta mas capaz das funções básicas -
internet, edição de textos e imagens, impressão. Para a indústria da
diversão eletrônica, essa iniciativa não resolveria seu maior problema - a
pirataria. Calcula-se que, de cada 5 jogos vendidos no Brasil, 4 e meio são
cópias ilegais.
É por isso que o mercado minguou.
Mesmo a inédita EGS 2004, feira de games realizada no final do ano passado, em
São Paulo, não tirou o gosto amargo da boca dos executivos.
Hoje, a
Electronic Arts domina a distribuição dos games, seguida da Microsoft, Vivendi e
Moving Editora.
Quase todos os títulos para PC são
vendidos aqui, com manuais localizados e preços razoáveis, se comparados
proporcionalmente ao valor cobrado nos EUA. Mas as distribuidoras não escondem o
desânimo de venderem pouco num mercado com potencial tão grande.
Qual seria a solução da pirataria?
Falta fiscalização e punição - como em boa parte dos outros aspectos sociais, a
corrupção policial é farta. Junte a facilidade de encontrar softwares
'alternativos' à cultura presente do "vou me dar bem", e a situação está
montada.
É por isso que a ATI não se interessa
em 'fabricar' uma X800 no Brasil e a Blizzard não trará um servidor do World of
Warcraft para cá. Embora os dois exemplos não correriam risco de serem
pirateados, toda a cadeia de consumo de que eles dependem sofre com produtos
ilegais.
Nos EUA, a pirataria é bem menor,
mais pela linha dura do estado do que pela falta de interesse dos usuários. É só
analisarmos a internet para perceber que o download ilegal de jogos para PC e
consoles é farto.
Os videogames PlayStation 2 e XBox
nunca foram trazidos legalmente por seus fabricantes. A pirataria é a grande
responsável e calcula-se que exista 1 milhão deles no Brasil, que entraram por
importabando ou importação alternativa. A Sony fez uma estimativa, há dois anos,
de quantos PS2 conseguiria vender no país. Chegou às 6 milhões de unidades,
número modesto na minha opinião.
Mas o que fazer quando o mercado de
games é mais taxado que qualquer outro eletrônico? Até um DVDokê recebe menos
impostos. O PC Conectado é o começo da esperança que a indústria da informática
tenha, finalmente, seu pedido atendido: menos impostos, mais vendas, maior
penetração.
O governo sinalizou que o corte nos
impostos pode se estender para modelos fora da esfera popular. Isso ainda é uma
idéia, mas pode significar muito, se confirmado.
Com esse conjunto de idéias, abro espaço para o debate sobre a questão.
Concorde, discorde, critique. Deixe sua mensagem sobre sua experiência como
micreiro, comerciante, usuário e/ou profissional de informática.