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Hoje muito se
fala da Síndrome do Pânico ou Transtorno do Pânico,
porém, em muitos meios, isso passa desapercebido, levando todos
a procurarem cardiologistas, clínicos gerais e outros profissionais
na tentativa de buscar-se uma explicação lógica para
uma série de sintomas físicos que ocorrem associados a
esse transtorno mental.
Hoje muito se fala da Síndrome do Pânico ou Transtorno do
Pânico, porém, em muitos meios, isso passa desapercebido,
levando todos a procurarem cardiologistas, clínicos gerais e outros
profissionais na tentativa de buscar-se uma explicação lógica
para uma série de sintomas físicos que ocorrem associados
a esse transtorno mental.
A prevalência ao longo da vida, segundo dados do National Comorbidity
Survey (NCS) dos EUA, é de cerca de 3,5%. A idade de início
da sintomatologia se concentra entre os quinze e dezenove anos, sendo
raros os casos que se iniciam após os 30 anos. É mais freqüente
nas mulheres. No Brasil, deve haver entre 4 a 5 milhões de pessoas
que sofrem com esse distúrbio.
Fatores genéticos certamente contribuem para a sua causalidade
visto que 35% dos parentes de primeiro grau de pacientes com Síndrome
do Pânico sofrem do mesmo problema, entretanto isso não deve
ser suficiente para a eclosão da Síndrome do Pânico.
Há vários modelos explicativos, como os metabólicos
(relacionados ao funcionamento do organismo, com a produção
de determinadas substâncias químicas) e os neuroquímicos
(alterações nos sistemas de neurotransmissores cerebrais
como a serotonina e a noradrenalina, ou seja, substâncias químicas
cerebrais), embora nenhuma causa isolada tenha sido determinada. Outra
hipótese é também um possível disfunção
em um determinado sistema de alerta do organismo.
O Transtorno do Pânico é caracterizado pela presença
repetitiva de ataques de pânico: crises espontâneas, súbitas,
de mal estar e sensação de perigo ou morte iminente, com
vários sintomas e sinais de alerta como suor, taquicardia ("batedeira
no coração"), taquipnéia (respiração
rápida e superficial), tonturas e outros, atingindo o pico máximo
em cerca de 10 minutos.
As crises de pânico podem levar ao comportamento desadaptativo e
congelamento ou busca de fuga ou ajuda (ida a um pronto-socorro) que denominamos
pânico.
Geralmente, a pessoa está bem quando percebe que algo indefinido
a ameaça. Ocorre uma sensação inesperada de falta
de ar, tonteira, flutuação que indicam um risco de vida
ou perda da razão que nunca chegam a ocorrer. As mãos gelam
e ficam úmidas, a respiração fica difícil,
o coração acelera e a pessoa sente-se sufocada. Formigam
as extremidades, adormecem os lábios, e ondas de calor ou frio
ocorrem também. Tudo ocorre em segundos ou minutos. O indivíduo
procura ajuda e pode se desesperar. A crise pode passar em cerca de 20-40
minutos e é seguida de sensação de cansaço,
fraqueza, pernas bambas. No auge da crise a pessoa pode tomar atitudes
de risco como descer do carro em locais de risco, abandonar afazeres domésticos
sem os devidos cuidados (apagar o fogo).
As crises de pânico geram muita insegurança e medo. Por isso
levam ao receio de novos ataques, a chamada ansiedade antecipatória.
Com isso, as pessoas tendem a se isolar e apresentar a fobia, ou seja
um medo persistente, irracional e intenso de determinadas situações
ou contextos sociais.
Deve-se diferenciar a Síndrome do Pânico de doenças
físicas como as cardiológicas, endocrinológicas ou
neurológicas. Há associação com Prolapso valvar
mitral (problema de válvula do coração), hipertireoidismo
(excesso de funcionamento da glândula tireóide), hipoglicemia
(açúcar baixo no sangue) e síndromes vertiginosas
(referentes a tonturas).
O tratamento deve incluir a medicação antidepressiva e a
psicoterapia, sendo realizado por médicos psiquiatras auxiliados
por profissionais da psicologia. O paciente não deve ter receio
ou medo de procurar o especialista certo, devido aos seus preconceitos
e crenças, pois dessa forma estará impedindo um tratamento
eficaz e adequado para livrá-lo de seu grande sofrimento e incapacitação.
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Dr Joel Rennó Júnior- Coordenador do "Pró-Mulher"-
Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-
Hospital
das Clínicas da USP- IPQ-HC-FMUSP.
E-mail: [email protected]
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