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    Ao completar 200 anos de sistematização, na virada do século XX, a Homeopatia encontra  pela frente muitos desafios tais como: necessidades de investimentos em pesquisa, controle de qualidade de medicamentos, melhoria da qualidade de ensino, enquadramento ( ou não ) no sistema de saúde dominado pelos chamados convênios, relacionar-se com os demais modelos médicos vigentes e assim por diante.
     Apesar disso tudo, tem também muito a comemorar por estar mais abrangente, atingindo  comunidades que até há pouco  não poderiam dispor dos recursos homeopáticos. As pesquisas oficiais, aos poucos também vão comprovando a existência de  uma farmacologia não molecular  e isto é animador para todos nós que vivenciamos os efeitos das dinamizações em nossos doentes.
    Neste tempo de transformações mundiais nunca vistas e que marca um fim de ciclo de tempo assim como o início de um outro, talvez seja oportuno  urna revisão do papel da medicina no mundo e o posicionamento da homeopatia que parece ser um sistema interessante e ajustado às necessidades deste novo tempo.
    Quando  olhamos para os primórdios da medicina, aquela que era ensinada oralmente , antes das instituições de ensino estarem estabelecidas, podemos encontrar características de enfoque que muito se aproximam do modelo homeopático.
    Apenas para destacar alguns aspectos da medicina tradicional, podemos lembrar que nela:
- a experiência da doença e da cura acontece com valorização a intuição e da percepção
- todo ensinamento é fruto de sabedoria obtida através da experiência
- o homem contemplado é um ser integral (físico e espiritual)
- o método é contemplativo do todo e o objetivo, no processo de cura, é a reconexão com o todo, com o fluxo da natureza O adoecer é fruto da desconexão do todo.
- a  vida é apenas um momento na existência e o médico é convidado a dar suporte à experiência do doente e não a evitar a morte a qualquer custo.
    Todos estes elementos ficaram para trás quando a medicina se afastou da espiritualidade e passou a tratar o homem como um ser físico apenas,procurando eliminar a dor de maneira artificial para que ele pudesse desfrutar de uma vida única para trabalhar, consumir e gerar lucros.
    A homeopatia nasce no auge da sistematização e materialização do ato médico e do ser humano , mas traz em suas bases muitos elementos considerados na medicina tradicional onde a individualidade e todas suas nuances são consideradas e tem valor decisivo para diagnósticos e tratamentos. A homeopatia é a medicina da individualidade que  tem necessidades , propósitos, dificuldades próprios e que são a base de todo o trabalho médico.
    Curar é cuidar desta individualidade e cuidar nada mais é que atender as necessidades . Quanto mais isto é esquecido mais doença ( fisica e psíquica) se apresenta
     Talvez seja por isso que quanto mais a tecnologia mecanicista avançou em nome do bem estar e das curas rápidas, mais doentes ficamos em termos individuais e coletivos.
Neste momento , quando tudo parece esgotado e sem perspectiva pelo excesso de poluição no planeta, pela falência das instituições, pela violência que assola o mundo e pela fome,  nada mais oportuno que revisitar as bases da tradição e da homeopatia para percebermos a atualidade de antigos ensinamentos onde a reconexão com o todo é fundamental. Com isso , corrigindo o equivocado culto ao "eu"   separado, isolado e cheio de desejos ( e não das reais necessidades)  poderemos caminhar para um  outro conceito de saúde individual e coletiva. Foi exatamente pelo sistema que supervalorizou este "eu" dissociado do todo que chegamos até aqui do jeito que chegamos.
     Que a homeopatia, feita por médicos comprometidos com suas bases filosóficas e premissas básicas - possa neste novo milênio , contribuir com a vida despertando percepções que estejam além do excesso de pensa dissociado do sentir que cria tantas e tão catas ilusões de felicidade e bem estar.

* ortopedista e homeopata, membro da associação paulista de Homeopatia.(www.aph.org.br)

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