AGROFLORESTA

 

 

 

 

 

Isto acarretará mais sensibilidade nos tratos, nas relações com nossos irmãos (seres vivos) no campo e na floresta, bem como nas relações entre os seres humanos. Assim, a agricultura voltará a ser o que ela era, pelo sentido da palavra: cultura. Uma tentativa culta de conseguir o necessário daquilo que precisamos para nos alimentarmos, além das outras matérias primas essenciais para nossa vida, sem a necessidade de diminuir e empobrecer a vida no lugar, na terra. Isto implica em considerarmos um gasto mínimo de energia, onde não cabem maquinária pesada, agrotóxicos, fertilizantes químicos e outros adubos, trazidos de fora do sistema.

A   agricultura, dessa forma, passa a ser uma tentativa de harmonizar as atividades da agricultura com processos naturais de vida, existentes em cada lugar que atuamos. Para conseguirmos isto, é preciso que haja em nós nós mesmos uma mudança fundamental, uma  mudança     da     nossa   compreensão da vida.
O nosso pensamento na civilização moderna ocidental é baseado nos princípios da física newtoniana.  Eles tentam explicar, numa forma rudimentar simples de entender, os processos físicos do movimento, da gravidade, da combustão, etc. . Esta teoria permitiu que se elaborasse um desenho bastante lógico do mundo. E assim, como vem se realizando este sonho de dominar o mundo, estamos compulsoriamente a descartar tudo o que não cabe dentro da nossa lógica, obtendo como resultado um agravamento cada vez maior dos problemas ecológicos e sócio-econômicos.
No entanto, parece que o pensamento técnomorfo não dá certo. A vida não funciona nos princípios da física newtoniana, do complexo para o simples, na entropia. Os princípios em que a vida se baseia são processos que levam do simples para o complexo,  onde cada uma das milhares de espécies, a humana entre elas, tem uma função dentro de um conceito maior. A vida neste planeta é uma só, é um macro organismo cujo metabolismo gira num balanço energético positivo em processos que vão do simples para o complexo, na sintropia. ..."

Ernest Götsch - do livro "Homem e Natureza-cultura na Agricultura"-Centro Sabiá - 1995


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