Música no Romantismo

Os compositores no romantismo buscam sempre liberdade de expressão. Para isso, flexibilizam a forma e valorizam a emoção. Exploram as potencialidades da orquestra e também cultivam a interpretação solo. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista. A transição do classicismo musical, que acontece já no século XVIII, para o romantismo é representada pela última fase da obra do compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827). Nas sonatas e em seus últimos quartetos de cordas, começa a se fortalecer o virtuosismo. De suas nove sinfonias, a mais conhecida e mais típica do romantismo é a nona. As tendências românticas consolidam-se depois com Carl Maria Von Weber (1786-1826) e Franz Schubert (1797-1828). O apogeu, em meados do século XIX, é atingido principalmente com Felix Mendelssohn (1809-1847), autor de Sonho de uma Noite de Verão, Hector Berlioz (1803-1869), Robert Schumann (1810-1856), Frédéric Chopin (1810-1849) e Franz Liszt (1811-1886). No fim do século XIX, o grande romântico é Richard Wagner (1813-1883), autor das óperas românticas O Navio Fantasma e Tristão e Isolda.

No Brasil os compositores também buscaram liberdade de expressão e valorizaram a emoção. Resgataram temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista. A ópera se desenvolve no país. Seus principais representantes são Carlos Gomes, autor de O Guarani, e Elias Álvares Lobo (1834-1901). Eles são auxiliados por libretistas como Machado de Assis e José de Alencar. Em 1863 estréia Joana de Flandres, de Carlos Gomes, com texto em português. A última ópera apresentada nesse período é O Vagabundo, de Henrique Alves de Mesquita (1830-1906). Uma segunda fase do movimento é marcada pelo folclorismo. Sobressaem Alberto Nepomuceno (1864-1920) e Luciano Gallet (1893-1931).

  Saiba mais sobre os músicos da época: 

Ø     Ludwig van Beethoven - (1770-1827) nasce em Bonn, Alemanha, e estuda música por exigência de seu pai. É mandado para Viena, em 1792, para completar sua formação, onde permanece por toda a vida. Tem aulas com Haydn e pratica composição dramática com Antônio Salieri. Apesar do temperamento irascível e compositor de uma música considerada difícil para a sua época, é bastante prestigiado em Viena. Em 1798, percebe os primeiros traços de surdez, isola-se e fica mais agressivo. São repertórios obrigatórios as suas nove sinfonias, quartetos de cordas, 32 sonatas para piano, variações para piano, entre muitas outras composições.

Ø     Franz Liszt (1811-1886) nasce na Hungria e estuda música em Paris. Aos 12 anos, exibe pela Europa sua extrema agilidade ao piano. Vive amores conturbados, sem jamais se casar. É pai de um filho e duas filhas (a última, Cosima, se casa com Wagner). Recolhe-se à Ordem Terceira de São Francisco, em Roma, torna-se abade, recusando o sucesso e a glória. Nesse período, compõe obras que antecipam o atonalismo expressionista alemão. Entre suas obras destacam-se Rapsódias húngaras, Sinfonia Fausto, Funerais (harmonias poéticas e religiosas) e Bagatela sem tonalidade.

Ø     Richard Wagner (1813-1883) nasce em Leipzig, Alemanha, e cresce num meio familiar formado por atores. Escreve, ainda na infância, tragédias em estilo grego e shakespeariano. Aos 15 anos dedica-se a estudar música. Sua primeira ópera de grande porte é Rienzi, sob influência da ópera francesa. O sucesso vem com O navio fantasma. Depois virão: Lohengrin, O anel dos nibelungos, Mestres-cantores. Participa de movimentos sociais em 1848 e 1849. Em Tristão e Isolda, de 1865, reivindica o retorno do drama ao seu caráter religioso (ritual) primitivo.

Ø     Antônio Carlos Gomes (1836-1896) nasce em Campinas, São Paulo, filho de Maneco Gomes, músico e regente da banda local. Em 1859, foge de casa para estudar música no Rio de Janeiro. É matriculado no Conservatório de Música do Rio de Janeiro, por ordem do imperador, onde estuda com professores italianos. Em 1860 torna-se preparador de óperas na Imperial Academia de Música e Ópera Nacional. A partir de 1863 parte para estudos em Milão. Adquire notoriedade na Itália, onde compõe as óperas II Guarany, Fosca, Maria Tudor, Lo schiavo, O condor e o oratório Colombo. Em 1895, volta ao Brasil e torna-se diretor do Conservatório Musical de Belém do Pará.  

    

Ø     >Chiquinha Gonzaga (1847-1935), pianista e compositora desde a infância. Em 1885, já famosa por suas peças de caráter dançante, compõe uma opereta, A corte na roça, e inicia uma série de 77 partituras teatrais, como A sertaneja, Juriti, e Maria. Suas composições traduzem, com fidelidade, a ginga, os improvisos e o lirismo das serestas, dos choros e das danças de crioulos.

 

                      Dança no Romantismo

Foi na época do romantismo que os Ballets de Repertório se firmaram. O Romantismo foi um movimento artístico de valorização do sentimento em detrimento da razão (como desejava o mestre Noverre) e no qual a imaginação era deixada à solta, sem qualquer controle ou auto-censura. Dessa forma, a dança que expressa algo, que mostra sentimento, cresce notoriamente, sem deixar morrer o imenso desenvolvimento técnico que havia acontecido anteriormente. No momento, o que se buscava através da técnica eram formas expressivas, a poesia do corpo, a fluidez da dança e não o virtuosismo e a beleza das formas. Esses novos ideais, baseados na "Igualdade, Liberdade e Fraternidade" da Revolução Francesa, se afastam totalmente dos ideais estéticos greco-romanos. Os artistas tendem a se inspirar no seu cotidiano, nas suas emoções reais, e não na idealização da perfeição dos Deuses.
Uma das grandes inovações da Era Romântica foi o surgimento da dança na ponta dos pés. Eis um bom exemplo dos ideais românticos: houve um imenso desenvolvimento da técnica, mas os objetivos desse desenvolvimento vão muito além da estética da forma: na ponta dos pés, a bailarina se torna muito mais leve e expressiva, pelo menos aos olhos do espectador. Com as pontas, surge a supremacia feminina no balé: os bailarinos agora serviam de suporte, para apoiar e levantar as grandes estrelas. Para isso, eles deviam ser fortes, e belos e expressivos para as histórias de amor. A dança agora se torna mais sensual (para os padrões da época): para equilibrar a bailarina na ponta, o partner deveria ampará-la com seu corpo ou ao menos segurá-la pela cintura.
Nesse clima, em 1832, nasceu La Sylphide. Foi o primeiro ballet já coreografado para as pontas. Retratava um dos tema preferidos do romantismo: o amor entre mortais e espíritos, e inaugurava a imaginação sem fim, que tratava de temas cotidianos somados a seres como ninfas, duendes, fadas e elfos. Os Deuses do Olimpo (gregos e romanos) estavam quase esquecidos.

As roupas brancas e longas das ninfas, quase sempre com fartas saias de tule com collants, acentuavam o corpo das bailarinas, o que contribuiu para a sensualidade e para a necessidade de se lapidar ainda mais a técnica, pois agora o corpo aparecia mais (as saias de tule são um pouco transparentes) e não era mais tão disfarçado pela roupagem.
Nesses mesmos moldes, o ballet "Giselle" estreou em 1841, sendo remontado mais tarde pelo menos duas vezes. Assim como La Sylphide, Giselle apresentava um 1º ato realista, entre os camponeses, e o 2º ato mais fantástico. Ao invés das ninfas apresentadas no primeiro ballet, no segundo ato de Giselle surgiram novos seres imaginários, as Willis, que eram como ninfas más (*ver Giselle em Ballets de Repertório).
Dos grandes nomes da primeira metade do século XIX, La Sylphide lançou Maria Taglioni (na figura abaixo), a mais perfeita bailarina romântica, harmoniosa, que parecia flutuar. Giselle lançou Carlota Grisi, uma mulher com uma interessante história pessoal, inspiradora do ballet: foi profundamente amada por Julius Perrot, o coreógrafo do ballet, com quem viveu, e também foi musa inspiradora do Libretista dessa obra, Theóphile de Gautier, que morreu balbuciando seu nome. A segunda bailarina que estrelou Giselle foi Fanny Elssler, muito conhecida por seu estilo forte e voluptuoso.  

 


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