Histórico

Romantismo

CONTEXTO HISTÓRICO

O Brasil do início do século XIX foi palco de várias transformações que contribuíram de forma decisiva para a formação de uma verdadeira identidade nacional e, conseqüentemente, uma literatura com características mais brasileiras. A chegada da família real portuguesa em 1808 já era um indício de que aquele seria um século de profundas mudanças na estrutura política, econômica e cultural do país. D. João VI, através de medidas importantes visando o desenvolvimento nacional, abriu os portos para comércio com o mundo, o que significava a fácil entrada de novas tendências culturais, principalmente européias. Além disso, criou novas escolas, bibliotecas e museus, e deu incentivo à tipografia, que implicou a impressão de livros, até então feitos em Portugal, e a edição de jornais. O eixo político-econômico-cultural do Brasil sai então de Minas Gerais para ganhar as portas da realeza no Rio de Janeiro, onde nasce um público consistente de leitores principalmente formado de mulheres e jovens estudantes, provenientes da classe burguesa em ascensão.

Enquanto isso, o restante da nação, ainda movido pela estrutura agrária e mão-de-obra escrava, assiste à transição do colonialismo ao império. Era a tão sonhada independência política das correntes de Portugal, numa busca pela liberdade e pelo patriotismo, que iria acolher de braços abertos os ideais românticos.

 

ROMANTISMO NO BRASIL

CONTEXTO HISTÓRICO-CULTURAL

O Romantismo brasileiro nasce das possibilidades que surgem com a Independência política e suas conseqüências sócio-culturais: o novo público leitor, as instituições universitárias e, acima de tudo, o nacionalismo ufanista que varre o país, após 1822, e do qual os escritores são os principais intérpretes.

Contribuir para a grandeza da nação através de uma literatura que fosse o espelho do novo mundo e de sua paisagem física e humana, eis o projeto ideológico da primeira geração romântica. Há um sentimento de missão: revelar todo o Brasil, criando uma literatura autônoma que nos expressasse.

A adaptação de um movimento artístico europeu

Os valores do Romantismo europeu adequavam-se às exigências ideológicas dos escritores brasileiros, O Romantismo se opunha à arte clássica, e Classicismo aqui significava dominação portuguesa. O Romantismo voltava-se para a natureza, para o exótico; e aqui havia uma natureza exuberante, etc. Tudo se ajustando para o desenvolvimento de uma literatura ufanista.

O nacionalismo romântico encontrará a sua representação nos seguintes elementos:

Indianismo

No "bon sauvage" francês sedimenta-se o modelo de um herói que se deveria se tornar o passado e a tradição de um país desprovido de sagas exemplares. O nativo - ignorada toda a cultura indígena - converte-se no herói inteiriço, feito à imagem e semelhança de um cavaleiro medieval.

Assume-se a imagem exótica que as metrópoles européias tinham dos trópicos, adaptando-a ao ufanismo. Acima de tudo, o índio representa, na sua condição de primitivo habitante, o próprio símbolo da nacionalidade. Além disso, a imagem positiva do indígena fornece às elites o orgulho de uma ascendência nobre, que ajuda na legitimação de seu próprio poder no Brasil posterior à Independência.

Sertanismo

Resultado da "consciência eufórica de um país novo", o sertanismo romântico (também discutivelmente chamado de regionalismo) procura afirmar as particularidades e a identidade das regiões e da vida rural, na ânsia de tornar literário todo o Brasil.

Este registro do mundo não-urbano permanece na superfície com uma moldura, já que a intriga romanesca é citadina, ou seja, gira em torno dos esquemas românticos do folhetim. Além disso, os autores usam sempre a linguagem culta e literária das cidades e não a fala particular da região retratada.

Natureza

A terra é identificada como pátria. Assim, os fenômenos naturais tornam-se representativos da grandeza do país. A natureza jovem, vital, exuberante, serve de compensação para a pobreza social ao mesmo tempo que simboliza as potencialidades do Brasil.

Procura da língua brasileira

Os escritores românticos - José de Alencar, em especial - reivindicam uma língua brasileira. Em Iracema, o autor tenta criar esta língua através do estilo poético, da utilização de vocábulos indígenas, de um novo ritmo de frase. Mas não são os escritores que criam um idioma. Continuamos falando e escrevendo o português. Porém, graças ao esforço de Alencar e outros, começa a se estabelecer uma forma brasileira de escrever a língua portuguesa.

 

ROMANTISMO NO BRASIL

A DIVISÃO EM GERAÇÕES

Na lírica romântica brasileira, podem ser delimitados, com algum rigor, três momentos que se caracterizam por apresentar temas e visões de mundo diferenciadas. Estes momentos coincidem com a formação de três gerações (1). Cada geração assume uma perspectiva própria, embora todas sejam marcada pelo caráter romântico. Contudo, os elementos que definem cada uma delas não são exclusivos. Interpenetrando-se de forma bastante acentuada.

Geração

Denominação

Componentes

Modelos Poéticos

Temas

Nacionalista

Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias

Chateaubriand e Lamartine

- O índio
- A saudade da Pátria
- A natureza
- A religiosidade
- O amor impossível

Individualista ou Subjetivista

Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire

Byron e Musset

- A dúvida
- O tédio
- A orgia
- A morte
- A infância
- O medo do amor
- O sofrimento

Liberal ou Social ou Condoreira

Castro Alves

Vitor Hugo

- Defesa de causas humanitárias
- Denúncia da escravidão
- Amor erótico

(1) normalmente atribuía-se a duração média de 15 anos para cada geração. A partir de meados do século XX, em função da rapidez da mudança de costumes e valores, reduziu-se este tempo para 10 anos.

   

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