| 3� Gera��o | |||||||||||||||||||||||
| O fim da d�cada de 60 assinalou o in�cio de uma crise que atingiu a classe dominante composta por senhores rurais e grupos de exportadores.As primeiras Industria , o encarecimento como m�o-de-obra a utiliza��o de imigrantes nas fazendas de caf� de S�o Paulo indicavam mudan�as na ordem econ�mica. Por esta �poca ,come�aram a se manifestar as primeiras faturas ate ent�o s�lida vis�o das elites dirigentes . | |||||||||||||||||||||||
| O nacionalismo ufanista come�ou a ser questionado.Estudantes de direito intelectuais da classe media urbana, escritores jornalistas e militares se davam conta da exist�ncia de uma consider�vel distancia entre os interesses escravocratas e monarquistas dos propriet�rios de terras e os interesses do resto da popula��o.Foi ent�o que a literatura assumiu uma fun��o critica.Antonio de Castro Alves superou o extremado individualismo dos poetas anteriores, dando ao Romantismo um sentido social e revolucion�rio que o aproxima do realismo o padr�o po�tico j� n�o e Chateaubriand ou Byron, mas se o franc�s Vitor Hugo, burgu�s progressista . | |||||||||||||||||||||||
| Castro Alves | |||||||||||||||||||||||
| O TEMA DA ESCRAVID�O Publicado em 1883, doze anos ap�s a morte do autor, Os Escravos re�ne as composi��es anti-escravagistas de Castro Alves, entre elas, os famosos poemas abolicionistas O Navio Negreiro e Vozes d'�frica. Castro Alves n�o foi o primeiro poeta rom�ntico a tratar do tema da escravid�o. Antes dele, Gon�alves Dias, Fagundes Varela e outros abordaram a quest�o. No entanto, nenhum poeta foi mais veemente e engajado � causa social e humanit�ria do abolicionismo como ele. Castro Alves procurou aprofundar as implica��es humanas da escravatura adequando a sua eloq��ncia condoreira � luta abolicionista. Retrata o escravo de modo romanticamente tr�gico para despertar a sociedade, habituada a tr�s s�culos de escravid�o, para o que h� de mais desumano neste regime. O maior exemplo deste retrato est� em A Cachoeira de Paulo Afonso, longo poema narrativo, escrito em 1870, que conta a hist�ria de amor de dois escravos, Lucas e Maria, pintada com fortes cores dram�ticas. |
|||||||||||||||||||||||
| Condoreirismo | |||||||||||||||||||||||
| Castro Alves foi o principal e mais popular representante do estilo rom�ntico que predominou na poesia brasileira entre 1850 e 1870, denominado condoreiro por Capistrano de Abreu(1853-1870) .E caracterizado por uma poesia ret�rica, repleta de hip�rboles e ant�teses, em que se destacam os temas s�cios e pol�ticos, principalmente a defesa da aboli��o da escravatura e a apologia republica. | |||||||||||||||||||||||
| Os poetas condoreiros foram influenciados diretamente pela poesia social de Vitor Hugo, o Condoreirismo e o hugonismo brasileiro.De teor declamativo e pendor social, um de liberdade da Am�rica, o que sugeriu a Capistrano de Abreu a denomina��o dado ao estilo. | |||||||||||||||||||||||
| Outros poetas, como Tobias Barreto(1839-1889),Jose Bonif�cio,o Mo�o(1827-1886) e Pedro de Calas�s (1837-1874)cultivaram e defenderam o condoreirismo enquanto poesias de tese (cientifica)(, publica , pol�tica ,rimando artigos de jornal , metrificado manifesto do abolicionismo e proclama��es republicanas. | |||||||||||||||||||||||
| Romantismo no Brasil | |||||||||||||||||||||||
| O NAVIO NEGREIRO Um dos mais conhecidos poemas da literatura brasileira, O Navio Negreiro Trag�dia no Mar foi conclu�do pelo poeta em S�o Paulo, em 1868. Quase vinte anos depois, portanto, da promulga��o da Lei Eus�bio de Queir�s, que proibiu o tr�fico de escravos, de 4 de setembro de 1850. A proibi��o, no entanto, n�o vingou de todo, o que levou Castro Alves a se empenhar na den�ncia da mis�ria a que eram submetidos os africanos na cruel travessia oce�nica. � preciso lembrar que, em m�dia, menos da metade dos escravos embarcados nos navios negreiros completavam a viagem com vida. Composto em seis partes, o poema alterna m�tricas variadas para obter o efeito r�tmico mais adequado a cada situa��o retratada. Assim, inicia-se com versos decass�labos que representam, de forma claramente condoreira, a imensid�o do mar e seu reflexo na vastid�o dos c�us: |
|||||||||||||||||||||||
| Stamos em pleno mar... Doudo no espa�o Brinca o luar dourada borboleta; E as vagas ap�s ele correm... cansam Como turba de infantes inquieta. |
|||||||||||||||||||||||
| 'Stamos em pleno mar... Do firmamento Os astros saltam como espumas de ouro O mar em troca acende as ardentias, Constela��es do l�quido tesouro... |
|||||||||||||||||||||||
| Stamos em pleno mar... Dois infinitos Ali se estreitam num abra�o insano, Azuis, dourados, pl�cidos, sublimes... Qual dos dous � o c�u? qual o oceano?... |
|||||||||||||||||||||||
| 'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas Ao quente arfar das vira��es marinhas, Veleiro brigue corre � flor dos mares, Como ro�am na vaga as andorinhas... |
|||||||||||||||||||||||
| Note o leitor que o poema se inicia com a supress�o da vogal E inicial da palavra Estamos, grafada Stamos para que o poeta forme um verso decass�labo. � um recurso tipicamente rom�ntico: a express�o suplanta o cuidado formal. Na segunda parte do poema, composta em versos redondilhas maiores (heptass�labos), ao seguir o navio misterioso, pedindo emprestadas as asas do albatroz, o eu l�rico escuta as can��es vindas do mar.Ao se aproximar, na terceira parte, em versos alexandrinos, o eu l�rico se horroriza com a cena infame e v� descrita na quarta parte do poema, atrav�s de versos heteross�labos, alternando decass�labos e hexass�labos: |
|||||||||||||||||||||||
| Era um sonho dantesco... o tombadilho Que das luzernas avermelha o brilho. Em sangue a se banhar. Tinir de ferros... estalar de a�oite... Legi�es de homens negros como a noite, Horrendos a dan�ar... |
|||||||||||||||||||||||
| Negras mulheres, suspendendo �s tetas Magras crian�as, cujas bocas pretas Rega o sangue das m�es: Outras mo�as, mas nuas e espantadas, No turbilh�o de espectros arrastadas, Em �nsia e m�goa v�s! |
|||||||||||||||||||||||
| E ri-se a orquestra ir�nica, estridente... E da ronda fant�stica a serpente Faz doudas espirais ... Se o velho arqueja, se no ch�o resvala, Ouvem-se gritos... o chicote estala. E voam mais e mais.. |
|||||||||||||||||||||||
| Presa nos elos de uma s� cadeia, A multid�o faminta cambaleia, E chora e dan�a ali! ...``` |
|||||||||||||||||||||||
| Sous�ndrade | |||||||||||||||||||||||
| Joaquim Souza de Andrade (1833-1902),ou Sous�ndrade ,como gostava de ser chamado foi o poeta brasileiro mais original do s�culo XIX.Filho de fazendeiro , o escritor nasceu no Maranh�o e estudou na Franca , onde se bacharelou em Letras e Engenharia de Minas Tentou a agricultura , mas logo abandonou.Peregrinou p� vario paises como Franca,B�lgica ,EUA, e Chile | |||||||||||||||||||||||
| Incompreendido pelos cr�ticos,leitores e ate mesmo por sua pr�pria fam�lia,Sous�ndrade ,consciente de sua condi��o , j� afirmava em 1877, numa introdu��o ao canto VII de Guesa errante, sua obra m�xima. | |||||||||||||||||||||||
| Dotado de uma compreens�o mais ampola e critica acerca da p�tria e do indianismo vigentes na poesias s de seus contempor�neo rom�nticos,Sous�ndrade defendia uma nova civiliza��o americana ,independente pol�tica e culturalmente.Em americanismos cr�ticos , que funde as tr�s Am�ricas , encontram- se alus�es tanto aos aspectos paradis�acos quanto infernais da Am�rica. Ao mesmo tempo que recupera as tradi��es ind�genas amazonenses e colombianas, o poeta aponta o c�ncer do mundo moderno , o inferno financeiro de Wall Street, nos Estados Unidos. | |||||||||||||||||||||||
| Avaliada pela critica da �poca com os mesmos crit�rios que a produ��o do rom�ntico , a obra de Sous�ndrade ficou marginalizada e esquecida durante muito tempo.Somente nas ultimas d�cadas do s�culo XX, ap�s a publica��o de REVISAO DE SOUSANDRADE , cr�ticos Augusto e Haroldo de Campos , e que o poeta passou a ser definido como um dos precursores da literatura moderna, ao lado de grandes nomes internacionais , como | |||||||||||||||||||||||
| Charles Baudelaire e Edgar Allan Poe. | |||||||||||||||||||||||
| �nfase Social | |||||||||||||||||||||||
| Castro Alves, o maior representante da �ltima gera��o rom�ntica, diferente dos seus predecessores, como Junqueira Freire e �lvares de Azevedo, projeta o drama interior do escritor (o eu), sua intensa contradi��o psicol�gica, sobre o mundo. Enquanto que, para a gera��o anterior, o conflito faz o escritor voltar-se sobre si mesmo, pois a desarmonia � resultado das lutas internas (ultra-romantismo), para Castro Alves, s�o as lutas externas (do homem contra a sociedade, do oprimido contra o opressor) que provocam essa desarmonia. � outro modo de representar o conflito entre o bem e o mal, t�o prezado pelos rom�nticos. Portanto, a po�tica deve se identificar profundamente com o ritmo da vida social e expressar o processo de busca da humanidade por reden��o, justi�a e liberdade. O poeta condoreiro tem um papel messi�nico e afinado com o seu momento hist�rico. Esse comprometimento faz a poesia se aproximar do discurso, incorporando a �nfase orat�ria e a eloq��ncia. Nos poemas de Os Escravos, a poesia � suplantada pelo discurso pol�tico grandiloq�ente e at� verborr�gico. Para atingir o alvo e persuadir o leitor e, muito mais, o ouvinte, o poeta abusa de ant�teses e hip�rboles e apresenta uma sucess�o vertiginosa de met�foras que procuram traduzir a mesma id�ia. A poesia � feita para ser declamada e o exagero das imagens � intencional, deliberado, para refor�ar a id�ia do poema. |
|||||||||||||||||||||||