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Organização da Resistência Mulata Dizendo NÃO! à alienação |
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Nota de Repúdio da Organização da Resistência Mulata contra as declarações da ministra Matilde Ribeiro Declaramos nosso veemente repúdio às afirmações infelizes da ministra Matilde Ribeiro em entrevista à BBC Brasil, nesta terça-feira, dia 27. Consideramos, nós que somos descendentes de africanos e de brancos, que estas declarações são prejudiciais à luta contra o racismo em nosso país. Entendemos que a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) é hostil à nossa identidade mulata e favorável à fragmentação do povo brasileiro por critérios “raciais”. Mulatos têm sido constrangidos a assumirem identidade negra para terem acesso às políticas de “ação afirmativa” apoiadas por esta secretaria. Para aumentar artificialmente os percentuais da população negra brasileira os mulatos são sistematicamente somados aos mesmos, mas na hora de um mulato com traços predominantes de branco requerer os benefícios das polêmicas cotas raciais nas universidades é não só rejeitado, mas muitas vezes moralmente ofendido. Não é de hoje que a ministra faz afirmações não adequadas ao respeito à cidadania dos brasileiros brancos, como mostra sua declaração à revista Caros Amigos, de novembro de 2006, “acho melhor ter brancos ressentidos, mas negros dentro das universidades do que ter branco feliz e negro fora da universidade.” Ficamos apreensivos, diante das declarações da ministra, quando esta afirma ser natural um negro insurgir-se contra um branco. Temos a convicção de que é preciso que esta secretaria seja imediatamente excluída da estrutura administrativa do governo federal e seja substituída por uma secretaria que cuide de questões sociais dos brasileiros pobres e excluídos, sem classificá-los por sua cor ou origem. Entendemos que a política da atual secretaria representa uma ameaça não só para a população negra e branca brasileira, mas para todos aqueles que, como nós mulatos, temos ligações históricas e étnicas com ambas, como também para a sociedade em geral. A postura revelada hoje em relação aos brancos pode significar hostilidade e violência contra mulatos no futuro, a exemplo do que já aconteceu em Zimbábue, Haiti e outros países. Não desejamos ver reproduzido no Brasil, um país já com tantos problemas de violência, conflitos étnicos entre negros e brancos. Desejamos um país justo e igualitário para todos. |
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