2. Historicidade e perenidade dos valores

Existe a questão se os valores serão perenes, isto é, independentes do tempo, do espaço e dos seres concretos que os realizam, ou se dependem do tempo, do espaço e da sociedade.

As teses essencialistas ou substancialistas defende a primeira hipótese. Os valores não são coisas (existências) mas seres ideais (essências). As coisas são apenas portadoras dos valores, mas mesmo que não existam, os valores continuam lá. A Beleza não deixa de o ser só porque um vaso muito belo se quebrou. As coisas traduzem os valores, mas eles estão num plano muito além do plano material, num plano ideal. Os valores são como as matemáticas enquanto são independentes das coisas, mas diferem das matemáticas pelo processo de assimilação: os valores não são uma exigência da razão, são objectos intencionais do sentir. Por outro lado, os valores não são redutíveis ao conhecimento que os sujeitos têm deles. Uma coisa é o reconhecimento que o sujeito faz dos valores, outra coisa são os próprios valores.

As teses relativistas defendem o contrário. Existem várias teorias neste âmbito, de domínio psicologista, sociológico entre outros. De uma forma geral, para o relativismo axiológico, os valores são fruto da actividade do sujeito, é ele que os constrói, e os valores mudam à medida que o ser sujeito evolui como ser humano. Não existem valores universais. Os valores são sempre valores para um sujeito, e só existem nele e na sua obra.

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