2.2 Genealogia e crise dos valores

Esclarecida a subordinância dos valores ao contexto em que enraízam, poderá levantar-se ainda outra questão, referente à origem dos valores.

Nietzsche, filósofo dos valores, dá o seu contributo para responder a esta questão.

- Não há uma moral universal nem desintteressada. A moral é racional.

- A não universalidade dos valorres significa que dependem do tempo e do espaço em que são gerados, e que por isso são relativos.

- A moral é sempre interessada, porque por detrás das nossas acções mais altruístas está sempre uma intenção egoísta. Não se ajuda o desconhecido por bondade ou caridade, mas para parecer bem e para não se ficar com remorsos.

- Platão também apontava para uma morall racional, mas que fazia depender a subordinação dos instintos e paixões à razão. Para Nietzsche, a moral é expressão das paixões, e surge para justificar o homem e não determiná-lo.

- Com estes pressupostos, e em relação à questão da origem dos valores, Nietzsche diz que são os homens "bons" que julgaram "boas" as suas acções.

- Consideremos o exemplo dos dois berçoos culturais que influenciaram a nossa actual civilização, a herança grega e a herança judaico-cristã.

- Os gregos, a casta guerreira ee aristocrática, impunham os valores mais elevados como a beleza, a verdade, o nobre, o poder, os frutos do seu modo de vida. Já para os judeus e cristãos, a casta sacerdotal, os exaltados são os pobres, os humildes, os fracos, os doentes. A primeira moral, uma moral de senhores, baseia-se na acção e na afirmação de si. A segunda, uma moral de escravos, é fundada na negação das forças vitais e na passividade. Os valores são assim criados e julgados consoante a actividade do sujeito.

Tendo sido esclarecida a questão da origem, poderemo-nos interrogar ainda sobre o carácter positivo ou negativo dos valores na evolução humana. Nietzsche diz que a inversão dos valores provocada pela mentalidade judaico-cristã constitui uma negação das qualidades do Homem. É necessário regressar à mentalidade dos gregos, para voltar a afirmar o valor do Homem como agente livre e criador, o "Super Homem".

Esta crítica nietzschiana dos valores deixa prever uma crise dos valores. Esta crise não consiste num estado apocalíptico de abandono dos preconceitos, mas aponta para uma análise dos valores, um julgamento, um questionamentos e uma avaliação deles, a fim de reformulá-los e ir ao encontro das exigências da sociedade e do homem actual.

Hosted by www.Geocities.ws

1