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1.4.1. Valores concretos e valores abstractosConsiderando que os valores não pretendem a adesão de um auditório inteiro, podemos salientar, no entanto, uma excepção. Há valores universais e absolutos, como a Justiça, a Liberdade, a Beleza ou o Bem, aos quais ninguém se opõe. Porém, se especificar-mos estes valores, se estudarmos o que é que estes valores significam para cada um de nós, já nos vemos no universo da discórdia, da polémica e da argumentação. Estes valores são apenas universais na medida em que não são determinados. A especificação destes valores remete-nos para a distinção entre valores abstractos - como a Beleza ou a Liberdade - e valores concretos - como Portugal, a Igreja ou a Família... Estes últimos aplicam-se a um objecto, a um ser, a uma instituição ou a um grupo. Os valores abstractos aplicam-se a princípios gerais, válidos para todos os casos. É curioso que os valores concretos estejam mais associados ao pensamento consevador, que coloca em primeiro plano a realidade concreta, enquanto que os valores abstractos estão mais associados ao pensamento revolucionário, ligados à mudança de realidade. Um valor não se pode classificar como concreto ou abstracto, mas apenas como mais ou menos concreto ou abstracto em relação a outros valores.
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