3. O agente criador

O Homem é um ser finito. Incompleto, sempre insatisfeito, que não pode tudo, e está muito longe de ultrapassar a sua mortalidade.

Porém, esta finitude não é uma lei inexorável, um destino inultrapassável, uma condição que tem de aceitar resignadamente.

Ao longo da sua vida, o ser humano vai realizando esforços para ultrapassar essa finitude, o que passar por se realizar pessoalmente. Ele luta sempre por aliviar as nódoas que o caracterizam enquanto espécie e enquanto indivíduo, males esses dos quais se podem referir a morte, a dor, o absurdo e a ignorância.

Nessa luta contra si próprio, nessa realização pessoal, ele serve-se permanentemente da acção, que já foi vista como fundamental para a execução do seu projecto pessoal.

É a finitude humana que impulsiona a acção, que portanto tem origem nessa mesma finitude, e procura ultrapassar essa situação.

Mas ainda não se reflectiu na importância da acção enquanto criadora de valores. Quando um homem age, fá-lo de acordo com algo que defende, com algo que apoia, com algo que deseja... age de acordo com os seus valores, valores esses que podem não existir antes da sua acção. Um dos mais evidentes exemplos é a revolução, histórica ou individual. Um grupo de trabalhadores que reclama por melhores condições de trabalho, ou um escravo que expressa o seu desejo de liberdade, agem por algo que acreditam, algo que ainda não existe, mas que querem que exista.

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