2.2.1 Condicionantes físicas, biológicas e psicológicas

O ser humano, do ponto de vista biológico e como espécie, apresenta determinadas características que lhe limitam a sua acção: não pode voar, tem um raio de visão limitado, não tem a força nem a agilidade de outros animais. Por outro lado, está sujeito a atrair um enorme caudal de doenças e em último caso está sujeito, como qualquer ser vivo, à morte.

No entanto, a sua condição biológica pode ser melhorada e até transformada, através da ciência e da tecnologia. É evidente que não podemos ultrapassar a morte, mas podemos adiá-la; a nível individual não podemos voar como os pássaros nem nadar como os peixes, mas podemos, graças à vida em sociedade criar inúmeros instrumentos que nos permitem de forma cultural ultrapassar as condicionantes da espécie.

A forma como conseguimos ultrapassar os limites naturais deve-se em grande medida à maneira como a nível psicológico encaramos essa situação: a autoconsciência, ou seja, a consciência que temos das nossas capacidades e da forma como as podemos desenvolver é que nos permite em grande medida ultrapassar os limites pela Natureza e pela situação que vivemos, e desse modo podermos realizar o nosso projecto pessoal. Um velho ou um doente apenas se vê como isso porque os não-velhos e não-doentes lho dizem. Porém, ele é mais do que isso, e tem de tomar consciência desse mais que ele é para conseguir ultrapassar os seus limites. O modo como encaramos a nossa situação é determinante para podermos ir para além dela. Até o escravo que viveu a vida inteira na prisão pode ultrapassar isso: ninguém lhe pode tirar a liberdade de pensar.

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