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1.1 Os planos do acontecer, do fazer e do agirHá que, antes de mais nada, fazer a distinção entre a acção humana, que tem como agente o Homem, e os planos do acontecer e do agir. a) É o plano do acontecer quando o homem não age, mas sim reage, quando por exemplo se escalda e remove repentinamente a mão da fonte de calor. Ou quando o movimento que faz é mera consequência das leis da Natureza, como quando cai depois de ter saltado para dentro de um poço. Este tipo de "acções" não devem ser assim chamadas, pois não são coisas que o Homem faz numa atitude deliberada e consciente, mas apenas uma resposta instintiva e involuntária do seu organismo face a diversas situações, e segundo as leis da Natureza. b) Trata-se do plano do fazer quando a acção é vista como mera execução. Por exemplo, "hoje fiz um bolo" ou ontem "fiz uma passagem pelo centro comercial". Este tipo de acções já são feitas de livre vontade e com consciência, e por isso diferem das acções do plano do agir. Porém, devido ao seu carácter exclusivamente técnico, não pertencem ainda ao plano do agir especificamente humano. c) Um homem age, uma acção do plano do agir, quando faz algo em que deposite aquilo que ele é. Quando escolhe uma profissão, quando namora alguém, quando viaja por lazer, são exemplos de acções que reflectem a sua identidade e que contribuem para realizar o seu projecto pessoal. Neste caso, a acção centra-se no próprio agente, e sobressai a sua liberdade e responsabilidade. Uma acção diz-se humana porque as suas consequências são analisadas em função do agente e do sentido que carregam, das intenções e dos motivos do agente.
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