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3.2 As diversas formas de configuração da realidadeFoi dito que a experiência é a primeira forma de acesso do Homem ao real, a experiência é por si só uma construção, uma vez que a percepção que temos da realidade é construída a partir das nossas próprias características, das nossas experiências anteriores e do contexto sócio cultural em que estamos inseridos. A partir da experiência constituem-se vários tipos de saberes e conhecimentos com características próprias (objectivos, métodos e linguagens), que vão organizar e completar a informação que foi transmitida através da experiência. Estes vários saberes configuram o real, dando-nos várias perspectivas sobre a mesma experiência. Existem quatros grandes formas de interpretar a realidade, quatro saberes, quatro grandes perspectivas, que serve cada uma delas para compreender a realidade de modo diferente. São elas o senso comum, a ciência, a política e a arte. Vejamos, a título de exemplo, a SIDA, um problema a alastrar actualmente todo o mundo. Na prática ou senso comum, sabe-se acerca da doença que é grave, e sabem-se os meios em que se transmite. Por sua vez, o cientista conhece muito mais detalhadamente esse processo de transmissão, conhece a constituição do vírus, as alterações provocadas no organismo por acção desse vírus..., pois o seu interesse consiste em criar medicamentos para aliviar os sintomas dos doentes ou mesmo em descobrir o antídoto definitivo para a doença. Quanto à política, esta concentra a sua atenção em financiar e coordenar apoio a infectados, a divulgação de informação para infectados e não-infectados (prevenção) entre outros. A arte, essa encara a SIDA como negativa, mas como um objecto para si: no desenho gráfico na ilustração, na televisão, no livro, a doença é o objecto, e esse objecto é tratado de forma a provocar determinados sentimentos da parte de quem vê a obra, tais como a consciência da gravidade da doença, a responsabilidade de informar colegas e contemporâneos, entre outros. » O Conhecimento Empírico ou Senso Comum
- Conhecimento transmitido de geração em geração. - Superficial e portanto erróneo. - Prático ou pragmático, serve para sabermos como agir. - Ametódico. - Incompleto. - Varia conforme o sujeito, depende das suas características.
- Este saber sendo geral não divide a realidade em parcelas para as estudar mais profundamente, como faz a ciência. Com o senso comum, sabemos um pouco de tudo mas pouco de cada coisa.
- Sistemático: constitui sistemas explicativos ou teorias da realidade. - Tem objectivo: procura explicações para os fenómenos de modo não só a compreendê-los e a saber como eles ocorrem mas de modo também a prevê-los. - Racional (lógico). - A objectividade que possui é a intersubjectividade. - Reversível, porque as teorias científicas podem ser substituídas por outras quando os dados provenientes da experiência não conseguem ser explicados pelas teorias vigentes.
- A observação empírica é um entrave para a ciência. Apesar da ciência se basear na realidade, não pode ter como certo aquilo que apreendemos dela com uma percepção imediata e ingénua.
- Para a construção do facto científico é primordial a utilização de instrumentos.
(D. Huisman e A. Vergez, La Connaissance, Ferdinand Nathan, 1974, pp. 56-58)
» A Arte A arte é mais do que uma configuração do real, ela é transfiguração. Isso significa que ela vai muito além da realidade apresentada, interpretando-a de acordo com os sentidos e as emoções do artista, criando assim uma nova realidade, pessoal, própria, que o artista expressa numa obra para deleite dos apreciadores, esperando neles incitar sentimentos idênticos. Mesmo sendo transfiguradora, a arte inclui-se entre as formas de configuração do real porque não transforma a realidade exterior, mas sim a interior. O fenómeno artístico medeia a relação entre aquilo que o autor quis expressar na sua obra de arte através da sua imaginação e criatividade, e a interpretação que o espectador dá à obra visionada, através da sua própria criatividade e imaginação. » O Direito e a Política O Homem é um ser social, mas ambiciona viver numa sociedade organizada e que tenha em vista o bem comum. Aí entram o direito e a política, que têm a organização e a procura do bem comum como objectivos fundamentais. Por esse motivo são formadas as leis, que têm a intenção de clarificar e instituir os direitos e os deveres dos indivíduos enquanto cidadãos. Objectivos da vida social:
- construção de obras públicas - assistência a atingidos de uma catástrofe colectiva - apoio individual em situações que dizem respeito a todos (velhice, doença, etc.) - organização de festas e celebrações comunitárias, que têm como objectivo o desenvolvimento da cultura e o espírito de unidade de grupo. O Estado O Estado é uma instituição, um posto de comando que dirige e actua quando necessário, visando o bem comum e a compatibilização dos interesses individuais com os interesses colectivos. A partir da Revolução Francesa, o Estado passou a ser entendido como uma pessoa colectiva em que os poderes devem estar divididos e serem autónomos entre si: os poderes legislativo (formação de leis), executivo (prática das leis) e deliberativo (justiça).
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