1. Os saberes decorrentes da experiência

O Homem tanto é produto da sua inserção e adaptação a um mundo anterior a si, como à medida que se vai individualizando e ganhando autonomia, torna-se um ser cada vez mais activo nesse mundo envolvente e em constante transformação.

Mas esse mundo cultural e social que molda o Homem e que é moldado por ele está impregnado de símbolos, de códigos, de enigmas, que terão de ser decifrados e compreendidos para depois serem aproveitados, num processo que se chama a aprendizagem.

Como é que é feita essa aprendizagem?

Há saberes que são passíveis de serem partilhados, espontânea ou metodicamente, os saberes adquiridos. Outros saberes provêm de uma experiência pessoal e intransmissível, são os saberes conquistados, e estão ligados à unicidade de cada existência humana.

Análise do Texto 1 - "O Jogo Da Vida"

  • Só procedemos ao estudo de uma matéria se sentirmos curiosidade ou necessidade de conhecer essa matéria.
  • Daí, podemos seleccionar aquilo que nos convém aprender. Visto que é impossível sabermos tudo, podemos aprender apenas aquilo que for mais importante para nós. Há coisas que queremos saber ou não, há coisas que precisamos de saber ou não. Temos infalivelmente que ter os conhecimentos dos quais depende a nossa vida, porque neles "está em jogo a nossa vida". (Existe assim um saber primordial: há saberes que nos convém e outros que não.)

  • Saber viver não é muito fácil porque é um saber que não goza de unanimidade; para diferentes pessoas, saber viver tem diferentes significados (ao invés dos sábios das matemáticas ou das geografias que partilham os conceitos fundamentais).
  • "O único ponto sobre o qual, à primeira vista, estamos de acordo é que nem todos estamos de acordo."
  • "(...) opiniões diferentes coincidem também num outro ponto: a saber, que aquilo que vai ser a nossa vida, é pelo menos em parte, resultado do que quiser cada um de nós."

    Dois esclarecimentos a propósito de liberdade:

  • "Primeiro: não somos livres de escolher o que nos acontece (ter nascido certo dia, de certos pais, em tal país, sofrer de um cancro ou ser atropelados por um carro, ser bonitos ou feios, ..., etc.), mas somos livres de responder desta maneira ou daquela ao que nos acontece (obedecer ou revoltar-nos, ser prudentes ou temerários, vingativos ou resignados, vestir-nos de acordo com a moda ou disfarçar-nos de urso das cavernas, ..., etc.)."
  • "Segundo: sermos livres de tentar alguma coisa nada tem a ver com a sua obtenção indefectível. A liberdade (que consiste em escolher dentro do possível) não é a mesma coisa que a omnipotência (que seria alguém obter sempre aquilo que quer, ainda que tal pareça impossível)."

(Fernando Savater, Ética Para um Jovem, Editorial Presença, 1994, pp. 19-26)

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