1.3.1 Viver, ter ideias, pensar

Muitas vezes temos ideias, porém, raramente pensamos sobre essas ideias. Ter ideias não é o mesmo que pensar. Podemos referir-nos às ideias que nos surgem como aquilo em que pensámos, mas uma coisa são essas ideias de carácter leve que nos surgem, que o pensamento assume-as como pressupostos sem bases acerca dos quais se esquiva de dar explicações; outra coisa são as ideias que conquistamos após um laborioso acto de questionamento e de reflexão, e que podemos defender ou condenar, com uma convicção firme, uma argumentação sustentante, sempre prontos a fazer frente a críticas e a debates que possam surgir.

Análise do Texto 12 - Imbecis & imbecis

Imbecil = bastão. Imbecil é aquele que precisa de um bastão ou bengala para andar.

Existem vários tipos de imbecis:

    a) indiferente
    b) aquele que não analisa analisa a consequência dos seus actos, quer coisas opostas e ao mesmo tempo
    c) aquele que não tem pensamento pessoal
    d) aquele que sabe o que quer, mas falta-lhe coragem e vontade
    e) aquele para quem os meios são justificados pelos fins
Todos eles precisam de bengala, de se apoiarem em coisas alheias que nada têm a ver com a sua reflexão pessoal.

Consequências e marcas da imbecilidade:

    1) Falta de liberdade e de reflexão
    2) Fartar-se de si próprio e da vida
O contrário de ser imbecil é ter-se consciência:
    a) importarmo-nos com o que fazemos, porque queremos viver bem, humanamente bem.
    b) prestarmos atenção para ver se aquilo que fazemos corresponde ou não ao que queremos
    c) irmos desenvolvendo o bom gosto moral (valores, atitudes,...)
    d) assumirmos responsabilidade pelos nossos actos (não podemos procurar argumentos que dissimulem a nossa liberdade)
(Fernando Savater, Ética Para um Jovem, Editorial Presença, 1993, pp. 69-71)

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