5. Conclusão

 

            A presente pesquisa teve como problema central: Quais os elementos que orientam os autores de materiais didáticos e elaboradores de propostas curriculares no momento da seleção e do desenvolvimento dos conteúdos referentes à trigonometria? Face à análise realizada é possível concluir que o elemento que mais influência tem sobre os autores de materiais didáticos é o vestibular. Como justificativa para isto, os autores de materiais didáticos defendem que o Ensino Médio continua sendo propedêutico e que o objetivo maior do aluno nesse nível de ensino é o ingresso no curso superior. Esta influência é mais presente nos autores de materiais apostilados e, praticamente a única. Vale destacar que o material produzido por eles é destinado a professores e alunos que também acreditam que a função do Ensino Médio seja preparar para o vestibular.

            Já os autores de livros didáticos sofrem além desta influência, outra mais determinante que é a pressão das editoras. Estas exigem dos autores que o livro tenha mercado e para isso o livro deve atender às expectativas dos professores que, segundo acreditam, preferem um livro mais conservador e voltado para o vestibular. Os autores vivem um conflito, pois de um lado, revelaram desejo e necessidade de mudanças no ensino da matemática, e, em especial, do ensino da trigonometria; de outro, têm que atender às exigências das editoras.

            Neste sentido, constata-se que os documentos curriculares têm pouca ou até nenhuma influência sobre as concepções dos autores e sobre a seleção de conteúdos, chegando ao ponto de  haver autores que praticamente desconsideram a existência destes.

            É importante destacar que o Prof. Imenes é o único, dentre os entrevistados, que não sofre pressão por parte das editoras. Seu trabalho não apenas se aproxima dos documentos curriculares, como também foi fonte de referência para a elaboração da Proposta Curricular do Estado de São Paulo.

            As autoras dos documentos curriculares acreditam também que a não incorporação dos princípios contidos nesses documentos nos livros didáticos seja decorrente do vestibular, pois este continua sendo conteudista e conservador, sendo assim contrário às propostas oficiais. No caso dos PCNEM, as autoras acreditam que, dificilmente, será possível que um livro didático dê conta de lidar com as questões relativas à contextualização e interdisciplinaridade. O documento só será implementado mediante ações, principalmente, do Ministério da Educação e uma mobilização de toda comunidade educacional, com vistas à formação do professor, tanto a inicial quanto a continuada. 

            Quanto ao ensino da trigonometria, com exceção de um autor, todos os demais, bem como as autoras dos documentos curriculares, acreditam ser necessário um enxugamento de conteúdos, com a ênfase centrada em problemas de aplicação.

     

 

 

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