---ANARQUIA---

 

Anarquia

 

Anarquia é uma palavra grega que significa literalmente "sem governo", isto é, o estado de um povo sem uma autoridade constituída. Antes que tal organização começasse a ser cogitada e desejada por toda uma classe de pensadores, ou se tonasse a meta de um movimento, que hoje é um dos fatores mais importantes do atual conflito social, a palavra "anarquia" foi usada universalmente para designar desordem e confusão.

 

Ainda hoje, é adotada neste sentido pelos ignorantes e pelos adversários interessados em distorcer a verdade. Não vamos entrar em discussões filológicas, porque a questão é histórica e não filológica. A interpretação usual da palavra não exprime o verdadeiro significado etimológico, mas deriva dele. Tal interpretação se deve ao preconceito de que o governo é uma necessidade na organização da vida social. O homem, como todos os seres vivos, se adapta às condições em que vive e transmite , através de herança cultural, seus hábitos adquiridos. Portanto, por nascer e viver na escravidão, por ser descendente de escravos, quando começou a pensar, o homem acreditava que a escravidão era uma condição essencial à vida.

 

A liberdade parecia impossível. Assim também trabalhador foi forçado, por séculos, a depender da boa vontade do patrão para trabalhar, isto é, para obter pão. Acostumou-se a ter sua própria vida à disposição daqueles que possuíssem a terra e o capital. Passou a acreditar que seu senhor era aquele que lhe dava pão, e perguntava ingenuamente como viveria se não tivesse um patrão. Da mesma forma, um homem cujos membros foram atados desde o nascimento, mas que mesmo assim aprendeu a mancar, atribui a estas ataduras sua habilidade para se mover. Na verdade, elas diminuem e paralisam a energia mus- cular de seus membros.

 

Se acrescentarmos ao efeito natural do hábito a educação dada pelo seu patrão, pelo padre, pelo professor, que ensinam que o patrão e o governo são necessários; se acrescentarmos o juiz e o policial para pressionar aqueles que pensam de outra forma, e tentam difundir suas opiniões, entender-nos como o preconceito da utilidade e da necessidade do patrão e do governo são estabelecidos. Suponho que um médico apresente uma teoria completa, com mil ilustrações inventadas, para persuadir o homem com membros atados, que se libertar suas pernas ou mesmo viver.

 

O homem defenderia suas ataduras furiosamente e consideraria todos que tentassem tira-las inimigos. Portanto, se considerarmos que o governo é necessário e que sem o governo haveria desordem e confusão, é natural e lógico, que a anarquia, que significa ausência de governo, também signifique ausência de ordem. Existem fatos paralelos na história da palavra. Em épocas e países onde se considerava o governo de um homem (monarquia) necessário, a palavra "república" (governo de muitos) era usada exatamente como "anarquia", implicando desordem e confusão. Traços deste significado ainda são encontrados na linguagem popular de quase todos os países.

 

Quando esta opinião mudar, e o público estiver convencido de que o governo é desnecessário e extremamente prejudicial, a palavra "anarquia", justamente por significar "sem governo" será o mesmo que dizer "ordem natural, harmonia de necessidades e interesses de todos, liberdade total com solidariedade total". Portanto, estão errados aqueles que dizem que os anarquistas escolheram mal o nome, por ser este mal compreendido pelas massas e levar a uma falsa interpretação. O erro vem disto e não da palavra. A dificuldade que os anarquistas encontram para difundir suas idéias não depende do nome que deram a si mesmos. Depende do fato de que suas concepções se chocam com os preconceitos que as pessoas têm sobre as funções do governo, ou o "Estado" como é chamado.

 

Errico Malatesta (in anarquia, 1907)

 

Por que Anarquia?

Porque todos nasceram para ser livre, mas o princípio da autoridade contradiz isso. No sistema atual precisamos viver sob diversas leis, estas sempre dão vantagem para certa classe social. Todos somos iguais e portanto temos os mesmos direitos, ninguém vale mais que o outro. A democracia não nos garante isso. Além de vivermos sob um governo, ainda temos que enfrentar certos padrões sociais, onde percebemos a presença de muito preconceito. O sistema anarquista é a maneira de viver livre, do jeito que você realmente quer ser e que se sente melhor. Hoje todos são como marionetes: vivem sob os padrões impostos pelo governo e pela sociedade, seguindo leis, quase sempre injustas e que favorecem sempre certo grupo. Na democracia, há muita desigualdade social, onde os ricos tornam-se cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres. As classes altas só se preocupam com elas mesmas, não se preocupam com o povo e ainda fazem ilusão a estes. Eles passam uma imagem de felicidade, dizendo que tudo está certo . Muitos acabam achando que está tudo certo e aceitam tudo como está. O governo só quer dinheiro e poder, por isso o dinheiro hoje é a desgraça do mundo. É prefirível viver livre, na "desordem", do que viver preso, na disciplina.

Movimento Punk

A contestação contra o sistema de coisas tornou forma ideológica através do Punk.
Com o visual fugindo dos padrões que a sociedade impõe através do modismo, mostrando sua revolta pelo corte de cabelo à moicano (ou cabelos espetados) coloridos, roupas velhas surradas (em oposição ao consumismo), jaquetas arrebitadas com frases de indignação às injustiças do Estado repressor e a atitude subversiva, se mostra o PUNK.
Esse movimento não fica calado, acomodado, como a maioria dos jovens e o povo em geral, fazendo manifestações, panfletagens, boicotes, passeatas: mostrando sua cultura e seu repúdio a todas as formas de fascismo, nazismo e racismo, autoritarismo, sexismo e comando; vendo como solução a autogestão (ou seja anarquia) para a libertação dos povos, raças, homens e mulheres.
Em palavras mais claras, autogestão seria a organização dos povos sem fronteiras nem lideranças autoritárias e partidárias, com plena igualdade, onde todos participariam da resolução dos problemas sociais. O punk também mostra sua cultura anticapitalista pelo FANZINE (jornal político-alternativo), pela música HARDCORE, som simples e direto, não comercializável, trazendo propostas políticas, seu comportamento livre e objetivo, fazendo com que o Punk NÃO SEJA UMA MODA e sim um modo de vida e pensamento.
Atualmente o movimento atua com outros oprimidos grupos como: homossexuais, por achar que todos têm o direito de opção sexual sem ser discriminado; grupos de negros, feministas e outros grupos de atividades alternativas elibertárias.
Também mantém ligação com outros punks do Brasil e mundo, levando a cultura internacionalista, não patriota.
Saiba e conscientize-se que Punk não é bagunça, muito pelo contrário é um movimento cultural de luta e ação direta, de liberdade de expressão e de comportamento. O movimento que surgiu a quase duas décadas, como contestação, evoluiu e evolui até hoje...

 

 

 

Surgimento do Anarquismo no Brasil:

O anarquismo no Brasil é algo especial- é favorável em alguns pontos e desfavorável em outros. Ele derivou principalmente da literatura e experiências socialistas européias.

Seu desenvolvimento, contudo, resultou da própria experiência brasileira embora a evolução de sua teoria e prática tenha mudado de maneira semelhante à do movimento anárquico europeu. O lado ruim é a baixa instrução das massas populares, aqueles que sabem ler são a minoria e os que sabem escrever são mais raros ainda.

O lado bom é que não há socialistas no Brasil, o único grupo que nos atiça é o dos carregadores e anexos do Rio, muito bem organizados em torno de bons advogados.

Edgar Rodrigues exalta que no Brasil, as primeiras experiências anarquistas foram antes mesmo da chegada dos imigrantes: nos quilombos. Lá, tudo era de todos, terras, produção agrícola e artesanal: cada um retirava o necessário.

Depois por volta de 1890, o sul do Brasil teve uma fracassada experiência anarquista, financiada pelo imperador.

No fim do século XIX, as aspirações anarquistas no Brasil ganharam vigor. A greve de 1917 foi comandada em sua maioria por anarquistas, a infinidade de jornais libertários da época inclusive atestaram a força e organização dos anarquistas do Brasil na época.

A primeira iniciativa dos anarquistas brasileiros foi tentar expandir o seu trabalho através do voluntarismo. Os primeiros jornais anarquistas e anarco-sindicalistas tentaram se sustentar apenas de contribuições, porém, os militantes eram poucos e não possuíam muitos recursos econômicos. Assim, poucos foram os jornais anarquistas que publicaram mais de cinco números, todos pediam exaustivamente contribuições em seus editoriais. A terra livre, o jornal melhor sucedido antes da primeira guerra mundial, só editou setenta e cinco números em cinco anos. O tempo passava e os anarquistas procuravam um suporte financeiro mais eficaz, passaram a vender assinaturas; usaram de recursos outrora considerados corruptos, como rifas e festas.

Estas últimas eram freqüentes, e seu êxito dependia muito mais das atrações sociais do que de sua dedicação ideológica.

As teorias e táticas do anarco-sindicalismo infiltraram se no Brasil através de livros do teóricos sindicalistas residentes na França. Como em todos países onde penetraram essas teorias difundiram se no Brasil através da imprensa, de panfletos, e das decisões dos congressos operários dominados por anarco-sindicalistas.

"A ação direta era a bandeira do sindicalismo revolucionário" . Cada ação direta, greves, boicotes, sabotagens, etc, era considerada um meio dos trabalhadores aprenderem a agir de uma maneira solidária na sua luta por melhores condições de trabalho, contra o seu inimigo comum, os capitalistas. Cada uma dessas ações diretas é uma batalha na qual o proletário conhece as necessidades da revolução por meio de sua própria experiência. Cada uma delas prepara o trabalhador para a ação final: a greve geral que destruirá o sistema capitalista.

Nestas ações, considerava violência algo aceitável, sendo justamente este o fato que distinguia o anarco-sindicalismo das outras formas de sindicalismo brasileiras. A sabotagem, eram considerada especialmente eficaz para o proletariado, se não pudessem entrar em greve, estes, poderiam agredir seus exploradores de outra forma, empregando a filosofia de que para um mau pagamento há um mau trabalho. A destruição de equipamentos tocaria no ponto fraco do sistema, pois as máquinas são mais difíceis de se substituir do que os trabalhadores.

Hoje em dia, ainda há no Rio e na Bahia jornais anarquistas, que publica a história do anarquismo e edita anarquistas brasileiros.

 

Governo e anarquia

A anarquia é erradamente associada ao caos, desordem e bagunça, seu verdadeiro sentido veio da palavra grega anarckos que significa "sem governo".

O anarquismo confia na convivência pacífica dos seres humanos, numa estrutura autogestionária, isto é, sem regras, autoridades e hierarquias. Valorizando apenas e sobretudo a liberdade natural de cada indivíduo.

A militância anarquista atua em diversos campos sociais, políticos e culturais. De maneira ora pacífica (através de eventos, manifestações, boicotes e panfletagens) ora violenta. Tal violência é usada apenas pelos mais radicais e em casos extremos, em reação às silenciosas bombas do estado: A bomba desemprego, a bomba salário mínimo, a bomba latifúndio, a bomba saúde terminal e a bomba ensino burro dentre outras.

Todos podem agir anarquicamente em suas vidas, valorizando sua liberdade individual, resistindo à regras estúpidas, contestando regulamentos, hierarquias e ditos poderes e recusando serem governados e manipulados.

"Ser governado é ser guardado à vista, inspecionado, espionado, dirigido, legislado, regulamentado, parqueado, endoutrinado, predicado, controlado, calculado, apreciado, censurado, comandado, por seres que não têm nem o título, nem a ciência, nem a virtude (...). Ser governado é ser, a cada operação, a cada transação, a cada movimento, notado, registrado, recenseado, tarifado, selado medido, contado, avaliado, patenteado, licenciado, autorizado, rotulado, admoestado, impedido, reformado, reenviado, corrigido. É sob o pretexto da utilidade pública em nome do interesse geral, ser submetido à contribuição, utilizado, resgatado, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; e depois, à menor resistência, à primeira palavra de queixa, reprimido, multado, vilipendiado, vexado, acossado, maltratado, espancado, desarmado, garroteado, aprisionado, fuzilado, metralhado, julgado, condenado, deportado, sacrificado, vendido, traído e, no máximo grau, jogado ridicularizado, ultrajado, desonrado. Eis o governo, eis a sua justiça, eis a sua moral! (...) Oh! Personalidade humana! Como foi possível deixares-te afundar, durante esses séculos, nessa abjeção?"

 

Pensamentos de um anarco punk

 

 

O mundo esta uma grande merda, e a humanidade são as moscas explorando cada vez mais esse monte de merda até ela se decompor. E nós? Quem somos nesse imenso circulo vicioso? Somos o resto da humanidade que ainda não explora o monte de merda (o planeta) que ainda restou. As pessoas dizem que somos a escória do mundo, que somos contra tudo de bom na sociedade, que somos drogados e baderneiros que não conseguimos se integrar na sociedade. As vezes eu tento intender o que as pessoas vêem de bom na sociedade, que cada dia que passa, decai mais um pouco. O mundo esta cheio de dinheiro na mão de alguns poucos, cheio de guerras inúteis para provar o poder de alguns, cheio de doenças e cientistas mercenários, pessoas que só querem ajudar pôr dinheiro e fama, pôr prestigio e poder. Na verdade são todos hipócritas que exploram as pessoas, a natureza, o mundo em si em nome de um mundo melhor. Não somos contra tudo de bom na sociedade e sim contra tudo de ruim nela, só que as pessoas não podem ver o que é ruim pois isso seria acabar com sua própria integração na sociedade, acabar com seu conforto e segurança. Talvez nós sejamos estranhos para as pessoas comuns, mais as pessoas comuns são incompreensíveis para nós. Porque no meio de tanta desgraça, fome, doenças, guerras, repressão, de tudo que somos impostos a passar, a sociedade cada vez mais quer estar integrada no mundo capitalista que é em parte o culpado pôr todo mau existente na sociedade? Mais o grande culpado realmente é a sociedade que se deixa enganar pôr políticos que falam bonito e lhes promete um mar de rosas, propagandas e mais propagandas que lhe fazem crer que tudo pode ser bom, por um falso retrato do mundo que a mídia lhe passa. Parece que não percebemos que tudo isso é para tirar nosso dinheiro e nos manter em controle em nossas casas, trabalhando e estudando para servir de escravo para o sistema. Sempre o dinheiro! As pessoas fazem tudo pôr dinheiro, querem sempre ter mais dinheiro. Acham que o dinheiro vai resolver todos os problemas delas. Mas na verdade é o dinheiro que causa os problemas e não sua falta. Se não houvesse dinheiro não haveria disputas, não haveria perdedores e consequentemente não haveria pobreza e nem ricos. Todas as pessoas são iguais independente de cor, sexo, estética e então porque existem desigualdades no mundo? Porque existe a hierarquia? Porque existem mais prestigiados? Talvez seja porque tem mais dinheiro ou mais medalhas ou um pedaço de papel determinando quem é melhor ou pior. Talvez quando as pessoas perceberem que fizeram tudo errado seja tarde demais, o mundo já tenha se afundado num posso de dinheiro e fanatismo, religiões e preconceito, guerras e repressão. Pôr isso não nos integramos, porque somos contra todo meio de vida estúpido da sociedade. O sistema te escraviza de forma invisível, mais se fizer um pouco de esforço verá que sua vida é a coisa mais descartável perante o sistema, que só quer mais poder, controle e dinheiro, e usa tudo que esta em sua volta para controla-lo, para fazer você trabalhar e pagar seus impostos, fazer com que você não perceba que esta sendo totalmente controlado através da mídia, da religião, das falsas idéias que são transmitidas pôr todos em sua volta. Pôr isso lutamos contra o sistema, contra as luxurias da sociedade capitalista. Pôr isso nós nos vestimos diferente, não pagamos impostos, não votamos e nem fazemos o que nos mandam. Somos contra leis que te privam de fazer o que quer consigo mesmo, não temos religião pois achamos que a religião é uma forma de bitolação da sociedade capitalista para te controlar e tirar seu dinheiro e pensamentos. É tudo uma forma de protesto. O sistema pode controlar as pessoas, minha família, meus amigos e podem até me controlar mais nunca vão controlar minha mente. ANARQUIA SEMPRE.

 

Dez princípios do Anarquismo:

Autonomia: Esta é a condição indispensável para obter-se a liberdade individual/coletiva. Significa o respeito às decisões, vontades, e opiniões do indivíduo em relação ao grupo e vice-versa. Por exemplo, caso um grupo decida em prol de determinada ação, os membros discordantes não ficam obrigados a participar da mesma. Para isso não devem haver relações de dependência que impeçam as pessoas de se posicionarem livremente.

Apoio Mútuo: É a ajuda entre seres de uma organização social onde as partes interagem, auxiliando-se e fortalecendo-se. Tal prática não permite disputas, que são fundamentadas no principio irracional de superioridade entre seres, sendo destrutivas para o convívio humano. Nossa proposta é somar forças para alcançar uma melhor qualidade de vida para todos.

Autogestão: Autogestão é por princípio, a comunidade cuidando diretamente, de seus próprios deveres e interesses. Para que ela aconteça terá de haver ampla liberdade de organização sem leis cerceantes e hierarquias. Por este simples fatos os partidos e legisladores tornam-se desnecessários. Afinal se as pessoas tomam para si as responsabilidades de gerenciamento de suas vidas, os representantes profissionais e demais poderes são completamente inúteis.

Internacionalismo: Não deveriam existir fronteiras. Não deveriam existir nacionalidades. Patriotismo é um sentimento mesquinho e egoísta que só faz acontecer guerras inúteis e acirrar a raiva entre os povos. A luta pela liberdade passa pela derrubada do capital, que explora e oprime em todo o globo. Ao invés do estado nação, defendemos a autodeterminação dos povos. Somos internacionalistas pois nossa ação revolucionária acontece em todos os lugares do planeta.

Antimilitarismo: Dentro da instituição militar impera o autoritarismo a partir de um complexo esquema de hierarquia de poder. Qualquer tipo de autoritarismo é inválido ! Por que um é melhor que o outro ? Porque é mais velho ? Porque tem mais medalhas no peito ? Todos são iguais! Uns podem deter mais experiência, pois então que a passe para os outros! O respeito virá naturalmente! Criar um sistema hierárquico por via de medalhas e impô-lo a todos é artificial! Abaixo o Autoritarismo!

Ação Direta: A ação direta é o princípio onde você faz e decide diretamente tudo que lhe diz respeito, em oposição a idéia de representação. O indivíduo por ser único é impossível de ser representado. Quando os movimentos sociais passam a agir e não somente reagir ao sistema, pacífica ou violentamente se faz chamar de ação direta, a maturidade de uma organização, a essência da atuação libertária e a única maneira de trilhar um caminho contínuo para a revolução social.

Autodefesa: Um princípio libertário que propõe a defesa do indivíduo e/ou coletivo, para garantir sua sobrevivência contra as forças opressoras da reação. Temos de nos defender do sistema e derrubá-lo, a liberdade não é negociada, nem barganhada, mas sim conquistada.
Não se pode "confiar na polícia" e muito menos fazer-nos de vítimas indefesas do sistema. A característica da luta ácrata é a ética e dignidade, "é melhor morrer de pé do que viver de joelhos"; a autodefesa acompanha toda a atuação anarquista.

Viver a Vida!: Fazer a sua parte não é encarar o mundo sob uma visão pessimista. Mesmo sabendo que o mundo é cruel, temos de saber que não podemos mudá-lo de uma hora para a outra. Por isso, antes de desistir, desacreditar-se, dar um tiro na cabeça ou tomar qualquer outra atitude assassina-suicida, é necessário encarar a realidade, sabendo que, com pequenas atitudes e esforços, conseguimos mudar a cena.

Individualismo: Individualismo não é, como a maioria faz crer, uma forma de egoísmo, e sim uma valorização do indivíduo, do individual. Um individualista é único, incopiável, livre e incensurável. "Até onde começa a liberdade do próximo." Todos somo únicos. Até o mais alienado dos humanos tem uma qualidade, uma peculiaridade a mais ou a menos pelo menos. Tais qualidades não significam que há melhores ou piores, e sim que somos todos diferentes, únicos. Massificar, exigir de todos o mesmo comportamento e rendimento, é um atentado à vida, tão vil quanto julgar-se individualista pelo cruel ato de pensar no seu próprio umbigo apenas, mesmo que, para isso, tenha de atropelar, pisar, esmagar e ignorar aos demais.

Apartidarismo: Eleições criam ilusões e desviam energias da luta direta contra o estado e o capital, deixando desarmados os trabalhadores. Em 1970 os Chilenos acreditaram que se acabaria com o capitalismo elegendo um presidente socialista, em 1973 os militares rasgaram a constituição e instalaram a sanguinolenta ditadura de Pinochet. Em 1964, por muito menos os militares brasileiros rasgaram a constituição e apearam Jango do poder. Portanto não será elegendo um operário, um democrata ou um socialista que sairemos desse pesadelo. Aqui e agora, no seu bairro, no seu local de trabalho, na sua família, na sua escola. Lutando junto aos seus companheiros pela liberdade e para romper as estruturas autoritárias da sociedade, devemos lutar para cotidianizar a revolução e revolucionar o cotidiano.

VOTE NULO, NÃO SUSTENTE PARASITAS!

 

Asas em Chamas

 

Asas em Chamas, Manifesto Próprio

 

Não chegue perto, não me sinto humano.

 

Sou a vítima perfeita para sentir o beijo da morte,

 

Seu gelado e suave beijo.

 

Vocês não sabem quem sou, como penso.

 

Vocês não sabem o que se passa por trás desses olhos.

 

Não quero sentir seu Mundo,

 

Quero simplesmente acreditar em minhas crenças.

 

Vou ser sua testemunha diante da cruz de espinhos,

 

Espinhos envenenados com a dor.

 

Minha filosofia não lhes pertence,

 

Não tentem me entender,

 

Pois vivo aparte em meu Mundo,

 

Um Mundo repleto do que me agrada,

 

E o que me agrada vocês não saberão.

 

Sou diferente,

 

Suas crenças vão levar vocês direto para o desejo da morte.

 

Vocês são demônios, vocês são anjos,

 

Mas eu sou o que vocês inconscientemente quiseram ser,

 

Livre, livre de crenças e necessidades.

 

Sinta suas mãos, olhe seu sangue escorrendo.

 

O suave cheiro de rosas indica sua paranóia.

 

Almas queimando, olhos ardendo,

 

São apenas a causa desse seu sentimento, dessa sua ilusão.

 

As pessoas cantam em coro, eu filosofo aparte,

 

Não me toquem, eu não lhes pertenço.

 

Suas idéias não passam de fantasias,

 

Fantasias insólita e sem rumo.

 

Pergunte-me,

 

Eu responderei fazendo você sentir a paz de um oceano vazio e sem ondas, lhes mostrarei o caminho.

 

Não sinto felicidade, não sinto dor,

 

Sinto apenas minha mente separando-se de meu corpo.

 

A morte é apenas o começo,

 

O começo da harmonia e paz infinita.

 

Procuro fazer seus sonhos,

 

Mas falho e os transformo em pesadelos.

 

O pesadelo é sua vida,

 

Sua vida amarga e doce.

 

Olhe a cruz de espinhos,

 

Ela lhe dirá o que são.

 

Não me olhe assim,

 

Sou um anjo comparado à vocês,

 

Um Anjo com as Asas em Chamas.

 

A chama da morte lhes envolve,

 

Mas vocês desviam de suas labaredas,

 

A chama da morte queima dentro de mim.

 

Me furo, me tatuo,

 

Mas não sei quem sou.

 

Você sabe quem sou?

 

Diga-me,

 

Diga-me que sou um Anjo com as Asas em Chamas.

 

Não sejam superficiais, vão fundo,

 

Conheçam-se, já me conheço.

 

Vocês, nada.

 

Vocês são apenas nada,

 

Sejam algo, acredite em algo seu,

 

Não em algo predeterminado.

 

Não tenham pensamentos,

 

Pensem, baseiam-se,

 

Revelem-se.

 

Livre-se das necessidades.

 

Conheça bem as pessoas antes de julga-las.

 

Queime bandeiras, esqueça as normas.

 

Seja o que você quer ser.

 

Sou algo não alguém.

 

As palavras excitam, as palavras agradam,

 

As palavras fazem você chorar.

 

Independente de você ser um revolucionário

 

Seu dever é fazer revolução,

 

Pois lhe foi dada a capacidade de pensar.

 

Não, não foi Deus não,

 

Mas sim a vida, a natureza.

 

Acredite em si mesmo,

 

Não em outra figura.

 

Olhe para o céu, sinta, veja o cosmo,

 

A maior força do universo,

 

Exceto pela sua força,

 

A força do inconsciente,

 

A força que você é capaz de gerar.

 

Grite, cuspa, fale,

 

Expresse-se, revele-se.

 

Olhem-me, sintam-me,

 

Descubra o que há por trás desses olhos,

 

Os únicos olhos que podem ver o Mundo dessa maneira.

 

Adapte-se ao meu meio,

 

Sinta-me, cheire-me, lamba-me, toquem-me,

 

Seja como eu,

 

Acredite em si mesmo.

(by PsichoMan)

 

 

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