Um mês antes das Olimpíadas, uma loucura coletiva percorria a Grécia. Os afazeres eram suspensos, pois todos desejavam estar presentes em Olímpia no décimo primeiro dia do "hecatombeu", primeiro mês do ano grego. Milhares de pessoas de todas as condições sociais e de todas as idades afluíam de barco, a cavalo, a pé, por estradas, caminhos e atalhos, vindas de todas as regiões. Indivíduos que viviam constantemente em luta reencontravam a paz; o mesmo entusiasmo os unia. Por serem os Jogos muito concorridos, o público era numeroso e variado. Primeiro vinham os atletas. Originários de várias cidades gregas, faziam-se acompanhar dos pais, treinadores, massagistas e cavalariços. A seguir, havia as delegações oficiais das cidades, que dirigidas pelas principais autoridades, traziam sempre abundantes presentes. Alguns eram depositados no rio Alfeu, enquanto os ofertantes formulavam os pedidos. Os outros eram destinados aos encarregados dos templos, às divindades e aos governantes de Élida.
Uma das mais ricas delegações que já compareceu às Olimpíadas foi a de Atenas em 420 a.C. Dirigida e financiada pelo General Alcibíades, apresentou-se com vários notáveis ricamente vestidos, sete carros de ouro para as corridas, centenas de cavalos para o desfile, uma grande manada para o sacrifício aos deuses e alimento da equipe, além de carros repletos de presentes e provisões.
Finalmente, surgia o público propriamente dito. Por ter Olímpia apenas um edifício destinado a abrigar altas personalidades, os visitantes que não possuíam essa condição, acampavam na planície adjacente em barracas improvisadas, tendas e, freqüentemente, ao ar livre.
Olímpia transformava-se em uma cidade temporária repleta de entusiasmo e de grupos heterogêneos. Comerciantes vendiam peixes, nozes, frutas frescas, carnes, tâmaras, vinhos, entre outros produtos. Havia instalação de barracas onde eram vendidas peças de cerâmica, bronze e madeira, miniaturas de imagens dos deuses, estatuetas com motivos esportivos, toalhas de linho, tecidos, roupas prontas e artefatos diversos.
Enquanto alguns aproveitavam para ostentar suas riquezas, outros ansiavam pelo aplauso. Filósofos, poetas, escritores, oradores, pintores e escultores compareciam para divulgar sua arte e cultura. O filósofo Platão sempre foi um dos mais aplaudidos, por servir de exemplo para todos os helenos. Foi um homem que aliou a beleza física a um profundo saber.
Sendo o ambiente propício, com o tempo as Olimpíadas transformaram-se em ponto de encontro político, onde problemas comuns a todos os gregos eram levantados e discutidos. Os estadistas aproveitaram-se sabiamente desta situação. Passaram a proferir discursos, a divulgar planos e distribuir panfletos. Isto prova que em todas as épocas, os homens sempre foram e sempre serão movidos pelos mesmos interesses.
Vários autores afirmam que os Jogos Olímpicos eram promovidos com nobreza e distinção. Outros asseguram que não eram festas tão agradáveis assim. A água era escassa e, por certo, as oferendas depositadas nos altares do bosque sagrado de Altis deviam atrair insetos e exalar mau cheiro.
Embora este festival do esporte fosse realizado na época mais quente do ano, era proibido o uso de qualquer indumentária que cobrisse a cabeça. A longa exposição ao Sol acarretava sérios problemas físicos. Uma das vítimas foi Tales de Mileto, um dos Sete Sábios da Grécia. Físico, matemático, filósofo, astrônomo e um dos fundadores da ciência grega, morreu de insolação em Olímpia. Todavia, isso não impedia que os helenos comparecessem prazerosamente ao evento. Nada os atemorizava. Acreditavam que lá estariam sempre seguros, sob guarda de Zeus Xênios, o protetor de hóspedes e estrangeiros. Terminadas as competições sagradas, durante os quatro anos seguintes Olímpia mergulharia novamente na paz e no silêncio.