Atena, ou Minerva, era a deusa da sabedoria, da guerra, das ciências, das artes, e, sobretudo da justiça. Sua origem é no mínimo curiosa. Zeus, após ter devorado Métis, ou a Prudência, sentiu uma grande dor em sua cabeça, que de tão intensa e insuportável, obrigou o Supremo Senhor do Olimpo a procurar seu filho Hefestos. Deus das forjas, do fogo e de todos os materiais fusíveis, Hefestos, ou Vulcano, fendeu o crânio de seu pai com um forte golpe de machado. E assim, do cérebro do Todo-Poderoso deus olímpico saiu Minerva, inteiramente armada e já em idade adulta. Diziam os gregos, "contra Atena, nada pode", indicando que a inteligência e a eqüidade são armas mais poderosas do que a violência.
Muitas cidades se colocaram sob a proteção de Minerva, porém, aquela entre todas favorecida pela deusa foi Atenas, à qual dera o seu nome. Nesta cidade, seu culto era perpetuamente honrado: tinha os seus altares, as suas mais belas estátuas, as suas festas solenes e, principalmente, um templo de notável arquitetura e beleza, a saber, o Partenon. É neste templo dórico que se encontra uma famosa estátua da Deusa Virgem, com quase doze metros de altura, feita em ouro e marfim pelo célebre escultor Fídias.
Para homenagear Atena, eram realizadas as Pequenas e Grandes Panatenéias. As primeiras eram anuais e as segundas, mais importantes, eram promovidas a cada quatro anos. Acredita-se que essas festas tinham como objetivo agradar a sábia deusa, para que ela protegesse as colheitas.
Durante a cerimônia de abertura das Grandes Panatenéias, passava por Atenas um navio ornado pelo Véu de Minerva, um rico manto bordado pelas mais hábeis fiandeiras, tecelãs e jovens das mais tradicionais famílias atenienses. As mulheres carregavam cestos com utensílios para os sacrifícios; os rapazes, vasos com óleo e vinho; e os velhos, ramos de oliveira. Na celebração das Panatenéias, cada tribo da Ática imolava à deusa Atena um boi, cuja carne era em seguida distribuída ao povo. Além dos grandes sacrifícios e ritos religiosos, nas Grandes Panatenéias eram promovidos concursos de beleza para escolher o rapaz mais forte e belo, eventos artísticos, hípicos, atléticos, náuticos e de ataque e defesa.
No torneio hípico era disputada uma prova deveras perigosa. O carro transportava dois aurigas, ou cocheiros; enquanto um deles conduzia o veículo, o outro saltava para fora e para dentro do carro, com os cavalos a todo galope. Esse evento está registrado em uma escultura que ornamenta um dos frisos internos do Partenon.
Aos vencedores eram outorgados prêmios de 300 e 200 dracmas (unidade monetária), respectivamente para o primeiro e o segundo colocados. Os vitoriosos nas lutas e eventos atléticos recebiam diversos vasos de cerâmica contendo azeite feito com os frutos da oliveira sagrada, considerada propriedade de Atena.
O programa de atletismo incluía uma prova de revezamento chamada "lampadodromia" ou "corrida das tochas". Cada equipe era formada por quarenta atletas, dispostos a vinte e cinco metros uns dos outros. Cobriam a distância que ia da muralha da cidade ao altar de Prometeu, o titã que roubou o fogo para o entregar aos humanos. A tocha passava de mão em mão, a chama não podia se apagar e vencia a equipe que conseguisse acender a fogueira colocada no marco de chegada.
No ano de 380 a.C., Licurgo, líder ateniense, iniciou em Atenas a construção do estádio Panatenaico, com a forma de uma ferradura alongada, para que ali fossem realizadas as Panatenéias. Os espectadores sentavam-se nas colinas adjacentes e somente os que desfrutavam do direito de preferência ocupavam lugares especiais. Já no século II da era contemporânea, Herodes Ático mandou reconstituí-lo. Revestiu-o com mármore branco do Pentélico, monte famoso pelo material usado nos monumentos atenienses. Construiu arquibancadas que chegavam a abrigar cinqüenta mil pessoas, além de portais, templos e outras obras artísticas. Isso fez do estádio a mais suntuosa praça de esportes do mundo antigo e mesmo do moderno. Consta que a riqueza da decoração do estádio Panatenaico era superior, na época, à do Coliseu de Roma, marco da arquitetura da Antigüidade Clássica.