O Renascimento dos Jogos Olímpicos

No século VI d.C., um terremoto arrasou parte da cidade de Olímpia e seu Estádio. Em seguida, uma tenebrosa avalanche, acompanhada de inundação, atolou as ruínas debaixo de seis metros de terra e pedras. Por centenas de décadas ninguém se interessou em analisar as possíveis sobras de um passado tão marcante. Até, que em meados do século XIX, particularmente na Europa, o mundo mergulhou na investigação física da História remotíssima através da ciência da Arqueologia.

Sob a liderança do alemão J. J. Wincklemann, principiaram na Grécia, em 1870, extensas escavações. No ano de 1871, Wincklemann detectou rastros da existência de Tróia. Em 1875, com o apoio financeiro de um bilionário inglês, o antiquário e colecionador William Chandler, os germânicos acharam as ruínas de Olímpia. Doze meses depois, já tinham praticamente limpado a região do Estádio e dos arredores, mostrando os alojamentos dos atletas.

Comovido pelos progressos das escavações, Pierre de Fredi, o Barão de Coubertin, um completo apaixonado pelo esporte, professor diplomado em Pedagogia pela Escola Politécnica de Paris e herdeiro de uma rede de hotéis em seu país, inspiradamente decidiu estudar a história dos Jogos Olímpicos. Homem vaidoso, de fala incisiva, enormes bigodes de pontas engomadas na horizontal, o Barão não praticava nenhuma modalidade esportiva em particular. Mas, pupilo do inglês Thomas Arnold, o deão da "Rugby School" de Londres, considerava o esporte como um grande instrumento de educação. Seu lema, inspirado em uma frase que escutara de um bispo norte-americano: "O importante não é vencer, mas competir e, competir com dignidade".

Hoje, provavelmente, os mais céticos considerariam Coubertin apenas um excêntrico ou mesmo um maçante por causa da sua insistência feroz. De tanto estudar o Helenismo, o Barão concluiu que a Grécia havia atingido a sua Idade de Ouro por causa dos esportes, do culto ao corpo e da busca constante das potencialidades do físico bem dotado. Mais ainda, concluiu em dado momento, que a França acabava de sair, humilhada, de um confronto bélico com a Prússia, em 1871. Pierre de Fredi imaginou que uma versão modernizada das Olimpíadas talvez levasse a Europa a abdicar dois conflitos da guerra, tão comuns em seu continente no século XIX. Em 1894, o Barão de Coubertin convocou à Sorbonne representantes de catorze países, com o objetivo de ressuscitar os jogos Olímpicos. Dois anos mais tarde, em 1896, Atenas era escolhida como sede das primeiras Olimpíadas da Era Moderna. E a partir daí, o pedagogo e pensador francês Pierre de Fredi, o Barão de Coubertin, passou a ser conhecido como o "Pai dos Jogos Olímpicos Modernos". 1

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