No dia subseqüente ao grande banquete no Pritaneu, processava-se o ritual de preparação dos novos heróis. Devidamente banhados, massageados com óleo e vestidos com roupa de gala, subiam em carros puxados por cavalos brancos. Conduzindo-os, retornavam escoltados às suas cidades. Havia festa em todos os lugares por onde passavam. Cercados de gentilezas, eram sempre alojados no local mais importante, pois os anfitriões sentiam-se honrados em hospedá-los.
Sob uma chuva de flores e ao toque de trombetas, os campeões entravam em suas cidades por uma brecha cavada na muralha. A origem desse hábito prendia-se ao fato de os gregos acharem que o "olimpiônico" era um cidadão que recebera sinais de graça divina, sendo favorecido com o dom da invencibilidade. Tratava-se, portanto, de um semideus e não poderia usar a passagem destinada a homens comuns, merecia uma entrada especial. Terminada a recepção de chegada, o cortejo rumava para o templo da comunidade e o atleta, novamente, ofertava sua coroa à divindade. O título de "olimpiônico" era almejado e respeitado. Unido ao nome de um indivíduo, assegurava-lhe estima e consideração por toda a vida. Em Olímpia, competir apenas não satisfazia, pois não havia prêmios para o segundo nem para o terceiro colocado. Ainda que nas Olimpíadas só fossem premiados os vencedores, um antigo aforismo grego dizia que "para ganhar é preciso saber perder".
Segundo Píndaro, em Olímpia somente a vitória importava. Sobre o perdedor, ele certa vez se expressou: "Ele anda furtivamente, golpeado pela má-sorte; nenhum sorriso amável saúda seu retorno". Já sobre os atletas vencedores que passavam a ser considerados semideuses, ele escreveu: "Quem vencer em Olímpia gozará, pelo resto da vida, de uma calmaria doce como o mel".