Na antiga Élida, no Peloponeso, na confluência do rio Alfeu com seu afluente Cladeu, ficava uma das regiões mais bonitas de Hélade. Aí também, de baixa altitude e repleto de árvores, surgia o Monte Cronos. Neste local, por volta do ano 1000 a.C., os sacerdotes ofereciam sacrifícios ao deus Cronos. Era onde ficava Olímpia, a sede permanente das Olimpíadas da Antigüidade Clássica. Consta que a beleza da região influiu na escolha para a celebração dos jogos, pois as divindades preferiam os lugares mais belos para serem homenageadas e receberem as oferendas. Além disso, as vantagens geográficas favoreciam a reunião de atletas e espectadores, que vindo de todos os cantos da Grécia, participavam da grande festa esportiva destinada a agradar os deuses comuns a todos os helenos. Olímpia situava-se em um vale calmo. Não era uma cidade semelhante à maioria das outras gregas, porém, foi sempre uma região onde eram promovidos cultos religiosos e uma concorrida e abrangente competição esportiva. Portanto, as construções de Olímpia apresentavam toda a estrutura necessária ao bom desempenho das atividades religiosas, administrativas e esportivas que ali ocorriam a cada quatro anos. Entre os plátanos e as oliveiras do Altis, bosque sagrado dedicado a Zeus, encontravam-se templos e altares primitivos, feitos de pedras amontoadas. As instalações que não possuíam caráter religioso situavam-se fora do lugar. As mais expressivas edificações de Olímpia eram o grande altar de Júpiter, os Templos de Hera e Zeus, e o monumento a Réia. O grande altar do Senhor do Olimpo era a peça fundamental do santuário deste deus. Consta que Zeus determinou onde ele deveria ser erguido lançando um raio no local. Durante os Jogos Olímpicos aí eram celebrados os mais importantes sacrifícios. A obra media sete metros de altura e possuía uma escada com trina e dois degraus, que levava ao topo do altar. Nos primeiros idos das Olimpíadas, o grande altar de Zeus marcava o final da corrida disputada entre os mais velozes peregrinos de Pisa e Elis.

O monumento mais antigo de Olímpia era o Templo de Hera, rainha do Olimpo. Foi construído em 600 a.C. e era um dos mais belos edifícios da época. Em sua câmara foi descoberta a célebre estátua do divino Hermes com o pequeno Dioniso, atribuída ao habilidoso Praxíteles. Neste templo eram conservados muitos objetos preciosos, como o disco de bronze contendo a inscrição da "trégua sagrada" e uma mesa de marfim e ouro, obra do escultor Colotes, rival do mestre Fídias. Ali permaneciam depositadas as coroas destinadas aos campeões. Meninos com pais vivos eram escolhidos criteriosamente e cortavam os ramos da oliveira sagrada com uma foice de ouro. A seguir, com as mais belas folhas eram tecidas as coroas, que a partir de certa época, passaram a ser o único prêmio para os vencedores das disputas esportivas.
Diante do Templo de Hera ficava a edificação em homenagem a Réia. A "grande mãe dos deuses" era cultuada na base do Monte Cronos, antes mesmo da veneração ao seu filho Zeus ser levada para Olímpia. Embora tenha sido erigido um templo a Réia, com o passar do tempo sua adoração perdeu força.
De todos os prédios de Olímpia, o mais bonito e importante era o Templo de Zeus Olímpico. Este santuário abrigava a colossal estátua de Zeus Olímpico, obra de Fídias e uma das Sete Maravilhas do Mundo. O templo possuía 64,12 metros de comprimento por 27,68 de largura, setenta e oito colunas e uma altura total que ultrapassava vinte metros. Em uma altura superior a treze metros, sobre um pedestal, o deus esculpido em marfim e ouro apresentava-se sentado em seu trono. Na mão esquerda sustentava um cetro de ouro encimado por uma águia. Os cabelos eram também de ouro, as pare despidas de marfim e o trono de ébano, ouro, pedras preciosas e marfim. Fídias recobriu o chão da câmara principal com ladrilhos negros e isso dava maior destaque à estátua. Diz a lenda, que terminada a obra, Fídias pediu a Zeus um sinal de aprovação. Então, um raio caiu ao pé da estátua, em lugar que ficou assinalado com um vaso de bronze.