As construções esportivas
Para atender ao aspecto esportivo foram construídas várias obras. O Ginásio de Olímpia, por exemplo, tinha formato retangular, era rodeado de átrios amplos e colunatas em estilo dórico. No espaço livre desenvolviam-se os treinamentos de corridas e lançamentos. Um pórtico de 210,50 metros de comprimento servia para a preparação dos atletas nos dias chuvosos ou de grande calor. Segundo o historiador Pausânias, durante a estadia em Olímpia, os atletas alojavam-se no Ginásio.
Na continuação do Ginásio ficava a Palestra, uma construção que formava um quadrado quase perfeito, cujo lado maior media 66, 75 metros. No pátio interno, ao ar livre, treinavam os atletas que deveriam participar das provas de saltos e lutas. Como as demais palestras gregas, as alas cobertas possuíam vários compartimentos com finalidades distintas, porém relacionadas à prática dos esportes de ataque e defesa.
O Estádio de Olímpia, um dos maiores da Grécia, ficava no lado oposto ao Ginásio e à Palestra. Para os estudiosos, de 776 a.C., data oficial dos primeiros Jogos Olímpicos, até a extinção dos mesmos, por cinco vezes o estádio sofreu reformas e ampliações. Ele era o centro dos jogos, com exceção dos esportes eqüestres. O local destinado às corridas era um retângulo de 211 metros de comprimento por 32 de largura. Para atingir o Estádio havia um corredor com um longo banco, que servia de descanso para os atletas antes das provas. A acústica era excelente e isso favorecia a chamada. Mais tarde foi transformado em um túnel abobadado e recebeu o nome de "porta crypta", sendo a entrada oficial. Havia uma farta distribuição de água por todo o Estádio de Olímpia, que era composto de uma pista central rodeada de colinas com suave inclinação. No Monte Cronos foi instalada uma tribuna de honra onde, ao que consta, permaneciam os "helanóicas", ou "juizes dos gregos": senadores de Elis e as mais altas autoridades.
Nos dois meses que antecediam as competições o Estádio passava por algumas reformas. A terra da pista era removida, revolvida e recolocada para endurecer. Depois era recoberta por uma leve camada de areia.
Ao sul do Estádio ficava o Hipódromo, peça importante entre as instalações esportivas de Olímpia. Media quase quatrocentos metros de comprimento e ali eram disputadas as corridas de carros e as provas eqüestres. Os estudiosos não conhecem bem o Hipódromo, pois as constantes enchentes do rio Alfeu e seu afluente destruíram vestígios que poderiam ser importantes.
Na base do Monte Cronos, ao norte do bosque de Altis, havia doze edifícios denominados Erários ou Casas do Tesouro. Construídos por várias cidades gregas, serviam para guardar vasos e objetos preciosos usados nas cerimônias religiosas. Na frente dessas edificações havia um muro onde estavam fixadas pequenas estátuas de Zeus fundidas em bronze. Recebiam o nome de "zanes" e eram feitas com o produto de multas impostas aos que agiam de modo desonesto, infringindo o regulamento dos Jogos Olímpicos.
Na face oeste de Altis havia um depósito de água de grande beleza arquitetônica. Herodes Ático, de Maratona, mandou construí-lo em 160 d.C. para suprir a falta de água potável em Olímpia. Na época dos Jogos, diante de grande calor, os dois rios da região não atendiam às necessidades do enorme número de pessoas. A água era colhida em um outro rio, a dez quilômetros. Trazida por um aqueduto, era lançada em um reservatório que a distribuía para o Estádio através de bicas.
O Pórtico de Eco era um extenso corredor coberto que limitava Altis a leste. Tinha esse nome porque a voz repercutia aí por sete vezes. Em face da excelente acústica, era o local onde se realizava a prova para arautos e trombeteiros, varões de voz mais sonora. Ao vencedor cabia a honra de proclamar os nomes dos campeões olímpicos. Mais tarde foi chamado Pórtico das Variedades, por causa de inscrições e pinturas em seus muros.
O Teocoleu era um prédio simples, com dimensões reduzidas e onde os teólogos possuíam residência permanente. Eles eram os únicos moradores de Olímpia, pois ela permanecia vazia durante o intervalo de quatro anos que separavam os Jogos. Os teólogos, responsáveis pelo zelo dos recintos sagrados e pela organização dos sacrifícios, eram escolhidos entre as famílias mais nobres e a função era transmitida por sucessão.
O maior edifício de Olímpia era o Leonideu, que recebeu este nome porque foi mandado construir por Leônidas de Naxos para homenagear Zeus. Consta que era o mais amplo hotel da Antigüidade. Edificado no século IV a.C., possuía dois andares e oitenta quartos cada um, destinados a alojar os helanóias.
O Buleutério era peça fundamental, pois aí estava instalado e se reunia o Senado Olímpico para ordenar as normas das competições, redigir documentos oficiais e resoluções regulamentares. Ali também eram decididas as sanções aos infratores. A construção tinha forma de ferradura. No espaço compreendido entre as duas alas, estava a estátua de Zeus Hórkios ou Zeus Vingador, diante da qual os participantes juravam, prometendo fidelidade aos ideais olímpicos.
Pritaneu era o centro político e local de encontro dos helanóicas. O nome deste lugar tem origem na palavra "pritanos", que quer dizer "magistrados". No sei interior estava a capela de Héstia, deusa do lar e guardiã da paz, onde a sacerdotisa mantinha uma chama acesa dia e noite. Durante os Jogos era um lugar muito alegre, pois em uma sala chamada de "hestiatório", atletas, homens públicos, visitantes oficiais e sacerdotes faziam suas refeições. No Pritaneu era oferecido um grande banquete aos campeões, no último dia das Olimpíadas.
Segundo o historiador Estrabão, Olímpia foi edificada sem muralhas, porque os exércitos que entravam na região deveriam entregar as armas ao chegar e recebê-las somente ao sair.