A questão feminina

Com referência ao quinto item do código dos Jogos, por serem consideradas criaturas inferiores, as mulheres eram proibidas de assistir ao espetáculo realizado quadrienalmente no vale sagrado. Este privilégio era privativo de homens e deuses. Há, porém, quem assegure que o impedimento atingia somente as mulheres casadas. As virgens podiam comparecer para aprender a admirar o sexo oposto e adquirir gosto pelo casamento. Segundo o sempre presente Pausânias, as jovens assistiam às provas eqüestres, porque podiam atingir o Hipódromo sem necessidade de atravessar o Altis. Toda mulher casada encontrada no local dos Jogos seria atirada ao mar, do alto do rochedo de Typeu, sem direito a qualquer julgamento. A proibição foi violada apenas uma vez. A única mulher casada cuja presença era permitida e assistia as provas de um lugar especial era a olímpica Deméter, irmã de Júpiter. Essa feminil divindade era filha de Cronos e Réia. Deusa da fertilidade, da terra cultivada e da germinação do trigo, Deméter, ou Ceres, possuía as espigas de trigo, a papoula e o narciso como elementos a ela dedicados. De seu casamento com Iasão nasceu Pluto, deus da abundância. Da união de Ceres com seu irmão Zeus nasceu Perséfone, ou Prosérpina. Hades, rei dos Infernos e também irmão de Deméter, raptou Perséfone e a desposou como esposa, criando desta forma um grande impasse por sua posse. O caso em questão só foi resolvido graças à intervenção de Júpiter, que determinou a Prosérpina ficar com sua mãe durante nove meses do ano, e os outros três, reinando ao lado de Plutão. 1

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