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No dia seguinte, Ashura e Gigei foram colher flores no campo. Gigei estava bastante animada:
 
- Pegue mais flores, Ashura. Vamos usar muitas amanhã, no Festival das Estrelas.
 
- Hã... - murmurou Ashura, meio sem jeito de perguntar.
 
- O que foi? - perguntou curiosa a moça.
 
- Gigei, você gosta de Yasha?
 
- Gosto muito dele, sim, Ashura - respondeu Gigei sincera. - Mas não se preocupe, porque gosto muito de você também, Ashura. Eu amo muito você.
 
E rindo acrescentou: - Você se parece tanto com um filhote de guaximim*...
 
Com isso, Ashura fica desconcertada, e com a cara do animalzinho em questão, carregando uma garrafinha de pinga! Inconformada, a criança começou a bater na moça.
 
- Eu não sou guaximim, eu não sou guaximim, eu não sou guaximim!!! - berrava Ashura.
 
- E parece mais ainda quando fica brava! - riu Gigei.
 
Logo ela parou de fazer piada com Ashura: - Ai, ai... desculpe, desculpe... Toma! Vou te dar isso pra te compensar.
 
Ela oferecia uma presilha de cabelo que até então adornava sua cabeça.
 
- Isso é pra você não se esquecer de mim se a gente se separar - explicou Gigei - Se bem que não pretendo me separar de vocês não. Olha combinou direitinho com você...
 
Estavam tão distraídas, com Gigei contemplando o visual de Ashura, que levaram o maior susto quando uma lança quase as atingiu. Uma tropa de soldados as cercava, e o rude oficial logo foi exigindo:
 
- Entregue-nos essa criança!
 
- Não - respondeu Gigei decidida. De imediato ela se pôs na frente de Ashura para protegê-la.
 
O oficial explicou de forma dura: - Essa criança pertence ao clã Ashura. É ordem de nosso Imperador destruir todos desse clã. Entregue-nos logo essa criança!
 
- De jeito nenhum - Gigei continuou firme.
 
Um dos soldados perdeu a paciência e enlaçou a moça. Presa, Gigei ficou desesperada com Ashura:
 
- O que está fazendo aí parada? Saia já daqui, fuja! Ai!!!
 
O soldado, nada gentil, ameaçou a moça com sua espada. Foi o suficiente pra Ashura ficar furiosa e dar lugar a seu outro eu. Chamas envolviam-na, e logo lançava um ataque fulminante, dispersando os soldados e queimando a maioria.
 
Surpresa com o poder da criança, Gigei não teve tempo de deter o soldado que a prendia. Ele logo jogava-a como um saco de batatas e investia contra Ashura.
 
- Ashura! - gritou Gigei, vendo que Ashura não se movia.
 
Antes que a lâmina atingisse a criança, o soldado caia sem vida. Por detrás, surgia a figura imponente do rei Yasha, que cortou-o como se fosse um queijo.
 
- Ashura. - chamou ele pela criança.
 
Com a aparição de seu protetor, Ashura desmaiou. Apesar de seu enorme poder, ainda tinha o corpo de uma criança, e não tinha ainda controle sobre si. Isso a desgastava muito e por isso depois do primeiro ataque, ela ficara estática. Se Yasha não tivesse aparecido...
 
De qualquer forma, o rei Yasha tomava o seu rumo. Gigei não deixou barato:
 
- Espera aí? Onde vai? Eu vou junto!
 
- Será que não desiste? - perguntou Yasha.
 
- De jeito nenhum! - respondeu a moça - Finalmente encontrei aquele que amo, depois de tanto tempo. E também fiquei muito amiga de Ashura. Não vou deixar vocês saírem assim de minha vida.
 
Yasha de qualquer forma tinha se resolvido e deixou o acampamento. Gigei ficou a gritar até perder de vista a figura dele:
 
- Eu vou te perseguir até o inferno! Assim que o Festival das Estrelas acabar, ninguém me segura até alcançar vocês! Não menospreze a palavra de uma mulher!!!
 
  



 
* No folclore japonês, é comum a associação de figuras fantásticas a animais silvestres como a raposa e o guaximim. No caso, o guaximim é muito parecido com a figura do saci aqui no Brasil. De qualquer forma, Ashura já está cansada de ser comparada a inúmeros bichinhos como porquinho, guaximim, etc....
 


 
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