
Uma mulher pratica seus exercícios matinais diários.
Cabelos curtos, olhar atento, roupas próprias para atividades físicas, Jill
Valentine parou para beber um pouco de água.
Respirou profundamente, retomando o fôlego após uma corrida
de cinco quilômetros pela cidade. Encostou-se em um banco na praça e abriu a
pequena garrafa com água. Lentamente tomou o líquido, pouco antes de voltar aos
seus exercícios.
Jill aproxima-se de uma banca de revistas que acabar de
abrir. O dono da mesma, um conhecido seu, a recebe com um sorriso. Embora fosse
considerada por alguns como policial durona, Jill era carismática, e todos os
que a conheciam realmente sabiam que era uma pessoa muito agradável. E além
disso, as crianças e jovens da cidade a adoravam como uma heroína. Volta e meia
o rosto de Jill saia estampado em algum jornal prendendo algum criminoso
procurado ou como á dois meses atrás quando ela e os colegas da polícia
desmantelaram um desmanche de carros ilegal.
Ela levava uma vida normal para uma policial da Stars, um
esquadrão policial especial da cidade. Ao menos, até algumas semanas atrás.
Tudo começou quando a polícia fora chamada para checar o que parecia ser um
corpo encontrado nas florestas. O corpo estava irreconhecível, com marcas de
mordidas e feridas desumanas. O problema foi, que com o passar dos dias, mais
corpos foram surgindo.
Até alguns dias, Jill sempre fora realmente uma policial
durona, sem piedade contra os criminosos. Mas ao ver os corpos estraçalhados
daquelas duas garotas, Rebecca e Priscila, a “policial durona” foi obrigada por
si mesma a chorar feito uma garotinha com medo. Que tipo de monstro poderia
fazer uma coisa assim á aquelas duas garotas?
E enquanto ela pegava um jornal na banca, ela lembrava-se
da promessa que fizera á si mesma. Pegar os desgraçados que estavam por trás
desses crimes, custe o que custasse. Estivesse ela sozinha ou com ajuda da
polícia.
Jill pagou o jornal e colocou-o sobre seu braço. Pretendia
lê-lo quando chegasse em casa ou quando estivesse á paisana. Ao ver que seu
tempo já estava acabando, achou melhor ler enquanto estivesse na delegacia ou
na viatura.
Depois de tomar um banho, limpando seu corpo do suor
proveniente das horas de corrida, vestiu seu uniforme policial, e enquanto
olhava-se diante do espelho ajeitava os cabelos sobre a boina azulada com o
símbolo da Stars.
Alguns minutos depois ouviu o som da buzina de um automóvel
estacionado do lado de fora de seu apartamento. Era o seu colega de Stars, o
policial Barry Burton, que sempre oferecia carona para Jill chegar no trabalho.
Desde que se conheceram á alguns anos atrás quando a Stars fora formada, Barry
e ela se tornaram mais do que colegas de trabalho, viraram grandes amigos e
parceiros de baralho nas noites de sexta. A dupla era imbatível, especialmente
contra Chris e Joseph.
A policial tranca a porta de sua casa e vai até o
automóvel. Cumprimenta o colega e entra no carro.
Teriam um dia cheio.
Parecia que mais um corpo havia sido encontrado nas
proximidades de Arklay…
Rookie
1…2…3…
Uma flexão após outra. Já era a quarta ou quinta vez que
ele tentava fazer uma seqüência de 50 flexões seguidas sem errar ou sem
hesitar. O suor percorria os cabelos dele. Mas ele não podia parar, não é?
Afinal, ele teria de ser o melhor… teria que se destacar entre seus colegas da
academia…
4…5…6…
Leon não agüentou o cansaço e jogou-se no chão de seu
quarto. Pegou a toalha ao lado e jogou-a sobre o rosto, deixando-a ali, parada,
tampando-lhe a visão. Braços jogados ao lado do corpo, a respiração rápida, ele
deu á si mesmo alguns minutos para descansar.
Os últimos dias também não foram nada fácil para Leon e
para todos os garotos na Academia, onde estava sendo treinados para serem
policiais. Os jovens haviam ouvido falar que dentro de alguns meses um novo
esquadrão
Um dia como qualquer outro, e o jovem Leon Kennedy, de
apenas 13 anos estava sentado, aguardando um ônibus. Um sujeito mal-encarado
veio correndo, arma em mãos, segurando uma refém. Deveria ser um ladrão ou um
seqüestrador. O criminoso estava ficando sem saída, quando uma viatura da
polícia se aproximou. Dela, saíram dois policiais—uniformes azuis, distintivos
dourados, e depois de alguns truques de persuasão conseguiram fazer com que o
criminoso soltasse a garota. Quando ele ameaçou atirar nos policiais, um dele,
o mais alto, moveu-se com rapidez e conseguiu acertar com um tiro certeiro a
arma do bandido, que fora preso logo após. Leon não entendeu porque, mas aquilo
ficou preso na sua mente. O jeito como eles lidaram com a situação, o jeito
como eles pegaram o cara, o quanto ele se debatia enquanto colocavam as
algemas…
Leon sabia o que iria ser quando crescesse. Policial
Kennedy. Oficial Kennedy. Tenente Kennedy. Ou qualquer um título assim, seja
como fosse, ele queria ser um policial. Defender os que não podem se defender
sozinhos. A mão da justiça.
E lá estava ele, voltando á suas flexões. Talvez um dia,
depois de anos servindo como policial, depois de litros e litros de café e
quilos de donnuts consumidas, Leon se tornasse um policial gordo de bigodes.
Não, ele estava decidido á não ser esse tipo de oficial da lei estereotipado.
Iria desenvolver seu físico, e além de se tornar mais forte e resistente, iria
impressionar as garotas.
Enquanto Leon limpava o suor da cara, pensara nisso, e
lembrara-se de que havia algum tempo que ele não saía com mais ninguém. Sua
ultima namorada o deixara porque precisava de “mais espaço na sua
vida”—traduzindo, havia encontrado outro cara. Leon não era bobo, sabia disso,
e ser trocado não era algo muito animador.
Seu colega de quarto Frank entra, como sempre, sem bater.
Avisa á Leon que uma correspondência havia chegado para ele. No primeiro
momento, Kennedy nem deu atenção, dizendo á si mesmo que a tal carta estaria lá
quando ele terminasse. Mas quando Frank disse-lhe que era do Departamento de
Polícia de Raccoon City, Leon levantou-se rapidamente e pegou o envelope em
mãos, lendo rapidamente o conteúdo da mesma.
Apenas dois meses o separavam de sua entrada na polícia de
Raccoon…
Feita no paraíso
Um sinal de uma universidade toca. O som, que lembrava de
um telefone antigo, avisa aos estudantes que estava na hora de pararem de estudar.
Portas se abrem, jovens apressados para deixarem o que eles
consideravam “inferno de provas e livros”.
Última a sair de sua classe, a jovem ajeitou os cabelos
escuros e guardou os livros em sua bolsa. Fechou a jaqueta e aproximou-se
lentamente de seu colega Alex. Ela contava cada passo, cada respiração até
chegar nele. Implorava á si mesma para não ficar vermelha quando estivesse
falando com aquele garoto.
Claire Redfield chegou á um ponto em que nem se lembrava
mais do que iria perguntar á Alex. Ah sim, agora ela se lembra, a matéria da
aula retrasada. Ela havia faltado, e por um bom motivo. Tinha de fazer a
inscrição para o Campeonato Estadual de Motociclismo.
Ainda temerosa, Claire chega para o garoto e tenta deixar
sua voz o mais doce possível. Para Claire, ele era perfeito, até o jeito que
ele escrevia a deixava atraída. Além disso, nos últimos dias, ele olhava de um
jeito… diferente para ela. Embora Alex fosse um jovem calado—assim como Claire
normalmente—ela temia não ser o tipo de garota dele.
Inocente, doce.
Ás vezes corajosa demais.
Corajosa? Sim. E muito. Claire ainda lembrava-se daquele
cara que implicara com ela no semestre passado. Tentara dar uma de “gostosão”
pra cima dela. Em resposta, a jovem o imobilizara com um golpe que aprendera
com o irmão policial. Tudo bem que ela fora mandada para a reitoria, mas desde
então, ninguém quis mexer com a garota Redfield. Começaram a temer a visão
daquela jaqueta “Made in Heaven”, a
estampa do anjo jogando bombas.
Os que conheciam Claire achavam que ela era assim. Um
anjo—equipado com alguns explosivos muito útil ás vezes. No fundo mesmo, ela
era uma garota normal. Curtia as mesmas músicas que seus amigos, gostava de
comer besteiras e assistir filmes de terror até tarde. E embora sempre tiver problemas
em arranjar amigos verdadeiros, Claire gostava de manter as amizades por perto.
Alex olhou para Claire com um sorriso, notando apenas agora
a presença dela. Sentiu sua mão adormecida. Então ela pediu se ele não poderia
passar-lhe a matéria. Outro sorriso, desta vez dela, e uma resposta positiva de
Alex. Os dois foram juntos até a saída da universidade, jogando alguma conversa
fora. E finalmente, Alex pediu, um tanto sem jeito “Se… algum dia você estiver
livre… ah… é… que tal sairmos para ver algum filme?”. E mesmo que Claire tenha
respondido um “Sim, claro” com um leve sorriso, lá dentro, em sua mente, a
Redfield-espancadora-de-garotos dava pulos e saltos de alegrias.
E ao entregar um pequeno bilhete para ela, Alex passou seu
telefone e foi na direção de seu carro estacionado. Claire ficara imóvel com
aquele papelzinho em sua mão, apenas olhando para o garoto saindo.
Instantes depois, ela volta á realidade e guarda o bilhete,
assim como a matéria perdida, na mochila vermelha, e de dentro dela tirara a
chave de sua moto.
A “Menina”—sim, era assim que Claire chamava sua
Harley-Davidson—estava estacionada em um canto reservado á motos no
estacionamento. Subindo na moto, Claire a ligou, ouvindo o som do motor, um
verdadeiro ronronar aos ouvidos da jovem. Céus, Claire amava aquela moto.
Ficara um bom tempo pagando, e se não fosse pela ajuda de seu irmão, estaria
ainda pagando.
Claire e o irmão eram bem unidos. Sempre foram,
especialmente depois da morte dos pais. Com exceção de uma tia viúva de segundo
grau e por casamento, Chris era o único familiar próximo de Claire. Ele era o
seu apoio nas horas difíceis, e mesmo morando em outra cidade, sempre que podia
ligava para a irmã á noite. Nunca fora um incômodo para Claire ser acordada
tarde da noite pelo telefonema de seu irmão, contando as novidades, falando
sobre os últimos criminosos presos, e o jeito como ele se preocupava com ela—ás
vezes ele ficava chato com todas aquelas implicâncias e preocupações: “Não
quero ver você com esse tipo de garoto” e “Se ele tiver uma tatuagem, esqueça”
ou até mesmo a mais extrema “Compre sua própria pipoca quando for ao cinema com
alguém”.
Mas fora isso, Chris era um cara legal. Era um exemplo para
Claire, tirando a parte que ele costumava fumar, hábito que ela desprezava. Ele
fora um irmão e um pai para ela durante esses anos.
E se fosse necessário, Claire iria até o inferno atrás de
seu irmão…
Insônia
Um quarto quase que totalmente escuro, a não ser pelo
abajur ligado ao lado da cama. Chris estava sentado, com a guitarra em mãos,
ensaiando uma música de uma banda chamada Queen. A regata branca que Chris
usava, com as letras estampadas ‘R.P.D’, não deixavam dúvidas de que ele era um
policial e que estaria preparado para ser chamado á qualquer hora.
Mas no momento, ele precisaria dormir um pouco, embora isso
fosse difícil com a situação atual. Se todos aqueles corpos aparecendo não
fossem o suficiente, a curiosidade dos repórteres parecia deixar as coisas
ainda mais duras pro lado da polícia. Em especial, pro lado dos Stars, esquadrão
responsável pela investigação, e o esquadrão de Chris.
Dormir estava se tornando cada vez mais um problema para
ele. Embora admitir isso não era fácil, Chris estava ultimamente tendo
pesadelos com todos aqueles corpos, sonhos ruins que o deixavam acordado por
horas e horas, pensando em alguma forma de acabar com aqueles crimes horríveis.
Nem fumar mais adiantava para relaxar. Naquela noite, Chris
decidira mudar a técnica. Tentar tocar guitarra para acalmar um pouco os
ânimos. Fazia um tempo que ele não ensaiava mais, mas ainda estava bem afiado
nas notas musicais. Chris não almejava fazer sucesso com a música, mesmo que no
colegial montara uma banda de garagem chamada “High Counsel”. O grupo musical
terminara quando um dos vocalistas metera-se com drogas e fora preso. Triste
fim de carreira.
Chris colocou a guitarra sobre o criado-mudo ao lado, e
deitou-se na cama, tentando dormir. Fechou os olhos e aguardou alguns minutos,
mas o sono não vinha. Mudou de posição na cama, cruzando os braços atrás da
cabeça. Abriu bem os olhos, olhando para o teto, para as luzes bruxuleantes que
a iluminação no lado de fora de sua casa produzia através da janela
semi-aberta.
Jogando os leves cobertores de lado, Chris foi até a janela
e a fechou.
Pensou em voltar para a cama, mas seria inútil. Não iria
conseguir dormir mesmo. Preferiu ir até o banheiro ao lado do quarto, e jogar
um pouco de água na cara. Encarou seu próprio reflexo no espelho, e passando as
mãos nos cabelos, tentou ajeita-los um pouco. As olheiras e o rosto de quem não
dormia á séculos o fizeram pensar: “Putz, Christopher, você parece um cadáver”.
Após desligar a luz do banheiro, naqueles instantes em que
tudo ficou escuro, as imagens voltaram á sua mente. As imagens daqueles corpos
irreconhecíveis, dos peritos procurando por partes que faltavam entre os
arbustos e do maldito telefone perto do abajur que sempre tocava quando algo
dava errado.
E por incrível que pareça, naquela noite o telefone não
tocava. Isso só piorava as coisas. Chris queria trabalhar, queria estar rodeado
de colegas policiais, queria estar fazendo algo útil, mas até mesmo seu chefe,
Albert Wesker, estava notando que Redfield estava ultimamente trabalhando
demais. Diferente de sua colega e amiga Jill, que conseguia perfeitamente
encaixar vida pessoal com vida profissional, para Chris, a mistura entre
trabalho e lazer era uma bagunça.
E ultimamente, nem mais tempo para Claire ele tivera.
Pensou em passar alguma hora no apartamento improvisado dela para dar-lhe um
abraço e um puxão de orelha por algum erro que ele encontrasse—de repente
alguma nota baixa ou qualquer coisa que valesse a pena. Não que ele gostasse de
ser assim, mas era divertido ser um “irmão-mais-velho-chato” para cima de
Claire ás vezes.
Cansado até mesmo de pensar, Chris sentou-se na cama e
alcançou a guitarra. Lá se iam mais algumas horas tocando as mesmas músicas, as
mesmas notas, os mesmos sons.
Tomara que os vizinhos não se importem…
Viva e deixe
morrer
Quando Carlos Oliveira era um garoto, nas selvas da Amazônia,
os mais velhos de sua aldeia sempre diziam que “Quando morremos, tudo faz
sentido”.
Até aquele dia, aquela frase não fizeram um sentido para
ele. Filosoficamente pensando, talvez isso quisesse dizer que apenas quando
morrêssemos, a tal frase faria algum sentido.
E pensando ironicamente, Carlos já fizera muitas pessoas
entender a frase.
Como um mercenário, ele já enfrentara de muito na sua vida.
Desde jovem, quando participava de um grupo guerrilheiro na Bolívia, ele já
havia encarado a morte muitas vezes. Quando fora preso, sua sorte foi de que o
seu “currículo” chegara nas mãos de algum importante dentro das Corporações
Umbrella, e Carlos foi recrutado para um esquadrão de mercenários, sendo que
sua prisão simplesmente foi “esquecida”.
Carlos abriu lentamente os olhos e ouviu o ronco do motor
do avião. Não dormira bem naquela noite, e era provável que seus companheiros
também não tivessem. Ajeitou suas armas ao lado de seu corpo, e passou as mãos
nos olhos, tentando afastar o sono. Estava frio, talvez estivessem acima de
algum país da Europa ou um lugar desses aí. O lado ruim de se trabalhar para o
UBCS—o tal esquadrão de mercenários—era de que as ordens e objetivos das
missões eram passados nos últimos momentos.
Bem em cima da hora. Talvez hoje Carlos iria enfrentar um
grupo militar anti-Umbrella, ou talvez devesse ir resgatar alguém, ou até fazer
alguma pessoa desaparecer.
Sua vida nunca fora uma rotina.
Tentou chamar pelo piloto, pedindo se faltava ainda muito
para chegarem no destino. O piloto nem deu-lhe atenção, permaneceu com seu
rosto direcionado ao vidro do avião. Carlos preferiu deixar para lá e voltou
para seu assento.
Havia mais quatro pessoas no avião, além do piloto e do
co-piloto. Todos eram soldados, assim como Carlos. Todos na mesma situação que
ele: mercenários cujas vidas estariam decididas se não fosse a intervenção da
Umbrella e dos executivos responsáveis pela UBCS.
Os demais acordaram quando ouviram o som de um rádio. A voz
no rádio era de um tal de Serjei, o superior de todo o esquadrão, informando os
objetivos da missão.
Carlos entendeu cada palavra que aquele homem dizia, cada
ordem, e iria cumprir, custe o que tivesse de custar.
E após pegar as armas, e colocar os pára-quedas das costas,
o mercenário preparou-se para o salto.
“Quando morremos, tudo faz sentido.”
“Humpf, que piada”… pensou
Carlos.
Fatalle
Uma mulher permanece sentada no canto de sua cama, envolta
A mulher ouvia atentamente todas as ordens de seu superior.
Afinal, como o próprio superior dissera “o grande dia estava chegando”. Para
Ada Wong, aquilo significava que em breve ela realmente entraria
Com os dedos da outra mão, Ada brinca com o fio do
telefone. Mesmo que nunca tiver visto a cara do sujeito, ela conseguia sentir
uma certa autoridade vinda de sua voz, como se ele quisesse mostrar que ele era
o jogador principal, e ninguém mais.
Era um dilema para Ada. Seguir as ordens dele ou as ordens
diretas da Agência. Embora representassem praticamente a mesma entidade, ambos
tinham objetivos bem diferentes, embora paralelos. E no meio de tudo, estava a
Corporação Umbrella.
Assim que o “Sr. X” terminara de enviar as ordens, Ada as
memoriza, e desliga o telefone. Não poderia esquecer de nada, pois não saberia
quando seria a próxima vez que entraria em contato com ele. Melhor dizendo, a
próxima vez que ele chamaria por ela.
Ada puxou da gaveta a foto dela e de John… John Howe… o
motivo por ela estar no meio dessa história. Por meses ela fingiu ser a
namorada dele. Um cientista da Umbrella. Ela deveria extrair toda a informação
que conseguisse com ele, mas os problemas começaram quando Ada começou a se…
envolver com John. Ela não o amava, longe disso, mas sentia uma certa afeição
pelo cientista. Esperava deixar ele vivo, e sumir quando o trabalho estivesse
terminado, mas fazia alguns meses que ele sumira… desde que fora para Raccoon.
E mesmo com a Agência fazendo pressão sobre Ada, ela sentia
que jamais iria ver ele de novo.
Fechando a gaveta e guardando a foto, Ada olhou para o seu
vestido vermelho jogado em cima da cadeira.
Sempre buscara por ação, e agora ela tinha o que queria.
Mais do que isso, ela vivia em situações de perigo, em situações de risco.
Missão após missão, sendo pessoas diferentes, tendo nomes diferentes—ás vezes
ficava confuso para ela.
Mas por hora, ela seria Ada Wong.
Ada, aquela que não precisa de ninguém. Ada, a
sobrevivente. Ada, a femme fatalle. Ada, a amante. Ada, aquela que se move com
o vento. Ada, a misteriosa. Ada, a espiã.
Hoje ela odeia o mundo, mas amanhã talvez não. Talvez as
coisas mudassem. Talvez… alguém…
Não, ninguém iria salva-la da situação em que se
encontrara. Ada deixou de acreditar em cavaleiro de armadura prateada á muito
tempo. Desde que perdera toda a sua inocência para se tornar a mulher fatal que
agora era.
Ada tenta parar de pensar. É melhor agir. Pensamentos só
levam á emoções e emoções levam á fraquezas, assim era como ela encarava as
coisas.
Era a hora de Ada, a espiã deixar a Ada - humana morrer.
E quando ela sentou-se novamente na cama, toca com suas
mãos o tecido vermelho do vestido, uma lágrima saiu de seus olhos.
Era como se ela sentisse que estava vestida para matar…
Ou para morrer.
~~FIM ~~