
Eles estão lá… lá fora… posso ouvi-los…
seus passos… as vozes…
Até aquele momento, até… alguns
poucos dias atrás, o maior medo de Cindy Lennox eram as arranhas que teimavam
em povoar seu armário. Mas para aquela jovem e bela garçonete, assim como para
a sua cidade inteira, as coisas iriam mudar um pouco naquele dia quente de
setembro. Jamais iria pensar que poderia estar assim, jogada no chão daquele
restaurante abandonado, abraçada firme e desesperadamente á uma arma. Tentou
fechar os olhos, tentou não ouvir aquelas coisas lá fora… mas não havia como
ignora-los, não é mesmo? Eles eram seres humanos, ou pelo menos costumavam ser.
E Cindy não se sentia bem ao ter de atirar neles. Claro, atirar para
sobreviver, afinal seres humanos comuns não costumam sair por aí devorando uns
aos outros. E pensar que a jovem nunca sequer tinha tocado em uma arma… e logo
de primeira, teve de usar para matar.
Ela queria chorar, queria mesmo
desabar
Foi então que ela ouviu o som
daquela maldita porta, os ruídos de mãos—ou garras?—batendo desesperadamente
sobre a madeira fria. A garçonete do J’s Bar sentiu seu corpo paralisar, uma
sensação ruim correndo pelas suas veias. Suor frio em sua testa, em suas mãos.
Vá embora… por favor… vá embora… era tudo o que se passava pela mente dela. Tentou,
inutilmente, focar as atenções em alguma outra coisa, mas aquele ruído a
deixava com a garganta seca.
Finalmente aquele ser conseguiu
abrir a porta. Primeiro ela viu apenas um vulto, mas ao perceber os braços
erguidos e a boca semi-aberta da criatura, não teve dúvidas de que era mais um
deles…
Ergueu a arma na direção do vulto.
Seus dedos trêmulos pressionaram o gatilho. O tiro certeiro atravessa a cabeça
da coisa, lançando para longe uma quantidade nojenta de sangue e pedaços do
cérebro daquela criatura.
Um a menos. Mas ainda havia uma cidade inteira lá fora…