FANFICTIONS

PAYDAY - O ACERTO DE CONTAS

Escrito por: !$@b&L@

Nota da Autora: Meu jeito de escrever sempre foi o policial. Um dia tentei um romance. Imaginem no que deu...

Então, ao me "apaixonar" por RE, eu tentei criar algo parecido com o jogo.

Não tanto terror, mas a vontade de sobreviver, junto com as características de personagens carismáticos e alguns ligeiramente malvados.

Mas a fraca movimentação da comunidade (não culpo os escritores, nem os leitores, nem ninguém) fez com que eu me desestimulasse e que gerasse a impressão de que eu criava histórias cansativas, não lidas por ninguém, desastrosas.

Foi por isso que decidi optar por outro gênero de literatura, e cheguei ao policial.

Venho tendo essa idéia há algum tempo, e sempre penso numa forma de coloca-la no "papel" sem uma leitura que viesse a ter pontos que pudessem gerar comparações entre minhas antigas FanFictions.

Não gosto de muitas comparações, nem com histórias de um mesmo escritor ou de escritores diferentes – pior ainda. Nenhuma coisa no mundo é comparável. Filmes, livros, pessoas, alimentos, coisas. Tudo é diferente.

            Vim para mudar, agora com uma nova perspectiva de literatura, e mostrar ao leitor que posso ser "versátil" alterando esse gênero.

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SINOPSE

 

Parecia irreal...

Um novo ataque, novas vítimas, novos acontecimentos, novos causadores de mortes sofridas.

Novos causadores?

Sim. Muita coisa aconteceu nos últimos tempos...

Leon chegou com Ashley depois de fugir em um jet ski.

Ada deu um golpe em Wesker, que quis se vingar e acabou preso.

Então o que explicaria um novo ataque em Nova York?

Um novo criminoso, uma nova história, uma alucinante e emocionante perseguição de um detetive transgressivo e vingativo que não tem nada a perder...

Você tem?

 

Capítulo 1

 

15 de Março de 2008

2:23 pm

 

 - Segundo as minhas investigações o criminoso realmente não está de brincadeira. O T-Virus foi lançado em uma quantidade sabe quantas vezes maior que a vez anterior? Três vezes, Mestre. Três!

 - Jack, independente da quantidade, quero que prenda o sujeito responsável por esta barbaridade.

 - Claro, Mestre.

Sergio Takashi era um general japonês do Exército americano apaixonado por guerras e perseguições e chamado carinhosamente pelos policiais de Mestre.

O cenário da conversa?

Uma parte de Nova York devastada. Um míssil de terroristas atingiu um prédio e os destroços mataram dezenas de zumbis.

Um prato cheio para o Corpo de Polícia de Nova York.

 - Detetive Jack! Detetive Jack! Venha aqui já! Olhe o que descobrimos!

Um policial o chamara. Era hora de trabalhar.

 - Já vou!

Gritou. E se dirigiu a Mestre novamente.

Antes que ele falasse algo, Mestre intercedeu:

 - Faça de tudo para pegar o dissoluto e manda-lo pra uma masmorra mais suja que ele.

 - Mestre... Pode ter certeza. Bom, preciso de alguém pra tomar conta dessa prova que encontrei no chão, por aí. Preciso estar com as mãos livres.

 - Isso foi uma indireta?

 - Pode crer.

Jack deu um sorriso de canto de boca e colocou na mão de Mestre um tubinho com um líquido avermelhado dentro.

 - Quero também que alguém mande para análise. Isso foi outra indireta, caso queira perguntar...

Jack virou-se e pôs-se em direção ao policial que o chamara.

 - O que aconteceu, policial Paul K? [Pronuncia-se "Kei"]

 - Achamos isto aqui.

Disse Paul, pegando na mão uma seringa.

 - Bom trabalho, Paul K. Quando te contratei, sabia que faria um bom trabalho!

Paul tinha um futuro promissor. Era um jovem policial que adorava o trabalho. Tinha amor à vida e às pessoas que gostavam dele.

 - Obrigado, detetive Jack. Um dia vou te recompensar pela oportunidade.

 - Pode crer, rapaz. Você me deve essa.

Um aperto de mão selou a amizade dos dois servidores da justiça.

A tarde passou e não havia mais nada a fazer.

Mestre enviou tudo para análise, todos os policiais foram embora, as provas foram colhidas e Jack estava ali, como todos os dias sempre esteve.

Sentado na cadeira de sua sala, com os pés na mesa, apertando  uma caneta, com um barulhinho que o fazia viajar em pensamentos da vida.

 

11:37 pm

 

Já era hora de ir para casa.

Levantou-se da cadeira, pegou sua arma em cima da mesa e se dirigiu à saída.

 

11:56 pm

 

Jack deitou em sua grande cama e dormiu num sono profundo e perturbado.

 - Jack!

 - Jack!

Seus pais o gritavam.

Era um dia de Sol, bonito até, se não fosse as atitudes ilícitas de algumas pessoas.

Impotente, o menino Jack continuou sentado, com olhos parados e ligeiramente frios, para pais sofridos e criaturas gritantes.

A casa cheirava sangue; o piso não era mais branco; as paredes respingadas de sofrimento.

As criaturas desabaram desajeitadas no chão, com sua fome saciada.

O menino se levantou.

 - Agora vocês morrem? Não vão me levar também?

Gritou perguntas sem resposta até mais não poder.

 - Covardes! Por que vocês não vêm pra cá? Por que mandam zumbis nos matar? Hein?! Será que ninguém me ouve?

Um gemido.

 - Pai? Está vivo?

Jack chegou perto do pai.

 - Pai, não morre!

A mãe levantou-se atrás de Jack e mordeu levemente suas costas.

 - Nãããão!

Jack acordou e levantou-se.

Em suas costas, uma frase: Blood Forever. Uma tatuagem muito bem feita para uma cicatriz com generoso tamanho.

 - Eu vou me vingar. Eu juro!

Capítulo 2

 

16 de março de 2008

6:10 am

 

O clarão do novo dia invadiu o gabinete de Jack.

Paul K também resolveu invadi-lo.

 - Já está aí, detetive Jack?

Seus pés estavam na mesa, e em sua mão, uma caneta, que deslizou rapidamente entre seus dedos trêmulos e caiu no chão seguido de um ruído que deu fim a um curto cochilo nada costumeiro e início ao novo dia de Jack.

 - Quê?

 - Desculpe, detetive. Não sabia que tinha dormido aqui. Achei que tinha chegado cedo e estava aí, pensando na vida; como sempre.

Ignorando as desculpas de Paul K, Jack levantou-se rapidamente e foi em direção à janela.

Abriu um pouco a persiana com alguns dedos na altura de seus olhos e fitou o Sol com seus ofuscantes olhos azuis.

 - Que ironia, não? Um lindo Sol para o pior dia da minha vida.

Calmamente, Jack soltou a persiana e virou-se para Paul.

 - Eu tive aquele pesadelo de novo. Mas agora até o fim. Me lembrei de tudo. Então vim pra cá. Não agüentava ficar naquela casa que me inspirava horror.

 - Até o fim?

Paul terminou de entrar no gabinete e fechou a porta.

 - Sim. Minha mãe, que tinha virado zumbi, mordeu minhas costas. Depois eu acordei. Acho que isso explica a cicatriz que tenho.

 - Tem?

 - Tenho. Coloquei a tatuagem Blood Forever porque vou me vingar, mesmo que isso seja sangue para sempre na minha vida. Nunca soube o porquê dessa cicatriz e resolvi escondê-la de qualquer maneira. Achei que o próprio criminoso tinha feito aquilo comigo. Por isso jurei vingança. Mesmo lembrando, também juraria.

 - Não se preocupe com isso. Esqueça vinganças. Pense no presente, não no passado.

 - Você é meu colega e meu empregado. Não te dou liberdade nem te pago para me dar conselhos. Estou pensando no meu futuro agindo assim. Não vou usar minha consciência no passado, nem no presente. Só no futuro. É a vida daqui pra frente que me importa.

Paul calou-se. Era boa hora.

Ele entendia que Jack estava perturbado.

 - Eu vou me vingar. Nem que isso custe minha vida. Olha... Se encontrar algo que possa me ajudar nisso, me conte. Quero chegar logo nesse malandro.

 - Terá todo o meu apoio, detetive Jack.

E pensou, consigo:

"Mesmo que isso custe minha vida também..."

O silêncio presente na sala durante alguns segundos foi interrompido por Mestre.

 - Jack, o resultado das análises acaba de chegar.

 - Já?!

 - Sim. Ele está no laboratório. Fica há duas quadras daqui.

 - Preciso de alguém para ir lá pegar.

 - Isso foi uma indireta?

 - Pode crer, Mestre.

Dessa vez, Jack não esboçou um sorriso.

 - Eu vou lá pegar pra você. Fiquem aí conversando.

Mestre saiu e Paul logo em seguida.

Jack ficou apenas alguns minutos no gabinete e logo se dirigiu à sala onde ficava o Centro de Inteligência do Corpo de Polícia pesquisar nos computadores sobre alguns bandidos por quem andava procurando.

Mestre chegou até ele.

 - Aqui está.

 - Obrigado.

 - Com licença.

Mestre se dirigiu rapidamente ao corredor onde ficavam os gabinetes.

Jack abriu o envelope e pegou algumas folhas de dentro.

O documento possuía fotos de cada amostra, uma breve descrição e conclusão da análise.

 

 

O tubo possui um líquido avermelhado identificado como sangue com algumas modificações.

Não há impressões digitais, outras substâncias ou quaisquer outras ocorrências que possam chegar ao culpado.

 

O sangue parece ser de zumbis, para uma possível análise anterior a esta que foi feita pelo laboratório responsável. As investigações apontam para Umbrella Corporation – empresa farmacêutica criada há vários anos.

Com a prisão de um dos donos – Albert Wesker – o culpado pode ser de um simples funcionário ao possuidor de um dos maiores cargos da empresa; caso a corporação seja realmente a responsável pelo caos no país.

 

 

 

A seringa possui um líquido incolor e viscoso.

 

Possivelmente é o vírus bruto. Isso facilita a criação de uma vacina caso o T-Virus se estabilize.

 

 

 

Jack se dirigiu até seu gabinete, decidido.

Sentou-se na mesa e pegou o telefone.

 - Não está dando linha?

Apertou o gancho algumas vezes, impaciente.

 - Ei! Eu quero telefonar!

Deu uma olhada embaixo do telefone.

 - Claro! Sem fio fica difícil! Devo ter puxado o telefone com muita força algum dia desses.

O primeiro fio solto que viu embaixo da mesa encaixou no telefone. Deu linha.

Ligou para o número do laboratório.

Uma voz ligeiramente estranha atendeu.

 - Laboratórios Thomas Jefferson; no que posso ajuda-lo?

 - Quero encomendar uma vacina. Quantas unidades forem possíveis. Da análise do T-Virus.

 - Já estou enviando o pedido aos especialistas. Mais alguma coisa?

 - Quando fica pronto? É que eu quero vacinar logo a parte da população mais atingida pelo vírus...

 - Possivelmente em duas semanas, senhor. Deseja mais alguma coisa?

 - Não. Tentem acelerar esse processo. Mesmo que haja muitas encomendas, lembrem-se que isso é mais importante que tudo.

E desligou o telefone sem ao menos se despedir.

 

Capítulo 3

 

6:10 pm

Já caía a noite.

O expediente da maioria dos policiais acabara de terminar.

O de Jack não. O seu expediente nunca acabava.

Seus dias inteiros eram para a polícia. Sua vida era para a polícia.

E para a vingança que acarretava sofrimento para o coração de Jack.

Mas ele não admitia. Achava que para ser um bom policial não tinha que sofrer e ter emoções. Tinha que torturar aqueles que acabaram com sua vida.

E só.

Com os pés na mesa e apertando rapidamente o "gatilho" de sua caneta, Jack sonhava acordado com o momento em que estaria frente a frente com o causador de tanto sofrimento para acabar com ele...

Frente a frente com alguém que não tinha o mínimo de escrúpulos.

Apertou a caneta com tanta força quando pensava nisso que chegou a quebrá-la.

Aquele era o medidor de raiva de Jack. O que sentia quando ele estava com raiva ou quando estava apenas nervoso.

Ele nunca estava calmo.

A porta de seu gabinete estava entreaberta.

Paul K chegou e bateu com as juntas de dois dedos na porta.

 - Ei... Posso entrar?

 - Entre, Paul. Sabe que pode. Você é meu amigo.

Essa era a forma de Jack de pedir desculpas.

De não se "humilhar" frente às pessoas.

 - Você viu as análises? Como foi?

 - Vi sim... Uma delas era o vírus bruto. Encomendei unidades possíveis de vacina através do tubo onde ele foi encontrado.

 - Bom, só pra saber. Sabe que sou curioso.

 - Muito.

 - Pensou no que te disse? De esquecer esse negócio de vingança? Você pode se dar mal até na sua carreira se continuar com isso.

 - Eu nunca vou desistir, Paul. Aconteça o que acontecer. Eu juro.

 - Nunca jure o que talvez você não possa cumprir.

 - Parece que o que eu falo não adianta, não é mesmo? Você não tem liberdade para me dar ordens. Quando vai entender?

Disse, friamente, não esboçando nenhuma reação.

 - Nunca. Não entendo isso. Vou pra casa. Já vi que você é um grande cabeça dura. Nunca vai aceitar que esse sentimento doentio só te traz problemas.

 - É "sangue para sempre". Não são problemas.

 - Tudo bem. Faça o que quiser... Eu já fiz minha parte de amigo. Falta você fazer a sua.

Paul saiu do gabinete de Jack, pondo-o a pensar.

Pela primeira vez o que alguém falara fez Jack pensar.

 

17 de março de 2008

4:30 am

 

A porta do gabinete de Jack é aberta.

Mãos com luvas pretas tocam as gavetas.

Elas suspendem um envelope e com uma lanterna de bolso avista-se uma inscrição:

 

"LABORATÓRIOS THOMAS JEFFERSON"

 

O envelope é colocado por cima da mesa e as gavetas são superficialmente arrumadas e fechadas rapidamente.

Ouve-se um tiro e um clarão é visto na tenebrosa noite. A lanterna das mãos negras é pega e o rosto do meliante, iluminado.

Uma voz ecoa sobre todos os lados do gabinete e mais um pouco no corredor.

 - Você?!

 

Capítulo 4

 

28 de abril de 2005

3:25 pm

 

 - Você foi condenado por justa causa. Não deve resmungar. Até pegou pouco tempo. A justiça tardou um pouco mas não falhou, caro amigo.

Jack teve o prazer de trancar a cela do maior delinqüente dos Estados Unidos.

 - Pouco tempo? Prisão perpétua é pouco tempo?

 - Você deveria ficar a eternidade preso. O seu espírito aqui preso. Se existir reencarnação, que fique todas as suas outras vidas aqui, preso.

 - Por que não me ajuda a fugir, hein?

Sussurrou.

 - Você pode ganhar tanto dinheiro... Tem gente que paga pra destruir lugares com o T-Virus. Seja dono da Umbrella também. Às escondidas.

 - Vou pensar no seu caso, Albert Wesker.

Disse Jack, trancando a cela com vitorioso sorriso.

Não de alegria; mas de dever cumprido.

 

30 de junho de 2005

6:30 am

 

 - Nem um ano preso e Albert Wesker, um dos donos da Umbrella Corporation e principal causador do caos no mundo através do T-Virus, além de querer a possessão de Las Plagas, um parasita que pode escravizar qualquer pessoa, fugiu da prisão nesta madrugada, ajudado por alguém ainda não identificado.

Jack acordou assim, ouvindo a pior notícia que já ouviu do primeiro noticiário do dia.

 - O quê?!

Pensou alto. A resposta foi dada rapidamente pelo repórter:

 - A fuga de Albert Wesker virou motivo de chacota por parte de pessoas indignadas para o Corpo de Polícia de Nova York, que alegam que o Corpo de Polícia não toma conta de seus prisioneiros e que possui péssima fiscalização. O detetive Jack Ferrell [pronuncia-se "Férrel" com um pouco de sotaque no "rr"], responsável pela prisão de Wesker, não foi encontrado para declarações. O delegado August Reinalds disse agora a pouco que vai alertar todas as autoridades do mundo sobre ele e também disse que o bandido consegue esse tempo todo de fuga por causa de viagens de avião com outros nomes, como Raphael Phoenix, Jason Robert e Josh Burton. Se você vir alguém com esses nomes ou alguém parecido com esta pessoa [uma foto de Wesker é mostrada na tela], ligue para o Corpo de Polícia local ou vá a delegacia mais próxima com urgência. Sua identidade será mantida em sigilo.

Ao sair de casa, Jack foi abordado por vários repórteres curiosos.

Quando chegou em seu gabinete se deparou com um documento com palavras recortadas de revista e coladas ali:

 

VOCÊ ATRAPALHOU MEUS PLANOS E POR ISSO VAI PAGAR. FIQUE SEM MIM AGORA. NÃO ESQUEÇA DE NÃO ME ESQUECER. SOFRA PERPETUAMENTE. NÃO ERA ISSO QUE VOCÊ QUERIA?

 

"Como ele entrou com a segurança reforçada?"

 

17 de março de 2008

4:33 am

 

 - Você?!

Wesker, com seus velhos óculos escuros mas com seus cabelos pretos daquela vez, riu, sarcasticamente, caindo no chão.

 - Ria... Pode rir... Você perdeu. Sabia que ia aparecer. Esqueci a vingança de te torturar, mas não de te prender. Eu só queria saber como você descobre tanta coisa... Deve ter muitos aliados aqui...

Disse, fria e calmamente, como sempre.

Depois, abaixou, segurou o colarinho da camisa de Wesker e aumentou o tom de voz, completando:

 - Não é? Você deve ter muitos aliados aqui, não sabe agir por conta própria, não é?

E sussurrou:

 - Covarde...

Aumentou um pouco o tom:

 - Covarde.

E gritou, com seus olhos lacrimejando não de tristeza, mas de raiva:

 - Covarde! Acabou com a minha vida, desgraçado!

 - Obrigado.

Disse, rindo mais uma vez.

 - Obrigado... Se quer me prender, prenda logo. Esse tiro tá doendo.

 - Era pra doer mais! Pra doer até você não poder agüentar mais! Seu criminoso maldito... Maldito!

 - Você se acha esperto... Mas está mais rodeado de abutres do que pensa. Todos que gostam do dinheiro assim como eu. Assim como certos policiais...

 - Mas... O que você está falando?

 - Pense, meu amigo. E não sou eu o responsável. São os urubus dos outros policiais... São os outros... Os outros...

Wesker pegou uma arma de seu bolso e atirou em sua cabeça, dando fim a uma história – ou começando outra.

   

Capítulo 5

 

31 de março de 2008

6:30 am

 

 - A morte de Wesker na madrugada do dia 17, segunda-feira, foi bastante comentada durante essas duas semanas que sucederam transformações de pessoas em zumbis. Hoje algumas doses de vacinas contra o T-Virus serão entregues ao detetive Jack Ferrell, principal policial que deseja colocar os responsáveis no xadrez.

 - Já iniciei a semana com alguém falando de mim por aí...

Era o noticiário da manhã, que não perdia tempo.

Jack estava saindo de casa e foi cercado por vários jornalistas que queriam saber todos os detalhes.

Ignorando-os, Jack chegou à delegacia.

 - Pelo visto, não acordou bem, não é verdade?

Constatou Mestre.

 - É... Preciso de alguém para pegar as vacinas nos Laboratórios Thomas Jefferson. E isso foi uma indireta.

 - Ok. Já estou saindo.            

Mestre saiu da delegacia e Jack se dirigiu ao elevador.

 

8:13 am

 

 - Aqui está.

Uma pequena caixa – do tamanho de uma de sapato – foi entregue ao detetive, que lançou seu incrédulo olhar para o objeto e para Mestre, que espalhou o conteúdo – as pequenas vacinas – na mesa de Jack, com extrema cautela.

A descrença de Jack transformou-se em desapontamento.

 - Não acredito... Quer dizer que não poderemos fazer mais vacinas?

 - Só se conseguirmos mais doses do vírus bruto, Jack...

Jack levantou-se da cadeira e foi até a janela.

Abriu um pouco as persianas com a ponta de seus dedos e olhou o Sol, coberto por cúmulos que deixavam escorrer pelo céu gotículas de chuva; e de tristeza...

 - Não sabe como é ruim tentar evitar algo que destruiu minha vida... O T-Virus acabou e vai continuar acabando com outras vidas...

 - Não podemos fazer nada.

 - Claro que podemos!

Exclamou Jack, dando um soco na parede, ainda com seus olhos vidrados no céu.

Virou-se para Mestre e repetiu, calmamente:

 - Claro que podemos. Vamos acabar com o responsável assim como ele acabou com várias vidas. Metade da população americana morreu desde que esse vírus foi lançado aqui, incluindo... Incluindo meus pais.

 - Esqueça essa vingança...

 - Não é questão de vingança! É questão de honra, Mestre, de honra!

E completou, com medonho tom de voz:

 - Questão de saciar o desejo de sangue do criminoso. Não é disso que ele gosta?

 - Wesker está morto. E não cabe a você sozinho tomar conclusões. O delegado, que aliás é meu e seu chefe, quer te interrogar. Você foi a última pessoa a vê-lo!

 - Ele disse que há policiais envolvidos com isso... Ele possui aliados aqui! Aliados! Tem noção da gravidade disto? Podemos estar rodeados de gente suja como ele.

 - Foi isso que ele disse? Você nunca tinha me dito isso. Falou com mais alguém?

 - Não. Quer dizer, só com o Paul. Ele não vai ficar espalhando. Até porque está viajando pra visitar os parentes na Inglaterra. É como um irmão caçula pra mim. Mas... Por que quer saber?

 - Nada. Estou preocupado. Ele é como um irmão pra você. E você é como um filho pra mim. Então ele disse isso e se matou?

 - É. Resta saber o porquê disso. Eu não entendi porque ele se matou... Ninguém entendeu.

O telefone de seu gabinete toca.

 - Tenho uma coisa pra te contar! E você vai gostar de saber, detetive Jack!

 

Capítulo 6

 

 - O que foi, Paul K?

 - O vôo atrasou e deu uma confusão aqui. Como eu sou policial, tive acesso à lista de passageiros de três semanas atrás. Nem eu sei como. Domingo, dia 3 de março. Você conhece Jason Robert?

 - Já ouvi falar, mas não sei onde... O que tem a ver?

 - É um dos nomes falsos de Wesker!

 - Huuuum...

 - Eu andei vendo aqui, claro que com umas desculpas, diga-se de passagem até bem esfarrapadas, que da Inglaterra ele não saiu mais. Pelo menos com esse nome. Mas um tal de Raphael Phoenix foi ao Estados Unidos. Partindo de um aeroporto inglês. E o mais engraçado é que os dois possuem a mesma foto. Conveniente demais, não?

 - Muito...

Jack deu um pequeno sorriso. E repetiu:

 - Muito! O que ele foi fazer na Inglaterra, hein?

 - Alguma coisa que você tem que descobrir. Eu vou ver minha família. Ainda bem que é na mesma cidade, assim podemos ir no mesmo vôo.

 - Que cidade?

 - Liverpool.

 - Ótimo!

Os dois desligaram, Jack resumiu a história para Mestre, que se mostrou muito interessado e até quis ir junto.

 - Melhor não. Senão é mais um motivo por delegado August chiar. Vamos só eu e Paul, que nem vai trabalhar, vai ver a família.

 - Me ligue. Também quero saber o que vai acontecer enquanto você estiver lá na Inglaterra. Ligue para o celular, também. Não quero que fiquem ouvindo coisas caso o telefone esteja grampeado. Ocorre freqüentemente, você sabe.

Jack foi até a sala do delegado, contou-lhe a história e se dirigiu ao estacionamento.

"Eu estou sendo observado..."

Pensou.

Olhou para os lados disfarçadamente.

Colocou a mão na arma em seu bolso e sentou em sua motocicleta PCJ 600 preta 1992, ainda olhando para os lados.

Jack ouviu o clique de uma máquina fotográfica.

Colocou rapidamente o capacete e saiu em disparada da delegacia, pensando em quem seria o "espião curioso" que tirou uma foto sua.

"Deve ser só um repórter..."

Tentou se acalmar.

Mas ponderou um pouco e novamente pensou:

"Mas se fosse um repórter, como teria livre acesso à delegacia?"

Tentou se acalmar novamente.

"Ah! Repórteres sempre arrumam um jeito! Nem que entrem às escondidas!"

Era como os dois lados de seu cérebro entrassem em conflito, cada um querendo que Jack pensasse uma coisa.

"Será que algum repórter seria assim tão corajoso? Será que Wesker tinha razão? Será que alguém de lá é também responsável por tudo que está acontecendo, junto com ele?"

"Não, eles não seriam capazes disto. Nenhum policial teria coragem. Nenhum servidor da justiça teria coragem. Isso é coisa da minha cabeça. Não era isso que ele queria?"

E parou de pensar em tudo, querendo se livrar de onde se metera. Os pensamentos iam e vinham – de propósito – sem que nada se "prendesse" na cabeça de Jack, que chegou ao aeroporto rapidamente passando por entre os carros e escapando do caótico tráfego americano.

8:30 am

Ao chegar no aeroporto, virou de costas e viu alguém se mexer entre as folhas de um pequeno arbusto do jardim. Prendeu o capacete na moto e entrou rapidamente – sempre disfarçando.

 

Capítulo 7

 

 - Paul. Que bom que ainda está aqui. Vou embarcar junto com você. Só tenho que mandar minha moto pra lá também depois de ver o destino.

E lá foram os dois comprar a passagem de Jack.

 

Saída – Nova York (EUA)

Horário Previsto – 7:30 am

Novo Horário Previsto – 9:00 am

 

 - Agora que já tenho o passaporte, tenho que mandar alguém colocar minha PCJ numa empresa que leva automóveis e motocicletas pra outros países. Ela fica um pouco longe daqui. Já são 8:45. Não vai dar tempo de eu ir lá.

 - Fala com o Mestre.

 - É. Vou ligar pra ele.

O telefone do gabinete de Mestre tocou uma, duas, três, quatro, cinco vezes.

No sexto toque uma voz ofegante e apressada atendeu ao telefone:

 - Mestre, é você?

 - Sim... Estou meio cansado. Diga...

 - Preciso de alguém pra levar minha moto pra uma empresa. Porque eu vou viajar pra Inglaterra daqui a menos de quinze minutos e não vai dar tempo...

 - Ta bom, Jack... Já estou indo...

 - Corre, pra dar tempo de te dar a chave. Senão vou ter que pedir pra qualquer funcionário aqui.

 - Vou ir na minha moto, assim posso fugir do tráfego parado.

 - OK. Me encontre aqui no saguão.

Mestre chegou, Jack deu a chave a ele e embarcou, rumo à investigação que poderia revelar o culpado. Ou os culpados.

Foi a um hotel com Paul K, que dormiu um pouco.

Ele não dormiu. Estava de certo modo ansioso.

 

2:10 pm

 

Jack retornou ao aeroporto de Liverpool.

 - Eu sou o detetive Jack Ferrell.

Disse, mostrando seu distintivo.

 - Quero falar com o gerente do aeroporto.

 - Ele não tem compromissos agora. Talvez possa atendê-lo.

Disse a recepcionista, pegando o telefone.

 

2:25 pm

 

 - Prazer, Jack Ferrell.

Apresentou-se Jack.

 - Peter Williams.

O gerente cumprimentou Jack, e logo em seguida sentou em sua cadeira.

 - Sente-se, por favor. A recepcionista me disse que era urgente...

Jack sentou-se e disse:

 - É, realmente trata-se de algo importante... Não é uma investigação formal. É por conta própria. Embora o delegado do Corpo de Polícia de Nova York tenha conhecimento, não houve tempo de escrever mandados, nem nada. Saí de lá às pressas. Bom, senhor Williams, o que quero pedir é que divulgue a lista de passageiros do dia 3 de março, uma segunda-feira, até hoje. Com fotos, se possível.

 - Você é um detetive. Claro que sim. Só queria saber porque.

 - O T-Virus, graças a Deus, ainda não chegou em território inglês. Mas está arrasando com os Estados Unidos. O responsável seria Albert Wesker. Seria. Mas há outra pessoa envolvida, ou mais, e eu preciso achar tudo que tenha a ver com ele para prender outro ou outros responsáveis. Meu amigo e policial Paul K teve acesso a essas informações e me disse que Wesker embarcou com nomes falsos, como Jason Robert e Raphael Phoenix.

 - Tudo bem, detetive Jack. Vou mandar alguém imprimir.

Pegou o telefone e falou com alguém.

 

2:45 am

 

 - Finalmente! Que demora!

Brigou Williams com um funcionário que entrara em sua sala.

O gerente tirou de dentro dos envelopes inúmeras folhas, com informações pessoais e fotos.

 - Toma. Não quero olhar pra isso. Veja isso você. Tive um dia cheio. Não devia ter pego o turno da madrugada. Se quiser mais alguma coisa, peça. Estou disposto a ajudar na investigação.

 - Faz muito bem tendo essa atitude. O mundo inteiro pode ser salvo agora.

Sinceramente, dentro de Jack, não havia tanto desejo assim de "proteger o mundo, ser bonzinho com todos e acabar com o mal", como os heróis de quadrinhos.

Ele queria a vingança.

Não queria admitir isto para ele mesmo, mas era o que ele sentia verdadeiramente.

Foi ao hotel, guardou sua moto – que já havia chegado – no estacionamento e se dirigiu ao quarto de Paul K, que já tinha acordado.

Os dois começaram a examinar os papéis.

 - Wesker e Wesker. O Robert e o Phoenix estão logo aqui, Jack. Resta saber se há mais algum nome. Precisamos encontrar quem fez documentos falsos pra ele, entrevistar o pessoal do aeroporto, examinar todas as fotos... É um processo lento.

 - Vamos fazer devagar. Mas eu não vou sossegar.

 - Eu vou te ajudar, amigo. Mas tenho que visitar meus pais. E vou dormir lá. Me dê alguns papéis. Eles nem vão saber do que se trata.

 - Divirta-se com sua família, Paul. Depois você vê isso.

 - Não. Eu sou muito curioso.

 - Então leva logo tudo!

Os dois riram, mas não conseguiam disfarçar o nervosismo e a ansiedade.

 - Toma. Cinqüenta pessoas não é tão pesado. É só ligar pra esses telefones e confirmar o vôo. Anote tudo.

 - É... Eu tento... Posso pegar sua moto? Não quero gastar dinheiro com táxi. Prefiro pagar a conta do telefone da minha família.

 - Ok...

Paul se despediu e Jack foi a seu quarto.

Olhou a maioria dos papéis, mas nada encontrou.

Jack ligou para o celular de Mestre, disse tudo, e se pôs a dormir.

Sua cabeça estava prestes a explodir.

 

Capítulo 8

 

1o de abril de 2008

3:00 am

 

 - Ai... Quem deve ser a esta hora...

Pensou alto Jack.

O celular tocava e interrompeu um sono raramente profundo.

 - Paul?

Disse, surpreso.

 - O que aconteceu? Eu tava dormindo!

 - Eu descobri algo! Uma coisa que você precisa saber!

 - Conte!

Jack sentou na cama, interessado.

 - Por telefone não dá... É melhor vir aqui!

 - É melhor não falar aqui? Seus parentes vão desconfiar!

 - Eles saíram!

 - Você foi visitar eles e eles saíram?

 - Disseram que foram comprar uma pizza, mas com certeza é um presente pra mim, eles fazem isso sempre. O que quero dizer é que sei quem mais está envolvido no crime!

 - Estou indo agora, então! Me diga onde é!

Paul deu o endereço.

 - Ta bom, to indo aí!

Jack entrou em um táxi rapidamente.

Estava na estrada da chácara da família e logo achou a da família de Paul.

Pagou o táxi e continuou a pé.

A porta não era segura, qualquer pessoa poderia pular.

Mas Jack não queria fazer esforço e optou pelo interfone.

 - Paul, cheguei!

 - Entre!

A porta se abriu.

Jack chegou a Paul e disse:

 - Fale logo! O que descobriu?

 - Olha... Eu achei que fosse impressão minha... Mas eu chequei os dados, fui na internet, liguei para vários lugares...

 - Diga logo! Não enrole!

 - O Wesker tinha razão...

Paul disse, lamentando-se muito.

De repente, seu rosto mudou.

Uma fração de segundo separou a vida da morte.

O tiro de um rifle separou a vida da morte.

Uma revelação separou a vida da morte.

Seria coincidência?

Muito conveniente.

De sua boca um líquido avermelhado escorria pelo seu queixo, até cair no chão.

 - Paul!

Como em câmera lenta, o policial caiu por cima de Jack, fatalmente ferido.

 - Pelo menos me diga! Quem está por trás disso?

Ele mexia a boca, sem ruído algum.

Despencou ao chão, e uma cena veio à cabeça de Jack – quando saciadas criaturas grotescas caíram no chão, em sua casa, quando era criança.

Jack soltou Paul, esperou o choque passar – mas não a tristeza – e correu pelo mato alto em busca do assassino.

 - Atira em mim também! Por que só mata quem eu gosto? Por que nunca me mata também? Hein?! Covarde! Você e Wesker são perfeitos cúmplices, não é mesmo?

Correu sem direção, procurando alguém que talvez nunca encontraria.

 - Aparece!

Transtornado, Jack foi em direção à sua moto que estava na área campestre e saiu da chácara, sem nem querer tirar o corpo de Paul dali.

Não pensou na família do policial, não pensou nas confusões posteriores, não pensou em nada. Só queria fugir, com incrível medo que sentia. Medo esse inadmissível que tomava conta do mais orgulhoso detetive.

Chegou ao hotel e foi em direção ao seu quarto.

O de Paul K ficava no mesmo corredor, e por incrível que pareça, estava com a porta entreaberta.

 - Paul?

Perguntou, sem acreditar no que vira minutos antes.

Alguns ruídos vinham de dentro do quarto.

 - Quem está aí?

Colocou a mão no seu bolso em busca de sua arma e encontrou apenas uma chave – a do seu quarto. Depois lembrou que havia retirado sua pistola no aeroporto. Mesmo sendo policial, as autoridades não permitiram seu transporte.

Uma palavra esboçava tudo que Jack sentia.

"Merda!"

Abriu a porta devagar, cautelosamente.

O ruído cessou.

Jack deu um chute na porta, que quase veio abaixo, e examinou o quarto, não encontrando nada – pelo menos em sua linha de visão.

Foi andando, passo a passo, até o banheiro, e chutou a porta, não encontrando nada mais uma vez.

Alguém se levantou bruscamente e correu para fora do quarto.

Jack correu para o corredor, vendo um vulto fechar a porta do elevador social.

Tentou abrir a porta, mas já era tarde.

O elevador estava descendo.

Apertou o botão de descida do elevador de serviço várias vezes, impaciente.

Jack olhou para cima e viu que o elevador social chegara ao andar "E" – Estacionamento.

Desistindo do elevador, Jack foi em direção à escada, desceu rapidamente. Era como se seus pés deslizassem sobre os degraus, como se eles não existissem.

Eram três andares que se transformaram em uma eternidade.

Ao sair da escada, viu uma sombra de alguém correndo na pretidão sombria do estacionamento.

Jack correu atrás, com uma excelente performance de quem não corria há muito tempo.

Conseguiu ganhar tempo com a desorientação do sujeito frente aos labirintos do estacionamento.

Chegou perto e tocou sua mão no ombro do homem, que se virou rapidamente.

 

Capítulo 9

 

A primeira coisa que veio à cabeça de Jack foi dar um soco no nariz do sujeito, ainda não identificado devido à escuridão.

Este caiu para trás, sentindo uma dor que lhe percorreu todo o corpo.

 - Por que fez isso?

Perguntou, assustado.

Jack abaixou e pegou uma lanterna de bolso – a qual iluminara o rosto de Wesker momentos antes deste se suicidar –, revelando a identidade do suposto cúmplice do falecido ex-dono da Umbrella.

Jack ficou imóvel durante alguns segundos, olhando para o rosto assustado do empregado do hotel.

 - O que fazia ali?

 - Desculpe... Desculpe... Eu sou o responsável por pegar a roupa suja dos quartos pra enviar à lavanderia... E eu esqueci de pegar justo a daquele quarto... Resolvi pegar agora, porque vi que ele saiu e pensei que todos os outros estivessem dormindo. Como o patrão anda com um pouco de raiva de mim, tive medo de alguém me ver lá, saber do meu atraso e contar pra ele. Eu preciso do emprego! Por favor não conte pra ele!

 - Não vou contar pra ele! Só quero que não fuja mais! Estou com a cabeça cheia! E não precisa mais pegar roupa nenhuma daquele hotel. O hóspede não voltará hoje.

 - Voltará amanhã?

 - Não. Ele nunca mais vai voltar.

Algumas lágrimas saíram dos olhos de Jack, que tentava disfarçar, como sempre.

 

1:00 pm

 

 - Jack! Já sabe o que aconteceu?

 - O quê?

Perguntou uma voz sonolenta.

O delegado August ligou para Jack assim que soube da morte de Paul.

 - O Paul K...

 - Eu to sabendo de tudo.

Sua voz sonolenta desapareceu e entrou uma fria, típica de Jack.

 - E fala nessa calma? Perdemos um dos melhores policiais da delegacia! Senão o melhor!

 - Eu já tive muito tempo pra não ficar calmo. Fui o último a estar com ele. Eu vi quando ele morreu.

 - Precisa depor. Olha... A sua personalidade pode te prejudicar... e muito! Por que não avisou a ninguém? A família de Paul está muito triste.

 - Queria o quê? Que eu ligasse pra eles e dissesse: "Olha, gente, o filho de vocês bateu as botas." Ora! Quem sou eu pra fazer isso? Não sou tão frio a este ponto!

 - Isso vai complicar pra você. Poderia ficar ali! Esperando a família dele!

 - Eu vi quem o matou. Na hora ali eu não quis pensar em nada a não ser sair logo de lá! Quer dizer, eu quase vi!

 - Convença os jurados, Jack. Eles que te condenam.

 - Eu não vou ser preso.

 - Não tenha tanta certeza. É a sua palavra contra os fatos.

 - Que fatos?

 - Adeus, Jack. Repense suas atitudes. Comprei uma passagem pra você às quatro. Precisa voltar urgente. É naquela mesma companhia.

August estava suspeitando de seu melhor detetive!

O que ocorrera deixou Jack sem nada entender, agora com ninguém para conversar. Seu "irmão" havia morrido. E seu "pai"... Jack não queria falar com Mestre. De repente parecia que ele seria mais um que daria um sermão.

Seu lado transgressivo não tinha escolha.

Jack estava num beco sem saída, no fim, na escuridão.

Arrumou suas malas, chutando a cama do quarto de raiva, de tristeza, de tudo.

Um sentimento estranho de quem arriscou tudo... à toa. Poderia ser preso... à toa. Perdeu um amigo!... À toa.

Pegou as malas e foi embora.

 

3:30 am

 

Jack chegou ao aeroporto, colocou a PCJ 900 – sua velha moto - para embarcar para Nova York e sentou-se no saguão, esperando a hora do vôo.

Uma voz feminina saiu do alto-falante:

 - Atenção, passageiros do vôo 79560. Passageiros do vôo 76590. O avião obteve alguns problemas técnicos e o vôo está atrasado. A previsão é que embarque às 5:00.

Jack respirou fundo e continuou lendo sua revista.

Sua cabeça parecia que explodiria com tanta coisa ruim acontecendo na sua vida de uma vez só. Tudo por causa de um vírus. Tudo por causa de uma empresa.

 

4:30 am

 

- Atenção, passageiros do vôo 79560. Passageiros do vôo 76590. O avião obteve alguns problemas técnicos e não possuímos mais mecânicos para o conserto. O vôo será cancelado. Pedimos desculpas, mais informações nos guichês do saguão.

Enquanto a voz alternava as línguas da mesma frase, Jack levantou-se da cadeira onde estava, impaciente, e foi tomar um ar na parte de fora do aeroporto.

Viu alguém saindo de um carro preto, e estranhamente sentiu um arrepio que percorreu toda a sua espinha e rapidamente se espalhou pelos seus membros, deixando-o atônito.

Escondeu-se atrás de uma pequena árvore e forçou a vista para enxergar aquele homem, de chapéu e sobretudo pretos.

Não resistiu de curiosidade.

Correu até o homem quase escorregando nas poças de água sobre o asfalto do estacionamento do aeroporto – estava chovendo muito.

Pegou seu ombro e virou o homem para si.

 - O que faz aqui?

 

Capítulo 10

 

 - Jack?!

 - Eu achei que você estava em Nova York!

 - Eu também achei que você estava... Bem... Eu...

 - O que faz aqui? Responda!

 - Eu soube da morte de Paul e vim pra cá, mas soube que já teria embarcado neste horário. Oh, Jack... Sinto muito...

 - Que bom que não me deu uma bronca. Foi o único. Meu vôo foi cancelado. Será que posso entrar no seu?

 - Acho que está cheio. Ouvi uma mulher comentar por aí.

 - E o que vem logo depois? Não tem nenhum jatinho particular pra mim?

 - Nada.

 - Eu precisava chegar na hora. O delegado vai me estrangular se não chegar na hora. Bem, a culpa não foi minha, mas você sabe como ele é, Mestre.

"Diga! Diga!"

Jack cansou de mandar e esperou que Mestre perguntasse por sua indireta.

 - Bom, vou embora. Está quase na hora do meu vôo.

 - Não vai me ajudar?

 - Como?!

 - Seu maldito! Sempre te ajudei e agora você dá uma dessas? Pilantra safado!

Jack deu um tiro em Mestre, que sujou o asfaltou de sangue, que era limpo a cada gota que caía do céu.

Tudo não passou de um pensamento de Jack.

 - Bom, vou embora. Está quase na hora do meu vôo.

 - Vá. Boa sorte. Vou ficar aqui, esperando outro vôo. Vou ligar para o delegado. É melhor ouvir uma bronca agora.

Mestre entrou no aeroporto e Jack ficou ali, pegando a chuva cada vez mais intensa.

Foi para algum lugar coberto e ligou para o delegado August.

 - O vôo atrasou?

 - Não. Foi cancelado.

 - Cancelado? Ótimo. Vem de barco, de carro, de helicóptero, de trem, de qualquer coisa!

 - Santa ignorância... Quer que eu passe pelo núcleo da Terra de trem pra chegar até aí?

 - O que disse?

 - Nada. Encontrei Mestre aqui.

 - É. Ele saiu daqui logo depois de você.

 - Logo depois? Ele me disse que embarcou depois que soube da morte de Paul.

 - Mas a gente só soube aquela hora que eu te liguei. Não ia dar tempo. Ele embarcou depois de você. Tenho certeza.

 - Tem mesmo?

 - Claro! Eu não to dizendo?

 - Adeus, delegado, eu te ligo depois.

Desligou sem esperar resposta e olhou em sua agenda no celular.

 

Laboratórios Thomas Jefferson

555-9715

 

 - Laboratórios Thomas Jefferson, no que posso ajudar?

 - Vocês tem aí no arquivo alguma ligação de Jack Ferrel, de Nova York?

 - Não podemos dar informações sobre...

 - Qual o seu nome?

 - Pablo.

 - Então, Pablo... Me dê logo a informação senão você não tem nem doze horas de trabalho. Eu sou detetive-chefe do corpo de Polícia de Nova York. Você pode ir se preparando para ficar na sarjeta, no nada, no mundo.

 - Em que mês, detetive?

Perguntou uma voz medrosa.

 - Março.

 - Jack Ferrell... Jack Ferrell... Não senhor.

 - Como não?

BATERIA FRACA

-O celular anunciava no visor-

 - Tem Sergio Takashi?

 - Deixe-me ver... Não.

 - Não é possível! Tem Corpo de Polícia de Nova York?

BATERIA FRACA

 - Também não.

 - Tem alguma encomenda de análise de algo encontrado nos escombros daquele prédio que caiu?

 - Não sei. Estou procurando no sistema. Aguarde um minuto.

 - Rápido! A bateria do celular vai acabar!

BATERIA FRACA

20 SEGUNDOS PARA DESLIGAMENTO COMPLETO DO APARELHO

Alguns segundos depois:

 - Não.

 - Como não? Procure por...

Não houve tempo.

 - Desgraçado! Mentiu pra mim! Por que motivo? Por quê?

Colocou sua mão na testa e passou-a sobre seus cabelos, preocupado, sem saber o que fazer.

Olhou para a pista do aeroporto e viu um avião decolando.

 - Deve ser aquele que Mestre está.

Pensou alto.

 - O que ele fez durante todo esse tempo aqui, na Inglaterra? Por quê? Talvez eu nunca saiba a resposta. Mas vale tentar.

Correu dali, largou suas malas, largou tudo, e foi direto para o gabinete do gerente do aeroporto.

Claro que teve que apresentar seu distintivo inúmeras vezes.

 - Peter Williams, como vai o senhor?

 - Tudo ok, detetive. Ah... E por favor, nada de formalidades! O que o trouxe aqui hoje? Algo que possa ajudar?

 - Preciso saber quando Sergio Takashi chegou aqui de Nova York.

 - É pra já.

Pegou o telefone e falou com alguém.

Não conseguia disfarçar sua curiosidade.

Logo que Williams pôs o telefone no gancho, Jack disse, como se lera seus pensamentos:

 - É que eu acho que ele mentiu pra mim. É importante. Um amigo de longa data, fazer isso, é no mínimo estranho. Bom, não vim por motivos pessoais, longe de mim, também faz parte da investigação sobre o T-Virus e a morte do meu colega de trabalho, quase um irmão pra mim.

 - Oh! Sinto muito! Meus pêsames, detetive.

A conversa foi interrompida por um empregado, trazendo a lista de passageiros do vôo de Mestre.

O homem entregou a lista a Williams.

 - Deixe-me ver...

Disse o gerente, pigarreando logo em seguida.

 - 31 de março de 2008. Nova York com destino Liverpool. Partida às 9:00.

 - E eu? Jack Ferrell, procure por mim!

 - Partida às 8:30.

 - Espera um pouco... Ele não ia mentir pra mim à toa...

 - Detetive... Eu fui com a sua cara, posso ajudar?

 - Claro! Toda ajuda é bem-vinda!

Disse, abandonando o orgulho e a prepotência.

 - Minha avó sempre dizia um negócio que eu nunca entendi... Mas quando eu comecei a trabalhar como gerente e saber de todos os podres dos funcionários daqui, principalmente roubos de caixa, eu entendi. Exercitei minha memória até mais não poder. Lembro de tudo e de todos. De todos os fatos, de todas as falas, de todos os atos, até do que parece mais insignificante.

 - O que ela dizia de tão importante assim?

 - "A vida é um quebra-cabeça." Bom, primeiramente parece apenas uma daquelas típicas frases de avós; mas olha, se você começar a prestar atenção em tudo e em todos, sua vida pode mudar. Teste a pessoa. Veja sua reação com determinadas perguntas ou declarações. Vire um detector de mentiras humano. Vire um computador e gravador humano. Lembre-se de tudo que aconteceu. Pode se lembrar? Pode recordar tudo que te disseram? Pode fazer isso?

 - Acho que sim...

Respondeu Jack, franzindo a testa.

 - Não confie em ninguém. Pense friamente.

 - O que eu mais sei fazer.

 - Não confiar?

 - Não. Pensar friamente. Meu erro foi esse. Confiar em alguém.

E tudo veio à sua cabeça como um filme.

 

- Mestre... Pode ter certeza. Bom, preciso de alguém pra tomar conta dessa prova que encontrei no chão, por aí. Preciso estar com as mãos livres.

 - Isso foi uma indireta?

 - Pode crer.

 

- Jack, o resultado das análises acaba de chegar.

 - Já?!

 - Sim. Ele está no laboratório. Fica há duas quadras daqui.

 - Preciso de alguém para ir lá pegar.

 - Isso foi uma indireta?

 - Pode crer, Mestre.

 

Mestre chegou até ele.

 - Aqui está.

 - Obrigado.

 - Com licença.

Mestre se dirigiu rapidamente ao corredor onde ficavam os gabinetes.

 

- Não está dando linha?

Apertou o gancho algumas vezes, impaciente.

 - Ei! Eu quero telefonar!

Deu uma olhada embaixo do telefone.

 - Claro! Sem fio fica difícil! Devo ter puxado o telefone com muita força algum dia desses.

O primeiro fio solto que viu embaixo da mesa encaixou no telefone. Deu linha.

Ligou para o número do laboratório.

Uma voz ligeiramente estranha atendeu.

 

Quando chegou em seu gabinete se deparou com um documento com palavras recortadas de revista e coladas ali:

 

VOCÊ ATRAPALHOU MEUS PLANOS E POR ISSO VAI PAGAR. FIQUE SEM MIM AGORA. NÃO ESQUEÇA DE NÃO ME ESQUECER. SOFRA PERPETUAMENTE. NÃO ERA ISSO QUE VOCÊ QUERIA?

 

"Como ele entrou com a segurança reforçada?"

 

- Não é? Você deve ter muitos aliados aqui, não sabe agir por conta própria, não é?

...

 - Você se acha esperto... Mas está mais rodeado de abutres do que pensa. Todos que gostam do dinheiro assim como eu. Assim como certos policiais...

 - Mas... O que você está falando?

 - Pense, meu amigo. E não sou eu o responsável. São os urubus dos outros policiais... São os outros... Os outros...

 

- É... Preciso de alguém para pegar as vacinas nos Laboratórios Thomas Jefferson. E isso foi uma indireta.

 - Ok. Já estou saindo.          

 

- Aqui está.

Uma pequena caixa – do tamanho de uma de sapato – foi entregue ao detetive, que lançou seu incrédulo olhar para o objeto e para Mestre, que espalhou o conteúdo – as pequenas vacinas – na mesa de Jack, com extrema cautela.

A descrença de Jack transformou-se em desapontamento.

 - Não acredito... Quer dizer que não poderemos fazer mais vacinas?

 - Só se conseguirmos mais doses do vírus bruto, Jack...

 

 - Esqueça essa vingança...

 

 - Wesker está morto. E não cabe a você sozinho tomar conclusões. O delegado, que aliás é meu e seu chefe, quer te interrogar. Você foi a última pessoa a vê-lo!

 - Ele disse que há policiais envolvidos com isso... Ele possui aliados aqui! Aliados! Tem noção da gravidade disto? Podemos estar rodeados de gente suja como ele.

 - Foi isso que ele disse? Você nunca tinha me dito isso. Falou com mais alguém?

 

Os dois desligaram, Jack resumiu a história para Mestre, que se mostrou muito interessado e até quis ir junto.

 - Melhor não. Senão é mais um motivo por delegado August chiar. Vamos só eu e Paul, que nem vai trabalhar, vai ver a família.

 - Me ligue. Também quero saber o que vai acontecer enquanto você estiver lá na Inglaterra. Ligue para o celular, também. Não quero que fiquem ouvindo coisas caso o telefone esteja grampeado. Ocorre freqüentemente, você sabe.

 

"Eu estou sendo observado..."

 

Jack ouviu o clique de uma máquina fotográfica.

"Será que algum repórter seria assim tão corajoso? Será que Wesker tinha razão? Será que alguém de lá é também responsável por tudo que está acontecendo, junto com ele?"

 

O telefone do gabinete de Mestre tocou uma, duas, três, quatro, cinco vezes.

No sexto toque uma voz ofegante e apressada atendeu ao telefone:

 - Mestre, é você?

 - Sim... Estou meio cansado. Diga...

 

- Jack?!

 - Eu achei que você estava em Nova York!

 - Eu também achei que você estava... Bem... Eu...

 - O que faz aqui? Responda!

 - Eu soube da morte de Paul e vim pra cá, mas soube que já teria embarcado neste horário. Oh, Jack... Sinto muito...

 - Que bom que não me deu uma bronca. Foi o único. Meu vôo foi cancelado. Será que posso entrar no seu?

 - Acho que está cheio. Ouvi uma mulher comentar por aí.

 - E o que vem logo depois? Não tem nenhum jatinho particular pra mim?

 - Nada.

 - Eu precisava chegar na hora. O delegado vai me estrangular se não chegar na hora. Bem, a culpa não foi minha, mas você sabe como ele é, Mestre.

"Diga! Diga!"

Jack cansou de mandar e esperou que Mestre perguntasse por sua indireta.

 - Bom, vou embora. Está quase na hora do meu vôo.

 

- Jack Ferrell... Jack Ferrell... Não senhor.

 - Como não?

BATERIA FRACA

-O celular anunciava no visor-

 - Tem Sergio Takashi?

 - Deixe-me ver... Não.

 - Não é possível! Tem Corpo de Polícia de Nova York?

BATERIA FRACA

 - Também não.

 - Tem alguma encomenda de análise de algo encontrado nos escombros daquele prédio que caiu?

 - Não sei. Estou procurando no sistema. Aguarde um minuto.

 - Rápido! A bateria do celular vai acabar!

BATERIA FRACA

20 SEGUNDOS PARA DESLIGAMENTO COMPLETO DO APARELHO

Alguns segundos depois:

 - Não.

 

 

 - Tudo se encaixa como um quebra-cabeça!

Exclamou Jack, dando um forte tapa na mesa do gerente.

Alguns objetos caíram no chão.

 - Tudo! Tudo!

E abaixou a voz, num tom maquiavélico:

 - Infeliz... Meliante...

Levantou-se da cadeira e deu novamente um tapa na mesa, desta vez mais forte.

 - Desgraçado!

 - O que foi, Jack? Lembrou-se de algo importante?

 - Importante não. Muito importante!

O detetive saiu do gabinete de Peter Williams às pressas.

 - Ei! Volte aqui!

Williams foi atrás dele.

 - Detetive, detetive!

Jack olhou para trás.

 - Volte aqui!

Ferrell voltou.

 - Fale rápido, antes que seja tarde demais!

 - Sabe... Eu já tentei ser policial... E passei por um generoso teste. Bom, eu não consegui o emprego, mas aprendi muito. E se quer prender alguém, pode contar comigo. Quem sabe com isso eu não ganho um trabalho na sua Corporação?

Disse, mostrando uma arma que carregava no bolso de dentro do terno.

 - É, quem sabe. Toda ajuda é bem-vinda. Portanto que tenha um helicóptero destino Nova York.

 - Arranjo já!

 

7:00 am

 

O céu estava avermelhado.

Faria muito sol naquele dia.

 - O céu está vermelho... É a cor do sangue que vai ter hoje.

Disse Jack, olhando pela janela do helicóptero.

 - Não precisamos jorrar sangue por aí. Eu só trouxe uma arma por precaução!

 - Eu também.

Disse Jack, tirando uma Uzi super potente do bolso de dentro do terno.

O helicóptero pousara.

 - Peter, precisamos de um carro. Ou algo parecido.

 - Tenho os pés, serve?

 - Muito.

 - Brincadeira.

 - Não há tempo para brincar.

 - Eu comprei uma Ferrari semana passada. Importada. Deve estar nesse aeroporto. Eu conheço um cara que trabalha aqui, eu pedi que ele tomasse conta. Eu falaria quando levar o carro para Liverpool.

Os dois correram em direção ao estacionamento do aeroporto.

 - Ei! Marcus!

Gritou o gerente para um homem franzino que estava tirando uma capa cinza de um carro.

 - Quê, gerente?

 - Preciso de um carro! Urgente! O meu! A Ferrari amarela!

 

7:30

 

E lá estavam os dois, prontos para encarar o verdadeiro culpado do novo atentado – Sergio Takashi, o Mestre.

 

Capítulo 11

 

 - Tem um celular?

 - Tenho, Jack. O que pretende fazer?

 - Ligar para o delegado.

 - Não faça nada. Pensou no que eu lhe disse?

 - Sobre?...

 - Sobre a vida ser um quebra-cabeça, cara. Já imaginou um possível conchavo entre esse Sergio e esse delegado?

 - Não. O delegado, não. O máximo que pode ter acontecido é uma influência do Sergio Takashi, o Mestre.

 - Grande Mestre.

 - É... Melhor ligar pro delegado August. Ele adora reclamar.

 - Faça o que quiser.

Jack pegou o celular com uma mão e se distraiu enquanto dirigia.

 - Jack! O outro carro!

Tarde demais.

Foi uma batida fraca, mas que causou arranhões no automóvel rosa que dava até pena de olhar.

O motorista da frente – um taxista – obviamente reclamou.

De dentro do táxi, saiu Mestre.

 - Mestre?!

 - Coincidências não existem!

Jack acordou.

Era um sonho.

 - Coincidências não existem!

Repetiu uma voz familiar.

Jack olhou em volta.

Estava sentando no banco do carona da Ferrari enquanto o gerente falava ao celular no viva-voz.

A voz familiar veio do outro lado da linha.

 - Com que está falando?

Perguntou Jack.

Williams fez um sinal com a mão para ele esperar.

 - Eu sei – e aumentou a voz como quem respondia à pergunta de Jack -, delegado August, eu sei. Mas, mesmo sendo conveniente demais, é pura verdade, mera coincidência! O Mestre é o culpado!

A ligação caiu.

Peter Williams fechou o celular, dizendo:

 - Merda! O delegado ta envolvido!

 - Quê?

 - Você apagou do nada e começou a falar em delegado, em não sei o quê, carreguei seu celular naquela lanchonete – disse, apontando para um estabelecimento – e vi o nome na agenda.

 - O que ele disse?

 - Defendeu Mestre, mas deu pra perceber que a defesa era meio sem fundamento, sabe... Ele disse coisas de gente que não tem o que falar. Ele ta envolvido.

 - O meu problema é esse. Confiar demais nas pessoas. Quem sabe eu não esteja confiando muito em você também?

 - O que disse?

Perguntou Peter, se aproximando do carro.

 - Eu achei isso aqui no porta-luvas!

 

Capítulo 12

 

 - O que prova uma injeção?

 - O que prova?! O que prova?! O que prova uma injeção igual a que eu encontrei nos destroços do prédio que caiu em Nova York?

 - Nada demais, ora! Coincidência!

 - Coincidências não existem.

Disse Jack, saindo do carro.

 - Coincidências não existem!

Gritou, colocando sua arma no queixo do gerente.

 - Deixe-me explicar! Eu... Eu... Eu posso explicar!

Disse, levantando as mãos.

Tarde demais.

O ruído de alguns tiros de Uzi foi ouvido.

Agora era só Jack, que pegou o celular e a arma do gerente e partiu rapidamente em sua Ferrari.

Foi até a delegacia.

 - Bom-dia, delegado. Muitas emoções hoje, não é verdade?

 - O que quer dizer com isso?

 - Ooooh, coitado, não sabe de nada...

Disse, Jack, trancando ele mesmo e o delegado no gabinete de August.

 - Você matou alguém, não é?

 - Como sabe?

 - Eu te conheço. A vida é um quebra-cabeça. Eu sabia que plantando algo no carro do gerente, você nem quereria saber suas explicações. Sabia que o mataria!

 - O quê?!

 - Pior do que o peso da morte de seus pais, caro Jack. É saber que matou um homem inocente!

 - Mas... Ele era culpado! Eu nunca matei nenhum inocente! Nunca ousei encostar um dedo sequer num inocente!

 - Pois saiba que há erros e acertos, caro Jack Ferrell.

 - E você caiu como um patinho nas nossas armadilhas...

Disse Mestre, saindo do banheiro do gabinete.

 - Vamos brincar, Jack? Vamos fazer o jogo da verdade? O que acha?

 - O que você quer, Mestre?

 - Oooh... Você sabe... Eu sempre quis te matar... Mandei até alguém fazer o serviço sujo... Pena que você emprestou aquela sua moto que deveria fazer parte de um museu para seu amiguinho Paul. Ah! Que Deus o tenha...

 - Não fale o nome Dele em vão! Você vai se arrepender de tudo isso!

 - Não mais que você, Jack. Você matou um inocente.

O delegado soltava altas gargalhadas um tanto debochadas.

 - Por que não me mataram logo?

 - Vou te contar tudo, seu curioso! Eu tirei fotos da sua moto, e não suas. O matador de aluguel seguiu Paul em sua moto achando ser você e o matou por engano. Sabe que foi até bom? Acho que ele sabia demais... Pelo que encontrei na casa da família dele...

 - No estacionamento... O clique de uma máquina... Por que entrou nessa, Sergio?

 - Não me chama mais de Mestre?

 - Você não merece. Diga-me agora o porquê!

 - O T-Virus rende um bom dinheiro, você sabe... É uma proposta tentadora ser sócio do Wesker.

 - E você vai ter o mesmo fim que ele.

 - Eu não sou burro de me suicidar...

 - Por que ele fez isso?

 - Porque ele só queria ter o prazer de te ver procurando a resposta. A partir do momento que ele viu que isso aconteceria, resolveu dar fim a sua vida, que terminaria numa cadeira elétrica, sem dúvida. Aliás, isso já era pra ter acontecido há poucos anos, não é mesmo?

 - Retiro o que disse. A justiça tardou e também falhou naquele momento. Bom... Eu agora quero todas as informações. Você está na minha mão.

Disse Jack, apontando sua Uzi na cabeça de Mestre, que viu um laser bem na sua testa.

 - Caro Jack, se me matar, não vai saber a verdade...

 - Então me conte. Antes que eu perca a paciência.

 - Primeiramente, não enviei aquelas amostras pra lugar algum. Fiz sozinho um relatório e aquelas poucas vacinas. Fui eu também que coloquei aquela cartinha em cima de sua mesa, caso lembre. A segurança estava reforçada, mas eu trabalho aqui, se lembra agora?

 - Não fale comigo como se eu fosse uma criança. Me diga agora o porquê de tantos nomes falsos.

 - Os nomes também eram usados por mim. Propinas para as moças do check-in do aeroporto não é algo impossível... A gente viajava pra divulgar o vírus.

 - Posso dizer que sou como Wesker.

Disse o delegado.

 - Resolveu se pronunciar, seu covarde?

 - Sua cara está hilária.

E riu.

 - Muito engraçado isso! Olha só pra você! Como dizia minhas primas, você ficou passado, caro amigo. Passado! Você nunca imaginaria que aquele gerentezinho era inocente!

 - Ele tinha um sonho. Tinha tempo de faze-lo tornar-se realidade. Mas vocês acabaram com a vida dele!

 - Não fui eu que apertei o gatilho naquela hora, Jack.

Disse Mestre em tom irônico.

 - Como eu dizia, sou como Wesker. Já vi sua cara. Vou ficar aqui pra quê? Pra parar na cadeira elétrica?

O delegado, que estava perto da janela, despencou do quinto andar da delegacia.

Mestre e Jack ficaram sozinhos na sala.

Os dois soltaram as armas e Jack disse:

 - Vou acabar com você com minhas próprias mãos.

 

Capítulo 13

 

Os dois se aproximaram.

Jack se preparou para dar um soco em Mestre usando toda a sua força, mas o general japonês, como se voltasse a ter vinte anos, deu um salto para trás que fez o detetive dar um murro no ar.

Mestre correu em direção a Jack dando três socos em seu estômago.

O detetive levantou as mãos e abaixou a cabeça de Mestre intensamente, fazendo seu pescoço estalar.

Depois, levou o joelho à barriga do japonês uma, duas, três, quatro vezes.

Para dar fim ao golpe, deu um soco que lançou Mestre um metro e meio para trás.

Este rapidamente levantou dando uma cambalhota para trás e preparou as mãos pronto para o "2o Round" da grande luta.

Mestre, dando chutes no ar até chegar a Jack, gritava como um louco, e estava pronto para acabar com o detetive.

Jack se defendeu dando chutes também, meio sem prática.

Sabendo que sua maior capacidade era com as mãos e que estava em desvantagem, pegou o pé de Mestre com a maior força que pôde, rodou a perna do japonês e o lançou ao chão como uma bomba, seguido de um grito vitorioso.

Mas ainda não era a vitória.

Jack estava esgotado e mal podia se mexer. Nem tinha dormido direito à noite.

Mestre aproveitou seu cansaço e deu alguns socos que Jack não conseguia defender muito bem.

 - Que cena deprimente, Jack. Eu e você... Os dois cuspindo sangue...

 - Isso não foi culpa minha; quem provocou isso foi você. E só você.

 - Você que está me socando, ora!

 - Os fins justificam os meios. Por causa de suas atitudes eu estou aqui, agora. Talvez no lugar errado, na hora errada. Mas estou cumprindo a promessa que fiz há trinta anos. Eu disse que me vingaria. E agora que soube que a pessoa de quem eu tinha mais raiva na vida depois de Albert Wesker estava nem um palmo à frente do meu nariz, não faz idéia de como eu fiquei.

 - Sei. O sangue que sai de mim agora responde isso.

 - Eu vou acabar com você.

Disse Jack, ofegante.

 - Não antes de eu acabar contigo!

Jack pegou uma faca de sua cintura e ameaçou Mestre.

 - Quer brincar?

 - Vamos.

Mestre tirou uma espada nunca vista antes de suas costas.

 - Até nisso você é covarde, Sergio.

A espada roçou na faca soltando alaranjadas faíscas por alguns segundos.

Mestre, em um ataque inusitado, deu um soco em Jack com a mão oposta a que segurava a espada. Já sem forças, o detetive recuou um pouco, e como em câmera lenta, deu um violento pontapé na perna do general, que sentiu a dor dando um pequeno gemido.

Logo em seguida, o japonês posicionou seu braço atrás de seu corpo, fechou a mão e colocou toda a sua força para dar um murro no queixo de Jack, o que lhe custou um dente quebrado.

 - Você deve beber muito leite, caro amigo.

Concluiu Mestre.

Os dois, esgotados, encostaram cada um em uma parede.

 - Acho melhor terminarmos com isto.

 - Covarde. Não quer lutar até o final, Jack?

 - Não quero te fazer sofrer antes da morte. Seria muito mais fácil eu furar o seu coração com uma bala do que ficar te batendo.

Disse, ironicamente, com o sangue que saía de sua boca atrapalhando sua dicção.

 - Seja sincero, Mestre. Você por fora mostra apenas cansaço, uma leve dor no joelho. E por dentro, caro amigo? Você parece que está morto por dentro!

 - Vou acabar com você.

 - Minha arma está logo ali em cima da mesa. Se eu fosse bonzinho, acredite, pegaria ela agora e te daria um tiro muito bem dado. Até porque a sua arma ta muito mais longe de você do que a minha de mim. Mas como eu não gostei nem um pouco desse seu desejo demoníaco de acabar comigo, sabe que está na minha lista negra, certo?

 - Faça o que você quiser. Vingue a morte de seus pais! O único problema é que fazendo isso você estará se vingando de uma pessoa errada.

 - O Wesker se matou. Sobrou pra você. Você acha que só os meus pais morreram por causa disso? Não seja hipócrita, Sergio.

 - Fazendo isso você também estará se igualando a ele.

 - Isso! Igualar! Que tal fazer uma pequena visita à Umbrella? Que tal chefiar a Umbrella?

 - Desgraçado...

 - Tem razão. Seria mesmo muita igualação. Vou fazer algo pior então, que tal? Vou te matar bem devagar, te torturando, te torturando, te torturando, até você não agüentar mais! Sofra tudo o que eu sofri em trinta anos!

 - Você não é capaz de perdoar?

 - Faça-me um favor! Eu chego até aqui pra depois te perdoar? Isso não combina comigo!

 - Então perdoe a si mesmo. Você matou um inocente.

 - Não é disso que estamos conversando.

 - Matou um inocente e vai pagar caro por isso. A justiça pode tardar, mas não vai falhar. Foi isso que disse para Wesker.

 - Você o ajudou a fugir.

 - Eu também achei que você estava... Bem... Eu...

 - O que faz aqui? Responda!

 - Eu soube da morte de Paul e vim pra cá, mas soube que já teria embarcado neste horário. Oh, Jack... Sinto muito...

 - Que bom que não me deu uma bronca. Foi o único. Meu vôo foi cancelado. Será que posso entrar no seu?

 - Acho que está cheio. Ouvi uma mulher comentar por aí.

 - E o que vem logo depois? Não tem nenhum jatinho particular pra mim?

 - Nada.

 - Eu precisava chegar na hora. O delegado vai me estrangular se não chegar na hora. Bem, a culpa não foi minha, mas você sabe como ele é, Mestre.

"Diga! Diga!"

Jack cansou de mandar e esperou que Mestre perguntasse por sua indireta.

 - Bom, vou embora. Está quase na hora do meu vôo.

 

- Jack Ferrell... Jack Ferrell... Não senhor.

 - Como não?

BATERIA FRACA

-O celular anunciava no visor-

 - Tem Sergio Takashi?

 - Deixe-me ver... Não.

 - Não é possível! Tem Corpo de Polícia de Nova York?

BATERIA FRACA

 - Também não.

 - Tem alguma encomenda de análise de algo encontrado nos escombros daquele prédio que caiu?

 - Não sei. Estou procurando no sistema. Aguarde um minuto.

 - Rápido! A bateria do celular vai acabar!

BATERIA FRACA

20 SEGUNDOS PARA DESLIGAMENTO COMPLETO DO APARELHO

Alguns segundos depois:

 - Não.

 

 

 - Tudo se encaixa como um quebra-cabeça!

Exclamou Jack, dando um forte tapa na mesa do gerente.

Alguns objetos caíram no chão.

 - Tudo! Tudo!

E abaixou a voz, num tom maquiavélico:

 - Infeliz... Meliante...

Levantou-se da cadeira e deu novamente um tapa na mesa, desta vez mais forte.

 - Desgraçado!

 - O que foi, Jack? Lembrou-se de algo importante?

 - Importante não. Muito importante!

O detetive saiu do gabinete de Peter Williams às pressas.

 - Ei! Volte aqui!

Williams foi atrás dele.

 - Detetive, detetive!

Jack olhou para trás.

 - Volte aqui!

Ferrell voltou.

 - Fale rápido, antes que seja tarde demais!

 - Sabe... Eu já tentei ser policial... E passei por um generoso teste. Bom, eu não consegui o emprego, mas aprendi muito. E se quer prender alguém, pode contar comigo. Quem sabe com isso eu não ganho um trabalho na sua Corporação?

Disse, mostrando uma arma que carregava no bolso de dentro do terno.

 - É, quem sabe. Toda ajuda é bem-vinda. Portanto que tenha um helicóptero destino Nova York.

 - Arranjo já!

 

7:00 am

 

O céu estava avermelhado.

Faria muito sol naquele dia.

 - O céu está vermelho... É a cor do sangue que vai ter hoje.

Disse Jack, olhando pela janela do helicóptero.

 - Não precisamos jorrar sangue por aí. Eu só trouxe uma arma por precaução!

 - Eu também.

Disse Jack, tirando uma Uzi super potente do bolso de dentro do terno.

O helicóptero pousara.

 - Peter, precisamos de um carro. Ou algo parecido.

 - Tenho os pés, serve?

 - Muito.

 - Brincadeira.

 - Não há tempo para brincar.

 - Eu comprei uma Ferrari semana passada. Importada. Deve estar nesse aeroporto. Eu conheço um cara que trabalha aqui, eu pedi que ele tomasse conta. Eu falaria quando levar o carro para Liverpool.

Os dois correram em direção ao estacionamento do aeroporto.

 - Ei! Marcus!

Gritou o gerente para um homem franzino que estava tirando uma capa cinza de um carro.

 - Quê, gerente?

 - Preciso de um carro! Urgente! O meu! A Ferrari amarela!

 

7:30

 

E lá estavam os dois, prontos para encarar o verdadeiro culpado do novo atentado – Sergio Takashi, o Mestre.

 

Capítulo 11

 

 - Tem um celular?

 - Tenho, Jack. O que pretende fazer?

 - Ligar para o delegado.

 - Não faça nada. Pensou no que eu lhe disse?

 - Sobre?...

 - Sobre a vida ser um quebra-cabeça, cara. Já imaginou um possível conchavo entre esse Sergio e esse delegado?

 - Não. O delegado, não. O máximo que pode ter acontecido é uma influência do Sergio Takashi, o Mestre.

 - Grande Mestre.

 - É... Melhor ligar pro delegado August. Ele adora reclamar.

 - Faça o que quiser.

Jack pegou o celular com uma mão e se distraiu enquanto dirigia.

 - Jack! O outro carro!

Tarde demais.

Foi uma batida fraca, mas que causou arranhões no automóvel rosa que dava até pena de olhar.

O motorista da frente – um taxista – obviamente reclamou.

De dentro do táxi, saiu Mestre.

 - Mestre?!

 - Coincidências não existem!

Jack acordou.

Era um sonho.

 - Coincidências não existem!

Repetiu uma voz familiar.

Jack olhou em volta.

Estava sentando no banco do carona da Ferrari enquanto o gerente falava ao celular no viva-voz.

A voz familiar veio do outro lado da linha.

 - Com que está falando?

Perguntou Jack.

Williams fez um sinal com a mão para ele esperar.

 - Eu sei – e aumentou a voz como quem respondia à pergunta de Jack -, delegado August, eu sei. Mas, mesmo sendo conveniente demais, é pura verdade, mera coincidência! O Mestre é o culpado!

A ligação caiu.

Peter Williams fechou o celular, dizendo:

 - Merda! O delegado ta envolvido!

 - Quê?

 - Você apagou do nada e começou a falar em delegado, em não sei o quê, carreguei seu celular naquela lanchonete – disse, apontando para um estabelecimento – e vi o nome na agenda.

 - O que ele disse?

 - Defendeu Mestre, mas deu pra perceber que a defesa era meio sem fundamento, sabe... Ele disse coisas de gente que não tem o que falar. Ele ta envolvido.

 - O meu problema é esse. Confiar demais nas pessoas. Quem sabe eu não esteja confiando muito em você também?

 - O que disse?

Perguntou Peter, se aproximando do carro.

 - Eu achei isso aqui no porta-luvas!

 

Capítulo 12

 

 - O que prova uma injeção?

 - O que prova?! O que prova?! O que prova uma injeção igual a que eu encontrei nos destroços do prédio que caiu em Nova York?

 - Nada demais, ora! Coincidência!

 - Coincidências não existem.

Disse Jack, saindo do carro.

 - Coincidências não existem!

Gritou, colocando sua arma no queixo do gerente.

 - Deixe-me explicar! Eu... Eu... Eu posso explicar!

Disse, levantando as mãos.

Tarde demais.

O ruído de alguns tiros de Uzi foi ouvido.

Agora era só Jack, que pegou o celular e a arma do gerente e partiu rapidamente em sua Ferrari.

Foi até a delegacia.

 - Bom-dia, delegado. Muitas emoções hoje, não é verdade?

 - O que quer dizer com isso?

 - Ooooh, coitado, não sabe de nada...

Disse, Jack, trancando ele mesmo e o delegado no gabinete de August.

 - Você matou alguém, não é?

 - Como sabe?

 - Eu te conheço. A vida é um quebra-cabeça. Eu sabia que plantando algo no carro do gerente, você nem quereria saber suas explicações. Sabia que o mataria!

 - O quê?!

 - Pior do que o peso da morte de seus pais, caro Jack. É saber que matou um homem inocente!

 - Mas... Ele era culpado! Eu nunca matei nenhum inocente! Nunca ousei encostar um dedo sequer num inocente!

 - Pois saiba que há erros e acertos, caro Jack Ferrell.

 - E você caiu como um patinho nas nossas armadilhas...

Disse Mestre, saindo do banheiro do gabinete.

 - Vamos brincar, Jack? Vamos fazer o jogo da verdade? O que acha?

 - O que você quer, Mestre?

 - Oooh... Você sabe... Eu sempre quis te matar... Mandei até alguém fazer o serviço sujo... Pena que você emprestou aquela sua moto que deveria fazer parte de um museu para seu amiguinho Paul. Ah! Que Deus o tenha...

 - Não fale o nome Dele em vão! Você vai se arrepender de tudo isso!

 - Não mais que você, Jack. Você matou um inocente.

O delegado soltava altas gargalhadas um tanto debochadas.

 - Por que não me mataram logo?

 - Vou te contar tudo, seu curioso! Eu tirei fotos da sua moto, e não suas. O matador de aluguel seguiu Paul em sua moto achando ser você e o matou por engano. Sabe que foi até bom? Acho que ele sabia demais... Pelo que encontrei na casa da família dele...

 - No estacionamento... O clique de uma máquina... Por que entrou nessa, Sergio?

 - Não me chama mais de Mestre?

 - Você não merece. Diga-me agora o porquê!

 - O T-Virus rende um bom dinheiro, você sabe... É uma proposta tentadora ser sócio do Wesker.

 - E você vai ter o mesmo fim que ele.

 - Eu não sou burro de me suicidar...

 - Por que ele fez isso?

 - Porque ele só queria ter o prazer de te ver procurando a resposta. A partir do momento que ele viu que isso aconteceria, resolveu dar fim a sua vida, que terminaria numa cadeira elétrica, sem dúvida. Aliás, isso já era pra ter acontecido há poucos anos, não é mesmo?

 - Retiro o que disse. A justiça tardou e também falhou naquele momento. Bom... Eu agora quero todas as informações. Você está na minha mão.

Disse Jack, apontando sua Uzi na cabeça de Mestre, que viu um laser bem na sua testa.

 - Caro Jack, se me matar, não vai saber a verdade...

 - Então me conte. Antes que eu perca a paciência.

 - Primeiramente, não enviei aquelas amostras pra lugar algum. Fiz sozinho um relatório e aquelas poucas vacinas. Fui eu também que coloquei aquela cartinha em cima de sua mesa, caso lembre. A segurança estava reforçada, mas eu trabalho aqui, se lembra agora?

 - Não fale comigo como se eu fosse uma criança. Me diga agora o porquê de tantos nomes falsos.

 - Os nomes também eram usados por mim. Propinas para as moças do check-in do aeroporto não é algo impossível... A gente viajava pra divulgar o vírus.

 - Posso dizer que sou como Wesker.

Disse o delegado.

 - Resolveu se pronunciar, seu covarde?

 - Sua cara está hilária.

E riu.

 - Muito engraçado isso! Olha só pra você! Como dizia minhas primas, você ficou passado, caro amigo. Passado! Você nunca imaginaria que aquele gerentezinho era inocente!

 - Ele tinha um sonho. Tinha tempo de faze-lo tornar-se realidade. Mas vocês acabaram com a vida dele!

 - Não fui eu que apertei o gatilho naquela hora, Jack.

Disse Mestre em tom irônico.

 - Como eu dizia, sou como Wesker. Já vi sua cara. Vou ficar aqui pra quê? Pra parar na cadeira elétrica?

O delegado, que estava perto da janela, despencou do quinto andar da delegacia.

Mestre e Jack ficaram sozinhos na sala.

Os dois soltaram as armas e Jack disse:

 - Vou acabar com você com minhas próprias mãos.

 

Capítulo 13

 

Os dois se aproximaram.

Jack se preparou para dar um soco em Mestre usando toda a sua força, mas o general japonês, como se voltasse a ter vinte anos, deu um salto para trás que fez o detetive dar um murro no ar.

Mestre correu em direção a Jack dando três socos em seu estômago.

O detetive levantou as mãos e abaixou a cabeça de Mestre intensamente, fazendo seu pescoço estalar.

Depois, levou o joelho à barriga do japonês uma, duas, três, quatro vezes.

Para dar fim ao golpe, deu um soco que lançou Mestre um metro e meio para trás.

Este rapidamente levantou dando uma cambalhota para trás e preparou as mãos pronto para o "2o Round" da grande luta.

Mestre, dando chutes no ar até chegar a Jack, gritava como um louco, e estava pronto para acabar com o detetive.

Jack se defendeu dando chutes também, meio sem prática.

Sabendo que sua maior capacidade era com as mãos e que estava em desvantagem, pegou o pé de Mestre com a maior força que pôde, rodou a perna do japonês e o lançou ao chão como uma bomba, seguido de um grito vitorioso.

Mas ainda não era a vitória.

Jack estava esgotado e mal podia se mexer. Nem tinha dormido direito à noite.

Mestre aproveitou seu cansaço e deu alguns socos que Jack não conseguia defender muito bem.

 - Que cena deprimente, Jack. Eu e você... Os dois cuspindo sangue...

 - Isso não foi culpa minha; quem provocou isso foi você. E só você.

 - Você que está me socando, ora!

 - Os fins justificam os meios. Por causa de suas atitudes eu estou aqui, agora. Talvez no lugar errado, na hora errada. Mas estou cumprindo a promessa que fiz há trinta anos. Eu disse que me vingaria. E agora que soube que a pessoa de quem eu tinha mais raiva na vida depois de Albert Wesker estava nem um palmo à frente do meu nariz, não faz idéia de como eu fiquei.

 - Sei. O sangue que sai de mim agora responde isso.

 - Eu vou acabar com você.

Disse Jack, ofegante.

 - Não antes de eu acabar contigo!

Jack pegou uma faca de sua cintura e ameaçou Mestre.

 - Quer brincar?

 - Vamos.

Mestre tirou uma espada nunca vista antes de suas costas.

 - Até nisso você é covarde, Sergio.

A espada roçou na faca soltando alaranjadas faíscas por alguns segundos.

Mestre, em um ataque inusitado, deu um soco em Jack com a mão oposta a que segurava a espada. Já sem forças, o detetive recuou um pouco, e como em câmera lenta, deu um violento pontapé na perna do general, que sentiu a dor dando um pequeno gemido.

Logo em seguida, o japonês posicionou seu braço atrás de seu corpo, fechou a mão e colocou toda a sua força para dar um murro no queixo de Jack, o que lhe custou um dente quebrado.

 - Você deve beber muito leite, caro amigo.

Concluiu Mestre.

Os dois, esgotados, encostaram cada um em uma parede.

 - Acho melhor terminarmos com isto.

 - Covarde. Não quer lutar até o final, Jack?

 - Não quero te fazer sofrer antes da morte. Seria muito mais fácil eu furar o seu coração com uma bala do que ficar te batendo.

Disse, ironicamente, com o sangue que saía de sua boca atrapalhando sua dicção.

 - Seja sincero, Mestre. Você por fora mostra apenas cansaço, uma leve dor no joelho. E por dentro, caro amigo? Você parece que está morto por dentro!

 - Vou acabar com você.

 - Minha arma está logo ali em cima da mesa. Se eu fosse bonzinho, acredite, pegaria ela agora e te daria um tiro muito bem dado. Até porque a sua arma ta muito mais longe de você do que a minha de mim. Mas como eu não gostei nem um pouco desse seu desejo demoníaco de acabar comigo, sabe que está na minha lista negra, certo?

 - Faça o que você quiser. Vingue a morte de seus pais! O único problema é que fazendo isso você estará se vingando de uma pessoa errada.

 - O Wesker se matou. Sobrou pra você. Você acha que só os meus pais morreram por causa disso? Não seja hipócrita, Sergio.

 - Fazendo isso você também estará se igualando a ele.

 - Isso! Igualar! Que tal fazer uma pequena visita à Umbrella? Que tal chefiar a Umbrella?

 - Desgraçado...

 - Tem razão. Seria mesmo muita igualação. Vou fazer algo pior então, que tal? Vou te matar bem devagar, te torturando, te torturando, te torturando, até você não agüentar mais! Sofra tudo o que eu sofri em trinta anos!

 - Você não é capaz de perdoar?

 - Faça-me um favor! Eu chego até aqui pra depois te perdoar? Isso não combina comigo!

 - Então perdoe a si mesmo. Você matou um inocente.

 - Não é disso que estamos conversando.

 - Matou um inocente e vai pagar caro por isso. A justiça pode tardar, mas não vai falhar. Foi isso que disse para Wesker.

 - Você o ajudou a fugir.

 - Menino esperto.

 - Você está fazendo terror psicológico! Pensa que eu vou acabar reconsiderando?

 - Talvez. Ia ser muito ruim ter mais uma morte no currículo sendo que você nem tem provas contra mim. Ou seja, uma morte à toa. Só vai ser ruim pra você.

Alguns segundos se passaram.

 - Ok.

 - Ok?! Ok o quê?

 - Eu não vou te matar. Eu vou te deixar livre. Não tenho provas.

 - Pensa que me engana? Eu sei como você é, seu prepotente. Acha que está acima de tudo!

 - Não agora. Estou fazendo isso por mim, não por você. Vou sentar aqui_disse, sentando na cadeira do gabinete_e esperar que a polícia venha pela morte do gerente Williams.

 - E eu vou embora. Não pense em fazer nenhuma gracinha.

"Nem você"_Pensou Jack.

Mestre pegou sua pistola silenciosa e foi em direção à porta que a cadeira onde Jack estava sentado ficava de costas.

Ao chegar atrás de Jack, Mestre apontou a arma para a nuca do detetive e colocou o dedo no gatilho, firme como nunca.

 

Capítulo 14

 

Ao apertar o gatilho, uma surpresa.

 - Tic, tic, tic.

 - Hã?!

Disse Mestre, surpreso.

Ouve-se um tiro de Uzi.

Jack levanta-se da cadeira e agacha, colocando dois dedos no pescoço de Mestre.

Nenhuma pulsação denuncia o fim de uma história...

Ou o começo de outra, novamente.

 

No dia da mentira, muitas verdades foram reveladas.

E o tempo passou.

 

1o de abril de 2010

 

Atrás das grades, ele pensava, pensava e pensava.

"Há dois anos, dei cabo de uma vida... Uma não, duas. Mas só uma teve real significado. Um amigo de verdade que se foi por minha culpa..."

 - Hello, detetive! Ta em Marte?

Brincou o carcereiro.

 - Que dia é hoje?

 - Dia de sair!

 - Já?!

 - 1o de abri!

 - Sabia que era palhaçada.

Desanimou-se Jack.

 - Mentira, saia já daí.

Disse o guarda, destrancando um cadeado.

 - Mas a minha pena não era maior?

 - Dois anos.

 - Eram dois e meio!

 - Sabe o que a polícia descobriu faz pouco tempo?

 - Diga.

 - Aquele gerente que você matou era envolvido num escândalo.

 - Escândalo?

 - Acha que ele comprou uma Ferrari com que dinheiro?

 - Bom, eu...

 - Ele roubou, chegou a matar. Ele era viúvo de uma milionária.

 - Nossa... Isso livra um pouco minha consciência...

 - Tudo vai ser repensado. Você pode voltar a ser detetive.

 - Quem sabe...

Disse, saindo da cela.

 - Sou seu fã. Bom trabalho, Jack. Tem minha admiração.

 - Muito obrigado.

 - Agora só peço que lembre de mim quando ganhar alguma congratulação.

 - Que congratulação?

 

15 de maio de 2010

 

 - Muito tempo se passou desde o novo ataque à Nova York. Teve uma pessoa que quis se vingar. Um sentimento muito ruim. Matou uma outra que achava inocente, viu o suicídio de Wesker e do delegado August, e também assassinou um dos causadores de tudo isso. Hoje essa pessoa está sendo premiada. Isso me dá muito orgulho. Eu nunca pensei em receber parabéns por isso. Isso também mostra que não era um sentimento ruim. Eu quis fazer justiça. E fiz. Passei por cima de muita gente, como sou, um detetive transgressivo que passa por cima de tudo. Se você quiser vingança, corra atrás da justiça. E lembre-se de uma coisa: não confie em ninguém. Aprendi uma coisa muito importante também. Que há pessoas que, mesmo sendo ruins, podem dar conselhos bons. Então, sempre que alguém te der um conselho, receba-o com muito carinho. Tente fazer isso agora.

O detetive foi aplaudido como nunca durante alguns minutos pelos policiais que assistiam à sua palestra.

E sentiu que não era só a vingança que o movia.

Era a justiça.

Era a missão que tinha recebido de dar a alguém o que merecia.

Mesmo com os pesadelos e noites sem dormir, Jack pôde ensinar uma lição a todos...

 

...E a ele mesmo.

 

                                                                                                                                                                                                                   Isabela Linhares

 

 

 - Menino esperto.

 - Você está fazendo terror psicológico! Pensa que eu vou acabar reconsiderando?

 - Talvez. Ia ser muito ruim ter mais uma morte no currículo sendo que você nem tem provas contra mim. Ou seja, uma morte à toa. Só vai ser ruim pra você.

Alguns segundos se passaram.

 - Ok.

 - Ok?! Ok o quê?

 - Eu não vou te matar. Eu vou te deixar livre. Não tenho provas.

 - Pensa que me engana? Eu sei como você é, seu prepotente. Acha que está acima de tudo!

 - Não agora. Estou fazendo isso por mim, não por você. Vou sentar aqui_disse, sentando na cadeira do gabinete_e esperar que a polícia venha pela morte do gerente Williams.

 - E eu vou embora. Não pense em fazer nenhuma gracinha.

"Nem você"_Pensou Jack.

Mestre pegou sua pistola silenciosa e foi em direção à porta que a cadeira onde Jack estava sentado ficava de costas.

Ao chegar atrás de Jack, Mestre apontou a arma para a nuca do detetive e colocou o dedo no gatilho, firme como nunca.

 

Capítulo 14

 

Ao apertar o gatilho, uma surpresa.

 - Tic, tic, tic.

 - Hã?!

Disse Mestre, surpreso.

Ouve-se um tiro de Uzi.

Jack levanta-se da cadeira e agacha, colocando dois dedos no pescoço de Mestre.

Nenhuma pulsação denuncia o fim de uma história...

Ou o começo de outra, novamente.

 

No dia da mentira, muitas verdades foram reveladas.

E o tempo passou.

 

1o de abril de 2010

 

Atrás das grades, ele pensava, pensava e pensava.

"Há dois anos, dei cabo de uma vida... Uma não, duas. Mas só uma teve real significado. Um amigo de verdade que se foi por minha culpa..."

 - Hello, detetive! Ta em Marte?

Brincou o carcereiro.

 - Que dia é hoje?

 - Dia de sair!

 - Já?!

 - 1o de abri!

 - Sabia que era palhaçada.

Desanimou-se Jack.

 - Mentira, saia já daí.

Disse o guarda, destrancando um cadeado.

 - Mas a minha pena não era maior?

 - Dois anos.

 - Eram dois e meio!

 - Sabe o que a polícia descobriu faz pouco tempo?

 - Diga.

 - Aquele gerente que você matou era envolvido num escândalo.

 - Escândalo?

 - Acha que ele comprou uma Ferrari com que dinheiro?

 - Bom, eu...

 - Ele roubou, chegou a matar. Ele era viúvo de uma milionária.

 - Nossa... Isso livra um pouco minha consciência...

 - Tudo vai ser repensado. Você pode voltar a ser detetive.

 - Quem sabe...

Disse, saindo da cela.

 - Sou seu fã. Bom trabalho, Jack. Tem minha admiração.

 - Muito obrigado.

 - Agora só peço que lembre de mim quando ganhar alguma congratulação.

 - Que congratulação?

 

15 de maio de 2010

 

 - Muito tempo se passou desde o novo ataque à Nova York. Teve uma pessoa que quis se vingar. Um sentimento muito ruim. Matou uma outra que achava inocente, viu o suicídio de Wesker e do delegado August, e também assassinou um dos causadores de tudo isso. Hoje essa pessoa está sendo premiada. Isso me dá muito orgulho. Eu nunca pensei em receber parabéns por isso. Isso também mostra que não era um sentimento ruim. Eu quis fazer justiça. E fiz. Passei por cima de muita gente, como sou, um detetive transgressivo que passa por cima de tudo. Se você quiser vingança, corra atrás da justiça. E lembre-se de uma coisa: não confie em ninguém. Aprendi uma coisa muito importante também. Que há pessoas que, mesmo sendo ruins, podem dar conselhos bons. Então, sempre que alguém te der um conselho, receba-o com muito carinho. Tente fazer isso agora.

O detetive foi aplaudido como nunca durante alguns minutos pelos policiais que assistiam à sua palestra.

E sentiu que não era só a vingança que o movia.

Era a justiça.

Era a missão que tinha recebido de dar a alguém o que merecia.

Mesmo com os pesadelos e noites sem dormir, Jack pôde ensinar uma lição a todos...

...E a ele mesmo.

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