
Nota do autor. Não sei se lembram, mas
há uns meses atrás, escrevi uma fanfic chamada “Lady in Red Dress: A Espiã que
não podia morrer”, uma shortfic em primeira pessoa contando a história de Ada
Wong no Resident Evil 2 “Cenário Leon A”. Com o lançamento de Resident Evil:
Umbrella Chronicles, um pouco mais de Ada Wong foi contado, como ela fugiu de
Raccoon City, e então decidi fazer uma “expansão” da minha fic. O “X” do titulo
indica que isso não é uma “continuação” (já que a outra fic era baseada em Leon
A e esta em Leon B). Além disso, uma possível “Lady in Red Dress 2” só vai vir
quando eu fechar o Resident Evil 4 hehehe.
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Talvez eu esteja me adiantando um pouco
em minha história. A real história de Ada Wong, a fatal espiã. Humpf, que
título idiota esse “fatal espiã”. Mas é assim como eu sou conhecida. Não fui eu
que o criei, longe disso. Creio ter sido meio acidental, depois de tudo o que
eu passei, antes e depois… de Raccoon City. Pensando por outro lado, não
haveria titulo melhor para mim. Não passo disso mesmo, de uma espiã mortal que
não mede esforços até alcançar seus objetivos. Ao menos, é isso que a
“Organização” espera de mim.
Ah
claro, você deve estar se
perguntando “Organização?”. Exatamente o que
você ouviu, “Organização”. Ou
“Agência”. Não tenho por que ficar dando
detalhes sobre meus empregadores, ou
sobre o modo como eu acabei trabalhando para eles. Por que tudo o que
é de
importante em minha história começou no final de 1997.
Desde muito tempo, tenho trabalhando
como espiã. Isso me manteve viva até agora. Sempre seguindo em frente, de
missão em missão, sem sentimentos, sem medos, sem emoções…
Mas, voltando á 1997, eu estava em
Londres, e havia recentemente terminado uma antiga missão envolvendo um grupo militar
que atuava nos arredores da cidade. Estava juntando as minhas coisas, e pronta
para partir para a próxima, quando recebi um envelope em meu quarto de hotel.
Dentro deste, alguns dados a respeito de uma empresa multinacional na área
farmacêutica chamada Umbrella Inc. e algumas fotos de um homem loiro. Estava
bem óbvio que minha missão seria me envolver com aquele cara e tirar todas as
informações que pudesse dele.
Seu nome era John, e ele estava
trabalhando na pesquisa de um novo vírus chamado T-Vírus. A tal pesquisa,
financiada pela Umbrella, estava sendo realizada em uma Mansão localizada próxima
de cidade do meio-oeste americano chamada Raccoon City. 7 entre 10 habitantes
daquela cidade ou trabalhavam ou eram dependentes da Umbrella.
Algo deu errado, o vírus escapou, e em
pouco tempo, toda a Mansão onde a pesquisa fora realizada, estava mergulhada em
uma situação de pesadelo. Um dos efeitos colaterais do vírus era de “reanimar”
células mortas. Trazer mortos de volta á vida, com uma fome canibal e sem
qualquer forma de raciocínio. Isso tudo eu sabia na teoria, mas não imaginava
que teria que enfrenta-los cara-a-cara.
Por fim, a Mansão acabou sendo
destruída numa explosão e aparentemente “o caso fora encerrado”.
Era setembro de 1998.
Com John morto, e todos os dados
importantes do T-Vírus nas mãos “dele”, uma nova missão relatada foi me dada.
Conhecida apenas como “Código G”, esta missão envolvia um novo vírus criado por
um cientista chamado William Birkin. Ele
queria aquele composto. E eu, teria de rouba-lo.
Raccoon
City, uma cidade de praticamente 100 mil habitantes, fora totalmente infectada
graças á um incidente nos esgotos, e seus habitantes transformados naqueles
mortos-vivos. Eu ainda me lembro da voz “dele” em meu celular, me informando
sobre meus objetivos atuais. Estava em um helicóptero da Organização, me
levando para a cidade. Respirei fundo e vi de lá de cima todo o caos que aquele
maldito lugar se tornara. Por todos os lados onde pude olhar, havia destruição.
Tinha certeza que essa seria uma missão da qual eu nunca me esqueceria. E
estava certa.
Enquanto sobrevoávamos a cidade, eu peguei
minha pasta com tudo o que precisasse. Informações sobre o laboratório de
Birkin, sua pesquisa, uma arma. Isso, e mais a minha coragem e falta de emoções
seriam necessários para o cumprimento desta missão.
Meu ponto de entrada na cidade era sob
o telhado de um depósito abandonado, não muito longe da delegacia local, que
deveria dar me acesso aos esgotos que por sua vez iriam levar até o laboratório
de William Birkin. Seria lá onde eu encontraria o “G-Vírus”.
Respirei fundo e entrei no inferno.
“Ada, seus
objetivos aqui são claros e devem ser cumpridos sem qualquer hesitação. Falhas
ou erros não são permitidos. Desistir, agora, não é uma opção.”
Foram as ultimas palavras que ouvi dele enquanto
descia do helicóptero. Aquela voz misteriosa, tão envolvente, tão calma,
tranqüila. “Ele” não deve ser humano, ninguém conseguiria manter a tranqüilidade
da forma como ele mantinha, sabendo do que se passava naquela cidade. Até ali
eu sinceramente estava pouco ligando para os habitantes de Raccoon, mas ao ver onde
eu havia me metido, deixe-me ao luxo de sentir pena deles…
“Boa Sorte, Miss
Wong” dissera o piloto, quando levantava vôo novamente, deixando-me naquele
lugar, á própria sorte.
Primeiro precisava chegar na Delegacia de Polícia de
Raccoon, que, segundo as informações “dele”, estaria vazia. Ótimo, meu trabalho
assim seria facilitado.
O que eu não contava, era que um jovem policial novato
estaria chegando na cidade para seu primeiro dia de trabalho…
Ao mesmo tempo em que ele foi o motivo para minha
“morte”, ele também foi o que me manteve viva durante tudo isso. Sua
determinação, unida á vontade de sobreviver, eram um contraste com a sua
inexperiência e inocência. Leon…
Jamais imaginei que iria deixar meus sentimentos por
ele falarem mais alto do que a voz de meu chefe. No começo achei que aquele
policial louro era um idiota sem noção. Mas depois, enquanto andávamos por
aqueles esgotos cheios de criaturas, ao enfrentarmos todo aquele horror,
comecei a mudar minha opinião a respeito dele. E além disso, eu havia
conseguido o G-Vírus que estava no medalhão da filha do Birkin!
Enquanto minha preocupação deveria ser “como sairia
daquela cidade”, eu não conseguia parar de pensar no que eu faria com Leon. Eu
mentira para ele, não teria como eu dizer que sou uma espiã! Disse que estava
atrás de meu namorado John, que havia sumido á uns meses atrás. E minhas
mentiras já estavam no fim… alguma hora ou outra, o policial descobriria tudo.
Eu queria contar para ele, mas isso só o deixaria em mais perigo ainda.
Mas a Umbrella não iria deixar assim tão barato… não,
sem dúvidas que não. Eles enviaram atrás do vírus, um Tyrant—uma arma biológica
criada a partir do T-Vírus—que mais tarde receberia o título de “Mr. X.” E foi
ele que traçaria o meu destino, e o destino de minha missão.
Meus temores se concretizaram. Annete Birkin, esposa
do cientista William, contara a verdade á Leon. A minha cruel verdade. Sobre eu
ser uma espiã, sobre ter vindo á cidade apenas atrás do vírus.
Eu
queria tanto esclarecer tudo á ele, queria pedir desculpas,
contar a verdade… não… não…
não… isso só iria doer mais ainda. Tanto para mim,
quanto para ele.
Infelizmente para mim, por hora, não teria tempo para
isso. O tal do “Tyrant”, Mr. X. veio atrás de Leon. Poxa, eu vi aquela coisa, e
era enorme, monstruoso. E aquilo iria conseguir partir Leon ao meio. Precisava
agir rápido, não queria vê-lo morrer aqui… apesar de tê-lo enganado assim tão
friamente, o policial era um bom homem, com um forte senso de justiça. Talvez
até se eu contasse mais sobre meu passado, ele iria me entender.
Puxei minha arma e fui atirando contra a criatura, que
na hora decidiu mudar seu alvo. Não tive tempo de reagir, logo as mãos daquela
criatura estavam em meu pescoço, apertando firmemente meu corpo, tirando-me o
ar que respirava. Tentei lutar, inutilmente.
A coisa me lançou contra a parede com uma força
descomunal. Senti dor, muita dor. Todo o meu corpo, estava mergulhado em
sofrimento, dor e agonia. Até respirar era como ter meus pulmões rasgados por
lâminas afiadas. Minha visão estava embaçada com meu próprio sangue. Não tinha
mais forças para manter-me em pé.
Leon conseguira destruir o Mr. X., e voltara para me
ver. Imaginava que ele iria me deixar ali, agonizando lentamente, apreciando
minha dor, e vingando-se por te-lo enganado, por ter traído sua confiança. Ele
acreditou em mim, me seguiu, salvou minha vida por várias vezes e o que eu dei
em troca? Mentiras… É, ele deveria ter me deixado ali para morrer.
Muito pelo contrário. Leon Scott Kennedy, o jovem
policial novato, ficara ao meu lado até o fim. Segurando-me docemente em seus
braços, meu corpo gelado contra o corpo quente e trêmulo dele.
Precisava tanto pedir desculpas, mas meu tempo
acabara.
Já havia fechado meus olhos, quando senti os lábios
tocando os meus.
“Adeus Leon.”
Em seguida, eu morri.
Mas de alguma forma, nem a morte me aceitou em seus
portões. Sou tão terrível assim, afinal? Sou tão pior que aquele monstro que
causara minha “morte”? Mesmo sendo um ser humano, eu feri sem dó e nem piedade
os sentimentos de muitas pessoas durante a minha vida, sem ao menos se
importar. Agora, eu estava do outro lado da moeda, sentindo coisas que jamais
sentira. Foi meu amor por Leon que me manteve viva…
O mesmo amor que quase me fez morrer.
O preço que eu tive de pagar, era estar viva.
Afinal, eu sou a “espiã que não podia morrer”, não é
mesmo?
Quando finalmente consegui abrir meus olhos, acordei
de meus pesadelos. A dor que sentia continuava, era como o impacto de uma bala
em meu corpo, a sensação de uma lâmina atravessando-me. E estava me movendo,
mas não com meus pés. Alguém estava me carregando em seus braços, alguém a qual
eu devia minha miserável vida.
Consegui identificar sobre o corpo dele um uniforme de
piloto de aeronaves, talvez helicóptero. Tinha os cabelos negros, e a pele
pálida. Olhos azuis apenas concentrados no caminho a seguir, uma barba fina em
seu rosto. Logo abaixo de seu olho direito, uma pequena cicatriz era visível. Braços
nus, carregando-me em um escuro lugar. Ouvi o som de água corrente e um cheiro
horrível… deveria estar nos esgotos.
“Ah… quem… quem
é você…” foi tudo o que pude dizer enquanto acordava de um pesadelo sem
fim.
“Shhh… descanse…
você precisa poupar suas forças”, ele respondeu.
Um piloto… claro, o mesmo piloto que me trouxera até Raccoon, e
ele havia salvo a minha vida! Mas por quê? Ah… a resposta deveria estar bem
óbvia, mas na hora não estava.
Aquele homem misterioso fora meu anjo da guarda
naquela cidade. Fora ele que me salvara da morte no subterrâneo da cidade, que
cuidara e me protegera por trás dos panos. Isso sem se revelar. Até agora.
Ele me levou até uma câmara próxima dos esgotos, onde
cuidou de meus ferimentos e me entregou algo, num frasco de vidro protegido
sobre uma armação metálica.
“Termine sua
missão, Miss Wong. Esta é a amostra que estava procurando, eu a encontrei”,
ele disse. Não consegui entender o que ele estava fazendo afinal. “Precisa sair dos esgotos e encontrar seu
contato em um hotel chamado Apple’s Inn, logo acima das galerias subterrâneas”.
“Mas… por que
está fazendo isso?” eu perguntei,
sentido-me melhor agora. A dor ainda estava presente, mas agora um pouco
contida. Ao menos a dor física, pois a angustia de não saber o que houvera com
Leon me deixava pior ainda. Espero que
ele tenha sobrevivido…
“Por que um
amigo lhe devia um favor, Miss Wong. Agora, seja rápida, e não conte a ninguém
a meu respeito”, ele respondeu,
afastando-se de mim e sumindo na escuridão.
Um amigo? Um favor? Do que ele estava falando afinal? Mas
o modo como ele me chamava… “Miss Wong”… houvera apenas um homem que
constantemente me chamara assim em toda a minha vida… e fora por causa dele que
eu me tornei o que sou hoje. Foi por causa daquele homem, “K”, que sou uma
espiã. Ele me treinou, me ensinou tudo o que sei sobre a arte da espionagem.
Imagino o que ele deve ter feito com o verdadeiro piloto de meu helicóptero,
apenas para me observar. E agradeço por ele ter salvo minha vida.
Pensar dói numa hora como essa, porém eu ainda me
lembro do tal “favor”. K certa vez fora um operante da Organização, mas nos
traíra. E eu, como sua aprendiz, fui enviada pelos meus “superiores” para
eliminá-lo. Sei que corri um risco de vida ao fazê-lo, mas deixei K fugir. Por
que eu o amava, ele foi o primeiro homem de minha vida. É, eu era a “queridinha
do professor”.
Mas esta é uma longa história, da qual não interessa mencionar
agora.
Acho que sou uma idiota. Dizem que errar é humano, mas
persistir no erro é tolice. E eu deixei meus sentimentos pelas pessoas me tirar
de meus objetivos oficiais por duas vezes. A Organização me perdoara da
primeira vez, e acreditava não ter uma segunda…
Foi então que eu segurei firmemente a amostra do
G-Vírus em minhas mãos. Meu objetivo… e K conseguira para mim.
Por causa daquele pequeno fragmento tão insignificante
que muitas pessoas tiveram de dar as suas vidas. Eu quase fui uma delas.
Tentei agradece-lo, mas K havia sumido. Sobrara apenas
eu, a espiã fatal, envolta na escuridão daquelas galerias de esgoto.
Naquele
laboratório, meus sentimentos por Leon me mudaram. É difícil dizer isso, mas depois de estar com aquele
policial comecei a ver algumas coisas, de uma forma que não enxergara antes. Sempre
estive pronta para o pior, preparada para encarar a morte a qualquer momento,
mas de alguma forma, um desejo de sobreviver me fora passado na convivência com
Leon. Uma motivação especial, de querer dormir e acordar ao seu lado…
Isso, é claro, teria de vir mais tarde. Primeiro, o
importante e essencial. Preciso escapar
dessa cidade, e sobreviver, para assim finalizar meus objetivos.
Andando com dificuldade, consegui explorar aqueles
esgotos, segurando firmemente a arma em minhas mãos. Enfrentando perigosos
inimigos não-humanos, a saída viera com uma pequena escada metálica, que me
levou á superfície, onde os céus da cidade já estavam claros. Não iria demorar
muito para o amanhecer.
Era 01 de outubro de 1998. Raccoon City estava pior do
que nunca, sendo que a epidemia do vírus na cidade chegara a níveis alarmantes.
Senti cheiro de fumaça, e vi fogo. E vi também aqueles vultos aproximando-se
lentamente de mim, mortos-vivos cuja fome canibal estava ao extremo naquelas
horas. Fariam tudo por um pedaço de carne macia feito a minha, mas meu instinto
de sobrevivência sempre fala mais alto, e não vou sucumbir assim tão facilmente
pra esse bando de zumbis.
“Se importam? Eu
estou com pressa…”.
Logo á frente de minha posição atual, estava um hotel,
cujo letreiro estava bem visível “Apple’s
Inn”.
Meu contato
deve estar aqui em algum lugar. Nosso ponto de encontro é aquele hotel.
Finalmente conseguira chegar até o nosso local de
encontro. Porém, algo dera errado, e meu “contato” agora não passava de um
corpo sem vida jogado no chão do quarto de hotel.
Foi então que ouvi a voz “dele”. Era um pequeno
computador portátil, sobre uma mesinha. E também pude ver seu rosto, sempre
escondido por trás daqueles óculos escuros. Pergunto-me o que ele tanto
esconde…
“Ele foi
fraco” disse, a respeito de meu
contato morto, “Ele perdeu suas forças e
preferiu morrer”.
“Wesker…” eu
disse. Pronunciei seu nome com todas as forças que tinha, mantendo a minha
postura de “espiã fatal”: ferida, porém viva.
“E você, Ada,
também falhou. Suas ações, em nos trair, e ajudar aquele Leon trouxeram
conseqüências para a Organização”.
Como aquele maldito soube de Leon?! Wesker… aquele
bastardo… eu não gostei do modo como ele falava. “Falhou”, “Trair”. Seria o fim
da linha para mim, mas eu agi rápido. Peguei a amostra do vírus e coloquei em
frente ao computador—sem dúvidas “Wesker”, “ele”,
podia me ver.
“Consegue ver
isso? É um fragmento de amostra do G-Vírus de Birkin”¸ eu disse. Tome isso, Wesker! Não sou tão inútil
quanto você pensou!
“Bem… apesar
de alguns ‘poréns’, você provou seu valor para nós”.
Enquanto falava, Wesker pôs sua mão em seu queixo. Sua
feição, de desapontamento, foi mudando lentamente. Wesker estava surpreso. Eu
ainda era útil para ele…
“Ada, há duas
coisas que você precisa estar avisada. Primeiro, em poucos momentos, Raccoon
City será totalmente devastada por um missel do governo. Segundo, há um helicóptero
da Umbrella que irá deixar a cidade. Se você não estiver nele, não haverá forma
de sair da cidade”.
Quando Wesker terminou sua frase ouvi o som de um
mecanismo. Ao lado do corpo morto de meu contato, havia uma arma diferente, com
um “equipamento” adicional nela.
“Está em nossos
principais interesses que você sobreviva á isso. Afinal, a amostra do G-Vírus
será necessária” ele disse, pouco antes do fim de sua transmissão.
Peguei a arma que Wesker me deixara e fui até a
janela, de onde pude ter uma vista parcial daquela cidade infernal. Um
sentimento de culpa surgiu em mim. Não por algo que eu tenha feito, mas por
algo que poderia ocorrer. Se o T-Vírus causou tudo isso, imagine se o G-Vírus
fosse solto…
O futuro de muitas vidas estava em minhas mãos,
naquele pequeno frasco de vidro.
E Wesker… ele apenas se importa com coisas e pessoas
que ele pode manipular para seus próprios interesses. Ao que parece, eu ainda
tenho algum uso para ele. Mas eu sei, tenho certeza, que no dia que eu deixar
de ser útil á ele, serei dispensável…
Eu irei finalizar essa missão. É minha obrigação.
Voltei ás ruas, e então soube que meu novo “brinquedo”
seria muito útil. O “Grapple”, fixado á minha arma, me habilitava a acessar
locais mais altos.
Foi assim, enfrentando hordas daqueles mortos-vivos,
que consegui finalmente chegar naquele terraço. Ao fundo, havia o som de um
helicóptero que se aproximava.
Quando as coisas pareciam resolvidas para mim, aquela
criatura surgiu em minha frente. Deveria ser outro Tyrant, porém este, mais
feio ainda que aquele que enfrentamos no laboratório subterrâneo. Ele era
rápido, e um golpe de suas garras afiadas poderia ser fatal.
“Será que você
não pode deixar uma garota sozinha?”, disse, enquanto atirava
ininterruptamente nele. Ao mesmo tempo fugindo de seus ataques, e fazendo os
meus próprios, consegui dar um fim naquela criatura, um tiro certeiro que o
lançou “á lona”.
O Helicóptero estava se aproximando. Era minha hora de
ir. Apontei meu grapple para um contêiner que era levado pela aeronave, e
pressionei o gatilho. Um fio metálico, preso á um pequeno gancho fora lançado
em alta velocidade no contêiner, fixando-se nele, e puxando-me rapidamente.
Comecei a correr, sendo perseguida por uma criatura que me lembra um réptil
nojento.
E quando finalmente consegui alcançar o ar, sendo
puxada pelo fio do grapple. Para a criatura que me perseguia, sobrara apenas
meu sapato que havia caído de meu pé.
“Pode ficar…”
disse, com um leve sorriso em meu rosto. Segurando-me com força á aquele
contêiner metálico, logo abaixo do helicóptero, pude ver uma ultima vez a
cidade. Segundos depois, o missel atingira Raccoon City, destruindo tudo e
todos em seu caminho.
Eu sobrevivera o destino de Raccoon City, graças á
ajuda “dele”. Sei também que o único motivo para ter sua ajuda, é que eu estava
com a amostra em minhas mãos. Relutantemente, acabei entregando o vírus para
Wesker e para a Organização. Mesmo temendo o que poderia acontecer se aquela
coisa escapasse, sei que Wesker não é tolo. Ele vai manter aquele vírus
guardado consigo, e nada, nem ninguém poderá tirá-lo.
Também serei eternamente “grata” á ‘K’ por ter me dado
uma segunda chance de viver. Quem sabe assim eu não poderei um dia compensar
meus erros do passado…
Creio que por hora, as coisas vão se normalizado. Ou
melhor, não, elas não vão. Pois a partir de agora, um novo mundo surgirá.
Também duvido que a Umbrella poderá manter o incidente em Raccoon escondido, e
a culpa de tudo logo logo será associada á empresa. Nota pessoal, espero que
isso ocorra.
Não vai demorar muito e esse “jogo de gato e rato”
ficará extremamente perigoso. Por hora, vou deixar Wesker pensar que ele é o
jogador principal nisso tudo. Acho que por enquanto nossa “parceria” irá
continuar, mas é temporário… Mal posso esperar para chegar o momento que “Ada,
a gata” terá de destroçar com suas garras felinas “Wesker, o rato”…
Mas quando isso ocorrer, tenho certeza que você será a
primeira pessoa para qual eu irei contar. Vejo
você por aí…
~~FIM~~
Nota do Autor “Final”: Espero que tenham gostado, embora eu acho que a primeira fic havia ficado melhor. Eu decidi tirar da fic aquela parte onde a Ada entrega a Rocket Launcher pro Leon, já que eu achei que isso ficaria meio sem sentido “não iria combinar com a situação da Ada nessa hora na fic”. Até mais, e comentem!