FANFICTIONS

LADY IN RED DRESS

Escrito por: BloodCold

Sabe, ás vezes é difícil de responder quando alguém me pergunta em que tipo de trabalho eu estou. Você não imaginaria as mais diferentes expressões das pessoas ao saberem do meu verdadeiro trabalho, da minha verdadeira vida.

            Se eu gosto? Difícil de responder também. O perigo aguarda em qualquer canto, mas eu amo o perigo. Eu acho que nasci pra ser isso, pra enganar as pessoas, pra ferir seus sentimentos. A parte mais difícil é quando eu mesma fico com meus sentimentos feridos. Ah, as lembranças do passado ás vezes me fazem acordar á noite, sonhos ruins que eu preferiria não ter.

            Talvez, seja um dos ofícios mais antigos da humanidade esse o meu. Desde que os grandes impérios existem, desde que milhares de soldados morriam em batalhas heróicas, sempre havia alguém que sabia de tudo por trás. Sempre havia… um espião.

            Se eu sou um tipo de Mata Hari moderna? Não. Eu sou melhor do que uma “Mata Hari”. Nada mais de espionar governos em guerra. O negócio agora, são as grandes empresas. Isso mesmo, empresas. O capitalismo impera afinal. Claro que eu não trabalho sozinha nisso, e ele sabe disso também.

            Aquele maldito bastardo. Eu devo minha vida á ele, e ele acha que eu devo prestar contas por isso.

            Eu acho que toda essa história começou mais ou menos no começo de 1998.

            Era um dia chuvoso em Chicago. Desde que eu havia acordado naquele dia, eu já sabia o que deveria fazer. Chegar perto dele, me apresentar, e começar uma conversa, “como alguém que não quer nada”.

            Acho que a parte de Chicago foi a mais fácil. John era o seu nome. Ele era loiro, e tinha uns olhos azuis profundos, aficionado pelo seu trabalho. Ele era um cientista de uma grande corporação chamada Umbrella. Uma empresa do ramo farmacêutico, criando os mais variados produtos. É claro que a Umbrella não era uma simples empresa produzindo produtos pra pele, e simples comprimidos para dor de cabeça. Não. Eles tinham projetos mais ambiciosos, projetos mais “secretos”. Quando eu entrei naquele aeroporto, eu não sabia, mais dentro de alguns meses, eu iria ver os horrores da Umbrella em primeira mão.

            John estava lá, seus olhos voltados pra um jornal, sentado na Sala de Espera num aeroporto, e estava meio molhado devido á chuva. Eu sentei ao lado dele, e foi óbvio que ele olhou pra mim. Poxa, eu sou uma mulher atraente, você não acha?

            Eu puxei papo com ele, perguntando sobre as horas. Foi rápido, começamos a conversar, e “coincidentemente” iríamos pegar o mesmo avião para Nova York. Ele iria para uma conferencia por lá, e estaria voltando em umas duas semanas. Eu me apresentei. Ele achou bonito o meu nome, um tanto exótico, afinal, eu sou meio chinesa. Meu pai era chinês. Um oficial do exército. Bom homem. Mas estaria se revirando no túmulo se soubesse o que eu estou fazendo atualmente.

            No embarque para o avião, eu fiz algumas trocas e pude sentar ao lado dele. Conversamos, e de repente, acidentalmente, surgiu o assunto Umbrella.

            Você trabalha pra Umbrella? Legal!

 

            Ele me contou que era pesquisador na sede da Umbrella em Chicago, um cargo bem respeitável. Continuamos a conversar, e então ele me pediu o que exatamente eu fazia na vida. É claro que eu menti, dizendo que era uma decoradora. Por dentro eu soltava risadas ao pensar em mim mesma como uma decoradora.

            Prometemos nos encontrar de novo em Nova York, dentro de alguns dias, pra tomar um café ou jantar em algum lugar legal na cidade. E assim foi, John ligou para o meu celular, e acabamos indo jantar.

Quando eu me dei conta, estava deitada na cama ao lado de John. Ele era incrível, mas não podia desviar de meus objetivos me apaixonando por ele. Minha missão era bem clara: tirar todas as informações necessárias dele. Ele era a minha fonte de dados, porque a agência queria que fosse assim.

Você irá voltar para Chicago comigo?

Era tudo o que eu precisava ouvir.

Claro… meu amor.

Doía dizer essas palavras. Eu não era uma cortesã, embora o que eu estava fazendo era próximo disso.

 

Eu passei uns dias no apartamento dele em Chicago, quando ele me disse que teria que viajar novamente. Tentei dizer para ele ficar, para passarmos mais um tempo juntos, mas ele foi para uma cidade chamada Raccoon City. Eu sabia que havia uma base de pesquisas da Umbrella por lá, e eu esperava que ele voltasse logo para dar-me mais dados sobre as suas pesquisas.

Não, ele nunca voltaria de lá. Seria só mais uma vítima de um novo vírus criado pela Umbrella, chamado T - Vírus.

Devia ser o que? Final de agosto, começo de setembro quando a agência me deu novas ordens. Um cientista da Umbrella chamado William Birkin estava desenvolvendo o avanço do T - Vírus. O mais poderoso ainda, G – Vírus.

Agora eu me lembro bem da data. 28 de setembro de 1998. Essa foi uma data que nunca saiu da minha mente. Foi quando tudo aconteceu…

O meu objetivo era chegar em Raccoon City e pegar a amostra do G – Vírus do laboratório dele, no subterrâneo.

Eu cheguei na cidade por uma pequena entrada, no lado leste de Raccoon. As fontes da Agência haviam informado que a entrada para o laboratório subterrâneo ficava no Departamento de Polícia de Raccoon City, a RPD. Lá na delegacia, eu deveria encontrar um tal repórter, que possuía algumas informações sobre as ações da Umbrella na cidade e que estava preso em alguma cela por lá.

Mas quando eu cheguei na maldita cidade, percebi que os habitantes não estavam totalmente normais. Algo havia saído errado, e o T – Vírus havia se espalhado por todos os lados. A virose, fez com que todos os habitantes infectados se transformasse em mortos – vivos, canibais, e sem qualquer forma de raciocínio.

Não sei como, mas eu consegui chegar viva até a delegacia. Minha arma fora minha salvação.

Explorando a delegacia, passando por algumas portas, eu descobri que um furgão no estacionamento estava bloqueando a passagem para a área de detenção. Aquilo era tudo o que faltava, agora o meu dia estava perfeito!—na hora eu não sabia, mas meu dia iria piorar, e muito. Eu tentei dar uma olhada pelos outros lados, atrás de alguma outra passagem, mas não encontrei absolutamente nada.

Retornando ao estacionamento, eu vi um policial. Droga, eu rapidamente atirei, não queria um tira no meu caminho. Mas eu errei o tiro, acho que estava tremendo. Que idiota que eu fui. Aquele foi o erro que quase custou a minha vida. E foi aquele erro que mudou completamente meu rumo.

“Desculpe, quando eu vi o uniforme eu achei que era um zumbi.”

Essa foi a desculpa mais esfarrapada que eu pude encontrar na hora.

“Quem é você?” O policial loiro me perguntou.

“Ada Wong.” eu respondi. É, esse é o meu nome. Ada Wong.

 

Ele me perguntou ainda o que eu estava fazendo, disse a verdade afinal, estava atrás do repórter, um daqueles tipinhos que sempre está atrás da grande matéria. Preferi não contar nada sobre o que eu sabia a respeito dos vírus, e da Umbrella, por razões óbvias. Oras, não sou boba.

O policial era um garoto, talvez um ou dois anos mais novo que eu. Ele tinha um cabelo loiro escuro, quase castanho, e assim como eu, estava visivelmente assustado, tremendo. Ele me ajudou, confiou numa estranha enquanto eu havia tentado mata-lo.  Na primeira impressão, eu achei que ele era um idiota. Mas idiotas não ajudam outras pessoas. Não, ele não era idiota. Mais tarde eu me dei conta disso.

Depois de ter me ajudado a tirar o furgão que bloqueava a porta, eu saí correndo, não precisaria mais do policial. Isso eu achava.

Nós acabamos nos encontrando novamente nas celas. O tal repórter, Bem Bertolucci, estava preso, e não queria sair de jeito nenhum.

“Zumbis estão por todos os lados. Eu não vou sair dessa cela”. Dizia ele. Covarde. Sinceramente, eu detesto esse tipo de pessoa.

 

Foi então que eu contei sobre John, sobre meu namorado que trabalhava na base da Umbrella em Chicago, e que desapareceu á alguns meses. Eu disse que ouvi “rumores” de que ele estaria em Raccoon. Eu temia que talvez aquele repórter soubesse quem eu era.

Ben disse pra nós dois, eu e o policial, sobre uma saída da cidade pelos esgotos. Eu sabia que aquilo de alguma forma iria conduzir aos laboratórios.

Certo, estou indo.

Ada espere!

 

Eu preferi não ouvir o policial e segui meu próprio caminho.

Nós nos encontramos de novo numa passagem bloqueada. E ele se apresentou. Seu nome era Leon. Dando-me uma ajuda, eu subi por um duto, e encontrei uma chave para ele. Estávamos separados por uma passagem e eu decidi sumir por hora.

Enquanto que Leon seguia o seu caminho, eu dei uma boa procurada por aquele lugar, era um tipo de Sistema de Tratamento de Água. Enquanto explorava, percebi o quão essa cidade era dependente da Umbrella, tanto que o símbolo da empresa estava por todos os lugares.

Um tempo depois, eu ouvi um grito vindo da carceragem. Correndo para lá, eu vi Ben literalmente cortado ao meio. Uma criatura nojenta havia detonado a caixa torácica de Ben. Leon estava lá, ele havia presenciado tudo. A face dele estava visivelmente horrorizada com aquela cena.

Bom Deus, o que foi aquilo?

 

Eu disse para Leon que pressentia que nos esgotos que eu iria encontrar John. Dei as costas á Leon e sai correndo. Já notou que esse é meu estilo, não é?

Entrei por um duto de ventilação, um atalho para os esgotos, que eu encontrara.

Eu e Leon nos encontramos de novo perto dos esgotos, ele me deu uma bronca por eu correr assim por todos os lados. Eu decidi seguir o joguinho dele, deixando ele pensar que era o “policial durão”.

De repente, eu vi aquela maldita mulher loira correndo. Eu sabia quem ela era, tinha visto fotos. Annete Birkin, esposa de William. Ela deveria saber algo de útil. Bom, eu estava perto e saí correndo atrás, mas a desgraçada atirou pra cima de mim. Leon me salvou, levou uma bala por mim e caiu inconsciente.

Eu decidi seguir Annete. Estava em uma plataforma metálica, quando ela tirou a minha arma com um tiro certeiro e estava apontando a sua pra mim. Ela me pediu o meu nome, eu respondi, e disse que já havia ouvido o meu nome antes: “O homem que havia vindo da base de Chicago colocara esse nome como sua senha pessoal”. Ela me contou que a Umbrella enviara agentes para roubar o G – Vírus de Birkin, ele levara vários tiros e injetara o vírus em si mesmo. Virara uma criatura monstruosa, a mesma que matou Bem e que agora vagava livre pela área. Quando Annete estava distraída, eu dei-lhe um golpe, e ela acabou caindo daquela plataforma.

Que pena.

Pegando minha arma, eu estava decidida a continuar com minha missão. Mas foi então que uma criatura imensa, parecia um crocodilo “tamanho-família”, quase acabou comigo, sorte a minha que Leon surgiu e distraiu o monstro. Nós estávamos juntos novamente e eu fiz um curativo na sua ferida á bala.

Por que eu estava fazendo isso? Eu não entendo e se bem que até hoje eu não entendi. Porque eu ajudei aquele policial? Leon. Leon Kennedy. O policial loiro. Ah, aquele rosto. Aqueles olhos. Acho que no fundo eu…eu… bom, deixa pra lá.

Eu e Leon conseguimos pegar o transporte para os laboratórios subterrâneos de William Birkin. Naquela hora eu achei que estava tudo certo, que minha missão estava quase cumprida, quando eu levei uma forte pancada na cabeça, da garra daquele monstro, Birkin “mutado”. Eu apaguei totalmente…

Quando eu acordei, a primeira coisa que eu vi um rosto. Minha visão estava embaçada. Logo depois reconheci como sendo o Leon. Ele disse que iríamos sair dali, iríamos sobreviver.

Eu sabia que não iria sair dali. Pelo menos não com ele. Não, essa vida de espiã não é assim tão fácil. Todos que ficam perto de mim têm que morrer, por quê? Por quê? John era apenas uma missão, mas ele era um homem bom e inteligente, e agora Leon… se eu ficasse com ele, eu iria leva-lo á morte.

Mas eu gostei do tempo que eu passei com você…

 

Aquela foi a frase mais sincera que eu disse nos últimos anos. Eu gostei de andar com Leon, de segui-lo por todos os lados, meus olhos voltados apenas para as costas dele, enquanto eu seguia suas ordens fielmente. Não, não, não… eu não posso gostar de uma pessoa, gostar dessa forma. Espiões matam e morrem, é só. Eu queria contar toda a verdade pra ele, mas eu só iria deixá-lo mais em perigo.

Escute, Ada. Eu sou um policial, e minha função é proteger você. Nós vamos sair vivos disso daqui…

 

Leon tinha uma voz calma, mesmo naquelas circunstâncias e um olhar fixo em seus objetivos. Logo depois ele saiu, acho que iria procurar por algo pelo laboratório. Uma saída, talvez. Essa era a minha chance. Eu saí dali e comecei a minha própria procura: precisava encontrar uma amostra do G – Vírus. Passei por uma plataforma, e no momento que a atravessei, eu sabia que ali minha vida seria decidida. Procurando por todos os lados, eu não encontrei absolutamente nada. Droga! Tudo teria sido mais fácil se o maldito Birkin tivesse deixado o vírus no laboratório, em algum lugar bem visível. De repente, eu ouvi vozes. Eu encostei minha cabeça na porta, e ouvi Annete—ela estava viva?—falando com Leon.

Não! A desgraçada estava contando a verdade sobre mim. Minha maldita verdade. Sobre eu ser uma espiã, sobre a agência, sobre a missão… Eu sabia que tudo entre mim e Leon estava acabado. Mas será que alguma coisa existiu de verdade?

Acho que uma viga caiu em cima de Annete, matando-a. E então, eu ouvi o barulho dos alarmes, das sirenes. Sistema de autodestruição. Maldição!

Eu me escondi no outro lado da plataforma, quando Leon saiu pela porta com um frasco nas mãos. Aquele era o G – Vírus.

Nos segundos seguintes, eu retirei a munição da minha arma e apontei-a para Leon.

 

“Você já sabe sobre isso, então me entregue o G – Vírus…”

 

Agora você me pergunta, por que afinal “eu tirei a munição”? E eu te respondo. Por que eu amava aquele maldito policial. Por que eu não queria feri-lo. Por que eu não queria ter de fazê-lo passar por isso…Eu não queria fazer isso! Mas era a única chance que eu tinha. Eu queria chorar, queria me jogar nos braços dele, queria pedir desculpas, queria fugir, correr, correr e correr. Eu podia ver nos olhos dele o que ele sentia. Leon se sentia traído. Ele confiara em mim, e o que eu lhe dei em troca? Apenas mentiras e mais mentiras. Eu me sentia um lixo. Naquele momento… eu percebi que não podia deixá-lo. Que eu ficaria com ele até o final. Dane-se a Agência! Eu abaixei a arma e então, senti uma dor imensa no meu ombro. Eu escorreguei da plataforma, e estava entre a vida e a morte, agarrada ás mãos de Leon. Annete tinha sobrevivido e atirou em mim.Vadia.

 

“G… G… vírus…” as últimas palavras dela.

 

Leon segurava meus braços com toda a força que tinha. Ele estava desesperado. Podia ver até lágrimas em seus olhos. Mas era tarde demais para nós…

Adeus, Leon…

 

Logo em seguida veio a escuridão. Meu corpo caiu na plataforma, eu acho que bati a cabeça com força, meu ombro doía muito, estava coberta de meu próprio sangue. Lembro ter aberto os olhos, e olhei pras minhas mãos, sujas de sangue. Meu relógio estava quebrado, meu cabelo também ensopado de sangue. A dor era dilacerante.

Eu fechei os olhos e achei que a próxima visão seria de um inferno que eu merecia.

As coisas não foram bem assim.

Quando eu abri os olhos novamente, era dia, eu senti as cobertas em volta de meu corpo, a cor branca das paredes, alguns equipamentos médicos. E lá estava ele. Seus óculos negros, os cabelos loiros, a roupa preta. A voz autoritária. Por trás dos óculos, um olhar frio.

Ele achava que eu era fiel á ele como um cãozinho. Ele me tratava como se eu fosse sua escrava, pronta á obedecer quaisquer ordens e sem reclamar. Idiota.

Ele salvou a minha vida, de alguma forma, isso eu tenho que admitir. Quando levantei de minha cama, percebi que minhas feridas estavam um pouco cicatrizadas, eu me perguntava quanto tempo ficara assim. Ele achava que eu devia um favor. Eu devia á ele a minha vida. Não consigo imaginar como, mas ele me salvou daquele lugar.

Adeus, Ada Wong…

 

Por ora, tudo havia terminado. O inferno dos mortos-vivos ficara para trás.

            E diante de um espelho, eu pude ver minhas cicatrizes.

            Eu não sou mais Ada Wong.”

            Afinal, aquelas eram as cicatrizes de Ada, não as minhas. Eu queria chorar. E eu queria saber sobre Leon. Eu espero que ele tenha sobrevivido… É, ele sobreviveu. Posso sentir isso.

            Eu estava oficialmente morta. Eu queria que todos soubessem disso, mas a Agência jamais me deixaria ir. Eu sou propriedade deles, e ele pensa que é meu chefe.

            Já se passou um bom tempo desde que eu estive em Raccoon City. Algumas missões já se passaram, e meu nome foi mudando. Mas o que eu sentia por ele, eu acho que não vai mudar jamais. Ele era especial, e não desistiu de mim nem mesmo quando soube que eu era uma maldita espiã.

            Leon.

             E agora, bom, agora eu estou de volta á ativa, como se costuma dizer. Ele vai me mandar pra uma missão amanhã, eu sei disso já á algum tempo. Acho que pra Portugal ou Espanha, um lugar desses aí. Um tal culto, e uma patricinha seqüestrada.

            Você quer mesmo saber onde eu estou agora? Sabe, eu acho que você faz muitas perguntas…

 

~~FIM~~

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