FANFICTIONS

HEAD OVER FEET

Escrito por: Jejé

Head Over Feet ~ Alanis Morissette

- E não fique surpreso se eu te amar por tudo que você é!

Jill abrira os olhos... Tais palavras ecoavam em sua mente. Profundamente. Vagarosamente. Suas íris azuis reluziam ao menor dos raios solares que invadiam seu minúsculo quarto de apartamento. Vagarosa. Manhosa... Ela acordara naquela manhã no ritmo de um sonho cheio de lembranças... “Um sonho. Apenas um sonho” pensava enquanto se levantava de sua cama de lençóis brancos... O quarto era pouco decorado. Tinha um ou dois quadros na parede. Chão limpo. As paredes cobertas com um tom brando, bege. Um perfume leve rondava o quarto. Um ar suave... Ao lado da cama, um criado-mudo com um livro em cima dele e uma gaveta semi-aberta. O quarto era perfeito e agradável para uma curta estadia.
A senhorita Valentine caminhava descalça, com suas mãos suaves passeando entre os fios de cabelo castanho pouco. A camisola fina de seda rosa, combinava com sua pele sedosa. A moça bocejou. Dormira bem, e não sabia por que estava ficando tão mal acostumada... Talvez fosse culpa dos quase dois meses que estava sem prestar serviço algum. Estava difícil arrumar emprego naquela nova cidade. Espreguiçou. Talvez fosse culpa dos incidentes do passado. Era uma suposição. “Nada demais. Tudo tem sua hora”. Talvez fosse pelo incentivo dele... Que ela foi parar ali. Talvez.
Jill abriu a porta do banheiro. Olhou o cenário. Era muito pequeno, mas cabia-lhe o básico. Ela sorriu. Olhou-se no espelho. Lembrou-se de Chris. Chris Redfield. Seu ex-parceiro de trabalho. Quando eles trabalhavam juntos, costumavam conversar cara a cara. Olhando um nos olhos do outro. Depois do incidente na mansão envolvendo a Umbrella... Chris lhe fizera uma profunda revelação... As memórias invadiam aos poucos. Transpassavam como se tivesse sido no dia anterior.


Era dia de chuva. Jill tinha acabado de desligar o telefone. Tinha avisado a Barry que ela e Chris tinham decidido sair da cidade de Raccoon City. A levantou-se do sofá. Caminhou até a janela. A chuva caía sem parar. O ex-membro dos STARS cruzara os braços. Encostou a parede e observou séria e decidida à chuva cair. Logo... Avistou alguém correndo na rua, sem proteção alguma da chuva, na direção de sua casa.
- Não pode ser... – murmurou.
Era Chris. Este vinha correndo. “O que terá acontecido?” questionava-se Jill, que rapidamente dirigiu-se a porta de sua casa para atender o seu parceiro de trabalho, o qual se aproximava mais e mais...
No exato momento que a moça abriu a porta, Chris pisou em seu tapete de recepção. Totalmente molhado. Cansado. Ofegante. E com um olhar decidido.
- O que houve Chris? – Jill parecia preocupada.
Chris esperou alguns segundos. Quando conseguiu respirar melhor... Entrou na casa agradável de sua parceira enquanto que a mesma fechava a porta.
- Tenho algo importante para te contar.

Eu não tive escolha a não ser ouvir você.

- É algo sobre a Umbrella? – Jill indagou enquanto foi até seu quarto pegar uma toalha para Chris.
- Não. – retrucou Chris rapidamente antes que Jill pudesse sumir entre os cômodos de sua casa.
Alguns minutos depois a moça voltou e indo diretamente na direção de Chris, lhe entregou a toalha. Ele permanecia de pé, olhando nos olhos de Jill. Sua expressão até havia mudado... Jill ficara surpresa.
- Então... O que pode ser?
Chris se aproximou da moça, que naquele momento, ficou realmente confusa. Nunca tinha visto Chris daquele jeito. Seus olhos serenos... O cabelo molhado, bagunçado... O sorriso com um ar malicioso... Os olhos. O que mais chamava atenção era seu olhar. Jill corou. Afastou-se de seu companheiro. Olhou para o chão.
- O que aconteceu... Chris...? – ela procurava refugio em seu olhar.
- Eu irei ser direto... – Chris deu uuma pausa e olhou para a toalha em suas mãos – Obrigada pela toalha – ele começou a se enxugar com a toalha, passando-a levemente sobre os cabelos, jogando-os para trás, e em seguida enxugou o rosto – Jill eu prometo que não irei demorar.
Chris terminou de se enxugar. Abriu um sorriso maroto para a moça à sua frente, entregando-lhe a toalha. Jill permanecia atônita. De cabeça para baixo...
- Jill... – Chris falava devagar, aproximando-se de sua ex-companheira de trabalho – Sabe, há muito pensei. Desde quando te conheci... – Ele olhava firme para ela, que retribuía com o olhar confuso – Sempre admirei. Sempre. E depois de tudo que aconteceu... Temo que eu não tenha outra chance de revelar o que sinto por você!
Valentine corou. Comprimiu forte a toalha em suas mãos. A toalha que Chris passara superficialmente pelo corpo... Ela definitivamente não sabia o que falar.
- Sei que não esperava isso de mim... Mas eu tinha que fazer algo, exprimir o que eu senti desde quando te vi pela primeira vez, ainda no meio daquele monte de marmanjo, no dia de teste final para a polícia local. Tão linda. Tão decidida. Tão...
Chris deu uma pausa. Percebeu que sua amiga estava vermelha como uma pimenta.
Ela realmente não esperava aquilo. Chris nunca fora do tipo que demonstrasse sentimentos daquela forma. Talvez fosse sua barreira. Quando o melhor atirador que já conheceu, aquele homem encharcado perante si, contou sobre quando se conheceram... Ela riu. Não lembrava daquilo. Só lembrou que esbarrou com Chris assim que saíra do teste.
Após a pausa, Chris continuou...

Você contou sua historia sem parar
Eu pensei sobre ela...


- O que quero dizer é...
Silencio. O silencio pairou sobre a sala de estar da senhorita Valentine. Naquela sala enfeitada com cortinas brancas... Sofá de porte médio de couro marrom. Carpetes comuns, não muito chamativos, de cor única. Piso molhado...
Ela olhava firme para Chris, já surpresa.
Ele corava, enquanto colocava suas mãos úmidas sobre os ombros dela.
- Não fique surpresa se eu te amar por tudo que você é. Pois eu te amo. Há muito tempo.


Toc, toc.
Batidas na porta. Jill surtou. As lembranças daquele dia chuvoso nunca haviam sido esquecidas. Desde aquele dia, ela vira Chris poucas vezes. Jill olhava-se no banheiro que estrategicamente ficava bem ao lado do seu minúsculo quarto.
Os ex-membros sobreviventes dos S.T.A.R.S separaram-se naquele mesmo dia. Acabara. O trabalho, o honra e a justiça tomou conta dos sobreviventes. Todos queriam o fim da Umbrella. E no meio daquela guerra, uma história de amor inesperada...
Toc, toc, toc.
Mais uma vez. Alguém batia na porta. Jill podia ouvir claramente, mesmo do banheiro. A manhã estava silenciosa. O apartamento era pequeno...

Toc, toc.
Parecia alguém com pressa. Não daria tempo para o ex-membro dos S.T.A.R.S. vestir algo apropriado. No mínimo, esperava uma vizinha que adorava saber da vida conturbada que Jill tivera quando era membro das forças táticas da extinta Umbrella. Ela foi à direção da porta. Ainda um pouco sonolenta... Abriu. Arregalou os olhos.
- Olá Senhorita Valentine! Há quanto tempo!
Chris. Chris Redfield. Estava de pé em sua porta. Com um enorme sorriso no rosto. As mãos no bolso. O cabelo... Como sempre. Estava forte. Os músculos eram notáveis. A moça ficou incrédula. Fazia tempo que não o via. E ele já não parecia tão frio como em seu último encontro, naquela missão na Rússia...
- Jill? Está tudo bem?
Jill voltou a si. Olhou melhor para Chris. Sim, era ele. Sentiu uma nostalgia diferente. Seu coração batia rápido. Corava sem perceber.
- Ah! Perdoe-me! É que eu...
- Estava dormindo não é? Descculpe-me! É que Claire resolveu passear de moto, e eu pedi que ela me deixasse aqui. Senti saudades de você, de repente. Mas por favor, me perdoe, acho que foi inoportuno!

Você me trata como se eu fosse uma princesa,
Não estou acostumada a gostar disso.


Jill mal o reconhecera. Sinceramente, não parecia o mesmo. O que será que tinha ocorrido para tamanha felicidade. Estava tão dócil...
- Me perdoe Jill. – Chris corava ao tentar não olhar para sua amiga, com aquela camisola tão chamativa...
- Ah! Não esquenta! Vamos entre!
Chris adentrara a casa de sua amiga, com uma sacola em mãos.
- Espere aqui que eu vou me trocar. Fique a vontade!
Alguns minutos depois, Jill adentrara o que parecia ser uma sala/cozinha ao mesmo tempo. Como era um apartamento, tinha que revezar. Até por que morava sozinha. E não eram necessários tantos luxos. A moça trajava uma blusa de alça fina branca. E uma calça larga com listras nas laterais. Estava bem à vontade. Não precisava de cerimônia...
O rapaz notou a presença de sua ex-companheira chegando perto de si. Franziu o cenho. Mesmo em roupas largas, Jill estava linda. Quanto mais ela chegava perto dele, ele tentava disfarçar suas observações.
- Já tomou café da manhã Jill? – ele bradava enquanto disfarçava, posicionando seus olhares para analisar cada canto daquele apartamento provisório.
- Ah, agora que tocou no assunto... Não!
- Ainda bem!
- Ainda bem? – questionou Jill.
- Sim, pois eu trouxe algumas coisas para ttomarmos café juntos. Eu estava morrendo de fome. Daí eu pensei em compartilhar um desjejum contigo nesta linda manhã.
- Ora ora... – balbuciou a moça com ironia, tentando disfarçar sua surpresa – Chris, eu não conhecia esse seu lado.
- É eu parei de fumar.
Os dois puseram-se a rir descaradamente um da cara do outro. A espécie de nostalgia tomou conta de Jill ao lado de um notório bem estar. Ela não sabia distinguir aquele sentimento. Quando reparou bem, notou que quase sempre quando se lembrava de Chris, um frio estranho passava por sua barriga. E seu coração batia forte. Sentia-se uma adolescente novamente.
Os dois velhos “amigos” rumaram para as pequeninas poltronas posicionadas perto de uma bancada, onde do outro lado permanecia um pequeno fogão e uma pequena pia limpa. Apesar de ser demasiadamente pequeno o espaço, Jill sabia aproveitar e dar toques de conforto naquele lugar. Ambos comeram a vontade. Deram risada. Lembraram de velhos momentos. Pareciam que tinham se encontrado pela primeira vez... Atenciosos como nunca um para com o outro.

Você pergunta como foi meu dia...

Depois de algumas horas de muita conversa, Chris decidira ir embora. Antes de pisar os pés para fora do apê de sua amiga...
- Jill! Chris virou-se subitamente enquanto se dirigia para a saída – Bem, quer sair hoje à noite?
Jill corou mais uma vez.
- É que Claire comprou três inngressos para uma convenção de motos para hoje à noite. Dois para mim e ela, e o outro para um amigo dela. Mas ela me disse que esse tal amigo não irá mais. Então...
A moça não esperava exatamente isso. Mas sorriu gentilmente.
- Tudo bem. Eu não tenho nada para hoje à noite. Irei! Aonde nos encontramos?
- Eu passo aqui, às 19h00min. Tudo bem? – retrucou Chris alegre como nunca.
- Sim claro. Chris, obrigada pelo café agradável.
Chris sorriu vitorioso. Dera os ombros. Franziu o cenho.
- Eu que agradeço!
Os dois riram. Acenaram. A porta se fechou...
A moça encontrou-se a porta assim que a fechou. Deslizou com os ombros. Pôs as mãos entre os cabelos. “Ele nem ao menos tocara no assunto de anos atrás..." Essa atitude deixara Jill extremamente confusa. “Não pode ser”...

Você já me conquistou mesmo contra a minha vontade,
E não fique surpreso se eu virar de cabeça pra baixo,
E não fique surpreso se eu te amar por tudo que você é.
Eu não pude evitar,
É tudo culpa sua...


Anoiteceu. A lua estava branda. Brilhante. A senhorita Valentine estava linda. A blusa de renda, de cor preta, pouco chamativa. Uma saia preta, de comprimento até a metade de suas coxas. Aos pés, uma sandália preta cheia de detalhes de florzinhas brilhantes encravadas. Mesmo com o look simples, a moça estava linda. Sendo sincera consigo mesma, a própria não sabia muito bem o que vestir para ir a uma convenção de motos. A maquiagem puramente leve ressaltava sua pele macia e limpa. Ela já estava pronta.
Pensava se chamaria a atenção de Chris... O relógio marcava dezenove horas.
Toc, toc.
Só podia ser ele. Pontual como nunca. Jill desta vez correu para a porta de seu apê. Abriu a porta afobada. Não tinha dúvidas. Lá estava ele. Com a mesma jaqueta daquele dia chuvoso...
- Pronta? – Chris quebrou os flashbacks de sua amiga antes mesmo que eles tomassem conta da mente dela.
O rapaz estava admirado. Desejava Jill mais do que nunca. Mas não podia pensar no momento em seu amor contido. Abriu um sorriso sem graça no rosto.
- Vamos!
Curto. Rápido. Ambos se admiravam. Jill mais do que nunca. Haviam passado anos para Jill pensar no que sentia. E agora que ele estava bem ao seu lado, estava se tornando “concreto”.

Seu amor é consistente. Me engoliu inteira

Quase uma hora depois, chegaram ao local do evento. O exato momento estava havendo uma demonstração de motos. Motoqueiros profissionais se exibiam em uma pista fechada. No meio dos que admiravam as acrobacias feitas no veiculo, pôde-se notar logo uma garota de cabelos longos, castanhos, de blusa de alcinha... Linda. Era uma das poucas mulheres que admiravam tal trabalho no meio daquela multidão dominada praticamente apenas por homens.
Claire Redfield havia mudado. Estava linda como nunca. Os cabelos, enormes, os olhos destacavam uma maturidade incomparável.
Seu irmão, que havia acabado de chegar, notou-a logo de cara. Foi atrás dela. Jill o seguiu.
Quando os irmãos se encontraram, se abraçaram. Isso era comum entre eles. O amo fraterno, e ainda tudo pelo que passaram... Era mais do que comum tamanho carinho. Jill os observava de certa distancia. O irmão coruja, logo após o abraço, tirou sua jaqueta e colocou sobre os ombros de sua irmã. Fora meio como um sermão. Mas Valentine não prestou atenção nisso...

Você é muito mais forte do que eu pensava,
Isso não é da boca pra fora...


Parecia que Chris tinha intensificado seus treinamentos durante o tempo que não se viram. Estava muito musculoso.
Além disso, seu sentimento em relação familiar, também parecia ter ficado mais forte. Mais do que nunca, desde sua última conversa com o companheiro... Parecia que a relação entre os irmãos tinha se fortalecido ainda mais. “Admirável...”, pensava a moça com um sorriso estampado, observando os Redfield.

Você é o portador de coisas incondicionais

O evento continuou. Durante as atrações, os irmãos e Jill conversavam em um clima agradável. Riram muito. Viram muito. Curtiram até a festinha de comemoração do lançamento de um novo modelo de moto. E claro, Claire, não deixou de tirar muitas fotos daquela memorável noite.
Quando a lua começou a sumir na branda noite cheia de estrelas alinhadas...
- Chris, eu acho que está na hora de eu ir para casa. E parece que logo o evento termina. – indagou Valentine.
Claire olhou em seu relógio de pulso. Eram exatamente 23h03mim.
- É mesmo Chris. Eu tenho trabalho aamanhã. É melhor irmos embora. E o melhor do evento já passou. Eu particularmente queria ver mais exibições de motos...
Chris pôs-se a rir descontroladamente.
As garotas não entenderam nada. Levantaram-se... Rumaram para casa. Chris, como um prefeito cavalheiro, ofereceu-se para levar Jill até seu apê. Claire seguiu seu rumo de moto para casa. Deixara claro que esperaria o irmão em casa.
Durante o caminho Jill e Chris conversaram muito. Mas nenhum dos dois deu iniciativa alguma sobre aquele assunto...
Os minutos passavam. No céu, as nuvens juntavam-se alegando uma chuva das fortes. Os relâmpagos de minuto em minuto mostravam-se com impacto. E o que fora uma brisa mais cedo, tornara-se forte, como um sopro dos deuses... Chris pestanejou. Resmungou e pediu desculpas à senhorita Valentine por não ter um carro para levá-la em segurança até sua residência.
- Imagina! Bem eu...
Jill murmurou baixinho. Sussurrou consigo mesma, que o que mais gostou foi à companhia do homem bem ao seu lado. Foi tão baixo que ninguém escutou. Só o coração dela... “Chris”.
Estavam chegando ao prédio. Logo Valentine estaria em casa... A chuva começou a cair. Muitas perguntas rodeavam as cabeças de ambos. Um esperava do outro. Em especial Chris, que, já tinha feito sua parte, há muito tempo atrás. Ele esperava uma resposta de Jill desde aquele dia... As memórias voltavam uma vez mais. Desta vez, para Chris. Os flashbacks tomaram conta dele enquanto ele caminhava ao lado de Jill.
- Chris... – Jill ficou sem reação quando seu amigo lhe revelara seus verdadeiros sentimentos.
Ela abaixou a cabeça. Não tinha face para encará-lo. Não naquele momento. E ele, ex-atirador dos S.T.A.R.S. percebera o constrangimento cujo deixara Valentine.
- Por favor, não se limite a me dar uma resposta. – ele indagou, tentando melhorar a situação – Eu só não pude evitar. Meus sentimentos são verdadeiros. Isso eu garanto.
Jill olhou fundo nos olhos de seu amigo, rente a ela, ha apenas alguns metros de distancia.
- Chris!!
A voz firme e decidida de Jill fizera o dito cujo despertar da espécie de transe o qual Chris caíra lembrando-se daquele dia chuvoso. Chuvoso tal qual o atual.
- Chris!!
Novamente Jill bradava. Quando ele a olhou, esta apontava para o prédio onde morava. A chuva caía sem dó dos que permaneciam sob ela. Na rua, nenhuma alma viva. A chuva, pura... Pura como aquele sentimento tão cobiçado. O sentimento que tanto confundia aqueles dois jovens.
Eles correram. Tentaram correr no intuito de não se molhar tanto, mas foi inevitável. Chegaram. A cobertura da entrada os salvou da chuva. Um prédio simples, de dois andares. O dono alugava alguns cômodos em determinados andares geralmente para estudantes de outra cidade. Às vezes o dono abria exceções, para moradias de curta estadia, como no caso de Jill que morava logo no primeiro andar.
Jill estava em casa. Enquanto caminhava toda molhada, ao lado de seu amigo, este último toou sua frente. Caminhou “abrindo-lhe caminho”.

Você segurou a respiração e a porta para mim.

Foi então que a moça percebeu que tinha que dar uma resposta para seu amigo. Já se passaram anos. Era uma postura de confusão o que ela fazia. Talvez ele estivesse esperando sua resposta. “Como sou tola...” pensava profundamente.

Obrigada pela sua paciência...

Chris mal a deixara na porta de seu “apê” e decidiu ir embora. Jill sentiu um aperto no coração. Lá estava ele. Prestes a ir embora. Novamente todo molhado pela chuva. Novamente sem resposta. Mas desta vez... Valentine tinha uma resposta entalada. Ela pensou. Viveu muitas coisas. Esperou por ele.
Redfield abraçou-a. Despediu-se rapidamente. Ela mal teve tempo de apreciar aquele abraço. Mas a irmã dele o esperava. Ele realmente não podia demorar...
- Obrigada por me deixar em casa...
- Ah, não foi nada demais. Eu meio que te devia isso. Afinal você aceitou meu convite.
A moça sorriu como nunca. Chris sempre estivera ao seu lado. Sempre.

Você é o melhor ouvinte que eu já conheci.
Você é o meu melhor amigo,
Melhor amigo com vantagens.


- Bem, eu devo ir. Claire me aguarda. – dizia ele meio desapontado, acenando para a moça de preto. – Até mais Jill.
Chris Redfield estava indo embora. Virou as costas. Enquanto que Jill Valentine ficou intacta. Um grito queria sair de sua boca. Ela queria retribuir a todos aqueles carinhos. Queria retribuir os sentimentos.

O que me fez demorar tanto?

Ele estava tão galante como nunca. Molhado pela chuva pura. E indo embora. Ele já descia as escadas. Virou o corredor. E ela... Permanecia intacta. “O que estou esperando?” auto questionava-se.

Chris caminhava com as mãos nos bolsos. A chuva não dava descanso, mas ele não podia deixar sua irmã esperando. Não mesmo. Estava meio desapontado. Esperava uma resposta de sua enamorada. Mas não recebeu nada. Enquanto lembrava-se do quão divertida fora a noite, sorriu. “Ela estava tão linda”. Redfield saiu do prédio. Assim que colocou o pé alguns centímetros a frente da cobertura da entrada... A chuva o irrigou por completo. Chris até gostou da chuva. Estava gostosa. Mas ele continuou a caminhar.
- Chris!!!!
Alguém gritara seu nome. Gritara com pressão, com tanto desejo que ele mesmo sentiu.
- CHRIS REDFIELD!!!!!
Parecia mais uma intimação. O invocado virou-se sem cerimônias. Ainda com as mãos nos bolsos, arregalou os olhos. Uma felicidade estonteante percorreu por todo seu corpo naquele instante. Pelo jeito que Jill corria desgarrada, em sua direção, no meio daquela chuva... Ele só sentia que não importasse como, receberia sua resposta.
- Jill!
- Eu... Eu... - ela corria, e ofegante, tentava falar – Preciso te falar...
- Não é melhor irmos para...
- Não! Eu – ela respirou fundo... – Eu preciso te falar isso agora, antes que suma a coragem.
Chris consentiu. Sorria. Aproximou-se dela. E ela... Jill respirou fundo mais uma vez. A chuva incrivelmente deixava-a ainda mais bonita. As íris azuis, fixas, fitando Redfield.
- Você me conquistou Chris. Mesmo contra a minha vontade. – ela não desgrudava os olhos do amigo perante ela, que neste momento estava surpreso - Por favor, não fique surpreso se eu virar de cabeça pra baixo. Sentimentos são confusos. Eu demorei muito para descobrir e entender os meus. E o mais importante... – ela deu uma pausa e cerrou os olhos, e após alguns segundos, abriu-os com um brilho nunca visto antes por ninguém - Não fique surpreso se eu te amar por tudo que você é. Eu não pude evitar. E isso é tudo culpa sua...
Uma espécie de alívio irradiou no coração de Jill. Ela foi sincera até o último instante. Chris permanecia com a cabeça para baixo. A chuva caía...
- Jill.
Palavras minuciosas foram proferidas por Chris, que ainda permanecia de cabeça baixa.
- É melhor você entrar e pegar um guarda-chuva. – Chris falava seco e direto – Não quero vê-la resfriada.
Aquelas palavras entraram na mente da moça, como um bloco de cimento que desprega e despenca. Não esperava tamanha reação dele. “Eu realmente demorei muito...”. Jill até aceitou o fato. Sorriu. Os olhos começaram a ficar marejados. A chuva com certeza a camuflaria. Mas no fundo... Talvez não importasse. Ela o respondera. Talvez fosse normal a reação dele. Afinal, a resposta demorou anos...
Jill consentiu diante da resposta de sua paixão. Abaixou a cabeça. E quando se virou para entrar, como se aquilo fosse um sublime adeus... Mãos frias tocaram seus ombros.
- Espere... – sussurrou Chris.
Jill não se virou para encará-lo. Não tinha nem como... Mas escutou-o.
- Eu não irei agüentar até que você volte!
Chris puxou forte sua amada, forçando-a se virar para ele. A confusão deixou Jill sem reação. E quando ela menos notou... Estava nos braços de Chris.
- Eu esperei esta resposta por anos... – sussurrava ele no ouvida dela.
- Me desculpe.
- Não se desculpe.
Ambos desgarraram-se um do outro. Eles se olharam por alguns instantes. Nem notaram que a chuva cessava aos poucos... Mas mesmo que cessasse por completo, um longo, demorado e ardente beijo selou aqueles dois, através de um sentimento confuso, e ao mesmo tempo límpido.
Chris, nunca se sentiu tão feliz.
E Jill...

Eu nunca havia me sentindo tão bem assim,
Eu nunca quis algo racional.
Sei disso agora.

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