FANFICTIONS
HEAD OVER FEET
Escrito por: Jejé
Head Over Feet ~ Alanis Morissette
- E não fique surpreso se eu te amar por tudo que você é!
Jill
abrira os olhos... Tais palavras ecoavam em sua mente. Profundamente.
Vagarosamente. Suas íris azuis reluziam ao menor dos raios solares que
invadiam seu minúsculo quarto de apartamento. Vagarosa. Manhosa... Ela
acordara naquela manhã no ritmo de um sonho cheio de lembranças... “Um sonho. Apenas um sonho”
pensava enquanto se levantava de sua cama de lençóis brancos... O
quarto era pouco decorado. Tinha um ou dois quadros na parede. Chão
limpo. As paredes cobertas com um tom brando, bege. Um perfume leve
rondava o quarto. Um ar suave... Ao lado da cama, um criado-mudo com um
livro em cima dele e uma gaveta semi-aberta. O quarto era perfeito e
agradável para uma curta estadia.
A senhorita Valentine caminhava
descalça, com suas mãos suaves passeando entre os fios de cabelo
castanho pouco. A camisola fina de seda rosa, combinava com sua pele
sedosa. A moça bocejou. Dormira bem, e não sabia por que estava ficando
tão mal acostumada... Talvez fosse culpa dos quase dois meses que
estava sem prestar serviço algum. Estava difícil arrumar emprego
naquela nova cidade. Espreguiçou. Talvez fosse culpa dos incidentes do
passado. Era uma suposição. “Nada demais. Tudo tem sua hora”. Talvez fosse pelo incentivo dele... Que ela foi parar ali. Talvez.
Jill
abriu a porta do banheiro. Olhou o cenário. Era muito pequeno, mas
cabia-lhe o básico. Ela sorriu. Olhou-se no espelho. Lembrou-se de
Chris. Chris Redfield. Seu ex-parceiro de trabalho. Quando eles
trabalhavam juntos, costumavam conversar cara a cara. Olhando um nos
olhos do outro. Depois do incidente na mansão envolvendo a Umbrella...
Chris lhe fizera uma profunda revelação... As memórias invadiam aos
poucos. Transpassavam como se tivesse sido no dia anterior.
Era
dia de chuva. Jill tinha acabado de desligar o telefone. Tinha avisado
a Barry que ela e Chris tinham decidido sair da cidade de Raccoon City.
A levantou-se do sofá. Caminhou até a janela. A chuva caía sem parar. O
ex-membro dos STARS cruzara os braços. Encostou a parede e observou
séria e decidida à chuva cair. Logo... Avistou alguém correndo na rua,
sem proteção alguma da chuva, na direção de sua casa.
- Não pode ser... – murmurou.
Era Chris. Este vinha correndo. “O que terá acontecido?”
questionava-se Jill, que rapidamente dirigiu-se a porta de sua casa
para atender o seu parceiro de trabalho, o qual se aproximava mais e
mais...
No exato momento que a moça abriu a porta, Chris pisou em
seu tapete de recepção. Totalmente molhado. Cansado. Ofegante. E com um
olhar decidido.
- O que houve Chris? – Jill parecia preocupada.
Chris
esperou alguns segundos. Quando conseguiu respirar melhor... Entrou na
casa agradável de sua parceira enquanto que a mesma fechava a porta.
- Tenho algo importante para te contar.
Eu não tive escolha a não ser ouvir você.
- É algo sobre a Umbrella? – Jill indagou enquanto foi até seu quarto pegar uma toalha para Chris.
- Não. – retrucou Chris rapidamente antes que Jill pudesse sumir entre os cômodos de sua casa.
Alguns
minutos depois a moça voltou e indo diretamente na direção de Chris,
lhe entregou a toalha. Ele permanecia de pé, olhando nos olhos de Jill.
Sua expressão até havia mudado... Jill ficara surpresa.
- Então... O que pode ser?
Chris
se aproximou da moça, que naquele momento, ficou realmente confusa.
Nunca tinha visto Chris daquele jeito. Seus olhos serenos... O cabelo
molhado, bagunçado... O sorriso com um ar malicioso... Os olhos. O que
mais chamava atenção era seu olhar. Jill corou. Afastou-se de seu
companheiro. Olhou para o chão.
- O que aconteceu... Chris...? – ela procurava refugio em seu olhar.
- Eu irei ser direto... – Chris deu uuma pausa e olhou para a toalha em
suas mãos – Obrigada pela toalha – ele começou a se enxugar com a
toalha, passando-a levemente sobre os cabelos, jogando-os para trás, e
em seguida enxugou o rosto – Jill eu prometo que não irei demorar.
Chris
terminou de se enxugar. Abriu um sorriso maroto para a moça à sua
frente, entregando-lhe a toalha. Jill permanecia atônita. De cabeça
para baixo...
- Jill... – Chris falava devagar, aproximando-se de
sua ex-companheira de trabalho – Sabe, há muito pensei. Desde quando te
conheci... – Ele olhava firme para ela, que retribuía com o olhar
confuso – Sempre admirei. Sempre. E depois de tudo que aconteceu...
Temo que eu não tenha outra chance de revelar o que sinto por você!
Valentine
corou. Comprimiu forte a toalha em suas mãos. A toalha que Chris
passara superficialmente pelo corpo... Ela definitivamente não sabia o
que falar.
- Sei que não esperava isso de mim... Mas eu tinha que
fazer algo, exprimir o que eu senti desde quando te vi pela primeira
vez, ainda no meio daquele monte de marmanjo, no dia de teste final
para a polícia local. Tão linda. Tão decidida. Tão...
Chris deu uma pausa. Percebeu que sua amiga estava vermelha como uma pimenta.
Ela
realmente não esperava aquilo. Chris nunca fora do tipo que
demonstrasse sentimentos daquela forma. Talvez fosse sua barreira.
Quando o melhor atirador que já conheceu, aquele homem encharcado
perante si, contou sobre quando se conheceram... Ela riu. Não lembrava
daquilo. Só lembrou que esbarrou com Chris assim que saíra do teste.
Após a pausa, Chris continuou...
Você contou sua historia sem parar
Eu pensei sobre ela...
- O que quero dizer é...
Silencio.
O silencio pairou sobre a sala de estar da senhorita Valentine. Naquela
sala enfeitada com cortinas brancas... Sofá de porte médio de couro
marrom. Carpetes comuns, não muito chamativos, de cor única. Piso
molhado...
Ela olhava firme para Chris, já surpresa.
Ele corava, enquanto colocava suas mãos úmidas sobre os ombros dela.
- Não fique surpresa se eu te amar por tudo que você é. Pois eu te amo. Há muito tempo.
Toc, toc.
Batidas
na porta. Jill surtou. As lembranças daquele dia chuvoso nunca haviam
sido esquecidas. Desde aquele dia, ela vira Chris poucas vezes. Jill
olhava-se no banheiro que estrategicamente ficava bem ao lado do seu
minúsculo quarto.
Os ex-membros sobreviventes dos S.T.A.R.S
separaram-se naquele mesmo dia. Acabara. O trabalho, o honra e a
justiça tomou conta dos sobreviventes. Todos queriam o fim da Umbrella.
E no meio daquela guerra, uma história de amor inesperada...
Toc, toc, toc.
Mais
uma vez. Alguém batia na porta. Jill podia ouvir claramente, mesmo do
banheiro. A manhã estava silenciosa. O apartamento era pequeno...
Toc, toc.
Parecia
alguém com pressa. Não daria tempo para o ex-membro dos S.T.A.R.S.
vestir algo apropriado. No mínimo, esperava uma vizinha que adorava
saber da vida conturbada que Jill tivera quando era membro das forças
táticas da extinta Umbrella. Ela foi à direção da porta. Ainda um pouco
sonolenta... Abriu. Arregalou os olhos.
- Olá Senhorita Valentine! Há quanto tempo!
Chris.
Chris Redfield. Estava de pé em sua porta. Com um enorme sorriso no
rosto. As mãos no bolso. O cabelo... Como sempre. Estava forte. Os
músculos eram notáveis. A moça ficou incrédula. Fazia tempo que não o
via. E ele já não parecia tão frio como em seu último encontro, naquela
missão na Rússia...
- Jill? Está tudo bem?
Jill voltou a si.
Olhou melhor para Chris. Sim, era ele. Sentiu uma nostalgia diferente.
Seu coração batia rápido. Corava sem perceber.
- Ah! Perdoe-me! É que eu...
- Estava dormindo não é? Descculpe-me! É que Claire resolveu passear de
moto, e eu pedi que ela me deixasse aqui. Senti saudades de você, de
repente. Mas por favor, me perdoe, acho que foi inoportuno!
Você me trata como se eu fosse uma princesa,
Não estou acostumada a gostar disso.
Jill
mal o reconhecera. Sinceramente, não parecia o mesmo. O que será que
tinha ocorrido para tamanha felicidade. Estava tão dócil...
- Me perdoe Jill. – Chris corava ao tentar não olhar para sua amiga, com aquela camisola tão chamativa...
- Ah! Não esquenta! Vamos entre!
Chris adentrara a casa de sua amiga, com uma sacola em mãos.
- Espere aqui que eu vou me trocar. Fique a vontade!
Alguns minutos depois, Jill adentrara o que parecia ser uma
sala/cozinha ao mesmo tempo. Como era um apartamento, tinha que
revezar. Até por que morava sozinha. E não eram necessários tantos
luxos. A moça trajava uma blusa de alça fina branca. E uma calça larga
com listras nas laterais. Estava bem à vontade. Não precisava de
cerimônia...
O rapaz notou a presença de sua ex-companheira
chegando perto de si. Franziu o cenho. Mesmo em roupas largas, Jill
estava linda. Quanto mais ela chegava perto dele, ele tentava disfarçar
suas observações.
- Já tomou café da manhã Jill? – ele bradava
enquanto disfarçava, posicionando seus olhares para analisar cada canto
daquele apartamento provisório.
- Ah, agora que tocou no assunto... Não!
- Ainda bem!
- Ainda bem? – questionou Jill.
- Sim, pois eu trouxe algumas coisas para ttomarmos café juntos. Eu
estava morrendo de fome. Daí eu pensei em compartilhar um desjejum
contigo nesta linda manhã.
- Ora ora... –
balbuciou a moça com ironia, tentando disfarçar sua
surpresa – Chris, eu não conhecia esse seu lado.
- É eu parei de fumar.
Os
dois puseram-se a rir descaradamente um da cara do outro. A espécie de
nostalgia tomou conta de Jill ao lado de um notório bem estar. Ela não
sabia distinguir aquele sentimento. Quando reparou bem, notou que quase
sempre quando se lembrava de Chris, um frio estranho passava por sua
barriga. E seu coração batia forte. Sentia-se uma adolescente novamente.
Os
dois velhos “amigos” rumaram para as pequeninas poltronas posicionadas
perto de uma bancada, onde do outro lado permanecia um pequeno fogão e
uma pequena pia limpa. Apesar de ser demasiadamente pequeno o espaço,
Jill sabia aproveitar e dar toques de conforto naquele lugar. Ambos
comeram a vontade. Deram risada. Lembraram de velhos momentos. Pareciam
que tinham se encontrado pela primeira vez... Atenciosos como nunca um
para com o outro.
Você pergunta como foi meu dia...
Depois de algumas horas de
muita conversa, Chris decidira ir embora. Antes de pisar os pés
para fora do apê de sua amiga...
- Jill! Chris virou-se subitamente enquanto se dirigia para a saída – Bem, quer sair hoje à noite?
Jill corou mais uma vez.
- É que Claire comprou três inngressos para uma convenção de motos para
hoje à noite. Dois para mim e ela, e o outro para um amigo dela. Mas
ela me disse que esse tal amigo não irá mais. Então...
A moça não esperava exatamente isso. Mas sorriu gentilmente.
- Tudo bem. Eu não tenho nada para hoje à noite. Irei! Aonde nos encontramos?
- Eu passo aqui, às 19h00min. Tudo bem? – retrucou Chris alegre como nunca.
- Sim claro. Chris, obrigada pelo café agradável.
Chris sorriu vitorioso. Dera os ombros. Franziu o cenho.
- Eu que agradeço!
Os dois riram. Acenaram. A porta se fechou...
A moça encontrou-se a porta assim que a fechou. Deslizou com os ombros. Pôs as mãos entre os cabelos. “Ele nem ao menos tocara no assunto de anos atrás..." Essa atitude deixara Jill extremamente confusa. “Não pode ser”...
Você já me conquistou mesmo contra a minha vontade,
E não fique surpreso se eu virar de cabeça pra baixo,
E não fique surpreso se eu te amar por tudo que você é.
Eu não pude evitar,
É tudo culpa sua...
Anoiteceu.
A lua estava branda. Brilhante. A senhorita Valentine estava linda. A
blusa de renda, de cor preta, pouco chamativa. Uma saia preta, de
comprimento até a metade de suas coxas. Aos pés, uma sandália preta
cheia de detalhes de florzinhas brilhantes encravadas. Mesmo com o look
simples, a moça estava linda. Sendo sincera consigo mesma, a própria
não sabia muito bem o que vestir para ir a uma convenção de motos. A
maquiagem puramente leve ressaltava sua pele macia e limpa. Ela já
estava pronta.
Pensava se chamaria a atenção de Chris... O relógio marcava dezenove horas.
Toc, toc.
Só
podia ser ele. Pontual como nunca. Jill desta vez correu para a porta
de seu apê. Abriu a porta afobada. Não tinha dúvidas. Lá estava ele.
Com a mesma jaqueta daquele dia chuvoso...
- Pronta? – Chris quebrou os flashbacks de sua amiga antes mesmo que eles tomassem conta da mente dela.
O
rapaz estava admirado. Desejava Jill mais do que nunca. Mas não podia
pensar no momento em seu amor contido. Abriu um sorriso sem graça no
rosto.
- Vamos!
Curto. Rápido. Ambos se admiravam. Jill mais do
que nunca. Haviam passado anos para Jill pensar no que sentia. E agora
que ele estava bem ao seu lado, estava se tornando “concreto”.
Seu amor é consistente. Me engoliu inteira
Quase
uma hora depois, chegaram ao local do evento. O exato momento estava
havendo uma demonstração de motos. Motoqueiros profissionais se exibiam
em uma pista fechada. No meio dos que admiravam as acrobacias feitas no
veiculo, pôde-se notar logo uma garota de cabelos longos, castanhos, de
blusa de alcinha... Linda. Era uma das poucas mulheres que admiravam
tal trabalho no meio daquela multidão dominada praticamente apenas por
homens.
Claire Redfield havia mudado.
Estava linda como nunca. Os cabelos, enormes, os olhos destacavam uma
maturidade incomparável.
Seu irmão, que havia acabado de chegar, notou-a logo de cara. Foi atrás dela. Jill o seguiu.
Quando
os irmãos se encontraram, se abraçaram. Isso era comum entre eles. O
amo fraterno, e ainda tudo pelo que passaram... Era mais do que comum
tamanho carinho. Jill os observava de certa distancia. O irmão coruja,
logo após o abraço, tirou sua jaqueta e colocou sobre os ombros de sua
irmã. Fora meio como um sermão. Mas Valentine não prestou atenção
nisso...
Você é muito mais forte do que eu pensava,
Isso não é da boca pra fora...
Parecia que Chris tinha intensificado seus treinamentos durante o tempo que não se viram. Estava muito musculoso.
Além
disso, seu sentimento em relação familiar, também parecia ter ficado
mais forte. Mais do que nunca, desde sua última conversa com o
companheiro... Parecia que a relação entre os irmãos tinha se
fortalecido ainda mais. “Admirável...”, pensava a moça com um sorriso estampado, observando os Redfield.
Você é o portador de coisas incondicionais
O
evento continuou. Durante as atrações, os irmãos e Jill conversavam em
um clima agradável. Riram muito. Viram muito. Curtiram até a festinha
de comemoração do lançamento de um novo modelo de moto. E claro,
Claire, não deixou de tirar muitas fotos daquela memorável noite.
Quando a lua começou a sumir na branda noite cheia de estrelas alinhadas...
- Chris, eu acho que está na hora de eu ir para casa. E parece que logo o evento termina. – indagou Valentine.
Claire olhou em seu relógio de pulso. Eram exatamente 23h03mim.
- É mesmo Chris. Eu tenho trabalho aamanhã. É melhor irmos embora. E o
melhor do evento já passou. Eu particularmente queria ver mais
exibições de motos...
Chris pôs-se a rir descontroladamente.
As
garotas não entenderam nada. Levantaram-se... Rumaram para casa. Chris,
como um prefeito cavalheiro, ofereceu-se para levar Jill até seu apê.
Claire seguiu seu rumo de moto para casa. Deixara claro que esperaria o
irmão em casa.
Durante o caminho Jill e Chris conversaram muito. Mas nenhum dos dois deu iniciativa alguma sobre aquele assunto...
Os
minutos passavam. No céu, as nuvens juntavam-se alegando uma chuva das
fortes. Os relâmpagos de minuto em minuto mostravam-se com impacto. E o
que fora uma brisa mais cedo, tornara-se forte, como um sopro dos
deuses... Chris pestanejou. Resmungou e pediu desculpas à senhorita
Valentine por não ter um carro para levá-la em segurança até sua
residência.
- Imagina! Bem eu...
Jill murmurou baixinho.
Sussurrou consigo mesma, que o que mais gostou foi à companhia do homem
bem ao seu lado. Foi tão baixo que ninguém escutou. Só o coração
dela... “Chris”.
Estavam chegando ao prédio. Logo Valentine
estaria em casa... A chuva começou a cair. Muitas perguntas rodeavam as
cabeças de ambos. Um esperava do outro. Em especial Chris, que, já
tinha feito sua parte, há muito tempo atrás. Ele esperava uma resposta
de Jill desde aquele dia... As memórias voltavam uma vez mais. Desta
vez, para Chris. Os flashbacks tomaram conta dele enquanto ele
caminhava ao lado de Jill.
- Chris... – Jill ficou sem reação quando seu amigo lhe revelara seus verdadeiros sentimentos.
Ela
abaixou a cabeça. Não tinha face para encará-lo. Não naquele momento. E
ele, ex-atirador dos S.T.A.R.S. percebera o constrangimento cujo
deixara Valentine.
- Por favor, não se limite a me dar uma
resposta. – ele indagou, tentando melhorar a situação – Eu só não pude
evitar. Meus sentimentos são verdadeiros. Isso eu garanto.
Jill olhou fundo nos olhos de seu amigo, rente a ela, ha apenas alguns metros de distancia.
- Chris!!
A
voz firme e decidida de Jill fizera o dito cujo despertar da espécie de
transe o qual Chris caíra lembrando-se daquele dia chuvoso. Chuvoso tal
qual o atual.
- Chris!!
Novamente Jill bradava. Quando ele a
olhou, esta apontava para o prédio onde morava. A chuva caía sem dó dos
que permaneciam sob ela. Na rua, nenhuma alma viva. A chuva, pura...
Pura como aquele sentimento tão cobiçado. O sentimento que tanto
confundia aqueles dois jovens.
Eles correram. Tentaram correr no
intuito de não se molhar tanto, mas foi inevitável. Chegaram. A
cobertura da entrada os salvou da chuva. Um prédio simples, de dois
andares. O dono alugava alguns cômodos em determinados andares
geralmente para estudantes de outra cidade. Às vezes o dono abria
exceções, para moradias de curta estadia, como no caso de Jill que
morava logo no primeiro andar.
Jill estava em casa. Enquanto
caminhava toda molhada, ao lado de seu amigo, este último toou sua
frente. Caminhou “abrindo-lhe caminho”.
Você segurou a respiração e a porta para mim.
Foi
então que a moça percebeu que tinha que dar uma resposta para seu
amigo. Já se passaram anos. Era uma postura de confusão o que ela
fazia. Talvez ele estivesse esperando sua resposta. “Como sou tola...”
pensava profundamente.
Obrigada pela sua paciência...
Chris
mal a deixara na porta de seu “apê” e decidiu ir embora. Jill sentiu um
aperto no coração. Lá estava ele. Prestes a ir embora. Novamente todo
molhado pela chuva. Novamente sem resposta. Mas desta vez... Valentine
tinha uma resposta entalada. Ela pensou. Viveu muitas coisas. Esperou
por ele.
Redfield abraçou-a. Despediu-se rapidamente. Ela mal teve
tempo de apreciar aquele abraço. Mas a irmã dele o esperava. Ele
realmente não podia demorar...
- Obrigada por me deixar em casa...
- Ah, não foi nada demais. Eu meio que te devia isso. Afinal você aceitou meu convite.
A moça sorriu como nunca. Chris sempre estivera ao seu lado. Sempre.
Você é o melhor ouvinte que eu já conheci.
Você é o meu melhor amigo,
Melhor amigo com vantagens.
- Bem, eu devo ir. Claire me
aguarda. – dizia ele meio desapontado, acenando para a
moça de preto. – Até mais Jill.
Chris
Redfield estava indo embora. Virou as costas. Enquanto que Jill
Valentine ficou intacta. Um grito queria sair de sua boca. Ela queria
retribuir a todos aqueles carinhos. Queria retribuir os sentimentos.
O que me fez demorar tanto?
Ele
estava tão galante como nunca. Molhado pela chuva pura. E indo embora.
Ele já descia as escadas. Virou o corredor. E ela... Permanecia
intacta. “O que estou esperando?” auto questionava-se.
Chris
caminhava com as mãos nos bolsos. A chuva não dava descanso, mas ele
não podia deixar sua irmã esperando. Não mesmo. Estava meio
desapontado. Esperava uma resposta de sua enamorada. Mas não recebeu
nada. Enquanto lembrava-se do quão divertida fora a noite, sorriu. “Ela estava tão linda”.
Redfield saiu do prédio. Assim que colocou o pé alguns centímetros a
frente da cobertura da entrada... A chuva o irrigou por completo. Chris
até gostou da chuva. Estava gostosa. Mas ele continuou a caminhar.
- Chris!!!!
Alguém gritara seu nome. Gritara com pressão, com tanto desejo que ele mesmo sentiu.
- CHRIS REDFIELD!!!!!
Parecia mais uma intimação. O invocado virou-se sem cerimônias. Ainda
com as mãos nos bolsos, arregalou os olhos. Uma felicidade estonteante
percorreu por todo seu corpo naquele instante. Pelo jeito que Jill
corria desgarrada, em sua direção, no meio daquela chuva... Ele só
sentia que não importasse como, receberia sua resposta.
- Jill!
- Eu... Eu... - ela corria, e ofegante, tentava falar – Preciso te falar...
- Não é melhor irmos para...
- Não! Eu – ela respirou fundo... – Eu preciso te falar isso agora, antes que suma a coragem.
Chris
consentiu. Sorria. Aproximou-se dela. E ela... Jill respirou fundo mais
uma vez. A chuva incrivelmente deixava-a ainda mais bonita. As íris
azuis, fixas, fitando Redfield.
- Você me conquistou Chris. Mesmo
contra a minha vontade. – ela não desgrudava os olhos do amigo perante
ela, que neste momento estava surpreso - Por favor, não fique surpreso
se eu virar de cabeça pra baixo. Sentimentos são confusos. Eu demorei
muito para descobrir e entender os meus. E o mais importante... – ela
deu uma pausa e cerrou os olhos, e após alguns segundos, abriu-os com
um brilho nunca visto antes por ninguém - Não fique surpreso se eu te
amar por tudo que você é. Eu não pude evitar. E isso é tudo culpa sua...
Uma
espécie de alívio irradiou no coração de Jill. Ela foi sincera até o
último instante. Chris permanecia com a cabeça para baixo. A chuva
caía...
- Jill.
Palavras minuciosas foram proferidas por Chris, que ainda permanecia de cabeça baixa.
- É melhor você
entrar e pegar um guarda-chuva. – Chris falava seco e direto
– Não quero vê-la resfriada.
Aquelas palavras entraram na
mente da moça, como um bloco de cimento que desprega e despenca.
Não esperava tamanha reação dele. “Eu realmente demorei muito...”.
Jill até aceitou o fato. Sorriu. Os olhos começaram a ficar marejados.
A chuva com certeza a camuflaria. Mas no fundo... Talvez não
importasse. Ela o respondera. Talvez fosse normal a reação dele.
Afinal, a resposta demorou anos...
Jill consentiu diante da resposta
de sua paixão. Abaixou a cabeça. E quando se virou para entrar, como se
aquilo fosse um sublime adeus... Mãos frias tocaram seus ombros.
- Espere... – sussurrou Chris.
Jill não se virou para encará-lo. Não tinha nem como... Mas escutou-o.
- Eu não irei agüentar até que você volte!
Chris
puxou forte sua amada, forçando-a se virar para ele. A confusão deixou
Jill sem reação. E quando ela menos notou... Estava nos braços de Chris.
- Eu esperei esta resposta por anos... – sussurrava ele no ouvida dela.
- Me desculpe.
- Não se desculpe.
Ambos
desgarraram-se um do outro. Eles se olharam por alguns instantes. Nem
notaram que a chuva cessava aos poucos... Mas mesmo que cessasse por
completo, um longo, demorado e ardente beijo selou aqueles dois,
através de um sentimento confuso, e ao mesmo tempo límpido.
Chris, nunca se sentiu tão feliz.
E Jill...
Eu nunca havia me sentindo tão bem assim,
Eu nunca quis algo racional.
Sei disso agora.
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