
Prólogo
Julho
de 1998. Estranhos assassinatos com mutilações começam a ocorrer nas redondezas
de Raccoon City e uma unidade do S.T.A.R.S. (Special Tatics And Rescue Service)
é acionada para investigar o que está acontecendo. Uma primeira equipe parte
para a floresta de Raccoon em busca de respostas, o Bravo Team, mas o contato
com seus integrantes é perdido. É enviada então a elite do grupo, o Alpha Team,
com a missão de encontrar os companheiros e descobrir o que está havendo na
floresta.
Todos
já conhecem essa história. Ela inicia uma das maiores tramas de terror e ficção
científica já criada, uma saga envolvente que começou nos videogames, passou
para os livros e hoje já brilha na tela dos cinemas. Mas a pergunta é esta: e
se as coisas tivessem ocorrido de uma maneira diferente no início da trama?
Este
é o propósito desta fanfic, que é uma
espécie de nova versão “Director’s Cut”
da história. Haverá muitas surpresas, e preparem-se
também para um desfecho incrível.
Como Einstein disse, “tudo é relativo”. Portanto,
vamos ver como seria a
primeira etapa da série Resident Evil se algumas coisas tivessem
acontecido e
outras não...
Capítulo 1
Surpresa na floresta.
O
helicóptero do Alpha Team estava sobrevoando a floresta de Raccoon há quase uma
hora, em busca dos companheiros misteriosamente desaparecidos do Bravo Team. Sobre
as montanhas tudo era escuridão, enquanto as luzes da aeronave dos S.T.A.R.S.
iluminavam uma vasta clareira entre as árvores. O Alpha Team, que havia sido enviado
para a missão de resgate após ordens diretas de Brian Irons, chefe do R.P.D.
(Raccoon Police Department), era composto pelo capitão Albert Wesker, um líder
aparentemente capaz e que nunca tirava seus óculos escuros; Chris Redfield,
recém-chegado da Força Aérea e ótimo atirador; Jill Valentine, bela jovem
especialista em máquinas e infiltrações furtivas; Barry Burton, mais velho do
grupo, pai de duas filhas e colecionador de armas; Joseph Frost, atirador de
elite que viera da SWAT de Los Angeles; e Brad Vickers, piloto da equipe,
conhecido como “coração de galinha” devido a sua conhecida falta de coragem.
Era
a segunda vez que o helicóptero passava por aquela clareira, devido a uma ordem
de Wesker, que fez Brad guiar a aeronave de volta para lá. O desanimado piloto
balançava negativamente a cabeça enquanto constatava que não havia nada ali. Chris,
com uma pistola Beretta em mãos, começou a fitar os companheiros: Joseph, após
colocar munição sua espingarda calibre 12, amarrava um lenço na cabeça. Barry manuseava
seu revólver Magnum, enquanto Wesker olhava impacientemente através de uma das
janelas, procurando por algo que levasse até o Bravo Team. Ele fora nomeado
capitão do S.T.A.R.S. em Raccoon há poucos meses, mas já demonstrava ser um
líder experiente e preocupado com os companheiros de equipe. Havia apenas uma
coisa estranha sobre Wesker: nada constava em sua ficha sobre seu passado.
Todos na equipe tinham uma história de vida até chegarem aos S.T.A.R.S., mas a
de Wesker era um verdadeiro mistério. Ninguém se preocupava com isso, exceto
Chris. Este achava que o capitão havia sido algum agente do governo, NSA ou CIA
talvez, por isso a névoa sobre seu passado.
E,
subitamente, os olhos de Chris ganharam os de Jill. Esta, sempre bela, fitou
brevemente Redfield e depois desviou o olhar. Ela era linda. Chris havia se
interessado por ela desde o primeiro encontro no R.P.D., e desde então haviam
se tornado grandes amigos. Ela, como sempre, usava sua boina azul da sorte,
presente do pai, e também segurava uma Beretta. Talvez Chris a pedisse em
namoro após aquela missão. Ele sentia que o que havia entre eles era mais que
amizade, e talvez Jill pensasse o mesmo...
Nisso,
o olhar de Valentine ganhou novamente os olhos de Chris, e desta vez ela abriu
um sorriso. Redfield respondeu com outro, e quando a jovem desviou o olhar e
fitou uma das janelas, exclamou:
–
Olhe, Chris!
Chris levantou-se e se
aproximou para ver. Havia um rastro de fumaça no centro da clareira, e parecia
haver algo como um helicóptero lá embaixo.
Wesker e Barry também viram
a fumaça através de outra janela. O capitão imediatamente disse a Brad:
–
Encontramos,
Vickers! Vamos pousar!
O piloto resmungou algo e
começou a direcionar a aeronave na direção da provável localização do Bravo
Team.
Enquanto fitava a fumaça,
Chris lembrou-se de tudo que havia ocorrido na cidade. Os assassinatos, as
mutilações. Tudo aquilo era horripilante. Recentemente uma família inteira
havia sido encontrada morta em sua casa, com traços de canibalismo nos corpos.
O responsável por aquilo tinha que ser punido o quanto antes, ou mais inocentes
poderiam pagar com a vida...
E o helicóptero pousou a
poucos metros da origem da fumaça. O primeiro a sair foi Wesker, armado com uma
pistola Desert Eagle. Depois foi Barry, com sua fiel Magnum, Jill, armada com a
Beretta e ajeitando o cabelo, Chris, olhando apreensivo ao redor, e Joseph,
engatilhando a calibre 12.
Os cinco foram caminhando
na direção da fumaça, cruzando o mato alto, e a marcha tornou-se mais rápida
logo que Wesker viu que era o helicóptero do Bravo Team. Tudo era névoa e
incerteza. Rapidamente todos correram até a aeronave, que foi brevemente
averiguada por Wesker e Barry. Não havia ninguém dentro.
–
Isso é estranho!
– exclamou o capitão. – Quase todo o equipamento ainda está aí!
Medo e apreensão. Todos
estavam preocupados com o Bravo Team. O que poderia ter acontecido?
Wesker virou-se, deu alguns
passos em círculo e exclamou, impaciente, enquanto o vento batia em seu rosto:
–
Façam uma busca
ao redor! Deve haver algum motivo para eles terem desaparecido assim!
Todos obedeceram, seguindo cada
um por uma direção distinta no matagal. Chris ficou próximo a Jill, arriscando
olhar para seu rosto, mas não era o momento certo para flertar. Aquilo era uma
situação de tensão e os amigos do Bravo Team poderiam estar em perigo.
Olhando para outro lado,
Chris viu Wesker e Barry conversando algo baixinho. Conforme o capitão falava,
a face de Burton parecia ficar mais séria e abatida, e Wesker aparentava certo
nervosismo. Talvez não houvesse esperança de encontrar os integrantes do Bravo
Team vivos. Chris temeu encontrar seus amigos no mesmo estado dos cadáveres
mutilados.
Enquanto isso, Joseph ia
andando com cautela, olhando para os lados e para o denso matagal, até que uma
de suas botas tocou algo diferente. O atirador de elite abaixou-se para
averiguar, e conseguiu ver uma Beretta entre a vegetação.
–
Hei! – gritou
ele. – Venham até aqui!
Os demais foram se
aproximando, enquanto Joseph apanhava o achado. Porém, para seu espanto, a arma
estava sendo presa fortemente por uma mão, e logo Frost viu que era um
companheiro caído quem a segurava.
Seu estado era lastimável.
Havia inúmeros ferimentos pelo corpo, pareciam mordidas de um animal selvagem.
O rosto também estava deformado, sem um dos olhos. Joseph desesperou-se ao
reconhecer o integrante do Bravo Team:
–
Eddie!
Aquele era Edward Dewey,
piloto do Bravo Team. Morto.
Impressionado, Joseph
levantou-se e recuou alguns passos na direção dos companheiros que vinham em
sua direção, até que ouviu um gemido.
–
Quê? – estranhou.
Frost virou-se na direção
do som e constatou que vinha de Edward. Ele estava vivo, apesar de toda aquela
carnificina. O piloto do Bravo Team emitiu mais um gemido, agora mais longo, e
começou a se levantar vagarosamente.
–
Meu Deus, é o
Edward! – exclamou Barry, reconhecendo o rosto deformado.
–
Mas como ele pode
estar vivo? – indagou Chris. – Olhem só para ele!
Já de pé, o mutilado Dewey
começou a caminhar lentamente na direção de Joseph, o mais próximo dos cinco. Quando
estava bem perto de Frost, Edward ergueu os braços como um sonâmbulo e mordeu
um dos ombros do rapaz com violência, fazendo jorrar sangue.
–
Ah!
–
Ele está louco! –
gritou Wesker. – Atirem nele!
A Beretta de Chris agiu.
Três disparos e Edward tombou, enquanto Joseph segurava com uma das mãos o
ombro ferido, que sangrava intensamente.
–
Meu Deus, parecia
uma mordida de leão! – exclamou Frost.
–
Mas o que está
acontecendo aqui afinal de contas? – perguntou Jill, confusa.
–
Não sei, mas
temos que voltar para o helicóptero para cuidar do ferimento de Joseph, está
sangrando muito! – disse Chris.
Os cinco começaram a voltar
na direção do helicóptero do Bravo Team, quando um novo gemido ecoou pelo
matagal. Todos olharam temerosos para trás, e viram Edward novamente de pé a
poucos metros de distância.
–
Mas como? –
gritou Barry.
Súbito, algo saltou de
dentro do matagal e abocanhou o pescoço de Dewey. Parecia ser um lobo ou coisa
assim, quando outro também surgiu e começou a mastigar o abdômen do piloto.
–
Que são essas
coisas? – indaga Jill.
Surge então uma terceira
criatura, que se aproxima dos S.T.A.R.S., possibilitando que estes a observem
com maior nitidez. Era um cachorro, da raça dobermann, mas não tinha pele.
Estava cego de um dos olhos. De seus músculos expostos escorria sangue,
enquanto parava na frente dos integrantes do Alpha Team e rosnava, exibindo os
afiados dentes.
–
Corram! – gritou
Wesker.
O capitão, seguido por
Barry, Jill e Chris, que seguia mais lentamente enquanto amparava Joseph com um
dos braços ajudando-o a correr, começaram a fugir daquelas coisas clareira
adentro. As armas agiam ferozes, enquanto os outros dois estranhos cães que
devoravam Edward também se juntavam ao primeiro. De repente, o som de hélices
girando invade a clareira, e um helicóptero sobrevoa os cinco S.T.A.R.S., desesperados.
Era Brad, estava fugindo.
–
Não, não vá! –
grita Chris.
–
Maldito
covarde... – murmura Joseph, cuspindo sangue. – Se sair desta vou acabar com a
raça dele!
A perseguição continuava.
Barry conseguiu acertar um dos cães com sua Magnum, explodindo sua cabeça. Mas
havia mais dois, que, apesar de atingidos pelos disparos, não desistiriam tão
facilmente.
Até que, após mais alguns
metros, Chris avista algo e, esperançoso, grita:
–
Venha, Jill!
Vamos correr para aquela casa!
A fachada de uma grande
casa foi surgindo na frente deles, na verdade era uma mansão. Wesker chegou
primeiro e, rapidamente, abriu uma pesada porta de madeira, por sorte
destrancada. Sem demora os demais também entraram, sendo que Chris o fez por
último, trazendo o incapacitado Joseph.
Wesker fechou a porta com
violência, deixando os estranhos cães para trás. A atenção de todos voltou-se,
então, para o lugar onde estavam. Era um grandioso e bonito hall, com uma
grande escada que levava ao andar superior. À esquerda dela havia uma
porta-dupla de madeira e à direita, uma dupla azul e outra de madeira. Havia
também portas no andar superior, mas seria preciso vencer os degraus para dizer
exatamente quantas eram. Todos admiravam a grandeza do lugar, enquanto Joseph,
sofrendo com o ferimento, sentava-se no chão.
–
Que lugar é este?
– perguntou Barry por fim, olhando para a escada que levava ao segundo andar.
Capítulo 2
A mansão.
De
repente, um tiro.
–
Que foi isso? –
exclama Jill. – Veio daquela porta da esquerda!
–
Talvez seja
alguém da outra equipe... – murmura Wesker.
Segue-se um instante de
silêncio.
–
Jill, você pode
ir averiguar o que é? – pergunta o capitão.
–
Eu vou com ela! –
diz Barry. – Não quero que os outros terminem como o Eddie!
–
OK. Chris, entre
com Joseph por aquela porta azul! Ele precisa de cuidados médicos!
–
Sim, capitão! –
responde Redfield, amparando novamente o companheiro com seu corpo.
–
Eu ficarei aqui
de guarda, caso aquelas coisas consigam entrar!
Os dois grupos, então,
seguiram cada um por um lado. Jill e Barry caminharam até a porta-dupla à
esquerda da escada e Chris, ajudando Joseph, que caminhava com dificuldade,
seguiu pela azul da direita.
–
Chris! – exclama
Jill, já com a mão numa das maçanetas da porta.
–
Sim? – indaga o
rapaz, voltando a cabeça para a amiga.
–
Tomem cuidado!
O jovem responde com um
sorrisinho e abre a porta azul, entrando junto com Joseph, enquanto Jill e
Barry também seguem seu caminho. Apenas Wesker permanece no grande hall, braços
cruzados, pensativo.
Logo que Barry fecha a
porta, admira junto com Jill a bela sala de jantar. No centro há uma mesa com
várias cadeiras, bonitos quadros na parede direita e janelas na esquerda, uma
lareira na extremidade oposta e uma porta perto desta, à direita. Havia uma
parte da sala no andar superior, mas era difícil conseguir ver se havia alguém
ou algo lá em cima.
–
Uma sala de
jantar! – diz Barry, percorrendo o cômodo na direção da lareira.
Jill segue Burton, pensando
em tudo que ocorrera do lado de fora. Por que Edward havia atacado Joseph
daquela maneira? O que estaria havendo afinal?
A integrante do S.T.A.R.S.
sai de seus pensamentos quando Barry, abaixado perto da lareira, exclama:
–
Jill, venha até
aqui!
Valentine segue a passos
rápidos na direção do colega, e vê que ele examina uma poça de sangue no chão.
–
Sangue! – murmura
Barry. – Espero que não seja de nenhum companheiro...
Nisso, Jill vê que há um
papel todo manchado de vermelho no meio da poça do líquido, e ele possuía o
carimbo do R.P.D., assim como a assinatura de Brian Irons. Ela o apanha, lendo
para si mesma o que estava escrito:
Ordens ao Bravo Team do S.T.A.R.S. (Special Tatics And
Rescue Service), unidade de Raccoon City, Califórnia:
1.
Fazer um reconhecimento preciso de toda a floresta de
Raccoon, principalmente nas áreas onde ocorreram os homicídios, em busca de
provas e suspeitos.
2.
Evacuar qualquer civil que esteja além do cordão de
isolamento na região, e interrogar qualquer um que seja encontrado no
perímetro.
3.
Fazer um relatório sobre os resultados da operação que
deverá ser entregue ao chefe de polícia Brian Irons até o dia 27/7.
Deve-se ressaltar que existe na floresta uma
propriedade pertencente a Umbrella Inc., e que não fomos autorizados a transpor
seus limites. Caso algum incidente ocorra dentro dessa propriedade, qualquer
envolvimento do R.P.D. será negado.
Caso o Bravo Team perca contato com o R.P.D. ou
necessite de assistência, o Alpha Team será enviado.
Brian Irons, chefe do R.P.D. (Raccoon Police Department),
25 de julho de 1998.
–
Temo que esse
sangue seja de alguém do Bravo Team! – diz Jill, preocupada, entregando o papel
a Barry. – Veja isto!
Burton apanha o papel e lê
as ordens rapidamente.
–
Isto deve ser do
Enrico... – murmura Barry, referindo-se ao comandante do Bravo Team. – Há uma
porta logo ali, Jill. Você não gostaria de investigar o que há depois dela?
–
Claro, Barry! Mas
não saia daqui, OK?
–
Eu não sairei,
Jill. Acho que estamos presos dentro desta casa!
Jill deu uma risadinha sem
graça de preocupação e seguiu pela porta perto da lareira, enquanto Barry
continuava examinando o sangue.
A jovem ganhou um extenso
corredor com varias portas à direita e uma pequena salinha à esquerda. Enquanto
ela se decidia para onde ir, um estranho cheiro chegou às suas narinas. Era um
odor podre, desses que sentimos quando estamos perto de um cadáver de animal já
em decomposição. Depois do cheiro veio um estranho som de mastigação, e tanto o
odor quanto o barulho vinham da salinha.
Jill, intrigada, caminhou
até o fim do corredor e viu uma cena grotesca.
De frente para um sofá,
sobre um tapete no chão, havia um cadáver todo mordido e ensangüentado,
vestindo desfigurado uniforme do S.T.A.R.S., tendo a cabeça separada do corpo.
Na face deformada havia uma enorme expressão de horror, e logo Jill reconheceu
quem era: Kenneth, do Bravo Team.
Mas isso não era o pior.
Havia alguém abaixado ao lado do corpo, de costas para Jill, também usando
uniforme do S.T.A.R.S., com vários ferimentos e até ossos expostos. Tinha
longos cabelos e o barulho levava a crer que estava devorando o cadáver de
Kenneth.
–
Mas o quê? –
grita Jill, apavorada.
O S.T.A.R.S. que mastiga o
corpo do integrante do Bravo Team vira a face pálida e deformada na direção de
Jill, com um pedaço de carne nos lábios. Aquele era Forest Speyer, também do
Bravo Team.
–
Forest?
O rapaz levanta-se e começa
a caminhar na direção de Jill, erguendo os braços em sua direção assim como
fizera Edward.
–
Forest, pare! –
exclamou a desesperada jovem, enquanto recuava pelo corredor apontando a
Beretta para o amigo.
E a arma disparou. Uma,
duas vezes. Mas Forest não caía. Parecia não ser afetado em nada pelos tiros.
Encurralada, Jill cruzou a
porta de volta para a sala de jantar, zonza de tanto pavor, correndo
desnorteada na direção de Burton, que ainda examina o sangue perto da lareira.
–
Barry... –
suspira Valentine, trêmula.
Segue-se o som da porta que
Jill acabara de cruzar abrindo-se novamente. Surge a figura de Forest, toda
deformada, caminhando como um sonâmbulo na direção dos S.T.A.R.S., enquanto
solta um gemido.
–
Meu Deus, é o
Forest! – grita Barry, apontando sua Magnum.
–
Ele estava
devorando o Kenneth, Barry! Está no mesmo estado do Edward!
–
Pare já, Forest!
Mas o membro do Bravo Team
não obedecia. Já não era humano.
–
Para trás, Jill!
Ele enlouqueceu!
Dizendo isso, Barry
disparou, fazendo com que parte da cabeça de Forest explodisse. O corpo veio ao
chão sobre a poça vermelha perto da lareira, fazendo com que ficasse maior
devido ao seu sangue. Agora os dois S.T.A.R.S. fitavam o cadáver com espanto,
enquanto Barry perguntava:
–
Você disse que
ele estava devorando o Kenneth?
–
Sim! Ele estava
mastigando a carne dele! Foi horrível, Barry! Que diabos está acontecendo,
afinal? Primeiro o Edward morde o Joseph e é esquartejado por aqueles cães
estranhos, e agora isso!
–
Parece que há
mesmo um surto de canibalismo em Raccoon, e nossos companheiros são as mais
novas vítimas...
Barry colocou mais munição
na Magnum e disse:
–
Venha, vamos
relatar isso ao Wesker!
Começaram, então, a
caminhar de volta para o hall, apreensivos.
–
Agüente firme,
amigo!
Chris disse isso após
ajudar Joseph a sentar-se encostado a uma das paredes da escura sala. No centro
havia a estátua de uma mulher segurando um jarro, e Redfield viu que havia algo
dentro dele, parecia um pergaminho ou coisa assim. No cômodo, além da porta
azul que levava ao hall, havia duas outras entradas, uma delas apenas uma divisão
da sala bloqueada por um pequeno móvel, adornada com uma cortina vermelha.
O rapaz viu que havia
também uma pequena escadinha de madeira, tendo uma idéia. Ele a empurrou para
perto da estátua e, subindo pelos degraus, apanhou o pergaminho que havia
dentro do jarro da estátua. Era uma espécie de mapa, e logo concluiu que se
tratava daquele andar da mansão.
–
Encontrei um
mapa, Joseph! – exclamou Chris, examinando o papel. – Há muitas salas para
explorarmos!
–
Tomara que também
haja uma enfermaria...
Após mais alguns instantes
examinando a planta, Chris disse:
–
Há uma enfermaria
sim, mas fica do outro lado da mansão, naquele caminho pelo qual Jill e Barry
seguiram! Eu posso levá-lo até lá, Joseph!
–
Eu seria
eternamente grato, Chris... Oh!
Frost gemeu de dor. Estava
realmente sofrendo com o ferimento.
Nisso, os dois ouviram
vozes vindas do hall.
–
Vamos, Jill e
Barry já devem ter descoberto o autor do disparo!
E, auxiliando Joseph a
caminhar, voltou para o hall.
–
Wesker!
A voz grossa de Barry
ecoava por todo o hall, enquanto Jill procurava pelo capitão embaixo da escada.
Nenhum sinal dele.
–
Mas para onde ele
pode ter ido? – perguntou Valentine.
A porta azul se abre. Chris
e Joseph ganham novamente o hall, enquanto o primeiro pergunta:
–
Onde está o
Wesker?
–
É o que estamos
tentando descobrir! – responde Burton.
–
Você não sabe o
que aconteceu! – exclama Jill. – Encontramos o Forest no mesmo estado do
Edward, devorando o cadáver do Kenneth!
–
Quê? –
surpreende-se Joseph.
–
Parece que todos
enlouqueceram! Barry teve que atirar nele para que não nos atacasse!
–
Meu Deus! –
espanta-se Chris. – Forest morto, após devorar o Kenneth? Isto só pode ser um
pesadelo! E para piorar o Wesker desaparece!
–
É, parece que ele
não está mais aqui mesmo! – conclui Jill.
–
OK – diz Barry. –
Vamos nos dividir novamente! Eu vou averiguar mais algumas coisas na sala de
jantar! Jill, você pode investigar o andar superior?
–
Certo! – responde
a jovem.
–
Barry, eu
encontrei um mapa no qual está a localização de uma enfermaria! – explica
Chris. – Preciso levar o Joseph até lá!
–
OK! Leve-o até
lá! Nossa prioridade agora é procurar por sobreviventes e descobrir uma maneira
de sair desta casa! Se tivermos sorte o covarde do Brad já deve ter explicado
ao Irons o que houve, portanto talvez eles mandem mais alguém! Porém, enquanto
isso não acontece, precisaremos nos virar!
Todos ouviam com atenção,
principalmente Chris. Barry era um líder nato, talvez Irons deveria tê-lo
nomeado capitão do S.T.A.R.S. ao invés de Wesker, pois tinha mais experiência.
–
De acordo com o
mapa também é possível acessar essa enfermaria pelo segundo andar, ela fica ao
lado de uma escada! – diz Redfield. – Nós iremos por cima, assim também
estaremos investigando mais salas, além de ser mais perto!
–
OK. Vamos nos
separar então!
Barry corre e entra
novamente na sala de jantar, enquanto Jill, Chris e Joseph sobem a grande
escada na direção do andar superior. Que perigos os aguardam agora?
Capítulo 3
Uma sobrevivente.
A escada se dividia em
duas, seguindo uma para cada lado do andar superior do hall. Chris e Joseph
seguiram pela esquerda, enquanto Jill subia os degraus da direita. Na direção
tomada por Redfield e Frost havia apenas uma porta-dupla. No sentido para o
qual Valentine seguia havia uma porta a mais, no final de uma extensão do piso sobre
o andar de baixo.
Chris olhou para Jill antes
de cruzar a porta, e ela olhou para o rapaz. Ambos trocaram breves e
preocupados sorrisos, enquanto a jovem dizia:
–
Cuidado! Há algo
de muito estranho nesta casa!
–
Pode deixar!
E seguiram seu caminho.
Barry, na salinha no final
do extenso corredor, examinava o lastimável cadáver de Kenneth, comprovando o
que Jill dissera. O membro do Alpha Team apanhou um pequeno livro de capa de
couro que estava num dos bolsos da calça do rapaz, sujo de sangue. Era seu diário,
que Burton leu com atenção:
Diário de Kenneth J. Sullivan, integrante do Bravo
Team do S.T.A.R.S. de Raccoon City.
Quinta-feira, 23 de julho de 1998.
Hoje ocorreu mais um assassinato com traços de
canibalismo, no distrito de Cider. As pessoas não param de contatar o R.P.D.
pedindo informações, e a imprensa da cidade está fazendo um grande
sensacionalismo em cima desses crimes. Creio que em breve entraremos em ação.
Ficarei satisfeito, pois creio que estaremos ajudando mais se invadirmos a
floresta em busca desses psicopatas ao invés de ficar esboçando teorias na
delegacia. Estou ansioso para desvendar esse mistério.
Sexta-feira, 24 de julho de 1998.
A operação será amanhã, e os jornais já estão
anunciando. Irons quer resolver esse caso a qualquer custo, pois facilitará sua
candidatura a prefeito. Ele trata o R.P.D. como propriedade particular, e um
belo exemplo disso são as obras de arte que ele comprou para embelezar o prédio.
Fará o mesmo com Raccoon se vencer.
Flagrei o Barry conversando algo com o Wesker na sala
do S.T.A.R.S., à parte dos outros, mas não faço a mínima idéia do que possa
ser. De qualquer forma é estranho, pois desde então o velho Burton parece abatido
e desanimado. Espero que não seja nada sobre esses malditos homicídios.
Sábado, 25 de julho de 1998.
19:27:
Neste instante estou no helicóptero do Bravo Team a
caminho da floresta de Raccoon, ansioso para entrar em ação, dar um fim nesses
canibais! Todos também estão se sentindo como eu, e creio que conseguiremos
desvendar esse mistério.
19:48:
Isso é loucura! O helicóptero começou a falhar
enquanto sobrevoávamos uma clareira, e tivemos que pousar. Até aí tudo bem, mas
logo surgiram cães sedentos por sangue, e eles não tinham pele! Isso mesmo, não
tinham pele! Nós corremos para escapar do perigo, mas Edward e Kevin não
conseguiram. O pior é que deixamos todo o equipamento para trás! Por sorte,
encontramos uma luxuosa mansão, onde nos refugiamos. Deve ser a tal propriedade
da Umbrella. Agora precisamos encontrar uma rota de fuga segura!
20:06:
O grupo se dividiu, eu e Forest fomos para o segundo
andar da casa, Enrico e Richard seguiram por uma porta azul e Rebecca ficou
aguardando no hall. Mas estávamos enganados ao pensar que o perigo havia ficado
lá fora. Ao entrarmos numa varanda, um bando de corvos começou a atacar o
Forest! Eles o mutilaram, deixaram até seus ossos expostos, mas de alguma
maneira ele ainda está vivo! Encontrei um mapa revelando que há uma enfermaria
no primeiro andar, e então voltei para o hall com ele. Rebecca desapareceu, e
ouvimos alguns tiros. Preciso levá-lo até lá, Forest não pode morrer!
22:25:
Uma das portas do caminho para a enfermaria está
trancada, e Forest não está nada bem. Ele perdeu a consciência, mas ainda está
vivo. Eu o coloquei sentado num sofá numa salinha do primeiro andar, onde há um
corredor, e ali estamos há horas. Para piorar, Enrico me contatou pelo rádio
dizendo que há algo como mortos-vivos na casa. Que pesadelo é este afinal?
Hei, parece que o Forest está acordando... Tomara que
sobreviva...
Barry balançou a cabeça.
Agora entendia o que havia acontecido, auxiliado pelas explicações de Wesker.
Qualquer um ferido por aquelas coisas estaria infectado e se transformaria num
“zumbi” canibal. Joseph era o próximo. Assim como Kenneth dissera, tudo aquilo
era loucura.
Revistando outro bolso,
Burton encontrou um pente de balas. Seria útil. Depois, entrou pela última
porta do corredor, dupla, usando uma das chaves que Wesker havia lhe dado.
Na parte superior da sala
de jantar havia apenas a porta que levava de volta ao hall e uma outra no final
de uma das passarelas que circundavam o andar inferior, mais precisamente a da direita.
Chris, sempre ajudando Joseph a caminhar, seguiu por essa direção, mas logo
parou ao perceber o que havia em sua frente.
–
Quê?
O homem vestia jaleco e
possuía um crachá todo sujo de sangue e ilegível. Sua pele estava em
frangalhos, assim como Edward, e um terrível cheiro vinha de seu corpo podre. A
poucos metros de Chris e Joseph, o “morto-vivo” soltou um gemido e começou a
caminhar na direção dos dois, braços erguidos como um sonâmbulo.
–
Atire, Chris... –
pediu Joseph, com as poucas forças que tinha.
A Beretta disparou. O
primeiro tiro atingiu o tórax do zumbi, não o afetando. O segundo acertou seu
braço, e para surpresa de Chris o membro desprendeu-se do corpo jorrando
sangue, indo cair no andar inferior da sala de jantar. O terceiro disparo
atingiu a deformada testa do morto-vivo, fazendo com que viesse ao chão sobre
uma poça de sangue.
–
Mas que diabos
houve neste lugar? – exclamou Chris, extremamente confuso.
Nesse instante Redfield viu
que havia outro zumbi como aquele de pé na outra passarela, gemendo e vomitando
ácido sobre as vestes ensangüentadas. Sem demora, Chris e Joseph caminharam até
a porta no final da sala e a cruzaram.
O próximo corredor era em
formato de “U”, com uma escada no centro que levava ao andar inferior, e logo
Chris percebeu que descendo por ela atingiria seu destino. Havia outras duas
portas na extensão final do corredor, mas a prioridade era a enfermaria. E o
pior é que havia mais três daqueles mortos-vivos pelo caminho.
–
Atire na cabeça,
Chris... – murmurou Joseph, pálido, frio e cuspindo sangue. – Atire na cabeça!
Chris obedeceu, e o
primeiro daqueles zumbis, que usava terno preto e tinha parte do cérebro
exposto, tombou sobre o chão de madeira ao ser atingido entre os olhos. Um
outro logo na primeira curva do “U” olhou para Chris com seus olhos sem brilho,
vomitando ácido. O tiro da Beretta explodiu parte de sua cabeça, fazendo com
que caísse para trás.
–
Belo tiro! –
sorriu Frost.
–
Agüente mais um
pouco, cara...
Jill havia entrado pela
primeira porta à direita da escada no segundo andar do hall, e agora caminhava
por um escuro corredor. Havia uma porta à direita e o caminho fazia uma curva
para a esquerda logo em frente, e de repente Valentine sentiu cheiro de carne
podre. Em seguida, um vulto humano surgiu na curva do corredor, e logo foi
tomando forma: um homem careca vestindo jaleco de cientista, com os braços
erguidos como um sonâmbulo, corpo todo sem pele. Igual a Forest. Aquelas coisas
não eram humanas... Eram zumbis, mortos-vivos, como num filme de terror!
A integrante do S.T.A.R.S.
atirou com a Beretta, atingindo em cheio a cabeça do zumbi. Depois seguiu em
frente, virando pelo corredor e passando pelo corpo do morto-vivo, que parecia
ter convulsões no chão. Ao ver outra curva logo em frente Jill percebeu que
aquele corredor tinha formato de “U”, e que à esquerda havia uma porta-dupla de
ferro.
Valentine girou a maçaneta
e viu que estava destrancada. Ela entrou sem demora, temendo que mais daquelas
coisas aparecessem...
Foi um alívio para Chris
ver que a porta não estava trancada. Após descer as escadas ele e Joseph haviam
chegado a um corredor escuro e sem zumbis, com a entrada para a enfermaria logo
em frente. E entraram sem pensar duas vezes.
Mas logo que ganharam a
sala, um tiro passou a poucos centímetros do rosto de Chris, atingindo a
madeira da porta. Assustado, Redfield olhou para frente e viu uma jovem ruiva
lhe apontando uma Beretta, trêmula, com grande medo no rosto, testa suada.
–
Ah, me desculpe!
– exclamou ela. – Eu pensei que fosse uma daquelas coisas! Meu Deus, ele está
ferido?
Chris deitou Joseph
imediatamente sobre uma cama. Havia ali também uma mesinha com uma máquina de
escrever, uma estante com medicamentos e um baú. Acomodado no leito, Frost
pareceu ter sua dor um pouco aliviada, mas ainda estava muito mal.
–
O que aconteceu
com ele? – perguntou a jovem, que não aparentava mais que dezoito anos de
idade, examinando o atirador de elite.
–
Foi mordido pelo
Edward, o piloto do Bravo Team! – respondeu Chris, aliviado por ter conseguido
levar o colega até a enfermaria. – E você, quem é?
–
Rebecca, Rebecca
Chambers! – respondeu a garota. – Bravo Team!
–
Ah, você é aquela
novata, não? Médica?
–
Não exatamente –
respondeu Rebecca, procurando por morfina na estante de medicamentos. – Sou
perita em bioquímica! Mas você disse que o Eddie o mordeu?
–
Sim, ele foi
“zumbificado” ou coisa parecida, como todos nesta casa!
–
Eu entendo...
Acho que sou a única sobrevivente da equipe... Mas você não é do Alpha Team?
Acho que já vi você pelos corredores da delegacia!
–
Meu nome é Chris
Redfield, Alpha Team. Fomos enviados para procurar vocês!
–
Tudo foi tão
estranho... – suspirou Rebecca, preparando uma injeção de morfina. – Estávamos
sobrevoando uma clareira, quando o motor do helicóptero começou a falhar e
tivemos que pousar. Foi um vôo tão curto... Em seguida fomos atacados por lobos
ou coisa assim, Edward e Kevin ficaram para trás, e corremos para dentro desta casa,
que está cheia de mortos-vivos... Há algo de muito errado nisso tudo!
Chambers aplicou a injeção
no ombro de Joseph, dizendo:
–
É o melhor que
posso fazer por enquanto...
–
Escute, Rebecca!
Nós temos que sair desta mansão! Estou com Joseph e mais três integrantes do
Alpha Team e nos dividimos pela casa tentando encontrar uma rota de fuga
segura!
–
Eu não sou muito
experiente em combate, mas posso ajudar! Você quer que eu os auxilie?
–
Sim, claro! Mas,
escute: há muitos perigos lá fora! Fique aqui cuidando do Joseph e quando ele
estiver melhor, tentaremos encontrar uma saída! Enquanto isso eu explorarei a
casa procurando munição e pistas sobre o que aconteceu para aparecerem todos
esses monstros!
–
Sim senhor! –
sorriu Rebecca, batendo continência. – Eu farei o melhor que puder!
–
OK, então! –
disse Chris, virando-se na direção da porta. – Eu voltarei logo!
E deixou a sala.
Capítulo 4
Armadilhas e segredos.
A sala possuía várias
armaduras medievais dos dois lados da porta, lembrando os castelos
mal-assombrados dos livros de terror. Mas tudo aquilo era real, Jill tinha que
se convencer, por mais difícil que fosse.
No centro havia duas
estátuas próximas a dois ralos no chão, além de um buraco no piso com um botão
vermelho. No fundo era possível ver uma espécie de armário que continha vários
objetos atrás de um vidro, e Valentine, caminhando alguns passos, viu que entre
eles havia uma chave. Ela poderia servir para abrir as portas trancadas que
encontrasse pela casa.
Entusiasmada com o achado,
Jill correu na direção do armário, e sem perceber pisou no botão vermelho no
chão, fazendo com que a policial ouvisse o som de um mecanismo sendo acionado.
–
Quê? – estranhou
a jovem.
Em seguida veio o
aterrorizante ruído de algum tipo de gás invadindo a sala, e essa suspeita se
confirmou quando uma névoa esverdeada começou a tomar o ambiente.
Jill entrou em desespero:
imediatamente tampou o nariz e a boca com uma das mãos, enquanto seus olhos
ardiam como fogo. Ela sentiu que começava a perder os sentidos enquanto sua
visão ficava embaçada. Mas então percebeu que o vidro do armário havia sido
removido logo que a armadilha fora acionada.
Cambaleando, sem tirar a
mão do rosto, Jill caminhou até o armário e, zonza, apanhou a chave. Sua visão
agora enegrecia. Sem poder mais agüentar, caiu no chão, enquanto ouvia a porta
da sala sendo aberta. A última coisa que viu antes de desmaiar foi um vulto
humano caminhando em sua direção, e parecia vestir roupa toda branca...
Wesker entrou na sala de
estar do segundo andar e acendeu a luz. Na parede, a cabeça de alce parecia
afugentar quem entrava.
–
Espero que Barry
não me decepcione...
E, pensativo, colocou o
telegrama com as ordens que a White Umbrella havia lhe dado sobre a mesinha no
centro do cômodo. Estava preocupado, pois o caminho para o subsolo estava
trancado. Aquela maldita porta dos quatro medalhões... E o pior é que nem sabia
onde eles estavam!
Irritado, o líder do
S.T.A.R.S. deu um soco na parede. Tudo parecia estar dando errado. Primeiro o
ataque dos “Cerberus” do lado de fora. Wesker queria que todos do Alpha Team
entrassem na mansão em perfeito estado físico para lutarem contra as armas
bio-orgânicas, mas Joseph estava ferido e logo se transformaria num zumbi.
Chris o estava auxiliando, portanto logo que Frost perdesse a capacidade de pensar,
Redfield seria atacado imediatamente, ou seja, já seriam duas baixas. Restavam
Barry, o “Judas” que Wesker estava utilizando, Jill, e um ou outro provável
sobrevivente do Bravo Team. Talvez fosse o suficiente para coletar dados de
combate.
Mas, para deixar as coisas
ainda piores, havia esse problema da porta que só seria destrancada através dos
quatro medalhões. Wesker começou a pensar numa maneira de ganhar acesso ao
resto da propriedade sem revelar suas verdadeiras intenções.
–
Já sei!
Em seguida, sorrindo
insanamente, apagou a luz e deixou a sala.
Os passos de Chris faziam a
madeira ranger. Ele caminhava agora pelo escuro corredor do lado de fora da
enfermaria, olhando com desconfiança através das janelas que ocultavam o
exterior da mansão.
Pensava em Jill e nos
outros. Estariam bem? O que teria acontecido com Wesker? E Joseph, agüentaria?
Ele estava estranho demais para quem apenas levou uma mordida...
Súbito, som de vidro
quebrando, poucos metros à frente de Chris. Por reflexo o policial aponta sua Beretta
para aquela aberração: um dobermann sem pele como aqueles que haviam
estraçalhado Edward, possuindo um buraco no lugar de um dos olhos e com uma das
orelhas faltando vários pedaços, que acabara de saltar por uma das janelas.
A criatura rosna para Redfield,
que dispara. O cachorro voa para trás, fazendo espirrar sangue sobre o chão
enquanto grita. Mas ele ainda está vivo, e, levantando-se, rosna novamente para
Chris.
–
Morre, seu
maldito!
Mais um tiro, agora na
cabeça. Parte do crânio do bizarro cão explode, enquanto Chris passa por seu
corpo imóvel sobre uma poça de sangue. Mas, após dar alguns passos, mais uma
janela se quebra, agora atrás do membro do S.T.A.R.S., e mais uma fera,
rosnando, corre na direção da presa.
Chris, suando, também corre
pelo corredor, e vê que no fim deste há duas portas, uma à direita e outra logo
em frente. O policial opta pela segunda, cruzando-a sem demora e fechando-a
ainda mais rápido, deixando o cão assassino para trás.
Jill acorda confusa, com a
cabeça doendo e a visão embaçada. Aos poucos o lugar onde está toma forma, e a
jovem percebe que se encontra sentada sobre o chão de madeira de uma espécie de
dispensa ou coisa parecida. Há apenas uma porta de saída, ao lado de uma
mesinha com uma máquina de escrever. Do outro lado da pequena sala há um grande
baú, ao lado de algumas ferramentas e utensílios sobre o chão.
Valentine passa a mão pela
testa dolorida e diz, quase que por instinto:
–
Barry... Barry?
Barry provavelmente havia
sido seu salvador, tirando-a envenenada da sala, ou até mesmo Wesker ou alguém
do Bravo Team. Jill deveria ser mais cautelosa, pois poderia ter morrido e provavelmente
aquela não era a única armadilha naquela grande e misteriosa casa...
Já com os sentidos
totalmente recuperados, Jill levantou-se do chão e caminhou até a porta. Antes,
porém, checou a munição da Beretta. O pente estava no fim, mas ela tinha
munição reserva. Limitada, mas tinha. Era melhor que encontrassem logo uma rota
de fuga, ou acabariam ficando sem balas.
A maçaneta girou e a porta rangeu
com agonia, enquanto Jill ganhava uma espécie de corredor aos pés de uma
escada. Além dela havia um caminho para a esquerda, mas antes que ela pudesse
averiguar se havia mais portas, um gemido chamou sua atenção.
Era mais um daqueles
estranhos mortos-vivos, vestindo jaleco de cientista, de pé logo em sua frente,
perto do início da escada. A jovem abriu fogo, e o zumbi tombou, atingido na
cabeça. Seus miolos espirraram ao redor, inclusive sobre o uniforme de Jill e o
corrimão da escada, cujos degraus começaram a ser vencidos pela policial, após
ter averiguado que pelo outro caminho havia apenas uma porta cinza.
A escada fazia uma curva e
desembocava num outro corredor no andar superior, em forma de “U”, que seguia
tanto para a esquerda quanto para a direita. Na primeira direção, mais extensa,
havia uma porta à direita e uma curva para o mesmo lado no final, além de mais
um zumbi no caminho, de costas para Jill babando ácido. Pela direita havia uma
porta logo na curva para a esquerda, mas a maçaneta estava quebrada,
impossibilitando que fosse aberta. Havia outra no final do corredor, e já que
Jill não queria gastar mais munição no morto-vivo pelo outro caminho, resolveu
seguir por aquele rumo.
Chris entrou aliviado no
que parecia ser um dormitório. Havia deixado para trás um corredor cheio de
portas inexploradas, logo após aquele que os estranhos cães haviam invadido,
mas também conseguira esquivar-se de três mortos-vivos que se encontravam pelo
caminho. Precisava encontrar mais munição ou uma arma mais eficiente, ou
acabaria mordido como Joseph. Dessa maneira, melhor armado, poderia explorar a
casa sem maiores riscos.
Percorrendo o quarto com os
olhos, Chris viu que à direita havia uma cama e logo depois um guarda-roupa, de
frente para uma mesinha onde havia um livro de capa dura. Aproximando-se,
Redfield viu que se tratava de um diário.
Talvez ali houvesse alguma
pista que pudesse solucionar todo aquele mistério. Quando estava na Força
Aérea, o superior de Chris, coronel William Guile, havia dito uma vez que antes
de tirarmos conclusões sobre uma situação, precisamos consultar todas as fontes
possíveis. E aquele diário era uma delas.
Porém, quando ia apanhar o
livro, Chris ouviu o som de portas se abrindo atrás de si. Virando-se, viu que
o guarda-roupa estava agora escancarado e que um daqueles malditos zumbis,
vestindo uniforme de faxineiro, cambaleava em sua direção, com os braços
erguidos. Seu nariz não existia mais, assim como boa parte do pescoço.
Chris fitou aquela criatura
horrorosa por um breve instante e depois disparou, mirando na cabeça do
monstro. Este foi atingido num dos olhos sem vida, caindo dentro do
guarda-roupa, definitivamente morto, seus ossos se quebrando.
O membro do S.T.A.R.S. pôde
então examinar o diário, com mil pensamentos em sua mente.
Diário do Caseiro, Peter Forker.
Segunda-feira, 5 de janeiro de 1998.
Hoje dois homens de terno me procuraram na estação de
trem. Eles eram de uma empresa farmacêutica chamada Umbrella ou coisa parecida
e disseram que precisam de alguém para trabalhar como caseiro numa cidade
chamada Raccoon, no oeste do país. O salário é bom, e como hoje em dia as
ofertas de emprego estão em baixa, aceitei sem pensar duas vezes. Talvez
consiga melhorar minha vida, afinal.
Terça-feira, 10 de fevereiro de 1998.
Fui transferido hoje para a propriedade da Umbrella
onde trabalharei. É uma mansão enorme, nos arredores da cidade, e todos em
Raccoon pensam que está abandonada. Mas há uma razão para isso: (...)
Segue-se uma página
rasgada.
(...) Por isso ninguém pode saber que estou
trabalhando aqui. Minhas tarefas são um tanto anormais para um caseiro normal,
mas o dinheiro que receberei em troca compensa o esforço.
Terça-feira, 12 de maio de 1998.
Parece que ontem à noite houve um acidente no
laboratório. Isso não me espanta, já que esses caras trabalham o tempo inteiro,
dormindo raramente. Não precisei trabalhar hoje, e fiquei trancado no quarto
lendo um livro do Edgar Allan Poe.
Quarta-feira, 13 de maio de 1998.
Hoje fui alimentar os cães e notei que três fugiram.
Se os manda-chuvas ficarem sabendo não vão gostar nem um pouco. Um dos
pesquisadores disse que eu tenho que usar uma roupa de astronauta o tempo
inteiro por causa do acidente no laboratório. Que droga! Estou começando a me
arrepender de ter vindo trabalhar aqui.
Quinta-feira, 14 de maio de 1998.
Acordei com uma irritante coceira pelo corpo. Fui
procurar um dos médicos da mansão para ser examinado e ele disse que não
preciso mais usar a roupa de astronauta. Melhor assim. Há muita agitação na
casa, todos estão nervosos. À noite a coceira evoluiu para feridas.
Sexta-feira, 15 de maio de 1998.
As ordens são que ninguém pode sair da mansão devido
ao acidente. Um pesquisador tentou fugir e foi baleado. Nós não podemos nem
usar os telefones. O John, pesquisador com quem fiz amizade, disse que está
tentando encontrar uma maneira de sairmos deste inferno. As feridas pioraram, e
quando fui coçar uma delas, um grande pedaço de carne podre desprendeu-se de
minha pele. Acho que estou morrendo, tudo por causa desses malditos cientistas.
Sábado, 16 de maio de 1998.
Acordei zonzo... Derek me visitar foi... Mordi a mão
dele... Derek ficou bravo e me chutou... Mão apetitosa...
Scott veio mais tarde... Cara feia Scott tinha... Tinha
espingarda na mão... Carne apetitosa... Matei Scott e devorei ele...
Carne apetitosa... Apetitosa...
No final havia gotas de
sangue nas páginas. Tudo levava a crer que a Umbrella estava desenvolvendo
algum tipo de pesquisa num laboratório naquela casa e com o acidente, algum
tipo de vazamento transformou todos em mortos-vivos. Uma história e tanto para
um caso de assassinatos canibais.
Chris guardou o diário
consigo, era uma prova crucial. Mas também precisava sair daquela casa... Por
sorte, dentro da gaveta da mesinha havia um pente de balas. O policial levou-o
consigo e voltou para o corredor, onde os famintos mortos-vivos o esperavam...
Capítulo 5
Adrenalina e surpresas.
Logo que cruzou a porta,
Jill percebeu que voltara ao corredor em forma de “U”, onde ficava a sala das
armaduras. Ela ignorou que havia outra porta atrás de si, preocupando-se em
explodir a cabeça do zumbi logo em frente. Enquanto o corpo do morto-vivo ia ao
chão, a jovem percorreu o corredor até a porta que ela antes ignorara na reta
que levava de volta ao hall da mansão. Girar a maçaneta, porém, fez Jill
perceber que a porta estava trancada.
–
Droga! –
praguejou.
Mas então se lembrou da
chave que pegara na sala das armaduras. Esperançosa, ela constatou que ainda a
carregava e, inserindo-a na fechadura, acabou destrancando a porta.
Seguindo em frente, Jill
ganhou um novo corredor, mais claro, com uma curva logo à esquerda. Após dar
alguns passos, Valentine ouviu um gemido. Mas não era um zumbi, aquele gemido
era mais humano, porém não menos agonizante. E Jill conhecia aquela voz...
–
Meu Deus,
Richard!
Deitado sobre o frio piso
do corredor estava Richard Aiken, especialista em comunicações do Bravo Team.
Seu uniforme estava rasgado, e em seu peito havia um grave ferimento, parecido
com uma série de perfurações de dentes... Tudo levava a crer que uma mandíbula
enorme havia abocanhado seu tórax.
Horrorizada com o estado de
Richard, Jill demorou a perceber que havia alguém de pé ao lado do colega
ferido, coçando o queixo. Era Albert Wesker.
–
Wesker! –
exclamou Jill, com certa ironia na voz.
–
Oh, Jill! –
exclamou o capitão do S.T.A.R.S. – Você ainda está viva!
–
Por que você
desapareceu daquela maneira?
–
Desculpe-me,
Jill. É que havia algo que eu realmente precisava averiguar...
A atenção dos dois, então,
voltou-se para Richard. Jill abaixou-se ao lado do colega, perguntando:
–
Richard, o que
houve?
–
Jill! Esta casa é
perigosa! Há demônios terríveis... Oh!
–
Eu sei! Que
demônio atacou você?
–
Uma cobra! Uma
cobra enorme e... Venenosa!
–
Venenosa? Oh,
Richard...
–
Nós poderíamos
nos dividir para procurar um soro ou coisa parecida! – disse Wesker.
–
Não! – exclamou
Aiken. – É inútil! Eu não tenho mais salvação! Jill, pegue este rádio! Vai ser
mais útil para você do que para mim!
–
OK...
Valentine apanhou o
aparelho, enquanto sangue jorrava do ferimento de Richard.
–
Eu... – oscilou o
rapaz.
Mas não pôde completar a
frase. Fechou os olhos. Estava morto.
–
Oh, não! – gritou
Jill, desesperada. – Richard!
Wesker balançou a cabeça.
–
Lá se vai um
grande homem... – murmurou.
Olhou então para Jill,
dizendo:
–
Jill, eu encontrei
o que parece ser uma saída nos fundos da casa! Porém, a porta está trancada, e
pelo que entendi é preciso inserir quatro medalhões num painel ao lado dela
para liberar caminho!
–
E onde estão
esses medalhões?
–
Eu já encontrei
um! – disse Wesker, entregando um medalhão com o desenho de um sol para Jill. –
Gostaria que você o guardasse! Eu sei onde está um outro medalhão, mas...
–
Mas?
–
Eu vi a cobra que
matou Richard. Ela é enorme, e está dentro de um sótão logo em frente. O
medalhão está caído dentro de um buraco feito por essa cobra na parede...
–
Nós precisamos
pegar esse medalhão! Talvez juntos possamos driblar essa cobra!
–
É assim que se
fala! Venha, vamos enfrentar esse monstro!
Havia um estranho sorriso
no rosto de Wesker. Apreensiva, Jill seguiu em frente junto com o capitão pelo
corredor.
Na enfermaria, Rebecca
estava distraída lendo um documento que encontrara sobre os medicamentos
disponíveis na estante, quando Joseph sentou-se na cama.
–
Está melhor? –
perguntou a jovem, tirando os olhos do papel.
–
Sim, um pouco...
– suspirou o rapaz, que agora tinha um curativo em seu ferimento no ombro.
–
Mesmo?
–
Bem, o que me
preocupa é o Chris... Ele está lá fora sozinho com todos esses mortos-vivos à
solta...
–
É melhor ficarmos
aqui! Chris disse que é mais seguro!
–
Você pode fazer o
que quiser, eu vou procurar meu colega!
–
Não, espere...
Levantando-se da cama sem
muita dificuldade, Joseph engatilhou a espingarda calibre 12 e deixou a sala
mancando, sem que Rebecca pudesse fazer nada.
Logo que ganharam o sótão,
Jill e Wesker começaram a olhar apreensivos ao redor. O lugar estava cheio de
caixas e havia uma repartição de madeira dividindo o ambiente.
–
Onde está o
buraco? – perguntou Jill.
–
Venha comigo!
Wesker seguiu à frente,
passando pela repartição, quando sem mais nem menos parou no meio do caminho.
–
Que houve? –
indagou Valentine.
A resposta veio quando a
cabeça de uma enorme cobra surgiu de trás da repartição da sala, exibindo os
dentes afiadíssimos que haviam envenenado Richard. Wesker apontou sua Desert
Eagle para o réptil desproporcional, enquanto Jill gritava:
–
Cuidado!
A cobra tentou abocanhar o
capitão, mas este foi mais rápido e esquivou-se rolando na direção do buraco na
parede, onde o medalhão dourado emitia leve brilho. A atenção do monstro
voltou-se então para a policial, e mesmo Wesker disparando contra o gigantesco
animal, este começou a seguir na direção da atordoada Jill.
Valentine mirou e atirou:
uma, duas vezes. Mas a cobra parecia não sofrer nada com os disparos, e
preparava-se para engolir Jill, que se viu encurralada num dos cantos do sótão.
–
Wesker!
O capitão do S.T.A.R.S.,
que já havia apanhado o medalhão, mirou na nuca da cobra e atirou. O ataque
pareceu surtir efeito, pois o monstro soltou um enorme berro e desistiu de sua
presa, voltando para dentro do buraco com sangue roxo escorrendo da cabeça.
–
É, acho que
conseguimos! – riu Wesker, entregando o medalhão a Jill.
–
Wesker, você me
salvou! Muito obrigada!
–
Eu apenas fiz meu
dever... Agora vamos! Vou lhe mostrar onde fica a saída da qual falei!
E deixaram o sótão.
De volta ao corredor
azul-claro onde havia se esquivado de três zumbis, Chris estava decidido a
voltar para a enfermaria e mostrar seu achado a Rebecca e Joseph, quando, após
alguns passos, percebeu que os mortos-vivos não estavam mais pelo caminho.
–
Mas o quê? –
estranhou Chris.
Nisso, Redfield ouviu um
grito, um misto de dor e fúria. Correndo na direção da porta que levava ao
corredor da enfermaria e virando-se para o outro lado, Chris desesperou-se ao
ver os três zumbis encurralando Joseph numa extensão do corredor.
–
Joseph! – gritou
o rapaz, correndo na direção dos zumbis.
Os monstros estavam a
poucos passos de Frost, que havia ficado sem balas para a espingarda. Sem
alternativa, o atirador de elite apanhou sua faca e estripou o zumbi que estava
mais próximo, gritando.
–
Morram, seus
malditos!
As facadas eram quase
cegas, pois a visão de Joseph tornava-se cada vez mais embaçada. Um dos zumbis
acabou decapitado, enquanto outro mordia a mão de Frost, fazendo com que sua
faca viesse ao chão.
–
Não, droga!
Chris já auxiliava o amigo,
atirando nos dois zumbis ainda de pé pelas costas, mas eles não caíam. Joseph
não se deu por vencido: chutou o tórax de um dos mortos-vivos, fazendo com que
caísse sobre o outro no estreito corredor, seus ossos se quebrando. Chris mirou
e estourou a cabeça de um deles antes que se levantasse, enquanto o outro foi
decapitado com um chute de Frost.
A ameaça havia sido
vencida. Exausto, pálido e suando como nunca, Joseph sentou-se junto a uma
parede, quase não conseguindo enxergar nada e totalmente zonzo.
–
Você ficou louco?
– exclamou Chris. – Matou-se vindo até aqui!
Mas Joseph não respondeu. Seus
olhos se fecharam, e quando Redfield foi tentar reanimar o colega, este começou
a se levantar.
–
Joseph?
O atirador de elite apenas
começou a cambalear na direção de Chris, com os braços erguidos como os outros
mortos-vivos.
–
Não!
Chris estava paralisado,
não conseguiria deter Frost antes que o mordesse. Mas houve um disparo, e
Joseph caiu no chão, com um buraco no meio da testa.
Redfield olhou para trás e
viu Rebecca, com sua pistola em mãos.
–
Eu não pude
evitar! – exclamou ela. – Ele quis sair para procurar você!
–
De qualquer
forma, já era tarde...
Chris começou a fitar o
corpo inerte de Frost, enquanto sangue escorria por sua cabeça. Pobre rapaz.
–
Então todos que
são mordidos por essas criaturas se transformam nelas... – murmurou Redfield,
pensativo. – Mas que diabos esses cientistas inventaram?
–
Cientistas? –
estranhou Rebecca.
–
Vamos procurar
uma saída! No caminho eu explico!
Seguiram então por uma das
direções do corredor.
Capítulo 6
A saída dos fundos.
Jill observava o cão morto
no chão, quase totalmente sem pele, enquanto Wesker colocava os dois medalhões
no painel ao lado da porta de ferro. A brisa noturna batia no rosto da policial,
que não conseguia parar de pensar em Chris. Ela estava preocupada com todos os
companheiros de equipe, mas especialmente com Redfield. Havia uma crescente
amizade entre eles, que após aquele pesadelo poderia muito bem se transformar
em algo mais...
–
Faltam dois! –
exclamou o capitão, tirando Jill de seus pensamentos.
–
Onde podemos
procurar? – perguntou Valentine.
–
Dê uma olhada no
primeiro andar, eu vasculharei o segundo! – disse Wesker, ajeitando os óculos
escuros.
O capitão dirigiu-se de
volta à mansão, enquanto Jill, pensativa, coçava o queixo, olhando novamente
para o cachorro morto. Que tipo de coisa havia acontecido ali? Alguma maldição,
magia negra? Ou tudo possuía uma explicação lógica?
Com tais idéias, a
integrante do S.T.A.R.S. também voltou para dentro da casa.
Barry colocou a jóia azul
no olho da estátua do tigre, e esta, virando-se, revelou um compartimento
secreto onde havia um medalhão com o desenho de uma lua. Era uma das peças às
quais Wesker se referia, necessárias para abrir a porta dos fundos da casa.
–
Se eu não puder
fazer justiça contra você, Wesker, alguém fará... – murmurou Burton, apanhando
o medalhão.
Antes de sair da minúscula
sala, Barry colocou mais munição no tambor da Magnum. Vira o cadáver de Joseph
lá fora. Aquilo tudo era deprimente... Burton lembrou-se de suas duas filhas.
Wesker havia dito que assassinos contratados por ele as matariam junto com sua
esposa se ele não fizesse exatamente o que mandasse. O pobre homem não tinha
opção...
Após sair da salinha, Barry
seguiu na direção da porta que levava ao corredor da enfermaria, sentindo-se um
monstro pelo que estava fazendo com seus companheiros, que confiavam tanto
nele. Um monstro pior que todos aqueles zumbis juntos...
–
Isto pode ser
útil para alguma coisa...
Dizendo isso, Chris arrancou
da parede o brasão de madeira sobre a lareira da sala de jantar. O lugar todo
era muito bonito, o rapaz gostaria de morar ali se não fosse pelos zumbis e
cães mutantes... Para piorar o cadáver de Forest estava ali, no chão, como Jill
e Barry haviam dito. E pensar que ele e Chris haviam se tornado bons amigos,
todo fim de semana iam jogar boliche na Park Street...
–
E agora? –
perguntou Rebecca.
Os olhares dos dois se
encontraram e Chambers sorriu.
–
Venha, vamos por
aqui!
Após responder, Chris
caminhou até a porta à direita da lareira e girou a maçaneta, seguido por
Rebecca. Logo após cruzar a porta, Redfield seguiu pela esquerda do corredor,
mas parou ao ver o lastimável cadáver de Kenneth, exclamando:
–
Vá para o outro
lado, Rebecca! Você não vai gostar de ver isto aqui!
Chambers obedeceu. Ver o
corpo de Forest já havia sido demais para ela. Os dois percorreram o corredor
até o outro extremo, e havia apenas uma porta destrancada, de cor vermelha, por
onde entraram.
Parecia ser uma sala de
jogos. Um grande piano chamou a atenção de Rebecca, que se sentou em sua frente
e examinou as partituras, exclamando:
–
É a “Moonlight
Sonata”!
–
Você pode tocar?
Gosto muito de ouvir piano, mas nunca aprendi...
–
Bem, vou
tentar...
Chambers esticou os dedos
e, um tanto envergonhada, começou a tocar o instrumento. A música veio, suave e
graciosa, fazendo diminuir a tensão dos dois S.T.A.R.S. de forma agradável e
relaxante. Mas, ao término da melodia, algo inesperado ocorreu.
Ouviu-se um barulho, e
parte de uma das paredes da sala ergueu-se, revelando uma passagem secreta.
–
Nossa! – riu
Rebecca.
Chris se aproximou para
investigar, entrando no que parecia ser um pequeno corredor. À direita,
separada por um vidro, havia uma espécie de estufa. No final da passagem, algo
chamou a atenção do rapaz: sob um busto de mármore havia um brasão de ouro, com
o mesmo emblema daquele de madeira que Chris havia apanhado na sala de jantar.
Com uma idéia em mente, o
policial retirou o brasão, mas ao fazer isso a passagem secreta fechou-se às
suas costas.
–
Chris! – gritou
Rebecca.
Mas Redfield havia
compreendido como aquele mecanismo funcionava, e colocou o brasão de madeira no
lugar do dourado. Assim a entrada foi novamente aberta, e Chris voltou
triunfante para a sala de jogos.
–
Você me assustou!
– riu Rebecca.
–
Venha, vamos para
a sala de jantar!
Ao voltarem, Chris colocou
o brasão de ouro no lugar onde ficava o outro de madeira, sobre a lareira. Logo
que fez isso, um relógio que havia na sala começou a badalar e moveu-se sobre o
chão, revelando um compartimento secreto na parede que antes ocultava. Rebecca
estava de boca aberta.
Redfield se aproximou do
compartimento e apanhou o que parecia ser um medalhão dourado, com o desenho de
uma estrela.
–
Isto também deve
servir para alguma coisa... – murmurou Chris, guardando o achado consigo.
O sargento Peyton Wells
entrou no heliporto do R.P.D. vindo de dentro da delegacia, quando o
helicóptero do Alpha Team do S.T.A.R.S. começou a se aproximar do prédio. Logo
a aeronave pousou, mas Wells, que estava ansioso para rever seus companheiros,
viu apenas Brad Vickers dentro da aeronave, e o rapaz estava chorando.
–
Brad? – estranhou
Peyton. – O que houve?
–
Cara, eu sou um
covarde! – exclamou Brad, soluçando.
–
Que foi, cara?
Cadê o resto do pessoal?
–
Eles foram
atacados! Eles foram atacados e eu fugi de medo!
Wells desesperou-se:
–
Como assim, cara?
Você os deixou lá? Seu covarde filho da mãe!
–
Mas não eram
bandidos ou psicopatas! Eles foram atacados por feras infernais, o Eddie também
estava lá, e agia estranhamente, ele deu uma mordida no Joseph!
Peyton fitou o rosto
banhado em lágrimas de Brad por um instante. O rapaz era um covarde de
primeira, merecia o apelido que tinha de “coração de galinha”, mas afinal de
contas não era culpa dele. O importante agora era agir, e rápido.
–
Fique calmo, há
como remediar isso! – disse o sargento. – Ligue novamente o helicóptero, eu vou
com você até a floresta procurá-los!
–
Mesmo?
–
Sim, ligue o
motor!
Brad enxugou o rosto e deu
partida no helicóptero, enquanto Wells entrava na aeronave, dizendo:
–
Vamos ver o que
aconteceu!
Deixaram então o R.P.D., e
pouco depois também a área urbana de Raccoon City.
Jill pressionou o último
botão, embaixo do quadro no fim da sala. E, para sua surpresa, o mecanismo
funcionava realmente como pensava: pressionando os botões sob os quadros na
ordem da pessoa mais jovem para a mais velha, conseguiria descobrir o que havia
escondido atrás da última pintura, que veio ao chão.
Ainda incomodada com os
corvos empoleirados em barras de metal nas paredes da sala, Valentine viu que o
segredo daquela galeria de arte não era um medalhão, e sim uma carta cheia de
pó e bolor, que a policial leu:
Carta de George Trevor, a quem possa interessar.
Ontem à noite, afetado por uma crise de nervosismo,
atirei meu diário no fogo da lareira do segundo andar da casa. Por isso estou
escrevendo esta carta, para deixar novamente um registro sobre meus últimos
dias, e espero que algum dia alguém venha a lê-la para descobrir o quanto eu
sofri na mão dessas pessoas.
Há alguns anos, esse homem, chamado Spencer, pediu que
eu projetasse e supervisionasse a construção de duas casas luxuosas nos arredores
de Raccoon City. Uma ele deixaria de herança para seu futuro filho, e a outra
era uma espécie de hospedagem para os funcionários da Umbrella Inc., essa empresa
que de uns anos para cá vem comprando tudo em Raccoon City. Até o subsolo da
cidade é da companhia, segundo me disseram.
De início trabalhei arduamente, fiz das duas mansões
verdadeiras obras de arte, até que descobri as verdadeiras intenções do maldito
Spencer... Numa das casas, justo a maior e que me deu mais trabalho em
projetar, ao invés de um lugar para hospedar os funcionários da Umbrella,
Spencer construiu no subsolo um laboratório de pesquisas horríveis e desumanas.
Eu entrei lá escondido e vi tudo, e o pior é que aqueles malditos descobriram.
Eu, um simples arquiteto, não tinha permissão para entrar lá e ver as
atrocidades que eles cometiam. Por isso estão querendo me matar...
Há dois meses, atirei num sujeito armado com um
revólver que entrou na mansão. Ele tinha a missão de me eliminar. Desde então
enchi a casa de armadilhas para que aqueles crápulas da Umbrella não consigam
entrar. Eles estão logo embaixo, no subsolo, mas não entrarão aqui, eu não
deixarei! Estou ouvindo aquela gargalhada insana de Spencer por toda a casa.
Filho da mãe! Levou a sanidade que me restava! Eles vão acabar me matando. Eles
estão chegando perto! Ou será apenas minha mente perturbada? Fiz um corte em
minha mão direita e com o sangue comecei a tingir as paredes do primeiro
andar... Eles podem me matar, mas juro que algum dia esta casa virará pó!
Jill guardou consigo a
carta, abismada. Então a Umbrella possuía um laboratório ali, isso explicava os
zumbis vestindo jaleco. Mas que tipo de acidente ocorrera, para transformar
todos em mortos-vivos? Teria sido algum agente biológico ou simplesmente a
maldição do tal Trevor?
–
Barry! – exclamou
Chris, ao entrar no corredor da sala das armaduras junto com Rebecca e ver o
companheiro de equipe. – Você está bem?
–
Sim, Chris! – respondeu
Burton. – Vejo que encontrou uma sobrevivente!
–
Esta é Rebecca
Chambers, que havia acabado de entrar para o Bravo Team!
–
Muito prazer! –
sorriu a jovem.
–
Chris, eu
encontrei o que parece ser uma porta dos fundos, mas ela está trancada por uma
espécie de mecanismo que só abrirá caminho se forem inseridos quatro medalhões
num painel ao lado da saída!
–
Medalhões como
este? – indagou Redfield, mostrando a peça que encontrara na sala de jantar.
–
Sim! – respondeu
Barry, apanhando o medalhão. – Eu encontrei um outro, vou inseri-los no painel
da porta!
–
OK, eu e Rebecca
vamos dar mais uma olhada pela mansão, há muitas salas que ainda não vimos!
Podemos encontrar mais alguma prova que explique o que houve aqui!
–
Chris encontrou
um diário revelando que a Umbrella estava desenvolvendo algum tipo de pesquisa
neste lugar, houve um acidente e ao que parece os contaminados se transformaram
em mortos-vivos! – explicou Rebecca.
–
Umbrella, não? –
riu Barry, um tanto alterado. – Eu já desconfiava...
–
Barry, você está
bem? – perguntou Chris.
–
Sim, só um pouco
fatigado... Vou ver se abro aquela porta dos fundos e tomo um pouco de ar
fresco, é disso que eu preciso!
–
OK!
E se separaram novamente.
Wesker ouvira toda a
conversa, trancado dentro do corredor onde jazia o corpo de Richard. Tudo
estava dando certo, afinal. Todos os medalhões haviam sido encontrados, agora
ele já poderia acessar os fundos da propriedade e em seguida o laboratório.
–
Esplêndido! – riu
o capitão do S.T.A.R.S., caminhando para voltar ao outro corredor.
–
Não será tão
fácil, Wesker...
O coração de Wesker
disparou. Ele rapidamente venceu a curva do corredor e teve tempo de ver um
homem vestindo jaleco cruzar a outra porta. Alguém havia sobrevivido ao
acidente, e o capitão conhecia muito bem aquela voz.
–
Vamos ver quem é
mais esperto! – riu Wesker, seguindo seu caminho.
Ao sair da sala dos corvos,
Jill viu a porta cinza logo em frente se abrir. Ela apontou sua Beretta, mas
acalmou-se ao ver que era Barry.
–
Barry, que bom
que está bem! – sorriu a jovem.
–
Igualmente!
–
Eu encontrei o
Wesker, e há uma porta dos fundos logo depois deste corredor. Porém são
necessários quatro medalhões para abri-la, e só encontramos dois...
–
Já encontrei os
outros dois! – disse Burton, mostrando as duas peças douradas. – O Chris
encontrou uma delas, e também está bem!
Barry estava estranho.
Falava com certo desânimo, parecia preocupado. Mas Jill ficou mais aliviada ao
saber que Chris estava bem.
–
Então venha,
vamos abrir a porta e sair deste inferno!
Capítulo 7
Uma rota de fuga?
Após a porta de ferro havia
uma espécie de depósito. Barry correu à frente, parando diante da próxima
entrada e, virando-se para Jill, exclamou:
–
Vamos!
Jill deu alguns passos, mas
parou ao ver um pente de balas para Beretta sobre um barril de madeira.
Apanhando o achado, ela disse a Burton:
–
Acho que alguém
já passou por aqui...
–
Bem, vamos seguir
em frente e descobrir quem é!
Cruzaram então outra porta
de ferro, dupla. Ambos sentiram certo alívio quando perceberam que haviam
deixado o interior da mansão. Estavam agora numa espécie de jardim dos fundos,
cercado por um alto muro de concreto, separando-o da perigosa floresta. Havia
dois caminhos: um portão logo em frente e um corredor à esquerda, aparentemente
sem saída.
–
Venha, vamos
encontrar um caminho para fora desta propriedade! – disse Barry, já caminhando
na direção do portão.
Mas Jill não o seguiu.
Parada, ela começou a ouvir estranhos passos, mas não eram de zumbis.
Virando-se na direção do corredor, viu que um daqueles cães sem pele surgia das
sombras, rosnando.
Após mirar por um instante,
Valentine apertou o gatilho, fazendo o monstro tombar após ser atingido no
crânio. Aparentemente não havia mais daquelas coisas, o que fez Jill abaixar a
Beretta e olhar para Barry, que disse:
–
Verifique o que
há no fim dessa passagem!
Jill assentiu com a cabeça,
caminhando pelo corredor. Ela percebeu que o caminho terminava num fosso escuro
e aparentemente alto, exclamando:
–
Parece um buraco,
não consigo enxergar direito!
–
OK, vamos pelo
portão!
A integrante do S.T.A.R.S.
voltou para junto do companheiro de equipe, quando ambos ouviram um repentino
“bip”. Jill lembrou-se que carregava o rádio de Richard, e rapidamente apanhou
o aparelho. Alguém estava tentando se comunicar.
–
De quem é esse
rádio? – perguntou Barry.
–
Richard, ele me
deu pouco antes de morrer. Foi mordido por uma cobra gigante que eu e Wesker
enfrentamos!
Burton balançou
negativamente a cabeça, enquanto alguém exclamava através do rádio, em meio a
uma incômoda onda de estática:
–
Alpha Team, vocês
podem me ouvir? Aqui é o sargento Peyton Wells! Vocês me escutam? Alpha Team,
Bravo Team, que seja! Respondam!
Jill e Barry trocaram um
olhar breve e esperançoso. A primeira disse através do rádio:
–
Peyton! Aqui é a
Jill! Você me ouve?
Não houve resposta.
–
Peyton, você me
escuta? Aqui é a Jill, Alpha Team!
Novamente sem resposta. A
estática aumentou, enquanto Valentine guardava o rádio, desanimada.
–
Não se preocupe,
Jill! – exclamou Barry. – Nós vamos conseguir escapar deste lugar!
A jovem sorriu, enquanto
Barry abria o enferrujado portão.
A porta se fechou. Chris e
Rebecca estavam num novo corredor, estreito, cujas curvas lembravam o
serpentear de uma cobra. Na frente deles, outra porta de madeira.
–
Acho melhor nos
separarmos para investigar! – disse Redfield. – Precisamos encontrar mais provas
antes de sairmos da casa!
–
OK! – sorriu
Chambers. – Eu vou por essa porta, você verifica o resto do corredor!
–
Certo!
Rebecca seguiu pela
entrada, enquanto Chris caminhava pelo corredor. Após passar por alguns quadros,
o policial parou na frente de outra porta, que cruzou.
Era um banheiro. Chris
suspirou. Virando-se, começou a fitar seu semblante num espelho. Aquilo tudo
era um pesadelo sem fim. Pensava em Jill... Estaria ela bem? Redfield não
suportaria se ela morresse...
Perdido em seus pensamentos,
o policial percebeu que havia algo se aproximando atrás de si pelo espelho...
–
Quê?
Era um daqueles
mortos-vivos, que agarrou Chris fortemente pelos ombros. O rapaz tentou em vão
se libertar, enquanto o zumbi aproximava os afiados dentes de seu pescoço... Súbito,
Redfield conseguiu dar uma cotovelada no abdômen do monstro que, após gemer
agonizantemente, veio ao chão, batendo a cabeça numa banheira.
A coisa já estava se
levantando, quando Chris lhe acertou um tiro na testa. Pôde, então, examinar o
lavatório com maior tranqüilidade. Dentro da banheira havia grande quantidade
de água suja, esverdeada. Porém, em meio àquele líquido turvo, algo parecia
brilhar no fundo do recipiente...
Após hesitar por um
instante, Chris mergulhou seu braço direito dentro da água suja e pegajosa,
retirando a tampa do ralo. O líquido repugnante começou a escorrer pelo buraco,
enquanto Redfield enxugava o braço com uma toalha. Logo toda a água havia
vazado, e o policial viu uma chave dentro da banheira, com o desenho de um
capacete.
–
Ótimo achado! –
sorriu o rapaz, enquanto apanhava o artefato.
Rebecca entrou no que
parecia ser uma sala de estar, após cruzar o cômodo quadrangular de teto alto. No
centro havia sofás e uma mesinha, e logo a jovem viu um daqueles zumbis
caminhando em sua direção, sem uma das mãos e com o cérebro exposto.
Chambers mirou. Nunca havia
usado uma arma antes daquela horrível noite, e estava se tornando uma
profissional no tiro. Disparando, atingiu o morto-vivo num dos olhos sem vida,
deixando um rastro de sangue numa das paredes. Enquanto a aberração caía,
Rebecca viu algo em outra parede que realmente chamou sua atenção: num suporte
cercado por uma moldura havia uma bela e conservada espingarda calibre 12, que
praticamente estava pedindo para ser pega.
Chambers sorriu. Ela sentia
que não estava sendo muito útil em relação a Chris e os outros membros do
S.T.A.R.S., e talvez levar aquela arma até Redfield fosse o suficiente para
mudar isso. Rebecca queria sentir-se indispensável.
Com tais pensamentos, a
jovem apanhou a espingarda, fazendo com que os suportes de metal que a
sustentavam mudassem de posição, emitindo um som mecânico. Mas Rebecca ignorou
tal fato, saindo da sala com a arma em mãos...
Após cruzar a porta,
Chambers ouviu outro som mecânico, seguido pelo barulho de... Trancas se
fechando! A jovem tentou abrir a porta que levava de volta ao corredor, mas foi
em vão. Para piorar, Rebecca percebeu que o teto da sala estava descendo! Ela
seria esmagada feito um inseto! Havia caído numa terrível armadilha ao apanhar
a espingarda...
Tomada pelo desespero,
Rebecca tentou voltar para a sala de estar, mas a porta também estava trancada.
Com lágrimas nos olhos, Chambers gritou:
–
Socorro! Estou
presa aqui! Alguém me ajude! Chris, socorro!
Nesse instante, Chris saía
de dentro do banheiro, quando ouviu os gritos desesperados de Rebecca. Ele
correu até a porta que ela havia cruzado, exclamando:
–
Rebecca, você
está aí?
–
Chris, me ajude!
Estou presa aqui e o teto está descendo!
–
Meu Deus!
Afaste-se, Rebecca! Vou arrombar essa porta!
Chris mirou com a Beretta
na direção da maçaneta da porta, disparando. O tiro surtiu efeito, destruindo o
alvo, mas mesmo assim a porta não se abriu. O policial, então, tomou certa
distância e veio correndo na direção da entrada, atingindo-a fortemente com seu
corpo. Por sorte, isso foi suficiente para que ela se abrisse.
O teto estava a poucos
centímetros da cabeça de Rebecca. Sem mais palavras, Chris puxou-a com
violência para fora da sala, enquanto a porta era esmagada pelo concreto. Logo
o caminho foi selado. Rebecca, ofegante, disse a Chris:
–
Obrigada, você
salvou minha vida!
–
Esta mansão está
cheia de armadilhas! Tenha mais cuidado, OK?
O plano de Rebecca saíra
totalmente errado. Ao invés de mostrar-se útil, Chambers revelou-se ainda mais
indefesa e distraída.
–
Eu encontrei
isto! – disse a jovem, entregando a espingarda a Chris.
–
Bem, será útil! –
sorriu o rapaz. – Obrigado, Rebecca! Agora venha, vamos explorar a casa!
Encontrei uma chave que deve abrir aquelas portas trancadas!
Seguiram então pelo corredor.
Assim que Barry girou a
manivela, a comporta que tampava a abertura foi removida e a água começou a
sair do tanque, revelando aos poucos uma passagem de concreto no meio deste. Burton
seguiu à frente, saltando sobre o caminho, que ficava um pouco abaixo das
beiradas do tanque. Jill o seguiu, sempre atenta.
–
Algo me diz que
não sairemos deste lugar tão cedo... – suspirou Valentine.
–
Seja otimista,
Jill!
Após subirem por uma
pequena escada, os dois S.T.A.R.S. ganharam a outra borda do tanque, que terminava
numa espécie de plataforma de metal. Barry disse:
–
Parece ser um
elevador, vamos!
Mas Jill não prosseguiu.
Burton estranhou e olhou para trás. Entre os dois, fitada pela policial com
grande temor, havia uma cobra, de tamanho normal (ao contrário daquela
enfrentada por Jill e Wesker, que havia matado Richard), porém não menos
perigosa. Valentine estourou a cabeça do réptil com um disparo de sua Beretta,
enquanto Barry exclamava:
–
Vamos, antes que
apareçam mais!
Jill assentiu com a cabeça,
seguindo o companheiro até a plataforma, enquanto mais cobras caíam sobre o
concreto, desenrolando-se dos galhos das árvores ao redor.
Logo os dois estavam sobre
a plataforma, que se revelou um elevador quando Barry pressionou um botão e ela
começou a descer. Em seguida estavam numa área cercada por paredes rochosas,
com uma forte cachoeira (a água que saía de dentro do tanque) de frente para um
espaço aberto, onde terminava o fosso que Jill vira lá em cima. Também havia
nele uma plataforma de metal, provavelmente outro elevador.
–
Por aqui! –
exclamou Barry, caminhando na direção de um portão.
Capítulo 8
A casa dos fundos.
Logo que cruzou a porta de
ferro, Wesker viu o cão morto sobre o concreto do pátio. Tudo estava correndo
como planejara. Os S.T.A.R.S. haviam liberado o acesso aos fundos da casa como
havia arquitetado, agora não seria difícil chegar ao laboratório.
Mas havia um problema:
aquele maldito sobrevivente. Como havia conseguido permanecer vivo? Talvez
houvesse administrado uma vacina em seu organismo... De qualquer maneira,
Wesker teria que eliminá-lo antes de terminar tudo aquilo. Não seria tão
difícil...
Jill e Barry deviam estar a
caminho da casa dos fundos. Burton havia dito que levaria Valentine até lá,
dando tempo a Wesker para que abrisse caminho até o laboratório. O pai de
família estava se saindo um ótimo traidor. Bem que Wesker poderia usá-lo
novamente para seus interesses no futuro...
Com tais pensamentos, o
capitão do S.T.A.R.S. cruzou o portão que levava até o tanque de água e, vendo
que estava vazio, sorriu ao perceber que Barry havia seguido suas instruções perfeitamente
para abrir caminho.
Fechando a porta, Barry,
junto a Jill, viu que estava num corredor de madeira com várias portas. Aquilo
era uma outra casa, aparentemente menor que a mansão, mas que também precisava
ser explorada.
Burton girou a maçaneta da
porta mais próxima dos dois, que ficava à direita do corredor. Ele entrou
primeiro, seguido por Jill.
Logo que pisaram no cômodo,
ambos ouviram o engatilhar de uma arma. Olhando para perto de um baú junto a
uma parede, os dois membros do Alpha Team tiveram uma bela surpresa: quem lhes
apontava uma pistola era Enrico Marini, líder do Bravo Team.
–
Enrico! – sorriu
Jill, com a voz cheia de esperança. – Você está bem!
–
Jill, Barry! –
exclamou Enrico, deixando de apontar a arma. – Então vocês vieram nos resgatar!
–
Era o mínimo que
podíamos fazer – disse Barry, um tanto sem jeito. – Infelizmente, nós encontramos
alguns companheiros mortos...
–
Eu entendo... –
murmurou Marini enquanto coçava os bigodes, cabeça baixa. – Mas é muito bom ver
vocês!
Enrico
era um experiente membro do S.T.A.R.S., filho de imigrantes mexicanos ilegais.
Ele havia crescido nos violentos subúrbios de Los Angeles, e decidiu ser
policial quando seu pai foi morto por traficantes. Havia chefiado a unidade
S.T.A.R.S. em Raccoon City por quatro anos até a nomeação de Wesker, e por isso
ele tinha para com o novo capitão certo rancor, fato que era facilmente
percebido pelos demais integrantes.
–
Todos vocês
vieram? – perguntou Enrico.
–
Sim, estão todos
espalhados pela mansão – respondeu Barry. – Creio que a única sobrevivente do
Bravo Team seja Rebecca Chambers! Chris está cuidando dela!
–
Que ironia...
Justo a novata!
Marini
abriu o baú e de dentro dele tirou uma espingarda calibre 12. Ele disse,
engatilhando-a:
–
Creio que estou a
um passo de descobrir a verdade sobre este lugar, mas ainda preciso procurar
algumas provas nesta casa! Este local era usado como um dormitório ou coisa
parecida. Estarei explorando os cômodos, espero que me ajudem!
–
Pode contar
conosco! – exclamou Jill.
–
Ótimo! Eu guardei
toda a munição que encontrei pela mansão dentro desse baú. Armem-se, enquanto
isso eu vou à frente!
–
OK!
Enrico
saiu da sala, enquanto Barry e Jill averiguavam o que podiam usar do que estava
no baú. Burton apanhou doze balas para sua Magnum, e Valentine dois pentes para
a Beretta.
–
Vamos! – disse
Jill.
Os
dois voltaram ao corredor, e Barry caminhou na direção de uma porta logo em
frente, à esquerda da passagem, dizendo:
–
Vou dar uma
olhada aqui! Explore as outras salas em busca de pistas!
–
OK!
Burton
girou a maçaneta e entrou, enquanto Jill observava a inscrição “001” sobre a
porta, pensando em como Barry estava aparentando desânimo. Ele não era assim. Seria
algum problema familiar? Uma briga com a esposa, talvez, ou apenas stress por
causa de todas aquelas mortes. Com a Beretta em mãos e mil pensamentos na
cabeça, Valentine entrou por uma porta vermelha dupla.
Chris
e Rebecca entraram num corredor de paredes de cor clara, com pequenos móveis à
direita, junto à parede, e janelas à esquerda. O atirador foi à frente, pedindo
para que Rebecca esperasse com um gesto.
A
jovem integrante do Bravo Team viu algo que lhe fez tremer: algumas das janelas
estavam quebradas. Chris parecia não ter percebido isso, e seguia caminhando
pelo corredor, espingarda em mãos.
–
Chris!
Redfield
virou-se rapidamente, pensando que Rebecca estivesse em perigo, e voltou alguns
passos na direção da jovem. Nisso, algo saltou atrás de Chris, e só não
abocanhou seu pescoço pelo motivo do policial ter se deslocado.
–
Quê? –
espantou-se o policial.
Era
um daqueles cães mutantes. O membro do Alpha Team apontou a espingarda,
enquanto a fera iniciava novo ataque, saltando. Chris atingiu-a ainda no ar, o
disparo da arma partindo o cachorro em dois. O carpete do corredor se encheu de
sangue, enquanto Chambers corria na direção do rapaz.
–
Chris, você está
bem? – perguntou Rebecca.
–
Sim, eu acho... –
murmurou Chris, assustado. – Obrigado, Rebecca...
Mas
eles ainda não estavam seguros. Ambos ouviram um rosnado e, olhando para a
outra extremidade do corredor, viram outro cão sem pele, na frente de uma outra
porta.
Chris
chegou a mirar, mas antes mesmo de atacar o cão caiu morto sobre o carpete,
atingido na cabeça por um disparo de Rebecca.
–
Obrigado, de
novo! – riu Redfield, um tanto sem graça.
A
jovem sorriu como resposta, mas logo ficou séria ao olhar para um dos móveis do
corredor.
–
Ah, Chris!
O
policial também olhou. Num dos móveis, atrás de um vidro, havia ossos humanos,
que provavelmente haviam sido colocados ali para afugentar os invasores da
mansão.
–
Que horrível... –
suspirou Rebecca, quase chorando.
–
Não fique com
medo, Rebecca! Venha, vamos em frente!
E
seguiram pela outra porta.
A
sala era escura. Jill caminhava lentamente, a madeira rangendo conforme suas
botas tocavam o chão. Ela viu um balcão onde parecia ser um bar, e perto dele
havia uma mesinha sobre a qual era possível ver uma espécie de chave metálica.
A jovem caminhou até o artefato.
Era
mesmo uma chave, mas um tanto estranha, parecia ser de um laboratório ou coisa
parecida. Ela a guardou consigo, e virando-se para trás, Jill viu algo que
realmente a assustou.
–
Ah!
Ali,
na frente dela, havia uma aranha toda peluda, de tamanho gigantesco, maior que
um urso. Ela seguiu na direção da policial, que escapou rapidamente rolando
para a direita. As patas do monstruoso aracnídeo destruíram a mesinha, enquanto
Jill via mais uma aranha, igual àquela, surgir de onde havia uma mesa de bilhar.
Mais
que depressa, a integrante do S.T.A.R.S. voltou para o corredor, ofegante,
fechando fortemente a porta.
–
Ai, meu Deus!
Ela
simplesmente não conseguia acreditar nas coisas que via naquele lugar. Primeiro
a cobra gigante na mansão, e agora isso!
Nesse
instante, a porta do quarto “001” se abriu. Jill apontou a Beretta temendo que
fosse algum monstro, mas era Barry.
–
Barry! – suspirou
a policial, aliviada, enquanto abaixava a arma.
–
Jill! Encontrou
alguma pista?
–
Não, mas
definitivamente há algo errado com este lugar!
–
Eu que o diga!
Veja o que encontrei!
Barry
tinha um papel em mãos, que estendeu para Jill. Ela, ao apanhá-lo, viu que se
tratava de um relatório, e o leu atentamente:
Relatório sobre a Planta 42.
Faz cinco dias desde o acidente no
laboratório e a planta no Ponto 42 não pára de crescer, numa velocidade
inacreditável. Contaminada pelo T-Virus, ela atingiu proporções gigantescas, e
agora é impossível dizer que planta ela era originalmente.
A raiz da planta está localizada na sala
de reuniões do subsolo. Quando soube que estava infectado, um cientista
enlouqueceu e quebrou o tanque de água onde estávamos cultivando os Neptune,
inundando todo o subsolo. Algum elemento químico usado no desenvolvimento dos
Neptune estava misturado à água e provavelmente ocasionou o crescimento
acelerado da planta ao entrar em contato com sua raiz.
Quando a Planta 42 detecta movimento,
ela lança seus poderosos tentáculos sobre a vítima, prendendo-a num piscar de
olhos. Então o vegetal começa a sugar o sangue da vítima através desses
tentáculos, sendo essa sua principal forma de alimentação. A planta desenvolveu
certa inteligência e ocupou toda uma sala da casa dos fundos, impedindo que nós
entremos no cômodo segurando a porta com seus tentáculos. Nós já perdemos
vários membros da equipe que tentaram controlar esse experimento.
Henry Sarton.
–
Todas essas
criaturas são resultado de experiências que eram realizadas aqui – disse
Burton. – E a Umbrella está por trás de tudo!
–
Nós precisamos
encontrar mais provas para desmascará-la!
–
Você está certa!
– disse Barry, caminhando na direção de uma porta que ficava no final de uma
extensão do corredor para a esquerda de Jill. – Venha, vamos ver o que há nas
outras salas!
Valentine
seguiu o companheiro e os dois cruzaram a porta.
Estavam
agora num novo corredor, cheio de teias de aranha. Logo encontraram uma porta à
direita, e Barry averiguou que havia uma outra mais à frente.
–
Jill, dê uma
olhada nessa primeira porta! – disse Burton, coçando a barba. – Eu vou pela
outra!
–
OK!
Cada
um seguiu seu caminho. Sobre a porta que Barry cruzou havia a inscrição “002”.
Chris
e Rebecca estavam no corredor em forma de “U” na asa oeste do segundo andar da
mansão, onde anteriormente Redfield havia passado aniquilando zumbis enquanto
levava Joseph até a enfermaria. Os corpos dos mortos-vivos ainda estavam ali,
cheirando mal.
Os
dois integrantes do S.T.A.R.S. seguiram na direção da porta mais próxima da
escada que levava ao primeiro andar, na última extensão do corredor. Chris
girou a maçaneta e percebeu que estava trancada. Mas, sorrindo, usou a chave
encontrada no banheiro e conseguiu liberar o caminho.
–
Vamos! – disse,
enquanto entrava na sala seguido por Rebecca.
O
cômodo estava uma total escuridão. Rebecca estremeceu, temendo que houvesse
algum monstro escondido ali dentro, mas logo seu temor dissipou-se quando ela
ouviu um “click” e as luzes se acenderam. Chris havia acionado um interruptor
perto da porta.
–
Não fique com
medo, estamos seguros! – sorriu o policial.
Chambers
sentiu-se um tanto envergonhada por sua demonstração de medo, enquanto Chris
caminhava até uma mesinha no centro da sala. Sobre ela havia uma folha de
papel, um telegrama ou coisa parecida:
ULTRA-SECRETO
23 de julho de 1998, 16:49 –
Departamento de Segurança, filial californiana.
O “Dia X” está se aproximando. Não
podemos adiar mais. A mídia e o governo estão interferindo muito rápido. As
seguintes ordens devem ser cumpridas em uma semana:
1.
Atrair os membros do S.T.A.R.S. para dentro do
laboratório e fazer com que lutem contra as B.O.W.’s (Armas Bio-Orgânicas), com
o intuito de obter informações sobre a capacidade de luta de cada experimento.
2.
Coletar dois embriões de cada tipo de mutante, exceto
o Tyrant, que não foi totalmente concluído.
3.
Destruir todo o complexo Arklay, incluindo a mansão, a
casa dos fundos e o laboratório, acionando o sistema de autodestruição, de
maneira que pareça um acidente.
Estamos contando com sua experiência na
divisão para cumprir esta missão sem dificuldades. Se fracassar, uma equipe da
própria empresa será enviada, provavelmente a mesma que será encarregada de
descobrir o que houve na Colméia, ainda esta semana.
Agente One, White Umbrella.
–
Rebecca... – disse
Chris, quase sem fôlego após ler o papel.
–
Sim? – perguntou
Chambers, voz doce.
–
Acho que armaram
pra cima da gente! – exclamou o atirador, entregando o telegrama a Rebecca.
Enquanto
isso, na casa dos fundos, Barry trancava a porta do dormitório “002”, logo após
entrar. Parecia que ele não queria mais ninguém ali dentro. Em seguida caminhou
por um pequeno corredor, o qual possuía uma porta à esquerda, que terminava num
espaço maior com uma cama e algumas estantes também à esquerda, que pareciam
estar arrumadas de modo a ocultar alguma coisa. Na frente dos móveis, se
encontrava a inabalável figura do capitão Albert Wesker, ajeitando os óculos
escuros.
–
Alguém o seguiu
até esta sala? – perguntou o líder do S.T.A.R.S. em Raccoon City, aparentando
impaciência.
–
Jill e Enrico
estão na casa, mas os despistei – respondeu Burton, desanimado.
–
O que há, Barry?
– riu Wesker, se aproximando. – Você parece preocupado!
Barry
cerrou os dentes e deu um soco no estômago de Wesker, que reagiu apontando sua
Desert Eagle a poucos centímetros da testa do comandado.
–
Nunca mais faça
isso, entendeu? – exclamou o capitão, com um tom sinistro na voz.
–
Eu faria muito
mais se pudesse...
–
Mas você não
pode!
–
Você tem suas
ordens, Wesker... Mas qual a razão para destruir os S.T.A.R.S.? Você não
precisa fazer isso!
–
Não é minha
vontade, é a vontade da Umbrella!
–
E quanto à minha
família?
–
Ela estará segura
enquanto você fizer o que planejamos. Agora, encontre uma maneira de distrair
Jill enquanto dou uma olhada na área inundada. E lembre-se: não tente nenhuma
gracinha!
Wesker
caminhou na direção das estantes, ainda apontando a arma para Barry. Empurrando
uma delas, foi revelada uma abertura no chão, com uma escada que levava ao
subsolo. Wesker desceu, deixando Barry sozinho, pensativo.
Após
alguns instantes mergulhado naquela penosa solidão, Burton caminhou para fora
do dormitório, ainda mais abatido.
Cerca
de três minutos após a saída de Barry, a porta que ficava à esquerda de quem
entrava no corredor se abriu. De dentro do banheiro do dormitório saiu Enrico
Marini, seu corpo inteiro formigando devido ao que acabara de ouvir escondido
dentro do pequeno cômodo.
–
Então Wesker e
Barry estão traindo os S.T.A.R.S., não? – sorriu o líder do Bravo Team, sacando
sua arma. – Vamos ver se conseguirão ir longe!
Decidido,
Enrico também deixou o dormitório.
Capítulo 9
A luta pela sobrevivência.
Uma
sala cheia de painéis e computadores. Era um dos setores da sede da Divisão de
Segurança da Umbrella Corporation, Unidade Norte-Americana, em Chicago.
Na
frente dos monitores das máquinas, operadores com fones nos ouvidos recebiam
uma enorme quantidade de informações a cada instante. Enquanto isso, um homem
de terno circulava impacientemente pelo lugar, mordendo os lábios. De repente,
ele pára e pergunta, se aproximando de um dos operadores:
–
O agente Wesker
voltou a estabelecer contato?
–
Negativo, senhor.
–
Droga!
Enquanto
Albert Wesker cumpria suas ordens no norte da Califórnia, a muitos quilômetros
dali, Spencer parecia uma criancinha que não consegue aguardar até o Natal para
abrir os presentes. Tudo estava perdido para ele. Sua mansão era agora um covil
de mortos-vivos, sua equipe tão rigorosamente escolhida havia se transformado
numa horda de monstros horrendos, e se Wesker falhasse, as coisas piorariam
ainda mais. A contaminação não poderia, de forma alguma, atingir a parte urbana
de Raccoon City. Era preciso conter o vírus com enorme rapidez, antes que fosse
tarde demais.
A
Umbrella assegurara que enviaria quantas equipes fossem necessárias até que os
resquícios do vírus fossem totalmente eliminados, mas os incidentes envolvendo
as criaturas, registrados pelos jornais de Raccoon, ocorriam cada vez mais
longe da área inicial de contágio. Um verdadeiro desastre. E para piorar tudo,
seu filho desaparecera ao mesmo tempo em que a Colméia era lacrada.
Spencer
procurava se acalmar, mas era praticamente impossível. Se Wesker falhasse, ele
teria sua bunda pendurada numa das paredes da sede principal na Europa. Sua
carreira, e talvez até sua vida, dependiam do sucesso e lealdade de Albert...
Após
cruzar a porta, Jill Valentine percebeu que estava numa grande sala cheia de
outras entradas. A primeira ficava ao lado da porta que cruzara, junto a um
painel numérico. Do outro lado da sala havia outras duas portas: uma dupla,
mais ao fundo, e outra à esquerda desta. A policial também percebeu que havia
uma extensão da sala na mesma direção, e resolveu averiguar o que poderia
encontrar nela.
A
integrante do S.T.A.R.S. surpreendeu-se quando viu uma enorme colméia no final
da passagem, sua cor amarelada causando um efeito realmente assustador. Jill
sentiu-se dentro de um filme de terror “trash”, cheio de insetos mutantes
nojentos. Sob a colméia, havia uma mesinha de madeira com um artefato dourado.
Aproximando-se alguns passos, temerosa, Valentine percebeu que era uma chave.
Ela
com certeza precisaria daquele artefato, mas e aquela colméia?
–
Acalme-se,
Jill... – suspirou a jovem. – São apenas abelhas, relaxe...
Sim,
mas que tipo de abelhas? Após ter visto uma cobra gigante naquela propriedade,
Jill não ficaria surpresa se aquela colméia abrisse uma enorme boca e a
engolisse assim que chegasse perto!
A
passos cautelosos, a policial se aproximou da mesinha. Após olhar mais uma vez
para a monstruosa colônia de abelhas, Jill finalmente apanhou a chave, num
movimento rápido.
Foi
quando ela ouviu um zumbido. Seu coração disparou, enquanto se virava
instintivamente para trás e começava a correr. O barulho aumentou, e Jill,
olhando para trás, percebeu que enormes abelhas a perseguiam, cada uma do
tamanho de um punho humano.
Desesperada,
a jovem fitou rapidamente a inscrição presente na chave: “003”. Por sorte, a
porta mais próxima, à esquerda de Jill, possuía a mesma numeração.
Como
uma louca, Valentine enfiou a chave na fechadura e a girou, sua cabeça zumbindo
como as abelhas que se aproximavam. Logo que a porta se abriu, Jill saltou para
dentro do escuro corredor, fechando imediatamente a entrada ao ver-se novamente
segura.
Ela
caminhou alguns passos dentro do novo cômodo, seus batimentos cardíacos
voltando ao normal, mas de repente, um forte som vindo da porta fez com que ela
gritasse de susto.
Virando-se,
a policial viu que os ferrões das abelhas haviam atravessado a madeira da
porta, mas elas não conseguiram entrar. Ainda trêmula, coração novamente aos
pulos, Jill passou a explorar o lugar.
O
misterioso sujeito de jaleco havia se trancado dentro da sala de química. Talvez
estivesse protegido dele ali, pois havia alterado o código numérico para
destrancar a porta. Mas apenas talvez...
Ele
sabia muito bem que Albert Wesker era um homem cruel, sem qualquer escrúpulo. E
havia conseguido o cargo de capitão do S.T.A.R.S.! Ninguém em Raccoon City
sabia quem Wesker realmente era, com exceção do chefe do R.P.D., Brian Irons,
um verdadeiro fantoche da Umbrella. O incidente ocorrido no complexo Arklay
havia condenado toda a cidade, cedo ou tarde o vírus atingiria o setor urbano
de Raccoon...
O
indivíduo aproximou-se da pia. Ele devia ter deixado aquela propriedade assim
que Birkin foi transferido para outro laboratório, mas insistira em permanecer
ali, contribuindo para o progresso do projeto “Tyrant”. Agora era tarde mais.
E
ela tomou de assalto seus pensamentos...
Aquele
belo rosto, aquele corpo perfeito, aqueles cabelos negros...
–
Ada...
Talvez
ele nunca mais a visse.
Desolado,
o sujeito aproximou-se da parede ao lado da porta da sala. Tirando um giz
branco de um dos bolsos do jaleco, começou a escrever sobre a madeira a fórmula
da “V-JOLT”, que ele decorara para uma eventual emergência. Era uma forma de
manter sua sanidade.
Na
pequena sala da estátua do tigre, Chris examinava a bela jóia vermelha que
arrancara da cabeça de alce empalhada, na sala onde encontrara aquele misterioso
telegrama junto com Rebecca. Alguém da equipe havia traído os S.T.A.R.S., e tudo
não passava de uma grande armadilha. Porém, naquele momento, Redfield estava
mais preocupado em descobrir que utilidade aquela jóia teria.
Rebecca
dissera algo sobre uma salinha no primeiro andar onde havia a estátua de um
tigre com as cavidades dos olhos vazias, e Chris resolvera averiguar. Agora, o
policial inseria a pedra rubra numa dessas cavidades, sendo que na outra já
havia uma jóia azul.
Assim
que Redfield concluiu a ação, o som de algo se movendo ganhou o cômodo. Era a
estátua, que, girando para dentro da parede, revelou um compartimento secreto.
Curioso, Chris averiguou o que havia nele.
Era
um medalhão circular, dourado, com o emblema de uma águia. Provavelmente aquele
artefato resolveria mais um dos inúmeros enigmas da mansão, e por isso o membro
do S.T.A.R.S. guardou-o consigo.
–
E agora, senhor?
– perguntou Rebecca, sempre disposta a ajudar.
Chris
não sabia ao certo como responder. Enquanto os cidadãos de Raccoon dormiam
tranqüilamente em suas casas, os S.T.A.R.S. estavam ali, livrando a cidade da
ameaça daqueles terríveis monstros, e ainda tinham que se preocupar com um
provável traidor.
–
Vamos dar mais
uma olhada no segundo andar, há algumas portas que ainda não abrimos! – disse
Chris. – Depois seguiremos para os fundos da propriedade, OK?
–
Sim senhor!
O
helicóptero do R.P.D. sobrevoava a escura floresta em círculos, ao redor da
área onde tanto o Bravo Team quanto o Alpha Team haviam desaparecido. Se
arrependimento matasse, Brad Vickers já estaria morto há horas.
–
É impossível
encontrá-los! – exclamou o piloto, desesperado. – Eles simplesmente sumiram,
assim como o Bravo Team! Já tentamos estabelecer contato, mas é inútil!
–
Foi você quem os
abandonou, e será você quem os encontrará! – disse o sargento Wells,
aparentando calma apesar da situação.
–
Cara, isso tudo é
um pesadelo!
Os
dois policiais puderam ver mais uma vez o helicóptero do Bravo Team caído.
Wells, fitando a nuvem de fumaça, decidiu tomar uma atitude arriscada. Brad
descobriu o que era ao perceber a mudança na expressão facial do sargento.
–
Não, você não vai
fazer isso! – exclamou Vickers, trêmulo.
–
Eu, não. Nós
vamos fazer!
–
Não, não e não!
Totalmente fora de cogitação! Eu não vou pousar!
–
Vai sim!
–
Pelo amor de Deus,
aquelas feras estraçalharam o Dewey! Eu não quero terminar como ele!
–
Brad Vickers,
você vai pousar este helicóptero, por bem ou por mal!
Antes
que pudesse responder, Brad viu o cano do revólver Magnum de Wells a poucos
centímetros de sua testa. Vickers conhecia bem o sargento. Se não pousasse a
aeronave, poderia ser mesmo morto por ele.
–
Você manda,
sargento! – resmungou o piloto, fazendo o helicóptero se aproximar da fatídica
clareira.
A
Beretta agiu, e o zumbi veio ao chão, seu corpo decomposto atingindo o chão de
madeira como um saco de pedras. Jill olhou uma última vez para o morto-vivo,
enquanto seu sangue escorria sobre um tapete.
Em
seguida, a policial caminhou na direção de uma estante de livros. Examinando-a
atentamente, Jill percebeu que havia uma fileira de livros vermelhos com apenas
um exemplar faltando. No lugar dele havia uma pasta preta, que ela examinou,
intrigada. Leu então em voz alta o conteúdo da primeira folha:
Instalações da Umbrella – Raccoon
Forest.
Complexo
Arklay (Mansão Lord Spencer):
–
Experiências
biológicas.
–
Desenvolvimento de
vírus.
–
Armazenamento de experimentos em solução criogênica.
Responsável: Oswell Spencer.
Mansão Arklay:
–
Saída de emergência da Colméia (trem subterrâneo).
Responsável: Maxwell Spencer.
Jill
deu uma rápida olhada nas outras páginas. Eram dados técnicos sobre instalações
e funcionários da Umbrella. A empresa realmente possuía vários complexos ao
redor da cidade, conduzindo perigosas experiências. Uma verdadeira
bomba-relógio.
Certa
de que aquela seria uma boa prova contra a empresa, Valentine guardou consigo a
pasta, enquanto continuava a examinar o dormitório. De repente, ela percebeu
que havia um livro vermelho sobre a cama, idêntico àqueles da fileira
incompleta.
A
policial olhou mais uma vez para a estante e depois para o livro. Aquilo tinha
alguma lógica...
Sem
saber o que poderia ocorrer, Jill encaixou o livro no espaço vago na estante...
A
jovem ouviu um som mecânico, que fez com que ela se virasse assustada para sua
direita. Um armário estava deslizando sobre o chão do quarto, revelando uma
porta secreta.
–
Bem engenhoso,
senhores da Umbrella! – murmurou Jill, caminhando na direção da entrada.
Com
um certo temor, a policial tocou a maçaneta. Poderia encontrar algo horrível do
outro lado, mas precisava investigar. Respirando fundo, Jill cruzou a porta.
A
sala era ampla e escura. Os olhos de Jill fitaram primeiramente o chão de
madeira, depois um tapete e...
–
Meu Deus!
Atrás
de Valentine, a porta se fechou. Ela estava sozinha no escuro com uma criatura
abominável, digna daquela casa de infinitos horrores. Jill sentiu-se zonza, e
seu sangue gelou.
Capítulo 10
Planta 42.
De
frente para Jill havia uma enorme planta mutante, que praticamente dominava
toda a sala. Sua raiz estava oculta entre inúmeros, compridos e grossos
tentáculos verdes, que se mexiam freneticamente como se aquilo fosse um polvo e
não um vegetal. No teto estava o ápice da monstruosa planta: uma esfera roxa e
pulsante, de onde partiam os tentáculos.
Horrorizada,
Jill lembrou-se do relatório que Barry lhe mostrara há alguns minutos, sobre a
“Planta 42”. Agora a membro do S.T.A.R.S. a encarava, e não sabia ao certo como
agir.
Mas
aquele monstro não esperou até que Jill pensasse numa estratégia de ataque
eficaz. Ele lançou seus tentáculos na direção da policial, que se esquivou
rapidamente. Mesmo sabendo que aquilo não surtiria efeito algum, Jill mirou com
sua Beretta e começou a atirar contra a planta, tentando atingir a esfera roxa
em sua extremidade superior.
Como
a jovem pensara, aquela tática era inútil. A terrível planta lançou novamente
seus tentáculos sobre Jill, e um deles agarrou seu braço direito. A policial
lutou para se libertar, mas a força exercida pelo vegetal era muito grande.
Valentine tirou sua faca do cinto e, num forte e ágil golpe, cortou o tentáculo
que a aprisionava. Sua Beretta, porém, acabou escapando de sua mão, e em
seguida deslizou pelo chão na direção da planta, desaparecendo entre seus
tentáculos.
Jill
estava livre, mas agora em situação muito pior. Enquanto ela arrancava do braço
o que restara do tentáculo da Planta 42, viu que o monstro preparava novo
ataque, e ela tinha apenas sua faca para se defender.
A
policial cerrou os dentes, e golpeou com a faca o tentáculo mais próximo. Desta
vez Jill não teve sorte: o alvo se desviou rapidamente do ataque, e a jovem
sentiu algo lhe apertando fortemente o ventre. Olhando para baixo, viu que um
outro tentáculo havia envolvido seu abdômen, e agora a erguia do chão.
A
integrante do S.T.A.R.S. não se deu por vencida: começou a esfaquear o membro
da planta, mas o tentáculo não a soltava, e a pressão exercida era cada vez
maior. Jill sentiu dificuldade em respirar, e, sem forças, acabou deixando sua
faca cair. Quando ouviu o som da arma despencando sobre o assoalho da sala, a
policial percebeu que estava perdida.
–
Socorro! – gritou
Valentine, sentindo dor e medo.
Jill
estava suspensa à cerca de dois metros do chão. Ao seu redor, os demais
tentáculos da planta serpenteavam num balé homicida. Ela lembrou-se do
relatório, e também de qual era a principal fonte de alimento da Planta 42,
segundo Henry Sarton: o sangue das vítimas.
–
Não! – berrou
Jill, quase chorando, enquanto os tentáculos se aproximavam de seu corpo. –
Socorro!
Era
o fim. Ela gostaria ao menos de dizer a Chris o quanto o amava, antes de
morrer...
Foi
quando uma porta ao lado daquela que Jill havia cruzado, dupla, se abriu.
De
relance, Jill consegue ver um homem que aparenta ter trinta anos, usando jaleco
de laboratório, de pé enquanto contempla a Planta 42. Valentine não ligava para
quem aquele indivíduo poderia ser. Mesmo se ele trabalhasse para a Umbrella, era
uma pessoa capaz de ajudá-la.
–
Hei, aqui! –
gritou Jill, movendo os braços. – Socorro!
Ela
viu o homem lhe fitar por alguns instantes, coçando o queixo. O que ele estava
esperando? Em poucos segundos aquela coisa sugaria o sangue de Jill como um
vampiro!
O
sujeito sacou uma arma. Apesar da escuridão da sala, Jill percebeu que era um
revólver Magnum. Depois, o provável cientista acoplou algo ao cano da arma que
lembrava um silenciador. Por fim, ele mirou para cima, na direção da esfera
roxa que controlava os tentáculos do monstro. Valentine sentiu um deles tocar
seu rosto, e fechou os olhos.
A
Magnum disparou, mas o som do tiro soou um tanto estranho para Jill.
De
repente, a policial percebeu que o tentáculo que envolvia seu abdômen a prendia
com força menor. Jill abriu os olhos e, enquanto voltava a respirar
normalmente, viu que os tentáculos da Planta 42 moviam-se de forma diferente.
Eles pareciam agonizar, em meio a um som borbulhante.
Sem
mais nem menos, o tentáculo soltou Jill, que caiu sentada sobre o tapete da
sala. Ela recuou alguns passos na direção do homem, que observava o fim do
monstro com um sorriso: toda a planta mudou de cor, seus tentáculos desfaleceram,
e a grande esfera roxa caiu do teto, derretendo sobre os restos do vegetal,
enquanto uma espécie de ácido abria um buraco no assoalho.
Jill
olhou para seu salvador que, fitando-a, murmurou:
–
Um dardo de
V-JOLT... Sabia que iria funcionar!
–
Quem é você?
O
homem de jaleco arregalou os olhos e, num movimento rápido, deixou a sala por onde
entrou. Jill viu-se sozinha mais uma vez, tendo em mente mil perguntas que
gostaria de fazer àquele sujeito. Porém, não o perseguiu. De alguma maneira,
ela sabia que voltaria a encontrá-lo antes de deixar aquele lugar.
Após
um suspiro, a jovem apanhou sua faca, intacta sobre o chão. Em seguida,
caminhou até a borda do buraco feito pelo ácido da Planta 42. Era bem grande, e
através dele era possível acessar uma sala subterrânea, alagada, onde havia
algo como uma mesa de reuniões.
–
Deve ser esse o
tal laboratório... – murmurou a policial. – Mas preciso de uma arma!
De
fato, sua Beretta não existia mais, e ela não iria muito longe apenas com uma
faca. Mesmo assim, Jill abaixou-se à borda do buraco e, decidida, saltou pela
abertura.
Após
cruzar o frio e úmido corredor, Wesker desceu por uma pequena rampa e suas
calças foram encharcadas pela água que havia inundado aquela parte do complexo.
O capitão do S.T.A.R.S. pensou no enorme prejuízo para a Umbrella devido àquele
incidente: equipamentos destruídos, brilhantes pesquisadores transformados em
zumbis carniceiros sem qualquer ego, e ainda por cima o risco do vírus atingir
a parte urbana de Raccoon City, onde a companhia possuía inúmeras instalações.
Realmente, aquilo era um irremediável desastre para Spencer e a família
Ashford.
Wesker,
com certo receio, tocou a maçaneta da porta que o levaria até a área onde os
Neptune estavam sendo desenvolvidos. Ele tinha noção do perigo que aquele setor
representava, mas o único meio de abrir as jaulas dos MA-121 era através do
painel de controle situado numa das salas daquele subsolo. Sem eles à solta, os
dados de combate dos mutantes ficariam incompletos.
Albert
cruzou a porta, e viu-se numa área quadrangular, onde, no centro, estava
situado o tanque de cultivo dos Neptune. A água chegava até sua cintura, o que
tornava impossível correr. Teria que evitar os mutantes a qualquer custo, mesmo
com tal desvantagem.
O
capitão do S.T.A.R.S. seguiu em frente, ignorando uma porta enquanto contornava
o tanque. Nenhum sinal dos Neptune. Wesker ficou apreensivo.
Súbito,
um vulto surge de uma curva do corredor, sob a água, bem à frente da porta que
Wesker pretendia alcançar.
Com
sua Desert Eagle em mãos, Albert tenta mover-se de forma mais rápida, enquanto
uma barbatana surge de dentro d’água, assim como nos famosos filmes de Steven
Spielberg. Os Neptune eram tubarões assassinos criados através do T-Virus, e um
deles estava a caminho de Wesker...
A
porta não estava tão longe, mas o capitão não seria capaz de alcançá-la a
tempo. Wesker apenas parou e mirou na barbatana, enquanto, para seu espanto,
outros dois vultos, menores, surgiam pelo outro lado. Estava cercado.
Mas,
quando Albert pensou serem aqueles seus últimos momentos, ouviu um som
mecânico. Ele olhou mais uma vez para os dois tubarões menores se aproximando
por um dos lados do corredor, e percebeu que o nível da água estava baixando.
Ela estava sendo drenada.
Em
questão de segundos, a água batia nos calcanhares de Wesker, e os três
tubarões, que por pouco não haviam conseguido alcançar o capitão, começaram a
saltar sobre o chão molhado do corredor, como inofensivos peixinhos retirados
do aquário. Albert sorriu, mas aquilo significava uma coisa: alguém havia acionado
a drenagem do setor através do mesmo painel de controle que Wesker precisava operar.
Súbito,
a porta que o capitão do S.T.A.R.S. pretendia cruzar se abriu, e Wesker
instintivamente apontou a Desert Eagle na direção do barulho.
–
Capitão, não
atire! – exclamou uma voz que Wesker conhecia muito bem. – Sou eu, Jill!
Albert
deu um sorriso sem graça, tentando ocultar sua raiva, e baixou a pistola. Como
sempre, os S.T.A.R.S. justiceiros interferindo em seus planos...
–
Jill! – disse
Wesker, caminhando na direção da jovem. – Então você está segura!
–
Sim, eu e Barry
viemos para este lugar, e também encontramos Enrico. Há pouco descobri este
subsolo, e usei uma chave que havia encontrado para destrancar aquela sala e
drenar a água, aniquilando os tubarões!
–
Meu Deus... A
Umbrella realmente criou monstros terríveis nesta propriedade... Obrigado,
Jill. Se não fosse você, acabaria sendo devorado por aquelas coisas!
A
voz de Albert não demonstrava muita gratidão. Jill observou brevemente os
tubarões saltando à beira da morte. Em seguida, perguntou a Wesker:
–
Então você já
sabe que a Umbrella causou tudo isto?
–
Sim, encontrei
alguns documentos bem comprometedores – respondeu o capitão, ajeitando os
óculos escuros. – De qualquer maneira, escute-me bem. Ainda há inúmeros mutantes
circulando pela área, e nossa munição é limitada. Nós não podemos proteger nem
a nós mesmos. Quero que você suba de volta e encontre Barry e Enrico. Depois,
dirijam-se para o jardim, e aguardem novas ordens!
–
Entendido! Vou
subir, encontrar os rapazes e tentar assegurar nossa rota de fuga!
–
Você faria isso?
Estou contando com você!
Wesker
virou-se e entrou na sala da qual Jill acabara de sair. A jovem bateu
continência e seguiu pela direção oposta. Havia algo de errado com o capitão.
Ele estava estranho...
Barry
cruzou o enferrujado portão, e viu-se novamente no pátio onde havia uma queda
d’água, em meio aos corpos dos cães mutantes que ele e Jill haviam aniquilado. O
pai de família achou que seria bom sair para tomar um pouco de ar fresco, mas a
brisa da madrugada era fria e mórbida, e fazia apenas com que Burton lembrasse
de seus companheiros mortos. Barry deu alguns passos, pensando em voltar à
mansão, porém, subitamente, ouviu alguém engatilhar uma arma atrás de si.
–
Mas o quê? –
exclamou o membro do S.T.A.R.S., virando-se na direção do som pronto para
atirar com sua Magnum.
–
É melhor não
tentar reagir, Barry! – sorriu Enrico Marini, com o cano da bazuca que segurava
encostado na barriga de Burton. – Já sei de tudo! Você e Wesker estão
trabalhando para a Umbrella! Seus miseráveis! Nossos companheiros morreram por
causa desse jogo sujo de vocês!
–
Acalme-se,
Enrico... – suspirou Barry, sem abaixar sua arma. – Posso explicar tudo!
–
E eu pensei que
você fosse uma pessoa honesta... Quanto receberá da Umbrella por este serviço?
Alguns milhares de dólares?
Nisso,
a conversa dos dois foi interrompida por um estranho barulho vindo da queda
d’água. Pareciam passos. Logo um vulto surgiu da cachoeira, corcunda, se
aproximando lentamente. Barry e Enrico apontaram suas armas para o provável
mutante.
–
O que é aquilo? –
perguntou Marini.
–
Não sei! Wesker
me pressionou a auxiliá-lo, Enrico! Estou tão surpreso com este lugar quanto
você!
O
monstro, então, pôde ser visto com nitidez pelos dois policiais: tratava-se de
um humanóide parecido com um réptil, corpo coberto de escamas verdes. Sua boca
possuía dentes afiados, e cortantes garras podiam ser vistas em suas mãos e
pés.
A
aberração soltou um grito estridente, e avançou na direção de Barry e Enrico. O
primeiro disparou com a Magnum, mas o monstro não parou, atacando Marini antes
que este pudesse usar a bazuca. As garras do mutante penetraram no abdômen do
líder do Bravo Team, que soltou um grito de dor. Quando a criatura estava
prestes a desferir um novo golpe contra Enrico, desta vez para arrancar sua
cabeça, Burton atirou mais uma vez, e o monstro caiu morto, aos berros.
–
Enrico, você está
bem?
Marini
sentou-se sobre o chão do pátio, mordendo os lábios, uma de suas mãos cobrindo
o ferimento causado pelo mutante. Sangue escorria sobre o concreto.
–
Eu ficarei bem...
Após
dizer isso, a visão de Enrico começou a sumir, e vencido pela dor e cansaço, o
líder do Bravo Team caiu desmaiado.
–
Droga... –
murmurou Barry, abaixando-se ao lado do amigo enquanto examinava a gravidade do
ferimento. – Não posso deixá-lo aqui inconsciente!
–
Mas terá que
deixar! – exclamou alguém atrás de Barry.
Burton
virou-se. Lá estava Wesker, ameaçador como sempre. Ele caminhou até Barry,
olhando para o cadáver do monstro.
–
Como você pode
ver, eu acabei de soltar os MA-121 – explicou o capitão do S.T.A.R.S. – A
partir de agora, nenhum lugar neste complexo é seguro. Esses mutantes são
verdadeiros caçadores!
De
fato, os MA-121, apelidados de “Hunters” pelos pesquisadores, eram exímios
caçadores, criados pelo doutor William Birkin, gênio da Umbrella, com o
objetivo de eliminar aqueles que por algum motivo não fossem infectados pelo
T-Virus em caso de uma guerra biológica.
–
Como vocês
criaram essas aberrações?
–
DNA humano mais
DNA réptil, além do T-Virus – respondeu Wesker. – Valentine ainda está na casa
dos fundos, e Chris e Rebecca provavelmente já morreram dentro da mansão! É
nossa chance de chegar ao laboratório e completar os objetivos que restam!
–
Você encontrou a
bateria?
–
Sim, está aqui.
Com ela poderemos suprir a energia daquele outro elevador, subir por ele,
interromper o fluxo d’água e descer pela abertura ocultada pela cachoeira.
Vamos, não temos muito tempo!
–
Wesker, apenas
mais uma coisa...
–
Sim?
–
Você contatou os
assassinos da Umbrella que estão vigiando minha família? Elas ficarão bem?
O
capitão do S.T.A.R.S. deu um sorriso sádico e respondeu:
–
Elas ficarão bem
se você cumprir minhas ordens até o fim, entendido?
–
Sim.
–
Ótimo. Vamos!
Barry
seguiu Wesker até o elevador, desejando em seu íntimo que o superior fosse decapitado
por uma daquelas horrendas criaturas que ajudara a criar.
Capítulo 11
Caçadores e presa.
Chris
e Rebecca, apreensivos, entraram na salinha do segundo andar da mansão, onde
havia uma lareira e, felizmente, nenhum monstro. Os dois integrantes do S.T.A.R.S.
respiraram fundo, e viram que existia outra porta no cômodo, além daquela que
haviam acabado de cruzar.
Redfield
olhou para a jovem, e sem que o rapaz precisasse dizer nada, Rebecca assentiu
com a cabeça. Chris caminhou até a porta e, vendo que estava trancada, usou a
chave que havia encontrado na banheira para abrir caminho. O policial girou a
maçaneta e caminhou para dentro da nova sala, seguido por Chambers.
O
lugar era uma espécie de sala de estar, piso xadrez, possuindo também uma
lareira. Havia bonitos quadros nas paredes e, junto a estas, confortáveis
cadeiras ao lado de pequenas mesas. Num dos cantos do cômodo havia um piano
azul-escuro, em cuja direção Rebecca seguiu.
Chris
ficou parado no meio da sala, admirando o ambiente, enquanto Chambers examinava
as teclas do piano. Lembrou-se da passagem secreta no primeiro andar, revelada
quando a jovem tocou “Moonlight Sonata” num piano aparentemente ordinário, e
pensou que talvez aquele instrumento fosse a chave para mais um enigma daquela
casa.
Sem
compromisso, Rebecca pressionou algumas teclas do piano, e o som atraiu a
atenção de Chris. O rapaz olhou para a jovem, mas antes que pudesse dizer
qualquer coisa, um barulho diferente invadiu a sala.
Súbito,
uma criatura abominável surgiu pelo buraco da lareira, colocando sua cabeça
para fora: era uma cobra enorme, dentes afiados, que rastejou para dentro da
sala de estar, emitindo sons répteis.
–
Rebecca! – gritou
Chris.
A
cobra gigante, de costas para o rapaz, encurralava a perplexa Rebecca junto ao
piano. Mulher e animal se encararam por um instante, imóveis, e a cobra lançou
sua cabeça com o intuito de abocanhar Chambers. Esta, numa cambalhota,
esquivou-se do ataque, e os dentes do monstro afundaram no chão. Quando a cobra
ergueu novamente a cabeça, tinha um grande pedaço do piso na boca, que esmagou
através de sua poderosa mandíbula.
Chris
mirou com sua espingarda na direção do réptil mutante e disparou, enquanto
Rebecca, assustada, corria na direção do policial. As balas atingiram a
garganta da cobra, que soltou um berro, enquanto sangue roxo escorria sobre o
chão xadrez. Chambers sacou sua pistola e também atirava no monstro, que se
aproximou dos dois.
–
Morra, sua
aberração! – gritou Chris, enquanto a calibre 12 cuspia fogo como um dragão.
Os
disparos perfuravam o mutante, que era tomado por fúria cada vez maior. A cobra
investiu novamente, tentando desta vez engolir Chris, mas este foi rápido e
esquivou-se num salto. Nesse instante, Redfield percebeu que havia um ferimento
na cabeça do réptil que não fora provocado por ele e Rebecca, e, cerrando os
dentes, apontou a espingarda na direção do achado. No momento em que o monstro
encurralava Rebecca junto a uma parede, Chris disparou...
As
balas atingiram o ferimento em cheio, e a cobra soltou um berro agonizante, seu
corpo perdeu as forças. Chris e Rebecca recuaram, enquanto o cadáver do mutante
derretia sobre uma poça de sangue roxo.
–
Rebecca, venha
ver isto! – disse Redfield, caminhando na direção do piano que a jovem
examinara.
Chambers
se aproximou, e viu que Chris estava abaixado à borda do escuro buraco feito
pela cobra quando esta abocanhara um pedaço do piso.
–
Um buraco? –
indagou Rebecca.
–
Sim... Parece
fundo, mas está escuro e não consigo enxergar direito...
–
Eu tenho uma
corda aqui, Chris! – sorriu a jovem. – Quando o helicóptero caiu, eu a trouxe
achando que talvez precisássemos!
–
Você pode
pendurar a corda na borda do buraco para que eu desça?
–
Sim senhor! –
respondeu Rebecca, batendo continência.
Brad,
trêmulo, observava através do vidro do helicóptero o sargento Peyton Wells, que
caminhava pelo matagal onde o piloto havia abandonado o Alpha Team. Para
assegurar que o “coração de galinha” não decolasse sozinho, Peyton havia
instalado um explosivo C-4 na cabine da aeronave, e o detonaria caso ouvisse o som
de hélices girando.
Após
mais alguns passos, o sargento encontrou algo em meio à vegetação. Era um
cadáver totalmente dilacerado. Olhando mais atentamente, Wells percebeu que
havia pedaços dele por toda parte. Aquele era Kevin, co-piloto do Bravo Team.
–
Meu Deus... –
murmurou Peyton, tomado por repentino enjôo.
Horrorizado,
o sargento pegou seu rádio e tentou mais uma vez contatar os companheiros. Eles
tinham que estar vivos!
Jill
cruzou a porta de madeira, sentindo a gélida brisa da madrugada atingir seu
rosto. Após procurar por Barry e Enrico em quase toda a casa dos fundos, a
jovem resolveu voltar à área externa em busca dos companheiros. Assim que deu
alguns passos sobre o concreto, Valentine ouviu um “bip”.
–
O rádio!
A
policial apanhou rapidamente o aparelho, enquanto uma voz exclamava, abafada
pela estática:
–
Aqui é o sargento
Peyton Wells! Alpha Team, responda! Repito, aqui é Peyton Wells! Responda Alpha
Team, pelo amor de Deus!
Valentine
apertou um pequeno botão no rádio, e respondeu:
–
Aqui é Jill Valentine,
Alpha Team! Peyton, você está me ouvindo?
Após
breve silêncio, a voz de Wells surgiu novamente no aparelho:
–
Alpha Team! Aqui
é o sargento Wells! Alguém me escuta?
Jill
desistiu e, guardando o rádio, gritou, irritada:
–
Droga! Está
quebrado!
A
jovem seguiu em frente, perguntando-se se ela e os outros conseguiriam escapar
vivos daquele pesadelo. E Chris, estaria bem? Jill lembrou-se de quando fora
visitar o pai na prisão, três anos antes, e ele a aconselhara a seguir carreira
policial. No início Valentine achara aquilo uma piada, não sabia como uma
ex-ladra poderia ingressar na polícia, mas sua habilidade em destrancar
fechaduras mostrou-se útil aos S.T.A.R.S., e ela passou a fazer parte do Alpha
Team em Raccoon City. Nunca imaginara que enfrentaria algo tão terrível quanto
estava sendo aquela noite...
Jill
cruzou o portão enferrujado e ganhou o pátio onde ela e Barry haviam eliminado
alguns daqueles cães sem pele. Seus corpos ainda se encontravam lá, mas algo
estava diferente. A policial percebeu que não havia mais queda d’água, e no
lugar onde ficava a cachoeira era possível ver uma abertura no chão, com uma
escada de metal. Além disso, sobre o concreto do pátio havia uma poça de sangue
próxima a uma bazuca.
Valentine
perguntou-se a quem pertenceria aquela arma e, como possuía apenas uma faca,
apanhou o achado. Em seguida, caminhou na direção da abertura antes ocultada
pela queda d’água. Seu escuro interior era um verdadeiro mistério, o qual a
policial pretendia desvendar.
Com
tal determinação, Jill desceu pela escada, suas mãos agarrando firmemente os
frios degraus.
As
botas de Chris tocaram o chão, e ele soltou a corda. A área secreta era pequena
e estreita, possuindo chão de terra, paredes de pedra e, de frente para
Redfield, a lápide de um túmulo. O atirador se aproximou para ler o que estava
escrito nela: “George Trevor: 1920-1967”.
Chris,
então, notou que havia um pequeno botão num dos lados da lápide, quase
imperceptível. Ele o pressionou, fazendo com que a pedra sobre o túmulo se
movesse, revelando uma abertura com uma escada de metal. Mais uma passagem
secreta.
–
Rebecca! – gritou
Redfield, olhando para cima.
–
Sim? – respondeu
Chambers, à beira do buraco.
–
Encontrei uma
passagem secreta, e vou descer para averiguar! Espere aí em cima, se estiver
segura eu chamo você!
–
OK!
O
membro do S.T.A.R.S. começou a descer pela escada, agarrando os degraus com
apreensão. Logo que concluiu a descida, Chris percebeu que estava num corredor
subterrâneo, de paredes, chão e teto de concreto. Aparentemente não havia sinal
de vida, mas após alguns passos, o policial ouviu um estranho som.
Era
um grito, de fazer doer os ouvidos. Instintivamente, Chris apontou sua
espingarda, notando que havia uma extensão do corredor para a direita. Foi
dessa direção que surgiu uma estranha criatura, verde, de aparência réptil,
garras e dentes afiados.
–
Quê? –
espantou-se o atirador.
O
monstro, ao notar Chris, veio correndo em sua direção preparando um golpe com
suas garras. Redfield, porém, foi mais rápido ao disparar com a espingarda,
fazendo a bizarra criatura cair para trás, ainda respirando.
–
Mas que diabos!
O
mutante se levantou, ainda mais enfurecido. Gritando, saltou na direção de
Chris, suas garras tendo como alvo o pescoço do jovem. Agilmente, o rapaz
acertou o monstro no ar, fazendo com que caísse a seus pés, agonizante.
–
Que coisa é essa,
afinal? – indagou Chris, fitando a criatura moribunda, que respirava com
dificuldade.
Cauteloso,
Redfield prosseguiu pelo corredor, pronto para atirar em qualquer coisa que se
movesse. Para seu espanto, ao passar em frente à extensão do caminho de onde
saíra o mutante, Chris ouviu outro grito.
–
Oh, não!
Antes
que pudesse reagir, outro monstro verde o atacou, saltando sobre seu corpo.
Chris foi derrubado no chão, enquanto a criatura, raivosa, tentava cravar suas
garras no rosto do policial. Ele procurava com todas as forças livrar-se
daquela aberração, mas ela era muito forte. Quando Redfield estava prestes a
ceder, porém, ouviu-se um tiro.
O
monstro soltou um berro altíssimo, e caiu de lado, morto. Um pouco do sangue da
criatura sujou o uniforme de Chris, que se levantou, confuso. Olhando para a
passagem, o rapaz viu um homem de jaleco lhe apontando um revólver Magnum.
–
Não atire! –
gritou o jovem.
–
Você é um dos
S.T.A.R.S., não? – perguntou o misterioso sujeito.
–
Sim, mas quem é
você?
–
Meu nome é John,
John Howe. Eu trabalhava aqui.
O
homem abaixou a arma. Olhando para o chão, explicou, num suspiro:
–
Nós
desenvolvíamos pesquisas ilegais neste lugar. Armas biológicas. Mas houve um acidente
no laboratório, há pouco mais de dois meses. Perdemos toda a equipe.
–
Eles se
transformaram em zumbis, não?
–
Sim, o T-Virus é
um retrovírus capaz de reviver células mortas. Porém, os seres reanimados por
ele apresentam atividade cerebral mínima, suficiente apenas para que eles sobrevivam
seguindo seus instintos...
–
E isso inclui se
alimentarem...
–
Exato. O corpo
continua em estado de putrefação, mas eles vagam por aí, em busca de carne
fresca, exatamente como num filme de terror...
–
Este lugar
precisa ser destruído de alguma maneira, para deter a infecção!
–
Nós podemos fazer
isso através do sistema de autodestruição...
–
Autodestruição?
Existe um sistema de autodestruição?
–
Sim. A Umbrella
equipou todos os seus laboratórios secretos com sistemas de autodestruição,
para destruir provas que a incriminassem, se necessário. Há bombas incendiárias
enterradas por toda esta propriedade. Nós precisaríamos apenas ativar a
contagem regressiva, na sala de energia do laboratório...
–
Como podemos
chegar ao laboratório?
–
Através de um
trajeto que tem início neste setor. Você está com alguém?
–
Minha companheira
ficou lá em cima!
–
Vá buscá-la,
levarei vocês até o laboratório. Há algo que precisam saber...
–
OK!
Chris
virou-se e seguiu na direção da escada. Finalmente, as coisas pareciam estar
dando certo para os S.T.A.R.S., e principalmente para ele e Rebecca...
Capítulo 12
No subsolo.
Concluindo
a descida, Jill viu-se numa pouco iluminada e úmida passagem subterrânea, de
paredes, chão e teto rochosos. A policial preocupou-se com o que poderia
encontrar naquele lugar sombrio, e verificou a munição da bazuca. Ela tinha
quatro disparos, mas seria o suficiente?
Valentine
caminhou alguns passos, suas botas tocando as pedras. Havia uma porta de ferro
enferrujada próxima a Jill. O caminho no qual a jovem se encontrava seguia em
frente e fazia uma curva à esquerda, mas a integrante do S.T.A.R.S. resolveu
averiguar primeiro o que havia depois daquela entrada.
Ela
tocou a fria maçaneta, empurrando a pesada porta com seu corpo. Do outro lado a
galeria subterrânea continuava numa bifurcação, mas havia alguém no meio do
caminho, de costas para Jill. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, o
homem virou-se, apontando um revólver Magnum. Era Barry Burton.
–
Barry! – exclamou
Valentine.
–
Jill! Graças a
Deus você está bem!
–
Por que você
deixou a casa dos fundos sem me avisar? Estava preocupada!
–
Bem, eu estava no
pátio quando ouvi alguém gritando aqui embaixo... Parecia ser o Enrico!
–
Eu encontrei
Wesker há pouco. Ele parecia atordoado...
Jill
fitou os olhos cansados de Barry por um instante. Ele estava estranho, assim
como o capitão. Quando percebeu que a companheira o examinava, Burton inclinou
a cabeça, como se estivesse envergonhado.
–
Barry, há algo
errado?
–
Não se preocupe,
Jill... É apenas cansaço, eu ficarei bem... De qualquer maneira, nós temos que
descobrir o lugar para onde estes túneis se dirigem! Talvez seja nossa única
rota de fuga!
–
É verdade, mas...
–
Você vem comigo,
Jill?
A
jovem hesitou por um instante, fitando o chão. Pela primeira vez em anos de
trabalho, ela estava insegura em relação a Barry. Porém, ele era o mais
experiente entre os S.T.A.R.S. de Raccoon City, e a policial simplesmente tinha
que confiar nele. Burton queria o bem de todos, afinal sua família vivia na
cidade e estaria em risco se aquelas criaturas não fossem aniquiladas.
–
OK, vamos! –
respondeu Jill, não muito animada.
–
Hei, o que há?
Você quer que eu vá à frente?
–
Não, Barry,
obrigada. Apenas vamos logo, estou dependendo de você!
Barry
assentiu com a cabeça, e os dois seguiram pelo lado direito da bifurcação.
Chris,
Rebecca e John seguiam por um úmido, estreito e frio túnel de concreto, após
terem cruzado uma passagem secreta no subsolo da mansão. Nervosos, os três
respiravam com dificuldade, segurando suas armas com o máximo de cautela. Um
monstro horrendo poderia surgir da escuridão a qualquer instante.
Foi
quando um estranho odor tomou o ar. Chris e Rebecca já conheciam aquele cheiro
por causa dos zumbis, era carne podre. Porém, estava muito mais forte, a ponto
de provocar náuseas e dor de cabeça.
–
De onde vem esse
cheiro tão ruim? – perguntou Rebecca, tapando o nariz.
–
Vejam vocês
mesmos! – respondeu John.
O
grupo venceu uma curva do túnel para a direita, e viu-se numa passarela de
metal alguns metros acima de um tanque de água suja e fétida, a qual era
despejada através de um cano numa das paredes do lugar. O pior era o que havia
na água...
–
Mas que merda! –
gritou Chris.
Lá
embaixo, boiando na água imunda, havia dezenas de cadáveres de cientistas,
todos decapitados e em estado de decomposição. Rebecca não pôde mais agüentar e
vomitou sobre o tanque.
–
Mas que diabos
houve aqui? – perguntou Redfield, enojado.
–
Todo o esgoto do
complexo era despejado aqui – explicou John. – Quando o vírus escapou, os
cientistas que estavam no laboratório foram os primeiros infectados. Como a
única maneira eficiente de deter os zumbis é queimar seus corpos ou destruir
seus cérebros, esses pobres pesquisadores foram decapitados e seus corpos
jogados aqui!
Os
dois homens olharam então para Rebecca, que se recompunha. Aquele pesadelo
parecia sem fim.
–
Vamos em frente!
– exclamou John, caminhando na direção do túnel do outro lado da passarela.
Chris
e Rebecca o seguiram.
Jill
e Barry cruzaram mais uma porta de metal. A caverna pouco iluminada fazia uma
curva para a esquerda. Valentine seguiu à frente, enquanto Burton olhava ao
redor, pensativo. Ele estava realmente muito estranho.
Quando
a policial terminava de contornar a passagem, ouviu uma voz conhecida exclamar:
–
Quem está aí?
O
coração da jovem disparou.
–
É você, Enrico? –
indagou ela.
Apesar
da escuridão, Jill pôde identificar Enrico Marini sentado junto a uma das
paredes rochosas do local, Beretta em mãos e um grave ferimento no abdômen.
–
Você está com
alguém, Jill? – perguntou Enrico friamente, olhando fundo nos olhos de Valentine.
–
Enrico! –
exclamou Barry, que surgiu ao lado de Jill.
Marini
deu um sorriso cínico e disse num tom sarcástico:
–
Então, Barry e
Jill juntos!
–
Enrico, o que
houve? – perguntou Valentine. – Você está ferido! O que atacou você?
–
Pergunte ao
Barry!
Jill
olhou para Burton sem entender. Este apenas fitou brevemente os olhos da
companheira e voltou a olhar para Enrico, com um leve rubor no rosto.
–
Ouça bem, Jill! –
exclamou Enrico. – Os S.T.A.R.S. estão sendo aniquilados! Alguém é um traidor!
Tudo foi planejado desde o início pela Umbrella e...
Súbito,
um alto som toma a caverna. Era um tiro. Havia agora um buraco rubro no peito
de Enrico, que tentou dizer, enquanto sangue escorria por seus lábios:
–
Traidor...
Umbrella... Cuidado!
O
líder do Bravo Team desfaleceu, enquanto seu sangue tingia o chão de pedra.
Estava morto.
–
Enrico! – gritou
Jill, num tom angustiante.
Outro
barulho. Passos, e rápidos. O assassino de Enrico estava fugindo. Jill e Barry
se viraram instintivamente para trás. Valentine correu, com a esperança de ver
o rosto do traidor.
Porém,
após vencer a curva, a única coisa que viu foi um vulto humano cruzando a porta
de metal, identidade protegida pela escuridão. Jill suspirou, enquanto Barry se
aproximava.
–
Ele não teve a
menor chance! – disse Burton, revoltado. – Estava ferido, não conseguiria se
esquivar do tiro!
A
policial balançou a cabeça. Para piorar, havia agora um traidor entre eles.
Um
novo som. A porta de metal novamente se abriu...
–
Quem está aí? –
perguntou Jill, temerosa.
A
resposta foi um grito estridente emitido por um humanóide esverdeado coberto de
escamas, possuindo garras e dentes afiados. Com o corpo dormente devido ao
susto, Valentine apontou a bazuca para o monstro, enquanto Barry mirava com sua
Magnum.
No
instante que se seguiu, os policiais e o mutante pareceram aguardar quem
atacaria primeiro. A resposta veio quando a criatura correu na direção de Jill,
garras apontadas para o tórax da ex-ladra. Esta, mordendo os lábios, apertou o
gatilho de sua arma...
O
projétil atingiu em cheio o peito do monstro, que explodiu em pedaços. Enquanto
fitava o que havia restado da aberração verde, Jill exclamou:
–
Que são essas
coisas?
–
Não sei, mas eu
não vou ficar aqui esperando que elas me matem! – disse Barry, checando a
munição de sua arma. – Vamos, talvez ainda possamos alcançar o atirador!
Jill
assentiu com a cabeça, e a dupla cruzou a porta de metal.
O
túnel de concreto havia se transformado numa caverna mais larga, paredes
rochosas. John seguia sempre à frente, acompanhado por Chris e Rebecca.
De
repente, Chambers tropeça em algo, caindo sobre o chão duro e frio. Chris pára
imediatamente e ajuda a jovem a se levantar, perguntando:
–
Você está bem?
–
Apenas algumas
escoriações... – murmurou Rebecca, olhando para os cotovelos arranhados. – Mas,
no que eu tropecei?
Os
dois S.T.A.R.S. se voltam para trás. Rebecca tropeçara no cadáver de um homem
usando roupa tática preta e máscara de gás. Havia um profundo ferimento em seu
tórax.
–
Ele era um dos
guardas da mansão – explicou John. – Foi vítima de um MA-121.
–
Como assim? –
indagou Chris. – Você quer dizer vítima de uma daquelas criaturas que me
atacaram embaixo da mansão?
–
Exato!
Enquanto
isso, Rebecca examinava o cadáver.
–
Um ferimento
profundo provocado por garras afiadas ou algo parecido – concluiu a bioquímica.
– Ele não teve chance de defesa!
Ela
percebeu que havia algo junto ao corpo. Era uma arma, mais precisamente uma
submetralhadora H&K.
–
Você precisa de
uma arma melhor, leve essa com você, Rebecca! – disse Chris.
Chambers
apanhou a submetralhadora, engatilhando-a. Era difícil dizer o quanto Rebecca
havia amadurecido naquela noite. De uma recruta imatura e insegura, disposta a
tudo para agradar seus superiores e mostrar-se útil, a jovem se tornava mais
independente e decidida a cada instante.
–
Vamos em frente! –
exclamou John.
–
Espere! – pediu
Chris. – Gostaria que você me explicasse algo!
–
Sim?
–
Como escapou
ileso à infecção do vírus?
–
Eu fui um dos
primeiros infectados, no laboratório... Mas fui salvo graças a uma vacina
experimental. Codinome: “ANGEL”.
–
Então existe
cura? – perguntou Rebecca, olhos brilhando.
–
Eu injetei em mim
a última dose disponível...
A
caminhada prosseguiu.
Wesker
cruzou rapidamente mais uma porta metálica e, sem fôlego, parou de correr. Ele
não queria ter matado Enrico, mas foi necessário. Havia se exposto enormemente
ao fazê-lo, porém o líder do Bravo Team acabaria dando com a língua nos dentes.
Barry havia alertado que ele sabia sobre a traição dos dois. Agora Marini não
representava qualquer tipo de ameaça. No fundo, era um alívio.
Mas
os problemas de Wesker ainda não haviam acabado. Jill ainda estava viva, Chris
provavelmente também, e Rebecca, apesar de improvável, talvez ainda não tivesse
sido devorada por um zumbi ou decapitada por um Hunter. Para piorar, John Howe
havia sobrevivido ao T-Virus e também vagava pelas instalações.
Só
nesse instante Wesker percebeu onde estava. Olhando para a direita, o capitão
do S.T.A.R.S. viu uma enorme pedra redonda bloqueando a passagem.
–
Você não perde
por esperar, Jill! – murmurou o traidor, com um sorriso maléfico.
Jill
seguia em frente pelo túnel úmido, quando de repente parou. Havia um enorme
buraco no chão, o qual impossibilitava que Valentine atingisse o outro lado,
onde havia uma porta.
–
Droga! –
praguejou a policial.
A
jovem viu que seria obrigada a recorrer aos conselhos do pai para solucionar
aquele problema. O sonho de Dick Valentine era que a filha se tornasse uma
grande ladra, e para isso lhe transmitira todos os seus conhecimentos, os quais
poderiam auxiliar Jill naquele momento.
Ela
olhou para uma das paredes do túnel. Próxima ao buraco havia uma placa de metal
com um buraco hexagonal no centro. Foi então que Jill se lembrou do que Barry
havia encontrado no corpo de Enrico e em seguida lhe havia entregado: uma
manivela.
Valentine
retirou o artefato de seu cinto e percebeu que a haste do objeto também tinha
seis lados. Aquela manivela deveria ser usada exatamente naquele local.
Jill
inseriu o artefato no buraco e o girou. Sem precisar exercer muita força, a
policial ouviu um som mecânico. Para seu espanto, logo em frente as paredes
estavam girando! Ela continuou movendo a manivela, com todo o túnel tremendo,
até que o buraco foi tapado pelo que antes era o teto da passagem.
A
jovem sorriu, perguntando-se sobre a mente engenhosa e nefasta que havia
projetado aquele lugar. Em seguida caminhou na direção da porta, insegura e
preocupada. Afinal, quem seria o traidor da equipe?
Seria
o Chris? Não, Jill repudiava essa idéia. O rapaz era uma pessoa honesta e de
bom caráter, e era isso que a policial mais admirava nele, acima de suas
capacidades físicas e sua habilidade como atirador. E Barry? Ele realmente
estava muito estranho, e por que Enrico teria mandado que Jill perguntasse a
Burton sobre o que havia lhe atacado? Estaria Barry escondendo algo do grupo,
mesmo sendo um antigo membro do S.T.A.R.S. e ótimo pai de família?
Jill
estava incerta, e resolveu evitar pensar sobre o assunto. Ela tocou a maçaneta
fria da porta, ainda mais incerta sobre o que encontraria do outro lado. A cada
porta cruzada naquele lugar, um novo susto aumentava o medo daqueles que
lutavam pela sobrevivência.
Capítulo 13
Viúva-Negra.
Chris,
Rebecca e John estavam terrivelmente cansados. As galerias subterrâneas
pareciam intermináveis. Temiam que uma criatura horrenda surgisse a qualquer
momento da escuridão. Após mais alguns metros, encontraram uma escada de metal.
O cientista informou:
–
Estamos quase
chegando! Logo estaremos de volta à superfície e, se tudo der certo, obteremos
acesso ao laboratório principal sem mais problemas!
–
Este lugar é um
verdadeiro labirinto! – exclamou Chambers. – O responsável pela construção
desta propriedade realmente pensou em tudo!
–
Acredite, ele
desejou não ter pensado quando acabou preso neste lugar, à mercê dos assassinos
da Umbrella! Vamos subir!
E,
lutando contra a exaustão, começaram a vencer os degraus.
Cruzando
a porta, Jill viu-se em mais uma caverna praticamente idêntica às anteriores.
Uma diferença notória era que, alguns metros à sua direita, havia uma enorme
pedra redonda selando o caminho. A jovem teve um mau pressentimento.
Subitamente, lembrou-se dos filmes de Indiana Jones que costumava assistir com
o pai durante a infância, e de como o protagonista escapava de mil perigos e
armadilhas em cenários semelhantes àquele.
–
Se for assim, então
sou “Jillian Jones”! – riu a policial, pensando alto. – O problema é que as
tumbas que exploro são guardadas pelos próprios mortos!
Olhou
novamente para a pedra. Precisava descobrir o que havia do outro lado. Não
existia outro caminho. Seu pai, sempre que estava às voltas com um novo golpe,
dizia-lhe que quem não arrisca, não petisca. Pensando assim, Jill resolveu se
aproximar do obstáculo...
Talvez
não houvesse sido a melhor opção. Para seu desespero, a enorme rocha começou a
se mover em sua direção. Com o coração batendo rapidamente, Valentine recuou
correndo pela passagem, a qual tremia devido à grande quantidade de peso sendo
deslocada atrás da policial. Desnorteada, Jill podia sentir a pedra cada vez
mais próxima de si, prestes a lhe esmagar violentamente a qualquer instante,
quebrando todos os seus ossos e transformando seu corpo num repugnante patê
humano...
Até
que, com a esperança de livrar-se da ameaça, a integrante do S.T.A.R.S. rolou
na direção da porta pela qual viera. Para sua sorte, conseguiu sair do caminho
da devastadora rocha, que passou rolando a menos de um metro de seu rosto. Segundos
depois, houve um grande estrondo. A descomunal massa em movimento atingira uma
parede, derrubando-a e finalmente parando no canto da caverna, diante de uma porta-dupla
até então oculta devido ao desconhecido obstáculo.
Jill
precisava cruzá-la, mas primeiro se sentiu na obrigação de averiguar o que
antes havia atrás da pedra. Não poderia simplesmente seguir em frente depois de
ter quase morrido tentando solucionar tal enigma.
Mais
calma, a policial seguiu até o final da passagem, caminho agora livre. Lá, numa
abertura quase imperceptível na parede à esquerda, encontrou um estojo contendo
munição incendiária para a bazuca. Uma espécie de prêmio ali colocado para quem
sobrevivesse à temível pedra rolante.
CLANK!
Valentine
voltou-se instintivamente para trás. Alguém, ou algo, acabara de abrir a porta
metálica que a jovem havia cruzado para chegar àquela caverna. Apontando a arma
que antes pertencera a Enrico na direção do som, Jill viu uma silhueta
terrivelmente conhecida se aproximar lentamente da posição em que se
encontrava.
Sob
a luz das oscilantes lâmpadas da passagem, a criatura logo foi identificada
pela policial: tratava-se de outro daqueles répteis mutantes que vagavam
sedentos de sangue pelos túneis subterrâneos.
Quando
a integrante do S.T.A.R.S. estava a ponto de disparar, o monstro passou a
correr rumo à presa, soltando um berro estridente. Sempre firme e destemida,
Jill não se abalou, apertando o gatilho antes que a aberração pudesse saltar
sobre si.
O
projétil atingiu o Hunter no abdômen, partindo seu corpo escamoso em quatro
partes. Valentine respirou aliviada, re-carregando a arma com a munição que
acabara de encontrar. Em seguida, pensando novamente nos companheiros, a
corajosa jovem cruzou a porta-dupla mencionada há pouco.
O
sargento Peyton Wells estava novamente a bordo do helicóptero pilotado por
Brad, que realizava novo vôo sobre a floresta em busca do Alpha Team. Aquela
busca se tornava cada vez mais angustiante. Se ao menos eles encontrassem algo...
Nem se fosse o cadáver de algum colega, mas pelo menos assim eles teriam
certeza de alguma coisa. Continuar procurando pelos S.T.A.R.S. às cegas sem
saber se eles estavam vivos ou mortos era profundamente desesperador.
–
Eles ainda estão
por aqui... – murmurou Peyton, roendo as unhas. – Eu sei disso!
–
Acho que
deveríamos chamar reforços, e então iniciar uma varredura completa da área! –
disse Brad, desejando imensamente voltar para Raccoon City antes que Wells
resolvesse pousar mais uma vez.
–
Vamos aguardar o
nascer do sol, não falta muito... – afirmou o sargento, fitando um relógio em
seu pulso. – Se até lá não encontrarmos nada, faremos o que propôs!
Vickers
assentiu com a cabeça, e a investigação prosseguiu.
Cruzando
a porta-dupla, Jill adentrou uma caverna não muito grande e pouco iluminada,
aspecto este que lhe fornecia aparência incomparavelmente sombria. Olhando ao
redor em busca de uma nova saída, a policial avançou alguns passos, e percebeu
que suas botas pisavam sobre algum tipo de substância pegajosa no chão.
–
Mas o que é isto?
– estranhou a jovem, olhando para baixo.
Sentindo
a adrenalina subir, Valentine constatou que todo o local era forrado por um
extenso emaranhado de teias de aranha. Não só sob seus pés, mas também nas
paredes e sobre o que parecia ser uma outra porta-dupla logo à frente, coberta
por espessos fios brancos, o que tornava impossível abri-la.
Lembrando-se
das temíveis aranhas gigantes confrontadas na casa localizada nos fundos da
propriedade, Jill achou melhor voltar por onde viera e tentar encontrar outro
caminho, quando ouviu um forte baque atrás de si.
A
integrante do S.T.A.R.S. sentiu seu corpo cansado e dolorido gelar. Voltando-se
lentamente para trás, viu-se cara a cara com uma assustadora aranha de tamanho
inconcebível, talvez maior que as vistas anteriormente. Era uma viúva-negra. Uma
viúva-negra gigantesca e monstruosa.
Invadida
por intenso medo, a combatente saltou rapidamente para trás, escapando de um
forte golpe das patas do aracnídeo que por pouco não a partiu em duas. Tentando
recuperar o fôlego, Jill correu até uma das paredes, apontando em seguida a
bazuca na direção da bizarra criatura. Cerrando os dentes, um primeiro projétil
incendiário foi disparado na direção da aranha. Esta, para a infelicidade de
Valentine, conseguiu escapar numa ágil esquiva.
Praguejando
em voz baixa, a jovem mirou novamente para efetuar um segundo ataque. Porém,
num piscar de olhos, a viúva-negra se dirigiu até a vítima movendo-se velozmente,
ficando extremamente próxima. Desesperada, a sobrevivente deu uma pancada no
monstro usando a arma, e em resposta recebeu um jato de veneno que lhe banhou
boa parte do tronco.
Jill
gemeu, e o ser mutante recuou. Era hora do contra-ataque. A bazuca foi mais uma
vez apontada para a aberração. A filha de Dick Valentine respirou fundo. Não
poderia errar, ou acabaria virando comida de aranha.
–
Morra, sua
desgraçada! – bradou a policial.
E
pressionou o gatilho.
O
artefato flamejante acertou o abominável artrópode no centro de seu corpo contaminado
pelo T-Virus. A ameaça foi reduzida a uma pilha de restos em chamas, os quais
em poucos segundos pararam definitivamente de se movimentar. A horripilante
viúva-negra estava aniquilada.
Entretanto,
as coisas não eram tão fáceis quanto pareciam. Afetada pela substância tóxica
que fora lançada sobre si, a combatente sentiu-se repentinamente zonza, e sua
visão ficou embaçada. Levando uma das mãos à testa, percebeu que esta queimava
como fogo. Jill estava envenenada e precisava sem demora pensar numa maneira de
permanecer viva.
–
A porta... –
suspirou a jovem, fitando a entrada coberta de teia.
Cada
vez pior, Valentine retirou do cinto sua faca de combate, cambaleando até o
local. Com os braços dormentes, a policial, a golpes imprecisos, começou a
remover os fios brancos que bloqueavam o caminho. Ficou ainda mais zonza, e sua
cabeça agora doía. Porém não desistiu, e logo a porta estava totalmente livre.
Entretanto,
já não havia mais tempo. No ápice do envenenamento, a integrante do S.T.A.R.S.
veio ao chão no momento em que ia girar a maçaneta. A ponto de ficar
inconsciente, a sobrevivente exclamou, numa última esperança de ser salva:
–
Estou envenenada!
Alguém me ajude!
Foi
inútil. Vencida pela toxina, Jill perdeu os sentidos. Quase simultaneamente, a
porta que levava à passagem anterior se abriu, e alguém caminhou para dentro da
caverna. Deparando-se com a combatente desmaiada, a pessoa recém-chegada, um
homem, murmurou sinistramente:
–
Esplêndido...
Simplesmente esplêndido!
Enquanto
isso, em Chicago, Spencer, sentado diante de uma mesa, batia freneticamente os
dedos sobre o móvel, ainda aguardando o contato de Wesker. Qualquer um diria
que isso não mais ocorreria, mas o proprietário da mansão nos arredores de
Raccoon City era um homem persistente.
–
Senhor! – chamou um
dos operadores de comunicações, aproximando-se do superior.
–
O que é? –
indagou Spencer com certa rispidez.
–
A equipe que o
senhor pediu está pronta para partir rumo à Califórnia a qualquer momento!
–
Ótimo.
–
E então? Quais são
as ordens do senhor?
Esforçando-se
para conservar o pouco de paciência que lhe restava, o responsável pelas
pesquisas em Arklay respondeu:
–
Apenas mais
meia-hora... E então enviarei o esquadrão!
–
Entendido,
senhor.
O
operador se afastou, e Spencer mergulhou mais uma vez em seu mundo de espera e
incerteza.
Capítulo 14
O laboratório secreto.
Seguindo
as instruções de John, Chris empurrou a estátua até a marca no chão e, para sua
surpresa, um compartimento se abriu automaticamente numa parede próxima, revelando
possuir algo em seu interior. Rebecca apenas observava.
–
É um mecanismo
bem interessante! – afirmou Redfield, caminhando até a abertura na rocha. – Vamos
ver o que há nesse buraco!
O
policial retirou do esconderijo um medalhão circular prateado semelhante ao que
encontrara na mansão, mas possuía agora o emblema de um lobo.
–
Agora nós
possuímos os dois medalhões necessários para que possamos adentrar o
laboratório subterrâneo – disse John. – Venham, eu mostro o caminho!
Dirigindo-se
até a porta, o cientista foi interrompido por Chambers:
–
Espere!
–
Sim? – perguntou
Howe, voltando-se para a jovem.
–
Que tipo de
criaturas nós poderemos encontrar lá embaixo? Como foi no laboratório onde a
infecção teve início, creio que os mutantes do lugar sejam muito mais fortes e
poderosos...
–
Não se
preocupe... Serão apenas mais alguns experimentos fracassados da Umbrella...
Rebecca
não sabia ao certo se aquelas palavras lhe provocavam medo ou conforto. Já
Chris não conseguia parar de pensar em Jill. Eles já estavam a um passo de
resolver aquele caso, e nenhum sinal dela... Como era frustrante! De qualquer
forma, não podiam parar. Ainda havia segredos a serem revelados... E máscaras
que precisavam cair...
–
Jill! – gritou
Barry mais uma vez, prosseguindo pela caverna sombria.
Nada.
Burton já estava procurando pela colega há alguns minutos, e a busca até o
momento fora em vão. Os dois não se viam desde o encontro com Enrico à beira da
morte, e aquelas galerias, que pareciam formar um imenso labirinto, deixavam o
pai de família cada vez mais preocupado com Valentine.
As
ordens de Wesker foram claras. Barry deveria se concentrar nos objetivos e
esquecer os demais. Os S.T.A.R.S. haviam sido atraídos até ali justamente para
lutarem contra os monstros, testando assim as habilidades de combate destes
últimos. Se algum membro da equipe morresse, seria simplesmente uma fatalidade
decorrente da superioridade dos mutantes. Algo inevitável.
Burton,
porém, não era tão frio quanto seu superior. Faria o possível para proteger a
vida de seus companheiros, principalmente Jill, que tanto confiava nele. E
pensar que ele estava traindo a todos para proteger sua esposa e filhas...
–
Maldito Wesker...
De
repente, ouviu o som de maquinário trabalhando. Alguém provavelmente estava
utilizando o elevador mencionado pelo capitão anteriormente, que levava ao
pátio na superfície onde estava localizada a entrada secreta do laboratório
principal. Esse alguém poderia ser Wesker, ou então algum outro sobrevivente do
time...
–
Espero que Jill
esteja bem... – murmurou Barry, entrando por uma porta de metal.
O
ascensor parou, e assim Chris, Rebecca e John ganharam o novo ambiente. Estavam
novamente acima do solo, numa espécie de pátio cercado por um alto muro de
concreto. Além dele via-se a floresta, que emitia o repetitivo som de grilos.
Às vezes era possível ouvir também o aterrador uivar de algum lobo.
O
trio avançou alguns passos, e Howe se aproximou de uma porta-dupla de metal
logo à esquerda do elevador. Tentou abri-la, mas o sólido som da tranca dizimou
suas expectativas.
–
Esta entrada leva
ao heliporto, porém está lacrada! – informou ele aos membros do S.T.A.R.S. –
Precisaremos dar a volta por dentro do laboratório!
Redfield
e Chambers assentiram, voltando-se logo depois para uma fonte circular presente
no centro do pátio. Estava cheia d’água quase até a borda. Chris notou a
presença de dois orifícios ao redor do tanque, um exatamente oposto ao outro.
Ambos eram do mesmo tamanho e forma dos medalhões encontrados na mansão e nas
cavernas subterrâneas.
–
Este mecanismo funciona
como eu estou pensando? – perguntou o atirador a John.
–
Se você o
relacionou com os dois medalhões, sim! – respondeu o cientista num sorriso. – Coloque
o da águia nesse orifício, e me jogue o do lobo para que eu possa inseri-lo no
outro!
O
policial atirou o artefato prateado para Howe, que o encaixou na abertura
correspondente. O integrante do Alpha Team fez o mesmo com a peça dourada, e
imediatamente os três sobreviventes começaram a ouvir uma série de ruídos
mecânicos. Num processo rápido e surpreendente, o fundo da fonte se abriu,
fazendo toda a água escoar. Revelou em seu lugar uma pequena escada em espiral
que levava a um elevador metálico parecido com uma jaula, o qual, por sua vez,
descia vários metros pelo escuro buraco circular cravado na terra, iluminado
levemente por lâmpadas dispostas ao seu redor. Parte da beirada do tanque se
abriu para que o trio vencesse os degraus e embarcasse naquele transporte tão
bem escondido.
–
É fantástico! –
exclamou Rebecca. – Essa passagem secreta deve ter levado anos para ficar
pronta!
–
A Umbrella tem
muitos segredos, minha cara... – afirmou John em tom misterioso, já seguindo
pela escada. – Sigam-me!
E,
temerosos em relação ao que encontrariam lá embaixo, os dois combatentes
desceram junto com Howe rumo ao laboratório principal, onde toda aquela
tragédia tivera seu marco zero.
Jill
acordou subitamente, deitada sobre o chão gelado. Sem demora sentou-se, olhando
em volta. Encontrava-se presa numa espécie de cela, com uma pia à sua direita,
uma cama às suas costas e uma espessa porta de metal logo à frente, na qual
havia uma abertura com grades que possibilitava uma limitada visão do lado de
fora.
Levantando-se,
a filha de Dick Valentine, ainda um pouco zonza, caminhou até a saída trancada,
segurando as frias barras do buraco retangular. Lá fora havia um corredor de
paredes cinzas, lembrando em parte a área inundada sob a casa dos fundos. Com
isso, a jovem pôde concluir que não estava mais nas galerias subterrâneas. Alguém
provavelmente a encontrara desmaiada, injetara-lhe um soro contra o veneno da
aranha gigante e depois lhe trancara ali. Se era assim, então por que a mesma
pessoa que a salvara também a fizera prisioneira? Teria sido o intrigante sujeito
de jaleco que a livrara da Planta 42 anteriormente?
–
Socorro, preciso
sair daqui! – gritou ela, esmurrando a porta.
Súbito,
a ex-ladra ouviu uma risada masculina, seguida de passos. Um homem estava
vindo. Jill sentiu seu coração disparar mais uma vez, quando a silhueta do
indivíduo surgiu na passagem exterior. Assim que ela tornou-se nítida, a
policial foi tomada pelo alívio. Era Albert Wesker.
–
Capitão, que bom
vê-lo! – disse Valentine, esperançosa. – Precisa me tirar daqui, alguém me
prendeu!
–
E por que razão
eu faria isso? – indagou o líder do S.T.A.R.S. em Raccoon, sorrindo
sadicamente.
A
combatente, estranhando aquela atitude por parte do superior, franziu a testa,
perguntando:
–
Mas do que diabos
você está falando?
–
Fui eu quem
prendeu você nessa cela, Jill. Não poderá mais interferir em meus planos, e
caso não se comporte bem, irá conhecer o Criador!
Jill
lembrou-se no mesmo instante das últimas palavras de Enrico Marini. Havia um
traidor entre os S.T.A.R.S., e tudo havia sido planejado pela Umbrella. Como
ela não desconfiara antes? Chegara até a suspeitar de Barry, na verdade ele
poderia até estar envolvido, mas não era a mente principal por trás de tudo
aquilo. Agora tudo se encaixava... Wesker era o carrasco da equipe!
–
Seu maldito
desgraçado! – bradou ela, inconformada.
–
Na verdade você
deveria estar agradecida... Eu a curei do envenenamento para que assim possa
testemunhar meu triunfo final!
–
Triunfo final? Chama
matar pessoas de bem que confiavam em você de triunfo final? Onde você está com
a cabeça, Wesker?
–
Minha cabeça está
onde sempre devia estar, minha cara... Acima do meu pescoço! Agora descanse,
precisará de muitas forças para resistir à explosão que consumirá toda esta
propriedade em poucos minutos!
O
capitão se afastou, gargalhando por dentro e por fora, enquanto Jill,
inconformada, sentava-se novamente sobre o chão após esmurrar a porta mais
algumas vezes, chorando de raiva e frustração.
O
laboratório secreto da Umbrella era um local frio e sem vida, onde praticamente
tudo era feito de metal. Após terem concluído a descida pelo elevador da fonte,
os dois policiais mais John seguiam por um corredor totalmente vazio e
silencioso, sem qualquer sinal de monstros ou eventuais sobreviventes.
–
Este lugar me
assusta mais do que a mansão... – murmurou Rebecca, segurando firmemente sua
submetralhadora.
Percorrendo
mais alguns metros, o grupo passou diante de uma porta-dupla fortemente
lacrada, onde lia-se a inscrição “Saída de Emergência – Heliporto”. Howe
explicou que ela só seria destrancada quando a autodestruição do complexo fosse
ativada. Seguiram então mais alguns passos e desceram por uma escada-de-mão,
ficando de frente para uma porta cinza.
–
Estamos quase
lá... – disse John.
–
Lá onde? – quis
saber Chris.
–
A sala de
reuniões... Há algo que vocês precisam ver!
Logo
depois prosseguiram.
Capítulo 15
A máscara cai.
No
novo corredor havia dois cientistas zumbis vagando sem rumo em busca de carne
humana. Chris liquidou o primeiro com um tiro da espingarda, e o segundo caiu
após receber no peito várias balas disparadas por Rebecca. Em seguida
avançaram, parando diante de uma porta-dupla próxima a uma escada que descia
até o subsolo inferior. John girou a maçaneta, mas estava trancada.
–
Droga! –
exclamou, nervoso. – Agora eu me lembro! Lacrei algumas portas do laboratório
através do sistema de segurança quando a infecção ainda se iniciava! Precisarei
acessar o terminal de computador localizado numa das salas do próximo nível
para que assim acessemos a sala de reuniões!
–
Eu posso fazer
isso! – ofereceu-se Redfield. – Diga-me como chegar até essa tal sala!
–
Descendo por essa
escada, você chegará a um corredor em forma de quadrado. Logo à direita haverá
uma porta, ignore-a por enquanto. Siga pela esquerda até encontrar uma outra
entrada na curva seguinte. Não tem erro!
–
OK, estou
descendo! Você e a Rebecca esperarão aqui durante quinze minutos. Caso eu não
volte, sigam sem mim!
–
Chris, espere! –
pediu Howe, enquanto o policial já se dirigia até os degraus.
–
O que é?
–
É obrigatório
efetuar log-in para acessar o sistema de segurança, além de uma senha para
destrancar as portas! – explicou o cientista, estendendo um pequeno pedaço de
papel para o atirador. – Aqui você encontrará as informações necessárias!
–
Certo... –
murmurou o rapaz, pegando a cola. – Mais alguma coisa?
–
Leve minha
Magnum, você precisará dela! – disse John, entregando o revólver ao integrante
do S.T.A.R.S., que o apanhou um tanto hesitante, pendurando sua espingarda às
costas.
–
Eu me pergunto
sobre que tipo de aberrações eu encontrarei depois dessa escada...
Após
respirar fundo e olhar uma última vez para Rebecca e o funcionário da Umbrella,
Redfield avançou pelos degraus...
A
porta se abriu automaticamente diante de Wesker, e o traiçoeiro capitão do
S.T.A.R.S. ganhou então um corredor em forma de “T”, cinza e aterrador como
todo o resto do laboratório. Albert prosseguiu alguns passos, adentrando a
bifurcação do local, onde Barry o aguardava de pé junto a uma parede, braços
cruzados e extremamente pensativo.
–
Você chegou
rápido... – observou o líder da equipe.
–
Utilizei o
caminho alternativo que você indicou... – replicou Burton, desanimado. – E
então, qual a situação?
–
Já cuidei da
Valentine. Ela está presa na área de detenção. Ainda precisamos nos livrar de
Redfield, Chambers e aquele maldito Howe. Estou reservando algo especial para
eles...
–
O que devo fazer?
–
Aguarde no
primeiro subsolo. Assim que a autodestruição for acionada, corra até o
heliporto. Eu estarei lá em questão de instantes!
–
Entendi. Estou a
caminho.
Cabisbaixo,
Barry cruzou a porta pela qual Wesker viera. Agora sozinho no corredor, o
comandante do S.T.A.R.S. em Raccoon City murmurou num sorriso disfarçado:
–
Tão tolo... Chega
a dar pena!
Confiante,
Albert seguiu pelo caminho da direita, cruzando uma entrada onde se lia “Sala
de Força”. O desfecho se aproximava, mas ainda havia várias coisas de que
precisava cuidar.
Chris
concluiu a descida, chegando ao corredor quadrado. Estava num dos vértices
dele, com a porta mencionada por John à direita. Seguindo à risca as instruções
do cientista, o atirador ignorou esse caminho e seguiu pela esquerda,
deparando-se com algo nada agradável...
Era
um zumbi, porém muito mais repugnante que todos os outros vistos até aquele
momento. Nu, a aparência do morto-vivo era totalmente deformada, sua carne
pútrida compondo uma massa pastosa e disforme que dificultava a conclusão de
que aquilo um dia fora um ser humano. Exalava terrível mau cheiro e, percebendo
Redfield, avançou em sua direção com os braços estendidos, soltando um gemido
infernal.
O
membro do S.T.A.R.S. apontou a Magnum e pressionou o gatilho.
A
bala de grosso calibre da arma penetrou nos tecidos decompostos do tórax do
mutante, destruindo boa parte de seu corpo reanimado. O policial continuou,
pisando sobre o sangue coagulado da bizarra criatura, até atingir a porta pela
qual deveria entrar, e esta se abriu automaticamente.
O
local seguinte era um ambiente onde os funcionários da Umbrella antes trabalhavam,
dada a grande quantidade de equipamento, como microscópios e frascos, presente
sobre uma mesa no centro do lugar. Logo Chris encontrou o terminal de
computador num dos cantos da sala, logo à frente da entrada. Aproximando-se da
máquina, sentou-se numa cadeira diante dela para em seguida ligá-la apertando
um botão.
Surgiu
o logotipo de um guarda-chuva vermelho e branco girando na tela, ao mesmo tempo
em que a inscrição “Umbrella” aparecia ao lado dele, ao som de uma música
irritante. Segundos depois o fundo ficou azul, e em letras brancas era possível
ler “Sistema de Segurança da Umbrella – Versão 1.0”, junto com uma mensagem
pedindo nome de usuário e senha para que fosse efetuado o log-in. Rapidamente,
Redfield apanhou o papel fornecido por Howe, e viu que nele estava escrito:
USUÁRIO: John
SENHA: Ada
Chris
digitou os dados conforme a cola, e assim conseguiu avançar. A tela seguinte
pedia que o usuário informasse qual porta gostaria de destrancar. Sem
pestanejar, o jovem selecionou a entrada da sala de reuniões, e o sistema pediu
uma nova senha. O papel voltou a ser consultado:
SENHA 2: Birkin
A
palavra-chave foi inserida, e um “bip” do computador informou que a tranca da
porta havia sido liberada. O policial comemorou com um gesto, levantando-se da
cadeira para voltar até o andar superior.
–
Está no fim... –
murmurou, enquanto caminhava até a saída.
Ofegante,
Wesker atravessou a porta da sala de força, voltando ao corredor em forma de
“T” onde encontrara Barry poucos minutos atrás. Não fora fácil evitar os
terríveis monstros que circulavam pelo local, conhecidos como “Quimeras”, porém
obtivera sucesso em religar a energia para o elevador que levava ao último
subsolo. Agora tudo estava preparado para sua derradeira armadilha. A hora de
libertá-lo estava próxima.
–
A arma biológica
definitiva... – disse o capitão, sonhando acordado.
Seria
algo bonito de se ver. “Ele” eliminaria os S.T.A.R.S. intrometidos, um a um,
com imensa crueldade. Albert obteria os dados de combate que faltavam, e assim
comprovaria a efetividade de sua dantesca criação: um supersoldado capaz de
subjugar qualquer exército do mundo. Mal podia esperar...
Vencendo
o último degrau, Chris viu Rebecca sorrir por ele ter voltado são e salvo. O
atirador precisara aniquilar outro daqueles zumbis pelados no caminho de volta,
mas fora isso não tivera mais nenhum contratempo.
–
A porta está
aberta! – informou Redfield.
–
Ótimo, vamos
entrar! – exclamou John, girando a maçaneta.
O
trio de sobreviventes entrou na sala de reuniões com certo receio, mas por
sorte o lugar estava vazio. No centro havia uma mesa com cadeiras ao redor, e
sobre ela um projetor de slides voltado para uma parede nua do lado oposto à
entrada. Nas laterais via-se uma estante de metal, uma lousa branca possuindo o
esquema de um crânio humano e uma intrigante abertura no concreto com um
interruptor vermelho.
Este
último foi pressionado por Howe, e a prateleira acima mencionada se moveu
horizontalmente, revelando um compartimento secreto atrás de sua posição
inicial. Dentro estava escondido um rolo de slides, que foi colocado na máquina
pelo cientista.
–
Preparem-se! –
disse ele. – Uma máscara está prestes a cair!
John
ligou o projetor, e o símbolo da empresa responsável por tudo aquilo surgiu na
parede diante deles, junto com a inscrição “Relatório Oficial de Armas
Biológicas da Umbrella”.
–
Armas biológicas?
– surpreendeu-se Chris. – Então eles pretendiam fornecer todos esses mutantes aos
militares!
O
próximo slide mostrava a foto de um dos bizarros cães que haviam sido
enfrentados pelos S.T.A.R.S. anteriormente, junto com o nome da criação: “MA-39
Cerberus”. Logo depois veio a imagem de um tubarão como aqueles antes
cultivados sob a casa dos fundos, chamados “FI-3 Neptune”. Seguiu-se o réptil
humanóide que dominara as galerias subterrâneas, conhecido como “MA-121
Hunter”. O slide posterior era confuso e mostrava um gráfico próximo à silhueta
de algum tipo de monstro, possuindo a denominação “T-002 Tyrant”.
E,
finalmente, após um espaço em branco, apareceu a foto de alguns cientistas e a
inscrição “Instituto de Pesquisa de Armas Biológicas – Equipes R e D”. Redfield
e Chambers reconheceram de imediato um homem de óculos escuros que estava entre
os pesquisadores, sentindo repentino calafrio.
–
Wesker! – gritou
o rapaz num misto de surpresa e indignação. – Wesker é o traidor filho da mãe
que nos trouxe até este pesadelo!
O
policial deu um soco na mesa, bufando de fúria. Tinha contas a acertar com o
capitão.
Capítulo 16
O riso do traidor.
Chris
e Rebecca estavam incrivelmente tensos. A revelação da traição de Wesker os
apunhalara em cheio, e agora não sabiam ao certo como agir. Redfield pensava em
vingança, mas extrema cautela constituía recurso mais que necessário. O capitão
do S.T.A.R.S. era um homem cruel e ardiloso, e lidar com ele era o mesmo que se
aproximar de uma cobra prestes a dar o bote.
John,
armado novamente com a Magnum, os conduzira até o corredor em forma de “T” onde
Barry e Albert haviam trocado breves palavras momentos antes. Ao chegarem à
bifurcação, o cientista explicou o plano que tinha em mente:
–
A porta à direita
leva à sala de força. Eu irei até lá ativar a contagem regressiva para a
autodestruição. Assim que ela começar, teremos aproximadamente quinze minutos
para correr até o heliporto e chamar resgate. Caso não consigamos contatar
ninguém, nossa última opção será fugir a pé pela floresta!
–
E quanto a nós, o
que faremos enquanto isso? – inquiriu Chambers.
–
O elevador à
esquerda, no final deste corredor, desce até o último subsolo do laboratório.
Há algo lá que precisam ver, além de evidências contra a Umbrella a serem
coletadas. É possível que Wesker esteja aguardando vocês. Caso isso aconteça,
tentem enganá-lo de alguma forma. Acredito que ele não seja um homem tão
inteligente quanto aparenta ser!
–
Entendido! –
disse o atirador.
–
OK. Assim que
averiguarem o local, subam de volta e me esperem aqui! Seguiremos juntos até o
heliporto!
Em
seguida, Howe caminhou até a porta da sala de força, acenando para os policiais
antes de cruzá-la. Estes, por sua vez, seguiram até o elevador na outra
extremidade do corredor, adentrando-o com intenso nervosismo. Chris pressionou
um botão no painel e, após rápido tremor, o transporte começou a descer.
Durante
o trajeto, Redfield lembrou-se de Barry e Jill. Ele já não os via há um bom
tempo! Estariam ainda vivos? Em caso afirmativo, não poderiam ir embora sem
eles! Transtornado, o rapaz viu em sua mente a imagem de Valentine morta pelas
terríveis criaturas daquele lugar, sem que ele pudesse fazer nada para
salvá-la... Ela precisava sobreviver! Entretanto, em que lugar poderia estar
naquele momento?
BUMP!
O
elevador atingiu seu destino, e as portas se abriram diante dos combatentes. Temendo
eventuais ameaças, ambos adentraram de forma lenta e apreensiva um corredor em
forma de “L”, aparentemente sem nenhum monstro. Porém, ao contornarem a curva
para a esquerda, depararam-se com o ser mais sádico e mesquinho que poderia
existir: Albert Wesker.
Vendo-os,
o traidor riu, apontando-lhes sua pistola Desert Eagle antes que pudessem
reagir. Com a mão livre, ajeitou os óculos escuros, ouvindo Chris exclamar,
enquanto este tentava conter sua raiva:
–
Wesker!
–
Chris, devo
reconhecer que, como meu comandado, seu talento é extraordinário! Poucos seriam
capazes de chegar até aqui!
–
Seu nojento! Já
sei de tudo! Você trabalhava para a Umbrella! Atraiu os S.T.A.R.S. até este
lugar apenas para testarem essas malditas aberrações que vocês criaram!
–
Aberrações, não –
corrigiu o líder do time. – Armas biológicas!
–
Está ciente do
que fez? Isso está fora de controle! O vírus contaminou toda a propriedade,
transformando todos os cientistas em zumbis!
–
Sabe, eu não
estou dando a mínima para esses mortos-vivos. Foi um efeito colateral. Eu os
queimarei todos juntos, assim como este laboratório, assim que a autodestruição
for ativada! Eu cumprirei minha missão, assim como ordenado pela Umbrella! E
ninguém poderá me impedir, nem mesmo vocês, S.T.A.R.S. justiceiros de uma figa!
–
Está sozinho
nisso, ou há alguém mais da equipe envolvido?
–
Barry vem me
auxiliando desde o momento em que pousamos com o helicóptero. Ouvi falar que
sua esposa e filhas estarão em perigo se ele não cumprir tudo o que eu
mandar...
–
Como você pode
ser tão cruel a ponto de manipulá-lo dessa forma? – indagou Rebecca, perplexa.
–
Coloquem-se no
meu lugar. O que vocês fariam se criassem a mais poderosa arma biológica do
mundo? Que responsabilidade teriam em mãos?
–
Você é louco... –
murmurou Redfield.
–
Estou apenas
salvando o que ajudei a criar. Esta pesquisa é muito importante e não pode se
perder, muito menos cair nas mãos das autoridades. Nada disto pode ir a
público. Aliás, tenho algo em mente para quando tiver o pagamento da Umbrella
em minha conta bancária...
–
Nenhuma quantia
justifica a morte dos membros do S.T.A.R.S., Wesker!
–
Não é apenas pelo
dinheiro, Chris. É pelas criaturas. Nós conseguimos criar um supersoldado, um
guerreiro apto a combater em qualquer tipo de conflito! Não acha essa razão
suficiente para sabotar o helicóptero do Bravo Team ou dar um tiro certeiro
naquele chato do Enrico?
–
Você o matou? –
exclamou Chambers, olhos arregalados e semblante horrorizado.
–
Sim, desta
maneira!
Dizendo
isso, Albert apontou a arma para a jovem e disparou. Atingida no tórax, a
integrante do S.T.A.R.S. veio ao chão de forma rápida, corpo inerte e
presumidamente já sem vida.
–
Rebecca! – gritou
Chris com todas as forças, incrédulo e revoltado.
–
Não se mova! –
ordenou Wesker, voltando a mirar na direção do policial. – Faça isso e você
será o próximo a partir rumo ao inferno!
O
ex-membro da Força Aérea fechou os punhos de tanta raiva. Tinha vontade de voar
sobre o pescoço do capitão, quebrando-o com grande prazer. Entretanto, Albert
estava no comando e Chris precisava seguir suas ordens até que a situação se
invertesse, ou acabaria morto...
–
Siga-me! – disse
o traidor, seguindo até a porta-dupla logo em frente. – Quero lhe mostrar a
obra-prima deste laboratório! E perdoe minha falta de maneiras, pois não estou
acostumado a escoltar minhas cobaias de teste!
Com
os braços para o alto, Redfield acompanhou Wesker pela entrada, percebendo que,
no chão, diante dela, havia o símbolo de perigo biológico.
A
sala de energia era talvez a área mais amedrontadora do laboratório
subterrâneo. O local era iluminado por lâmpadas de tom avermelhado que davam
aparência soturna ao ambiente, sem contar os jatos de vapor que escapavam a
todo momento das tubulações no teto e paredes através de rachaduras.
John
percorria esse setor com a Magnum em mãos, rumo ao gerador de energia
principal, localizado nos fundos do lugar. Através do computador acoplado a
ele, o pesquisador poderia acionar o processo de autodestruição, que em questão
de minutos transformaria a mansão e suas imediações numa grande cratera.
Correndo
sobre o chão de metal, Howe viu-se sem mais nem menos de frente para um
horripilante mutante insetóide que lembrava em parte um ser humano, pouco mais
de um metro de altura. Antes pendurado ao teto através dos braços, o mutante
pousou diante do cientista, pronto para atacá-lo com suas cortantes garras.
–
Como pude me
esquecer? – reprovou-se John. – As Quimeras!
Um
disparo da Magnum foi suficiente para fazer a aberração cair para trás,
contorcendo-se enquanto pequenas larvas brancas saíam de seu corpo escuro
ferido mortalmente. Percebendo que mais daquelas criaturas se aproximavam por
trás de si, Howe avançou rapidamente, temendo não ter a mesma sorte contra um
bando daquelas coisas. Tinha de encontrar o gerador e sair dali o mais depressa
possível.
A
sala possuía inúmeros computadores e modernos equipamentos junto às paredes. No
centro, vários tanques contendo experimentos de menor porte. Wesker levou
Chris, sempre sob a mira da arma, até uma das extremidades do local, onde algo
se destacava.
–
Contemple! –
exclamou Albert cheio de orgulho. – Eis a arma biológica definitiva!
Diante
dos dois, de pé dentro de uma câmara contendo um líquido esverdeado, estava uma
criatura de aparência humana, com altura pouco acima de dois metros e músculos
bem definidos. Não tinha sexo, tampouco cabelo, e sua pele era excessivamente
pálida. A mão esquerda (na perspectiva do monstro) tinha aparência comum, porém
no lugar da direita havia uma série de grandes garras rubras tão afiadas quanto
facas. Para completar a bizarra criação, diante de seu peito, totalmente
exposto, pulsava vagarosamente um coração vermelho que possuía o dobro, senão o
triplo, do tamanho normal do órgão num ser humano.
–
Esse é o
supersoldado elaborado através do T-Virus, um verdadeiro salto na história da
guerra! – vangloriou-se Wesker. – Tyrant!
Redfield
fitou o mutante mais uma vez e não resistiu: começou a rir descontroladamente, percebendo
como o capitão do S.T.A.R.S. era infantil e bobo.
–
Pare, Chris! –
ordenou o traidor, um tanto desajeitado por não esperar aquele tipo de reação.
–
Esse é seu salvador,
Wesker? – perguntou o atirador, ainda rindo. – Sacrificou seus comandados por
causa dessa coisa? Eu não chamaria isso de supersoldado, mas sim
“superfracasso”!
–
Engolirá essas
palavras, Redfield! – ameaçou Albert, seguindo até um terminal de computador ao
lado da câmara. – Será enviado ao inferno, e Valentine se juntará a você logo
depois!
Apesar
das circunstâncias, ao ouvir tal afirmação Chris alegrou-se. Jill estava viva!
Estava viva e ele ainda poderia salvá-la!
Todavia,
sempre há algum contratempo. Digitando velozmente, Wesker fez com que o líquido
da câmara onde Tyrant hibernava começasse a ser drenado. Num piscar de olhos o
interior do compartimento estava seco, e o gigante passou a se mover. Havia
despertado e agora nada seria capaz de pará-lo.
Golpeando
violentamente com suas garras o vidro que o separava do mundo exterior, o
monstro quebrou-o em mil pedaços, caminhando para fora a pesados passos. Chris
sentia enorme medo, mas Wesker sorria, observando, totalmente realizado, o
mutante em ação.
Tyrant
olhou para Redfield por alguns poucos segundos. O policial sentiu o corpo
gelar, porém logo em seguida a titânica aberração voltou-se para seu criador.
Albert, estranhando tal comportamento, recuou alguns passos, e acabou
encurralado pela criatura junto a uma parede.
–
Não, não venha em
minha direção! – berrou o capitão, desesperado. – Não!
Num
golpe ligeiro e sem chance de defesa, o supersoldado empalou Wesker, suas
garras atravessando o corpo do traidor de fora a fora, chegando a erguê-lo do
chão, ao mesmo tempo em que um verdadeiro mar de sangue escorria sobre o piso
cinza da sala. O feitiço se voltara contra o feiticeiro.
Assim
que o cadáver do líder do S.T.A.R.S. parou de se mexer, Tyrant atirou-o longe
bruscamente, virando-se para Redfield. O monstro era incontrolável, e o jovem
precisaria derrubá-lo para sair dali com vida.
–
Você não pode me
matar! – desafiou-o, engatilhando a espingarda calibre 12.
Capítulo 17
Tyrant.
A
“obra-prima” da Umbrella se aproximava de Chris lentamente, parecendo não ter a
menor pressa em matá-lo. O atirador recuou na mesma velocidade, arma apontada
para o gigante.
O
gatilho foi apertado pela primeira vez, e os projéteis da espingarda atingiram
o peito de Tyrant, arrancando-lhe sangue, porém sem afetá-lo efetivamente. Mordendo
os lábios, o policial tentou mais uma vez, acertando agora o abdômen do mutante
assassino, e novamente não foi o suficiente para detê-lo.
–
Droga!
Redfield
rolou para escapar das garras do monstro, que por pouco não perfuraram seu
intestino. Novamente de pé, o membro do S.T.A.R.S. procurou tomar uma distância
maior do oponente, o qual continuava caminhando com aparente tranqüilidade. Nesse
momento, fitando o pulsante órgão vital no tórax da criatura, o rapaz percebeu
em que local deveria mirar. Se destruísse o coração de Tyrant, ele cairia morto
rapidamente.
O
bizarro adversário estava bem próximo. Chris ergueu a espingarda e voltou a
atirar. Ferido em seu ponto vital, a aberração pareceu sentir dor, pois parou
por um instante, cobrindo o local do impacto com a mão esquerda. O jovem
afastou-se do gigante para poder disparar mais uma vez, mas não contava que seu
ataque acabaria enfurecendo-o...
O
mutante seguiu correndo rumo ao agressor, suas garras prontas para parti-lo em
dois. Sempre ágil, Redfield conseguiu se esquivar da investida, e as afiadas
lâminas do monstro acabaram fincadas numa parede. Enquanto observava a arma
biológica tentando se soltar, o policial riu brevemente, voltando a pressionar
o gatilho da espingarda.
O
coração de Tyrant foi novamente atingido, e logo depois o supersoldado livrou
suas garras. Em seguida voltou a correr até o atirador, porém este, mais
rápido, teve tempo de atirar uma vez mais, destruindo parte do órgão.
O
ataque fora decisivo. Após cambalear por poucos segundos, a criação de Wesker caiu
de joelhos, desabando sobre o piso assim como o forte Golias quando derrubado
pelo pequeno Davi. Estendida no chão totalmente imóvel, a criatura parecia
morta. Ofegante, Chris limpou o suor de sua testa, guardando a espingarda às
costas. Vencera.
Instantes
depois, Redfield caminhou até o cadáver do capitão, inerte no chão sobre uma
poça rubra. Uma morte miserável, sem dúvida. Viu que, quando ele fora erguido
por Tyrant, deixara algo cair de seu uniforme. Tratava-se de uma chave, e nela
estava escrito “Área de Detenção”. Apanhou-a.
–
Agora eu poderei
salvá-la, Jill! – afirmou o atirador, esperançoso.
Súbito,
a porta do recinto se abriu. Assustado, o policial quase sacou a espingarda,
temendo ser mais algum monstro. Entretanto, milagrosamente, era Rebecca
Chambers quem entrava na sala, aparentando estar muito bem apesar do tiro que
recebera.
–
Rebecca! –
exclamou Chris, feliz e surpreso. – Mas você...
–
Acho que este meu
colete à prova de balas é bastante resistente! – sorriu a jovem. – O que houve
aqui?
–
Bem, o capitão
está dormindo junto com seu “superfracasso”... – respondeu o rapaz. – Eu
explicarei melhor mais tarde! Agora venha, vamos sair deste lugar!
Os
dois sobreviventes voltaram ao corredor em forma de “L”, quando sem mais nem
menos ouviram o alto e repetitivo som de uma sirene, seguido de uma voz
feminina, que anunciava:
–
O processo de
autodestruição foi ativado! Repito: o processo de autodestruição foi ativado! Todos
os funcionários devem se dirigir até o heliporto para evacuação! Isto não é um
treinamento!
–
O John
conseguiu... – murmurou Chris. – Rápido, para o elevador!
E
subiram rumo ao andar superior.
De
volta ao corredor que lembrava um “T”, Redfield e Chambers logo se encontraram
com Howe, o qual saía naquele exato momento da sala de força. Vendo-os, o
cientista disse:
–
Vamos para o
heliporto antes que tudo vá pelos ares!
–
Vão à frente, eu
preciso salvar Jill! – pediu o atirador, mostrando a chave encontrada junto ao
corpo de Wesker.
–
OK, mas não
demore!
Assim
se separaram. Mal podiam acreditar que tudo estava chegando ao fim.
Valentine
estava sentada num dos cantos da cela, encolhida, com os braços apoiados sobre
os joelhos e a face oculta entre eles. Desconsolada ao ouvir o anúncio da
autodestruição, a ex-ladra pensava que o insano capitão havia triunfado. Era o
fim para os S.T.A.R.S. de Raccoon City. Chorando, ela desejou ao menos ver
Chris uma última vez antes de morrer, revelando-lhe seus sentimentos...
–
Jill!
A
policial ergueu a cabeça, coração aos pulos. Quase enfartou ao ver Redfield através
da abertura na porta, sorrindo-lhe com a chave desta em mãos.
–
Espere só um
segundo! – exclamou ele, liberando a tranca.
O
obstáculo foi vencido e o rapaz pôde entrar no local, olhando para a colega com
felicidade incomparável. Incapaz de resistir, Valentine abraçou-o fortemente, e
logo depois trocaram um demorado beijo, lábios colados e línguas dançando num
momento de extremo prazer e realização. Estavam vivos. Estavam juntos. Nada
mais lhes importava.
–
Eu te amo,
Chris... – suspirou ela.
–
Eu também te amo,
Jill... – respondeu ele, fitando os olhos dela e sorrindo.
Em
seguida soltaram-se, e a filha de Dick Valentine disse:
–
Wesker, ele é...
–
Eu já sei de
tudo! – replicou Redfield em tom tranqüilizador. – Não se preocupe, ficaremos
bem! Precisamos apenas sair daqui o mais rápido possível! Você tem uma arma?
–
Não, o capitão
levou minha bazuca quando me prendeu aqui...
–
Pegue minha
Beretta! – ofereceu Chris, estendendo a arma para a amada. – Já tenho uma
espingarda!
–
Obrigada! –
sorriu Jill, apanhando-a.
Assim
deixaram a cela, correndo como nunca. Eles tinham de sobreviver para revelar ao
mundo os crimes da Umbrella. E, se dependesse deles, obteriam pleno êxito.
John
e Rebecca venceram velozmente a escada-de-mão que levava ao primeiro subsolo do
laboratório. Todavia, logo que chegaram à saída de emergência antes trancada,
depararam-se com Barry Burton apontando-lhes sua Magnum.
–
Parados! –
ordenou ele.
–
Oh, merda... –
praguejou Howe, braços erguidos.
–
Não há mais
motivo para isso, Barry! – informou Chambers. – Wesker está morto! Sua família
já não corre mais perigo!
Burton
hesitou por alguns segundos, mas acabou por abaixar a arma, dizendo cabisbaixo,
voz abafada pelas sirenes:
–
Estou tão
envergonhado por tê-los traído... Eu espero que possam me perdoar algum dia!
–
Não ligue para
isso, amigo! – exclamou o cientista. – Vamos apenas sair daqui!
Barry
assentiu com a cabeça, ao mesmo tempo em que Chris e Jill surgiam pela escada.
–
Ótimo, agora
estão todos aqui! – sorriu John.
–
Hei, eu conheço
você! – afirmou Valentine, olhando fixamente para o pesquisador. – Salvou-me
daquele gás na sala das armaduras e daquela planta gigante!
–
Prazer, sou John
Howe! Ah, e não precisa agradecer! Agora vamos, os minutos estão se esgotando!
Prosseguiram
então pela porta-dupla, cada vez mais ansiosos e ao mesmo tempo aliviados. Seria
mesmo o fim?
Capítulo 18
No heliporto.
A
saída de emergência levava a um novo corredor com várias curvas, que foi
percorrido apressadamente pelo grupo de fugitivos. Terminava num último
elevador que levava até a superfície. Quando os sobreviventes estavam prestes a
embarcar, uma série de gemidos e urros fez com que sentissem um frio na
espinha. Olhando para trás cheia de temor, Rebecca viu que uma horda de zumbis
se aproximava pela passagem, e Albert Wesker, agora transformado num morto-vivo
todo ensangüentado e ausente de inteligência, parecia liderá-los, braços
estendidos na direção dos ex-comandados como se quisesse vingar-se deles.
–
Olhem para todos
esses monstros! – berrou a jovem, apontando para os seres reanimados.
–
Jill, Rebecca e
John, subam até o heliporto e chamem resgate! – ordenou Redfield. – Eu e Barry
podemos cuidar desses feiosos!
–
Mas, Chris... –
oscilou Valentine, preocupada com o amado.
–
Hei, dêem uma
chance para eu e o Barry brincarmos de tiro ao alvo! – pediu o atirador num
sorriso maroto.
–
Está bem... –
assentiu a ex-ladra.
Dessa
forma o cientista e as duas mulheres entraram no transporte, e simultaneamente
a mesma voz feminina que anunciava a autodestruição informou que faltavam cinco
minutos para a total destruição do complexo Arklay. Redfield e Burton continham
os zumbis com disparos de suas armas, e foi com imensa satisfação que o
segundo, prestes a ser mordido, destruiu a cabeça de seu ex-capitão por meio de
uma bala da Magnum...
O
elevador atingiu o heliporto e os ocupantes saíram. O sol já raiava, dissipando
as trevas da noite. Correndo pela superfície de concreto, Jill parou sobre o
“H” no centro do local, exclamando:
–
Precisamos
encontrar uma maneira de contatar um helicóptero! Brad ou algum outro piloto do
R.P.D. deve estar procurando por nós!
–
Eu sei como! –
respondeu John.
O
pesquisador se aproximou de uma caixa próxima ao elevador, sobre a qual via-se
um sinalizador. Pegando-o, Howe seguiu até a posição onde estava Valentine, utilizando
o artefato para enviar um sinal luminoso ao céu, de forma semelhante a um fogo
de artifício.
–
Agora é só
esperar, não temos muito tempo... – murmurou.
Conformado,
o sargento Peyton Wells estava a ponto de ordenar a Brad que voltasse à
delegacia, já que a busca pelo Alpha Team não gerara quaisquer frutos. De
repente, viu um rastro luminoso no céu, vindo de uma clareira no meio da
floresta. Haviam lhes enviado um sinal. Estavam vivos!
–
Siga até lá,
Brad! – exclamou o policial. – Precisamos resgatá-los!
–
Eu estou com um
mau pressentimento sobre isso... – resmungou o piloto, redirecionando o
helicóptero até o lugar de onde partira o pedido de socorro.
Com
a consciência leve e a certeza de que seriam salvos, os três sobreviventes no
heliporto observaram o helicóptero do R.P.D. se aproximar do local, pairando
sobre suas cabeças. Usando uma corda de rapel, Peyton desceu até eles, sempre
armado com seu revólver Magnum, indagando:
–
Vocês estão bem,
garotas?
–
Sim,
relativamente! – respondeu Jill. – Precisamos sair daqui depressa, este lugar
vai explodir em poucos minutos!
–
Meu Deus! Vocês
são as únicas sobreviventes da equipe?
–
Não, Chris e
Barry também estão vivos, eles já devem estar subindo até aqui!
–
Quem é esse cara?
– perguntou o sargento, apontando para John com a cabeça.
–
Um amigo, agora
não temos tempo de explicar! – replicou Rebecca, aflita.
Súbito,
um alto barulho foi ouvido pelo grupo. Todos olharam para um dos cantos do
heliporto, onde um buraco fora aberto no chão pelo lado de dentro, lançando para
cima vários pedaços de concreto. Seguiu-se um urro descomunal, e logo em
seguida a figura de uma enorme criatura de aparência humana, coração exposto e com
grandes garras na mão direita subiu pela abertura, assim como uma besta
emergida das mais horripilantes profundezas do inferno.
Tyrant
ainda estava vivo, e com muita vontade de matar.
–
O que é essa
coisa? – gritou Wells, assustado, apontando sua arma para a recém-chegada
aberração.
–
Não sei, apenas
atirem! – bradou Jill.
Os
quatro indivíduos abriram fogo contra o supersoldado, que desta vez não estava
de brincadeira. Partiu correndo na direção de John, e por muito pouco o
cientista conseguiu desviar do ataque do monstro. As garras do mutante arranharam
o chão, gerando faíscas. Os disparos continuaram, e a criação da Umbrella não
era em nada afetada.
–
Ele não cai! –
irritou-se Peyton.
–
Precisaremos de
um grande poder de fogo para destruí-lo! – disse Howe. – Nossas armas não serão
suficientes!
Urrando,
Tyrant iniciou novo ataque, avançando agora rumo a Jill. Cravando balas no
coração da criatura, a policial se esquivou no último instante, e as lâminas da
aberração deixaram um rastro na parede atrás da jovem.
No
helicóptero, Brad, tremendo como nunca, apenas assistia ao confronto com medo
indescritível, contendo-se para não ir embora. Ele gostaria de fazer algo para
auxiliar os colegas, mas sua covardia era uma barreira extremamente difícil de
ser vencida.
Até
que viu um lança-foguetes que fora esquecido pela equipe sobre um dos bancos da
aeronave durante a confusão na floresta várias horas antes...
Sim,
ele poderia fazer algo por seus amigos!
No
heliporto, a luta contra Tyrant seguia encarniçada. Os fugitivos tinham cada
vez mais dificuldade em se livrar dos ataques do monstro, e o tempo estava se
esgotando.
–
Não vamos
conseguir! – suspirou Valentine, exausta.
TUMP!
Alguma
coisa caíra sobre o concreto, provavelmente jogada do helicóptero. Os
combatentes olharam para o centro do local, e constataram se tratar de um
potente lança-foguetes. Brad exclamou através dos alto-falantes da aeronave:
–
Usem essa arma
para destruir a coisa! Eu sei que vocês conseguem!
Rebecca
percebeu ser aquela a oportunidade perfeita para demonstrar seu valor aos
colegas, mostrando aos demais membros do time que, apesar de jovem, imatura e
inexperiente, ela poderia ser de grande valia em situações extremas.
–
Distraiam o
mutante, eu pego a arma! – gritou Chambers.
Os
demais assentiram. Tyrant preparava uma nova investida, circulando pelo
heliporto enquanto parecia escolher qual seria sua próxima vítima. Logo correu
rumo a Wells, e ao mesmo tempo Rebecca apanhou o lança-foguetes.
–
Consegui! –
alegrou-se ela, apoiando a pesada arma sobre um dos ombros.
Percebendo
a ameaça, o supersoldado voltou-se para a ruiva, preparando as garras para
correr em sua direção. Num piscar de olhos avançou, disposto a arrancar a
cabeça da única sobrevivente do Bravo Team.
–
Game Over!
E,
dizendo isso, Chambers disparou.
O
foguete deixou um rastro de fumaça no ar, acertando perfeitamente o coração do
“superfracasso”. A explosão praticamente fez a criatura implodir e, após um
último urro, foi transformada numa pilha de pedaços flamejantes. Uma derrota
humilhante, porém formidável.
Epílogo
Brad
pousou o helicóptero logo depois, e todos embarcaram rapidamente. Nesse mesmo
instante Chris e Barry saíram do elevador, correndo também rumo ao resgate.
–
Suba, rápido! –
ordenou John a Brad, certificando-se que todos já se encontravam a bordo.
O
piloto obedeceu, ao mesmo tempo em que os últimos segundos de vida da mansão se
esvaíam. Instantes mais tarde, uma grande e faminta explosão engoliu todo o
complexo Arklay, destruindo tudo que fora ilegalmente erguido e provocado pela
Umbrella no coração da floresta de Raccoon...
Dentro
da aeronave, os sobreviventes daquela pitoresca missão respiravam aliviados. John
olhava pensativo através de uma janela, contemplando aquele início de manhã.
Rebecca, vencida pelo cansaço, dormia sobre um assento. Barry, símbolo máximo
do arrependimento, trocava a munição de sua Magnum, refletindo de forma
profunda sobre como Wesker o manipulara. Já Chris e Jill, mãos unidas, apenas
desfrutavam juntos daqueles prazerosos momentos de paz. No fundo sabiam que a
luta ainda não terminara...
Horas
mais tarde, o esquadrão enviado por Spencer averiguava os escombros do
complexo. Nada do que restara poderia ser aproveitado, e Wesker estava morto.
Um revés para a Umbrella, porém não o fim de suas diabólicas experiências...
<<<<>>>>
Departamento
de Polícia de Raccoon City, um mês depois.
Jill
Valentine estava sentada num dos bancos do corredor da sala de imprensa,
cabisbaixa. A coletiva terminara há quase meia-hora, mas ela ainda não se
conformava. Ninguém acreditara nas palavras dela e dos outros sobreviventes!
Quando eles revelaram a verdade sobre os assassinatos nos arredores da cidade, os
céticos repórteres e oficiais riram, sem dar qualquer crédito à história!
A
policial ergueu a cabeça ao ouvir passos. Chris se aproximava. Beijaram-se. Logo
depois o atirador respirou fundo, olhando de modo apreensivo para os lados. Ninguém
os ouviria. Mais calmo, Redfield disse à namorada:
–
Aquele delegado é
um legítimo filho da mãe... Com certeza deve estar na lista de pagamento da
Umbrella!
–
Então eles não
vão mesmo iniciar uma investigação?
–
É extremamente
improvável que eles tomem qualquer providência. Teremos de agir por conta
própria. Por isso decidi viajar até a Europa para espionar a sede mundial da
Umbrella. Barry, por segurança, enviou a família dele para o Canadá, e disse
que irá comigo. John e Rebecca tentarão se infiltrar na filial da empresa em
Chicago. E quanto a você, Jill?
–
Eu não sei...
Creio haver algo nesta cidade que ainda não foi averiguado... A Umbrella possui
mais laboratórios em Raccoon, tenho certeza! Mas prometo que me juntarei a
vocês na Europa assim que concluir meu trabalho por aqui!
–
É uma decisão
sábia. Apenas cuide-se, OK?
Trocaram
novo ósculo, desta vez mais intenso e apaixonado. Justiça seria feita. Eles se
amavam, e juntos colocariam um fim na maldita Umbrella. Definitivamente.
Um mês mais tarde, em setembro, teria
início a epidemia em massa do T-Virus no setor urbano de Raccoon City...